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Divulgue esta idéia

CancaodaFloresta

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Renovar


todo dia é dia de nascer,
recomeçar e viver,
o rio que leva a história
traz consigo o renovo,
novas memórias, o alvorecer.

os passarinhos
cantam das mangueiras,
com seus novos frutos
e folhas bem verdinhas,
em seu tempo, o amadurecer

em meus tempos de menina
ouvia meu pai dizer,
"janeiro é tempo de roça,
ouça a chuva cantarolar
os novos começos, o renovar.

tudo tem seu tempo,
os cupuaçús, bacuris,
pupunhas e tucumãs,
as águas dos igarapés
dos rios que vem e vão.

a vida que se faz nova
a cada florescer da estação,
nenhum inverno é tão longo,
nenhuma lágrima é tão triste,
no despertar da efloração.

boa noite minha filha,
o sol novamente virá,
você vai ver,
toda dor cessará,
e tudo vai se acalmar outra vez".

Rosinda Miranda e Thiago Azevedo
Marituba, 26 de dezembro de 2011

Num momento de tristeza um e-mail me chega, era de minha esposa, dando alento e renovando o ânimo, contando suas histórias de menina, quando do iniciar das chuvas, vinha também o renovar da natureza, que nossa vida era assim, como as estações dos tempos, como afirma o Coelet, que tudo precisa de seu tempo, tudo é feito para renovação, as coisas vem e vão, como o rio que leva e traz consigo a nascente e o mar.

Nada é tão longo quanto se parece, nenhuma dor é grande o suficiente que não se possa curar, nenhuma lágrima é tão densa, que a chuva não possa lavar.

Tem dias da vida da gente, que o inverno é necessário para nos recolher e quiçá, se aproximar mais de Deus.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Amanhã

a noite dos tempos,
caminha o luar,
causos de alento,
canta a viola,
a forgueira
e em volta,
o prosear.

em gotas de lágrimas,
esbraveja o mar,
rio que adoça
lá adiante,
na nascente,
afronta e
o faz acalmar.

mais uma gota
que se faz derramar,
no inverno, faz chuva,
semeia o chão,
na primavera,
o florescer,
renovar.

bota tua mesa
lá fora, no jardim,
segura minha mão,
a chuva se foi,
o sabiá já falou,
o rio que conduz o mar,
outra vez clareou...

Thiago Azevedo
Marituba, 21 de dezembro de 2011

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Dissonância

O que é tão dissonante
do que o rio na contra-mão?
Um rio que toma o asfalto,
ou o asfalto que asfasta com a mão?

Rio que corre na beira,
faz germinar o chão?
asfalto que resseca a ribeira,
não deixa nascer nem um grão?

Dissonância inocente,
moleque que pula em ribeirão,
rio que molha a gente,
vai pro céu e volta então.

Asfalto é enchente,
calor e moderna opressão,
no vai e vem dessa gente,
na desenvolvida ilusão...

Thiago Azevedo
Marituba, 15 de dezembro de 2011

As cidades cada vez mais tomam conta do espaço que dantes eram das florestas, dos rios e mares. Isso, por mais que tentem negar, tem gerado impacto direto na vida das pessoas, pois a água das chuvas que antes tinham pra onde ir, não tem mais, as cidades com pouca estrutura, acabam sofrendo as catástrofes naturais de um planeta que geme, com "gemidos inexprimíveis" o anseio que se tornar aquilo que fora um dia, um lugar para todos...

Creio que Deus tem deixado a terra se vingar daqueles que a massacraram quando deveriam cuidar e cultivar...

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Tempo

na claridez repentina
dissipa toda neblina
e refaz todo o caminho
volta ao tempo menino.

a chuva sobe à nuvem
o rio mergulha nascente
o adulto cresce mindinho
e voa com intenção do ninho.

na escuridão tão vizinha
cresce ao passo de um tempo
carrega tão breve história
no presente, perene momento.

floresce a luz do abraço
na claridez repentina
envolve como a um laço
a tua vida na minha.

Thiago Azevedo
Marituba, 13 de dezembro de 2011

O amor é capaz de nos fazer voltar no tempo e fazer da pessoa amada tão especial, como se fosse sempre a primeira vez que fosse amada.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Fulgás

uma lágrima caída
pela dor que me retém,
um sentir-me numa ilha,
a solidão de um refém.

a mais dorida poesia,
lágrima de escrever,
lamento e melancolia,
a voz se faz emudecer.

lágrima de esquecer,
a palavra mais sentida,
vai solta na ventania,
poesia de florescer.

tudo é ilusão,
a mais fulgás brisa,
o olhar que lagrima
e sonhos de adormecer.

Thiago Azevedo
Belém, algum dia de 2011



Este poema estava perdido no meu computador, acho que não havia gostado dele à princípio, ou se queria transformá-lo em canção. Hoje folheando as pastas perdidas o vi, abandonado e sem nome, entretanto, havia me tomado por inteiro e pedindo que fosse terminado, então cumpri seu desejo.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Salmo 139



Mais uma música feita por mim, ainda não está acabada e creio que nem perto disso, mas é uma forma de tentar manter sua produção a salvo, caso perca de alguma forma. Desculpem também pela voz, desafinei pra caramba e a gravação é caseira, bem caseira também é só pra passar a idéia da música mesmo.

A idéia é falar sobre o salmo 139, de que não podemos nos esconder de Deus e de seu amor, por mais que procuremos isso, é inevitável, pois como diz o texto, ele nos sonda, mesmo que nos escondamos nas asas da alvorada ou façamos nosso leito no horizonte do mar, esse é o amor de Deus por nós, do bom pastor que vai atrás da ovelha perdida e não mede esforços para ver sua criação bem e feliz.

Salmo 139

Quem consegue
esconder a dor
se nem a flor
o seu silêncio
oculta ao jardim?

Qual a lágrima
do autor
o singelo amor
cantará
o coração
sem se ouvir?

Quem poderá
negar todos os fatos
os seus olhos fechar?
Quem poderá
ficar sem a luz do dia
sem o som da poesia
do sabiá?

Quem sentirá
vir a brisa
no horizonte
lhe avisar
que nas ondas
vem o mar?

Quem seguirá
o convite do luar,
da fogueira
e do amor
quem cantará?

Se repousar
meus poemas de alvorada
nos encantos do além-mar
e nas montanhas
fizer o meu lar
sem teu amor
o que será?

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Lágrimas de Iaçá

Ah! Mãe de todas as águas,
Iaçá chora por teus filhos
que já não estão mais,
tua orla não é mais a mesma,
Iaçá caminha desolada,
seu líquido é escuro,
mas não é de fruta,
é batido,
mas não alimenta,
nele só há dor
sentido pela ausência,
é amargo demais,
azedou a vida
que não é mais a mesma,
há muitos gritos,
mas não das crianças de Icoaraci,
é do líquido
que semeou tua terra,
mas não floresce vida,
apenas dor e ausência.
Até quando Juraci?
Farás tuas urnas
ornando com sangue,
teus símbolos marajoaras?
Não há mais crianças,
não há mais cirandas,
não há mais canções,
não há mais cerâmicas,
não há mais o giro da roda do oleiro.
Por que estás em silêncio Juraci?
Até quando permitirás o choro de Iaçá?
Até quando as águas de Icoaraci serão carmesim?
Até quando?

Thiago Azevedo

Belém, 30 de novembro de 2011



Glossário - Tupi
Icoaraci - Mãe de todas as águas
Juraci - Aquela que fala o bem
Iaçá - Ao contrário lê-se Açaí. Segundo a lenda indígena, Iaçá lamentou a morte de seu filho, Tubiraçá e ouviu seu choro próximo de onde fora sepultado e após ver a criança, a abraçou a noite toda, mas na verdade estava abraçando um pé de Açaí, não aguentando o frio noturno, Iaçá veio a falecer. Desde então Açaí nome que veio de Iaçá significa, "Planta de Chora" por causa da semente roxa que se assemelham à lágrimas.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Congestionamento

O sol se pôs
bem na minha frente,
não pude ver,
havia poeira
no parabrisas,
tentei parar,
mas não havia tempo,
os carros atrás lembravam,
o tempo não vai parar,
tenho que correr,
tentar colocar
o sol por detrás de mim.
Tenho que lutar,
não posso parar,
o poeta estava errado,
não há tempo para tudo,
nem sempre haverá sol
para ficar debaixo,
a flor nasce na manhã
e fenece ao findar a tarde,
não pude ver,
só consegui observar o espaço,
imagino as flores,
os carros buzinam,
lembrando que não há tempo,
o sol nasce à minha frente,
não posso ver,
tenho que utilizar o para-sol,
cega minha direção,
tento parar,
mais buzinas,
o tempo não tem tempo,
dentro do carro,
não tenho tempo,
somente pressa,
todos têm urgência,
ninguém se lembra,
o sol se pôs,
mais uma vez,
à minha frente,
e outra vez,
não pude ver...

Thiago Azevedo
Belém, 29 de novembro de 2011

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Coração de Areia



Desculpem a gravação, pois é extremamente caseira, feita pelo celular e também eu não sou um cantor no ato da palavra, mas esta é uma experiência que me estimulou a exercitar minha possibilidade de compor alguma coisa.

A idéia dessa canção veio a partir de uma mensagem do Pastor Manoel Moraes sobre Romanos 12, dentro de uma perspectiva que ainda não tinha ouvido, enfatizando a misericórdia de Deus, ou melhor a Misericardia, ou o ato de tornar o coração miserável, segundo o Pastor, como se fosse diluido como areia ao vento.

Esse é o sentido dos versos, falar desse Deus que se fez misericardia, tornando seu coração em areia para adubar o mundo e trazer nova primavera aos nossos corações.

Coração de Areia

A vida se torna toada
noite em dia se deu
viola canta alvorada
flor que a poesia acolheu.

Coração majestade
bate forte em seu peito
luz que se fez um menino
e reescreveu todo o enredo.

Coração feito areia
desnuda todo meu medo
cruz no caminho é candeia
reluz o que era segredo.

É doce fruto de vida
é canto, dança e o tempo
é afeição de ampulheta
é pranto, riso e momento.

O coração é divino
é pegada de areia
é compaixão de menino
feito remanso e ribeira.

Thiago Azevedo
Belém - 2011

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Pode o homem viver sem amor?

Mesmo que fale a língua dos poetas,
descanse a alma nos braços da alva
e fizer meu leito à sombra da mangueira,
de quê vale, sem o alento do amor?

É como sentir frio, apesar de aquecido,
é viver uma eterna ausência
com a casa toda em festa,
é o cantar solitário do passarinho,
é viver uma certeza inútil,
é andar ao luar,
sem a companhia da lua.

Amor é semente de divina graça
semeada na melodia do vento,
é gozo em meio ao sacrifício,
viver na esperança do hoje,
como se fosse pra sempre momento.

É poesia de Drummond
e canção de Cartola,
é tornar-se poeta,
sem tecer uma única palavra,
ou desenhar qualquer melodia.

É vencer a morte,
mesmo que morrendo,
é viver a dor da ternura
e ter a razão ferida
pela não razão do amor,
é falar todas as línguas,
sem pronunciar uma única palavra,
é deixar às mágoas esquecidas
no calor do silêncio.


é tudo saber
e nada esconder,
é luz na escuridão
e cruz que salva,
é ser em si apenas
e serenidade na tormenta,
é morte que prova
além do fogo da paixão.

O que será do homem
se não seguir o amor?
É viver o céu sem o paraíso,
navegar o rio adentro,
sem a lágrima da nascente
que rega cada pétala de flor.

Ainda que ande às margens da morte,
e a roseira não floresça
à mais bela das primaveras,
o amor a tudo isso resiste,
é espelho que desnuda,
é coberta que protege
e esperança que persiste,
só ele engrandece o aprendiz
e faz humilde o mestre.

O amor
tudo prova,
tudo suporta,
tudo faz,
tudo é,
para todo sempre,
é amor acima de tudo...

Thiago Azevedo
Marituba, 09 de novembro de 2011

Fiz uma tentativa de pensar o amor numa perspectiva a partir de Drummond, Gibran, Paulo e Davi nos Salmos.
A princípio queria escrever uma canção, mas a coisa foi fluindo e não consegui parar, então segui o conselho do profeta, parafraseando...

"Quando a poesia te vier, segui-a, embora seus caminhos sejam ásperos e escarpados..."

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Haver

O que deixas de lembrança
aos poucos que te veem?
apenas um lugar vazio
uma vaga imagem
apenas ausência
não há calendário
não há pausa
não há haver...
Lutas contra o relógio
o orçamento apertado
o lucro minguado
o dinheiro pingado
lutas e lutas mais
contra a poesia que há em ti
lutas para sobreviver
todos os dias
entregas teu suor
tuas energias
tuas alegrias
teu sustento
tua vida inteira
e entregas inteira a vida.
Sentes uma vaga saudade
uma memória em forma de fotografia
um texto escrito numa lápide
os pais que seguem o seu curso
rumo ao horizonte do mar
mas não conseguiste ver nem o poente
nem ao menos uma lágrima
caiu deste teu tão rígido olhar.
Quando isso tudo aconteceu?
A dor que corrói a alma
não é imaginar que estou velho
ou que o tempo está passando
é não perceber que o tempo passa
que o sol nasce
e sua luz diminui ao cair da noite
que no céu há estrelas
e choram quando chove
que as crianças cantam
uma canção que nunca ouvi
que lá fora
há brincadeiras
há risos
há mais do que sonho
mais do que penso
lá fora
onde a vida acontece
e não se esconde
há mais o haver...

Thiago Azevedo
Belém, 01 de novembro de 2011

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Salvação...

Salvem,
da inanição,
a pena seca,
sem tinta,
sem mão,
nem caligrafia.
Salvem,
o sentimento
que padece,
de frio e desalento,
sem choro,
contrito,
esquecido,
salvem.
Salvem,
o olhar,
que turva e esmorece,
na secura das pálpebras,
sem lágrimas,
nem pranto,
salvem.
Por onde estão os poetas?
Às margens das esquinas?
Nas notas de rodapés
fúnebres, silentes?
Quem salvará
da solidão, os poetas?
Salvem,
as folhas de papel,
que continuam em branco,
sem ter quem nelas escreva,
uma única linha,
um único sentimento,
uma única lágrima,
uma única poesia,
salvem...

Thiago Azevedo
Marituba, 31 de outubro de 2011

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Semeador Beija-flor

A palavra se fez poesia,
bailou ao som do vento,
semeando a primavera,
que é brisa, calmaria
e perfume feito alento.

Nas asas de um beija-flor,
colibri que dança em silêncio,
partilhar do mel, flor em flor,
voo livre, pássaro semeador,
pára o tempo num suave momento.

Palavra que é feito semente,
bendito verso a acalentar,
lágrima que se faz latente,
luto sofrido e silente,
semblante que não quer levantar.

Palavra seja outra vez criança,
verso, melodia e canção,
no peito seco, traz a esperança

e florescer novamente a imaginação,
faz renovo esta minha lembrança,
de beija-flor semeando meu coração.

Thiago Azevedo
Belém, 23 de outubro de 2011
"O que semeia, semeia a palavra." Bíblia Sagrada | Marcos 4:14

Temporão...

O que é a vida?
senão semente temporão,
surge como singela poesia
e se esvai, como fogo e paixão.

É folha que dança ao vento
e resseca ao fim da estação,
quando se desfaz no poente,
torna-se apenas pó e escuridão.

Portanto, para quê fingir
que a vida é feito rascunho?
Enganar o coração ferido?
Iludir-se sozinho no mundo?

Vida esta que não se repete,
é água de rio corrente,
que muda ao passo de um salto.

Vida, frágil como a flor perene,
deixa somente a memória ausente
do perfume que a brisa levou silente...

Thiago Azevedo
Belém, 23 de outubro de 2010
Louco! esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será? Bíblia Sagrada - Lucas 12:20

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Caudalosa tristeza


A chuva anuncia
a tristeza que me fica,
parece que só há chuva,
no amargo sentir da agonia.

Toda tristeza
guardada numa única gota,
uma perda que não desfaz,
lágrima que levou o tempo,
riso que não volta mais.

Quem vai apagar
toda dor que já sentiu?
como dormir e esquecer,
o pranto que não se ouviu?

Caudalosa chuva,
que é perene desaguar,
rega a noite plangente,
para vida aflorar em euforia,
quando o sol for alvorar.

Chuva que dança
e faz da nascente rio,
leva minha tristeza embora,
como o barquinho leva o navio.

Ah, bela tristeza,
és tormento e tempestade,
deixa raiar minha poesia
não faz do meu agora,
solidão na eternidade.

Thiago Azevedo
Marituba, 21 de outubro de 2011
Porque a sua ira dura só um momento; no seu favor está a vida. O choro pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã. Bíblia Sagrada | Salmos 30:5

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Vitral

partículas disformes,
sozinhas, nada são,
em singelo movimento,
molda-se rebentação.

amálgama feito vida,
sol a fazer luzir,
arte de grande artista,
piedade que faz redimir.

se olho tão de perto,
nada parece surgir,
precisa olhar de longe,
a serena poesia
que há no balé do colibri.

arco-íris multicor,
de pedaços imperfeitos,
quem pode dar perfeição
Àquele se faz um todo,
em partes que não são?

Thiago Azevedo
Marituba, 20 de outubro de 2010
"O vitral originou-se no Oriente por volta do século X.
Tendo florescido na Europa durante a Idade Média, os vitrais foram amplamente utilizados na ornamentação de igrejas e catedrais, uma vez que o efeito da luz do Sol que por eles penetravam, conferia uma maior imponência e espiritualidade ao ambiente, efeito reforçado pelas imagens retratadas, em sua maioria cenas religiosas.


Adicionalmente, serviam como recurso didáctico para a instrução do catolicismo a uma população inculta e analfabeta." Wikipedia

Assim como no horizonte, o conhecimento de Deus é semelhante ao vitral, onde cada partícula representa uma minúscula parte desse conhecimento, que se olhado bem de perto fica impossível de perceber a beleza da obra, por outro lado, quando vamos nos afastamos, deixando que cada parte se una, mesmo que diferente, mesmo que disforme, formando uma única imagem, podemos ver que toda diferença entre as partes é irrelevante ante à grandeza da obra.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Soneto da lágrima de amor

Desejo rasgando por dentro,
como a noite que rasga o dia
na ausêcia que não desfaz
esta lágrima que fere a poesia.

olhar perdido pela janela,
uma chuva que insiste em cair,
o frio cálido que adormece,
uma dor que quer ferir.

dor de quem sofre silente,
o amanhã que não quer florir,
somente um saudade poente,

coração que quer explodir,
porta-retrato esquecido,
amor perdido que não deixa ir.

Thiago Azevedo
Marituba, 17 de outubro de 2011

Soneto do tempo

o tempo preso na parede,
lento, dança sem correr,
sonhos de menina moça,
olha no quintal, chover.

anseios de menina mulher,
alento, abrigo, carinho,
rosa da aurora acontecer,
pétala, perfume, espinho.

o inverno raia com o poente,
finda silente mais uma canção,
dorme o vento e a semente,

na poesia de uma humilde oração,
"Pai nosso, quero poder fazer
da vida mais que mera intenção..."

Thiago Azevedo
Marituba, 17 de outubro de 2011

Passageiro

flor de vento....
Passa o dia
e o raiar poente,
passa a primavera
da temporã semente,
também a infância,
junto a idade da gente.
Passa o homem
e a menina mulher,
passa a pressa,
passa e não fica,
passa o padre,
o pastor e o bispo,
passam e não ouvem,
o clamor e o suplício.
Passa o vereador,
o prefeito e o governador,
passam sem ver,
fingem passar e esquecer.
Tudo vem e passa,
passa o vento,
passa a chuva,
passa lento,
a dor e o tormento,
passa o luto e a luta,
passa a esperança,
passa a fé,
passa o fardo,
que pesa e cansa,
passa o amor
e a serena flor,
que o vento balança,
passa tudo,
fica nada,
até quem sofre,
passa na vida,
que surge perene
e infinita definha...

Thiago Azevedo
Belém, 16 de outubro de 2010

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Dicotomias do mercado

Andando pelas ruas
sem saber chegar
andarilho sem rumo
sem teto, nem lar.

Abrigo do mercado
com vista pro rio
o barco vai ancorar
a vida por um fio.

Sem cama ou conforto
leito é calçada
comida é sem gosto
a vida é fachada
erro de aborto.

---------------------------

Esperança, não tenho sinhô
só um punhado de farinha
com um resto de peixe sujo
nesta tigela de manteiga

Amanhã, não sei não sinhô
pode ser aqui? Pode não
meu teto é de estrela
a colcha é feito de brisa

bença, não tenho não sinhô.
nenhuma mão pra mim beijá
nenhuma boca para me beijá
nenhuma voz pra me bençoá.

Té manhã, sinhô
sei que não vai voltá
mas pelo menos um trocado
deixe pra eu pode comprá
mais um punhado de farinha
um peixe velho
um pouco de esperança
um pouco mais de estrelas
um pouco mais de brisa
quem sabe uma bençá
que me dê alegria
e me livre pela manhã
desta horrível caristia...

Thiago Azevedo
Marituba, 14 de outubro de 2010

Esse poema foi duro de escrever, queria falar da vida no Ver-o-peso, mas não conseguia visualizar a manhã raiando sobre o mercado, a vida dos pescadores e o rio coroando a bela paisagem do lugar, como a poesia por sua natureza luta contra os desejos do poeta, tornando-se algo além do próprio autor, acabei vislumbrando a noite, sua dicotomia com o movimento diurno, crianças andando, cheirando, com fome, se prostituindo, vivendo como ratos em bueiros, pedindo alento e carinho.

Seus olhos, já sem o brilho da infância e da esperança que deve haver sempre nos corações inocentes. Me vi responsável por isso e me vi entristecido em ter que pintar tão duro quadro, porém, o que se pode fazer quando a alma transpira essa necessidade...

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Palhaço

Cara branca
nariz vermelho
sorriso estampado
que nunca muda
nem se acaba
eternizado
no rosto do palhaço
prisioneiro da alegria
escravo do riso
nele não há lágrima
amaldiçoado a ser apenas sorriso
sacrificando seus sentimentos
esquecendo dia após dia quem é
sendo apenas palhaço
escondido dentro da maquiagem
por trás de um nome falso
e de uma vida sem sobrenome
quer ser triste
quer poder chorar
quer poder sofrer
quer poder lastimar
mas és palhaço
para sempre
nunca mais outra coisa
coisa triste é ser palhaço...

Thiago Azevedo
Marituba, 11 de outubro de 2011

O coração dos sábios está na casa do luto, mas o coração dos tolos na casa da alegria. Eclesiastes 7:4

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Reflexo do mundo

Ser reflexo do seu mundo,
é a forma que o poeta tem
para expressar sua palavra.
Que mundo tenho hoje?
que tempo tenho agora?
Antes contemplava o verde
da tão intensa floresta,
os imensos jardins
com seu colorido perfumado.
Agora me contento
com uma folha voando pelo ar,
uma flor que cresce
resistente no asfalto,
a fumaça que embaça o sol
como turvo pôr-do-sol
e este perfume exalado
pelas lojas de vidro
simulando a última flor
envolvida no laço,
que laça a alma perdida
em tempo que não é mais.

Ser reflexo do mundo,
que mundo?
que tempo?
que vida?
e agora?

Poesia,
um reflexo
de um mundo sem nexo...

Thiago Azevedo
Marituba, 07 de outubro de 2011

Estudando um pouco sobre poesia, cada poeta tem uma relação intrísica com seu tempo, seu mundo e momento. Isso me assaltou um tempo, parei e fiquei meditando sobre que tipo de poeta, ou projeto de poeta sou? Que tempo e mundo eu tenho para falar? Me vi aflito, por ao certo não saber, por estar mergulhado numa rede de dúvidas ao olhar para a história do presente e ver um mundo definhando dentro de si mesmo.

Numa palestra que o professor Manoel Moraes fez, percebi que as pessoas não sabem mais o que fazer da própria vida, parece que todos perderam o nexo. 

Como diz o Chico, assim como os cegos, os poetas podem ver na escuridão, ou pelo menos ver a escuridão em que estão todos, porque muitos ainda nem se imaginam estar envolvidos nesta imensa crosta densa que cega os olhos e os sentidos, esse tempo se assemelha ao que diz o poeta que escreveu:
"O povo que andava em trevas, viu uma grande luz, e sobre os que habitavam na região da sombra da morte resplandeceu a luz." Bíblia Sagrada

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Sobre o amor...

Quando o amor te vier,
abrace forte suas asas
que sombreiam a alvorada,
embora seja difícil
compreender seu destino,
siga sem medo ou receio,
mesmo se áspero o caminho.

Mesmo que a espada
exponha feridas escondidas,
debaixo das penas
da mais fina esperança,
ouça a voz que ecoa
bem dentro de seu coração,
no amor acreditai.

Ele coroa a vida
em meio ao sacrifício,
isso é fruto de crescimento,
como a semente que morre,
para dar uma nova vida,
siga o amor,
deixe ele te levar.

Mesmo que sangre,
a cicatriz irá curar,
ele acaricia os ramos
que dançam à luz do sol,
também desce às raízes
que abraçam a terra
e fortalecem o farol.

Não há outro desejo,
senão dar-se um pouco mais
e peineirar as impurezas,
moer até atingir a alvura,
amolecer para nos moldar,
para que tomeis o pão
em meio à festa e folia
da mais sagrada comunhão.

siga o amor,
basta o amor,
deixe o amor,
conheça o amor,
chore o amor,
sinta o amor,
cante o amor...


Thiago Azevedo
Belém, 28 de setembro de 2011

A idéia é fazer canções sobre os capítulos do livro O Profeta de Kalil Gibran, ainda não tenho as músicas, estou compondo primeiramente os versos, vamos ver no que dá, este primeiro poema é sobre o capítulo que fala do Amor.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Coração de areia - A Canção

Deus fez sarau de vida,
toada de singela poesia,
coração que se desfez
na poeira do tempo,
em lágrimas e melodia.

Fez-se miserável por nós,
um coração que desmancha
feito areia de mar,
para florescer outra vez,
o amor que se fez desaguar.

Coração de areia,
tornado pura terra,
traz nova primavera,
envolvida pela aurora
que o orvalho vem regar.


Coração de areia,
faz da minha canção, um mar,
para navegar ao fim da tarde,
sentir uma nova saudade
e outros tempos recordar.

Deus que se faz areia,
coração em corrente preamar,
traz meu barco de volta,
pra ancorar neste teu cais,
descansar este meu choro
e poder te amar um pouco mais...

Thiago Azevedo
Belém, 27 de setembro de 2011

Essa é a primeira versão do que poderá ser a canção Coração de Areia, eu remontei o poema original em verso livre e tentei organizar em versos mais metrificados, claro que nem tanto, para poder se enquadrar melhor à melodia, que ainda não tem.

Vamos ver se dá pra acontecer...

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Horizonte (Thiago Azevedo e Fabrício Matheus)



Esta é uma antiga parceria entre o Fabrício e eu, fala de Deus como horizonte, que por mais que tentemos alcançar, não podemos por nossa limitação em lidar com o infinito, o máximo que podemos é contemplá-lo na sua beleza poética e olhar ao nosso redor a trajetória e ver o quanto já navegamos neste mar e crescemos com Ele, mesmo sem ao menos chegar perto de seu limite.

Quando o Fabrício mandou a melodia, de cara pensei nas canções praieiras de Dorival Caymmi e realmente ficou uma bela canção.

Horizonte

Alvorada
Cresce a esperança no olhar
As nuvens anseiam o vento
Coração deseja amar
Vela içada
Redes prontas pro mar
Querendo alcançar o horizonte
A Fé que se quer renovar

Oceano
Segue distante o pensar
Buscando o imenso infinito
Sem saber como tocar
Só o sol
Conhece o teu lugar
Tua linha como berço
Ao fazê-lo descansar

Bem ao lado
Vejo o meu tracejar
Quanto mais te conheço
Percebo não posso chegar
Me contento
Calmas águas navegar
Neste dia poente
Que a estrela se fez alvorar.

Alvorada...
Vela içada...
Oceano...
Só o sol...
Ao meu lado...
Me contento.
Horizonte.

Thiago Azevedo e Fabrício Matheus
Belém - Rio de Janeiro,
25 de maio de 2011

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Coração de areia

Na toada da poesia,
ouve-se o sarau de Deus,
que com amor, se desfez,
deixou-se e se lançou,
tornando-se seu próprio algoz,
desfacelando o coração,
carne transformada
em poeira do tempo
e se lança ao vento,
a espalhar-se pela vida,
um punhado a adubar o mundo.
Coração de areia
tornado terra pura,
que floresce em cada jardim
uma nova primavera,
envolvida pela aurora
e bem aventura a tristeza,
lágrimas que se tornam orvalho,
a regar e frutificar os sonhos,
as esperanças e a fé.
Coração de areia
que faz do mar, praia,
para caminhar ao fim de tarde,
deslumbrar-se com o pôr-do-sol
e sentir outra vez saudades
daquele tempo em que havia amor.
Deus que se fez areia,
coração se fez preamar,
que acolhe o pescador
e faz o barco buscar o cais,
Deus que se faz miserável,
só para poder amar
um pouco mais...

Thiago Azevedo
Marituba, 26 de setembro de 2011

Ao me deleitar com as palavras do Pr. Manoel Moraes, me veio ao coração este poema em versos livres. A expressão, ou as expressões, que me tocaram foi através do significado de misericórdia, que quer dizer misericárdia, ou tornar o coração miserável, como se o tivesse transformado em areia, expressão utilizado pelo Pr. Manoel Moraes.

Deus tornou seu coração miserável por nós, transformou seu coração em poeira por causa do seu amor, isso realmente me tocou profundamente, trouxe uma significação poética profunda sobre o que significa ser misericordioso e com certeza também, tornou para mim, ser humano arrogante e presunçoso, um sentimento inalcansável. Somente Deus repleto e somente amor pode se deixar tornar miserável e diluir seu coração em poeira lançada ao vento para adubar a vida dos homens e dar-lhes novo significado, uma nova primavera...

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Ciranda do tempo

Danca menino,
Dança menina,
faz a ciranda,
em giro tão lento,
sem se importar.

O andar bem leve,
que faz a melodia,
é brincadeira
de criança
e faz o tempo parar,
parar, parar, parar...

Vamos girando,
com risos afora,
vamos pintar
com nossas mãos
outro lar.

Sonhar novamente,
não é utopia,
é ser criança
outra vez,
correr, pular, brincar,
cantar, cantar, cantar...

Vem comigo
nesta ciranda de roda,
deixa teus medos,
bem longe,
em outro lugar.

vem ouvir
novamente a canção,
num giro bem lento
do tempo ainda perdido,
bem dentro do teu coração,
do tempo ainda perdido,
bem dentro do teu coração...

Thiago Azevedo

Marituba, 14 de setembro de 2011

Eu queria escrever uma ciranda, esta é a última versão, estou postando mas espero um dia ouví-la como canção.

Escrevi pensando em como vamos perdendo nossa criança que morou há muito tempo em nós, como a adultice nos deixa secos, a poesia nas palavras nos lembram, mas a realidade nos empurra ao esquecimento, olho minhas filhas e me vejo no espelho e vejo o quantas vezes sou injusto e duro, querendo que elas entrem no meu mundo, quando deve ser ao contrário.

Precisamos parar um pouco de deixar o medo de lado, ouvir novamente a ciranda que anda perdida bem dentro dos nossos corações...

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Chegança

A luz se faz movimento,
sinaliza aonde quer chegar,
é lírio a brotar infinito,
de acalanto e esperar.

São Sementes em rebentação,
águas que nascem de um salto,
servem a mais bela inspiração,
à vida que faz sobressalto.

Vôo singelo da gaivota,
em direção ao horizonte mar,
é serenata à lua que veio
e faz poesia de amar.

Boto meu barco no rio,
a navegar mundo afora,
na minha canção eu assovio
os descaminhos de outrora.

E são tantas as marcas
que passam em minhas andanças,
tantos pés já calejados
que anseiam por esta chegança.

Thiago Azevedo
Marituba, 09 de setembro de 2011

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Pequenino eterno mundo


à Cecília

esse teu sorriso
que carregas no rosto,
faz-me lembrar do infinito,
deixa-me plenamente exposto
ao reencontro com o sagrado
e minha piedade outrora esquecida.

tuas tenras mãozinhas
tateando minhas lentes,
dão nova visão do mundo,
de não querer ser ou ter
mais nada além do que a vida
acima de tudo.

tuas suaves palminhas
soam como alegre canção,
a embalar a valsa do dia,
desta mais sensível poesia,
na contradança do aconchego
ao entoar o humilde violão.

é difícil explicar,
sou adulto demais para entender,
como pode o eterno cantar
numa vida que acaba de nascer?
É difícil, eu sei,
é como tentar decifrar o florescer.

a vida passa
como a brisa do poente,
teu sorriso será outro,
estas mãozinhas serão perenes,
tuas palminhas serão lembrança,
mas no meu coração,
será eternamente...

Thiago Azevedo
Belém, 06 de setembro de 2011

sábado, 3 de setembro de 2011

Vazio

Faz um tempo que não consigo escrever
nenhum verso ou prosa,
folheio toda a biblioteca,
busco inspiração no Drummond,
no Rubem e na Adélia,
olho com afinco e resignação
cada letra da Clarice e da Cecília,
nada surge, nada vem,
sinto apenas um profundo e eterno vazio,
já ouvi dizer que ele é do tamanho de Deus,
mas onde Ele está então?
Percebi que este vazio era necessário,
era preciso esvaziar,
estar cheio é demasiadamente cansativo,
levou-me a pensar repetitivo,
como se só houvesse um jeito,
uma forma,
aprendi a desconstruir os versos,
reaprendi a construí-los,
mas só olhava um lado.
Precisava estar em crise,
mas o vazio me tirou a crise,
queria falar do amor,
o vazio me tirou o amor,
insisti em falar de Deus,
o vazio me tirou Deus,
queria falar só de mim,
o vazio me tirou de mim mesmo.
Ele me deixou apenas o silêncio
mais profundo e sufocante,
como se diante de tanta coisa,
precisava parar e esvaziar,
agora reencontro tudo de novo,
diferente de antes,
pois o vazio não é mais o mesmo,
ele segue seu curso como o vento,
soprando onde quer,
quem pode dizer onde ou quando irá pousar?
Só sei que quando ele vier novamente,
ficarei sentado no portão de casa na minha cadeira de balanço,
olhando o dançar do vento sobre as árvores na mais plena solitude
e vivenciarei estar vazio de tudo outra vez...

Thiago Azevedo
Belém, 03 de setembro de 2011

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Mistério da vida

Olhe bem pela janela,
um rouxinol acabou de pousar,
tão pequeno, pensou ela,
como pode ser tão belo seu cantar?

Observe estas pequenas coisas,
o florescer no velho pomar,
veja como engatinha a pequena criança
e balbucia seu tímido falar.

Sinta as asas da alvorada,
que te levam a descansar,
nos mais longinquos mares
e faz a vida novamente renovar.

Esta vida se faz mistério,
como o fim de cada começar,
o nascer perene do rebento
e o morrer em cada invernar.

Olhe bem pela janela,
a brisa que lhe veio tocar,
suave carinho divino,
seu coração lhe vem consolar.

Thiago Azevedo
Marituba, 25 de agosto de 2011

A vida é feito um mistério, já disse uma vez o Boca livre e portanto, sua beleza está nas pequenas coisas, nos mínimos detalhes que as vezes deixamos escapar aos nossos olhos, porém, pior ainda, é deixar escapar isso tudo aos nossos corações.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Plumas

Olhar com amor saudoso
as nuvens do céu
formando seus desenhos,
traçando e tecendo
com as pontas dos dedos
brincadeiras da infância.
Observar as crianças
brincando nos balanços
e sentir a cada momento,
um segundo de eternidade
preso à uma pluma no vento,
um segundo de eternidade
presente num único olhar.
Ah, vida que se sente eterna,
porém, é mera pluma,
infinita enquanto durar
a melodia da brisa
que canta e a faz dançar.
Enquanto a alma descança,
vão longe os pensamentos,
em velhos tempos
que não se pode mais voltar,
quando as plumas
não se sabem mais voar,
quando a vida
num facho de sentimento
faz-se eternizar...

Thiago Azevedo
Marituba, 23 de agosto de 2011

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Que mulher é essa?

Mas que mulher é essa?
que passa e se revela?
será flor ou promessa?
Preciso saber
que mulher é essa?

Em dias tão nublados
de cores tão gris
ela vem e passa
e deixa em mim saudade
dessas de não ter fim.

Por que Senhor? Piedade
por amar tão bem querer
esta mulher que passa
flor do poente
luz da aurora
canção do alvorecer.

Levo em meu coração
esta pequena semente
que o vento deixou
cresce sementeira
amor que dela tenho
amor de rosa flor.

Thiago Azevedo
Marituba, 12 de agosto de 2011

Nem preciso dizer pra quem é este poema...
Estou aprendendo a escrever meus poemas de amor.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Salmo 139

Quando só havia o silêncio
nenhum dia a se contar
preparaste o meu berço
e com um velho violão
compôs belas canções
de acalentar.

Mesmo sem saber compor
e nenhum verso me vier cantar
uma melodia já existia
sussurrar em meu coração
semeando nova poesia
de esperançar.

Se planar nas asas da alvorada
e sonhar nos extremos do mar,
até ali a tua måo é presença,
para todos os meus medos
teu abraço é puro alento,
tua voz é canção de ninar.

Quem pode evitar tua presença
e fugir para longe de tua face?
Se houver em mim, Senhor
algo que me faça esconder
no denso breu me encontrarás
farás minh'alma emudecer.

Sonda Senhor,
prova o que há no coração
olha minhas pegadas
faz-me outra vez descansar
em pastos mais verdejantes
e em calmas águas navegar.

Thiago Azevedo
Marituba, 08 de agosto de 2011

Sementes (Thiago Azevedo e Gladir Cabral)



Mais uma parceria com Gladir Cabral. Sou agradecido a Deus por poder caminhar ao lado deste grande homem, e grande compositor de nossa música, tenho aprendido bastante com sua história e experiência e isso tem refletido diretamente em nossas canções. Espero que esse crescimento gere cada vez mais bons frutos para compor nosso belo jardim de poesia.

Sementes

A nota solta ao vento,
Pulou do velho violão
Sementes ao relento
No despertar de uma canção

O canto da alvorada,
A passarada a revoar
A jovem na calçada
Tão calada a meditar

No sonho, no tempo,
No encanto, no alento,
No giro tão lento
De cada momento


Pousado na janela
Amanheceu o rouxinol
Cantava só pra ela
E anunciava a luz do sol

A rosa, acostumada
A ser o centro da atenção,
Pensou que era pra ela
O sol, a voz e o violão

E o sonho, o tempo,
O encanto, o alento,
O giro tão lento
De cada momento


Thiago Azevedo e Gladir Cabral
Belém - Criciúma

sábado, 6 de agosto de 2011

Rosas não devem chorar (Thiago Azevedo e Gladir Cabral)



Esta música dedico à minha esposa Rosa, que num momento de tristeza chorou e me fez chegar primeiramente ao poema e em parceria com meu amigo de Criciúma Gladir Cabral desenvolveu esta bela canção e mais um belo resultado que transpassa fronteiras.

Rosas não devem chorar

Presta atenção
Olha bem neste espelho
Qual rosto que vês?
Um pequeno botão
Uma rosa, talvez

Ouve querida,
A chuva lá for a
Já começa a cantar
E a poesia tão bela
Quer te confortar.

Nenhuma rosa deveria chorar
E a jardineira só faria sorrir
A sementeira cantaria
Pra chamar o colibri

Deixa cair
Essa lágrima quente
E regar a raiz
A voz do teu coração
Ouve bem o que diz.

A primavera
Virá novamente
Te fazer florescer
Toda essa dor passará
Quando a flor renascer

Thiago Azevedo & Gladir Cabral
Criciúma, Belém do Pará, 5 agosto 2011.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Rosas não devem chorar

Presta atenção
olhe bem neste espelho
qual rosto que vês?
um pequeno botão
ou da rosa um jardim?

Ouve querida
o som da chuva lá fora
que entoa sua melodia
quiçá esta bela poesia
sirva pra te confortar.

Nenhuma rosa deveria chorar
apenas no jardim florescer
e tua semente seguir
na dança do beija-flor
viva a se renovar.

esta tua lágrima
que cai sobre a relva
fortalece tua raiz
esta voz do teu coração
ouça bem o que diz.

primavera nova virá
alvorada será outra vez
novas pétalas te dar
tudo que foi, passará
esta dor que se fez.

Thiago Azevedo
Belém, 29 de julho de 2011


Este poema dedico à minha preciosa Rosa que embeleza com as mais belas flores o meu precioso jardim.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Lágrima

uma lágrima caída
pela dor que me retém,
um sentir-me numa ilha,
a solidão de um refém.

a mais dorida poesia,
lágrima de escrever,
lamento e melancolia,
a voz se faz emudecer.

lágrima de esquecer,
a palavra mais sentida,
vai solta na ventania,
poesia de florescer.

Thiago Azevedo
Marituba, 27 de julho de 2011

s.f. Gota ou pingo de um líquido.
Suco destilado por certas plantas.
Gota de líquido salgado segregado por glândulas lacrimais situadas sob as pálpebras, acima dos globos oculares, o qual umedece a conjuntiva e penetra nas fossas nasais através das carúnculas lacrimais.

terça-feira, 26 de julho de 2011

Sobre poetas

Por que alguns poetas precisam da dor
para pintar sua mais bela arte
e desnudar outras almas
como alguém que ama
e despe suavemente o bem amado
desenhando e emoldurando delicadamente
cada linha do seu corpo?

Por que alguns poetas precisam chorar
como se suas lágrimas pudessem fazer florescer
a mais sublime flor
esta última que nasce na tão esperada estação
e fosse a última a morrer anunciando o inverno
deixando a saudade de sua presença
só com o aroma de seu perfume?

Por que alguns poetas precisam morrer
como se eles fossem sementes
que para dar vida venham a fenecer
e dar luz a mais majestosa poesia
que mesmo por um instante se torna eterna
dando nova alegria e luzindo nova esperança
trazendo o paraiso ao coração?

Alguns poetas precisam da lembrança
para poder reviver suas dores
reencontrar suas lágrimas
e quiçá ouvir uma nova melodia
que ecoa de sua poesia outa vez...

Thiago Azevedo
Marituba, 26 de julho de 2011

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Canção do Uirapuru

O vento ecoa tua voz
suspensa e misteriosa no ar
as aves em silêncio contemplam
sem saber de quem será.

um canto que semeia alento
faz florescer novo encanto
poesia que se faz momento
melodia de repouso e descanso.

solitária ave peregrina
voa a deixar tua bela canção
amor que se descortina
tua voz, a mais pura oração.

canção do velho uirapuru
pousado no galho do salgueiro
folha a folha o seu ninho
dedilhado ao som do violeiro.

Thiago Azevedo
Curuçá, 18 de julho de 2011

s.m. Ave passeriforme da família dos trogloditídeos, que canta maravilhosamente, mas só enquanto constrói o ninho, e que, segundo a lenda, traz sorte a quem o possui, empalhado.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Poema dos Clowns

O picadeiro dia
emiti sua alvorada luz,
surge o palhaço sorrindo
em sua tamanha tristeza
pra anunciar mais um espetáculo.
Lado a lado a dor e o descaso
a pesar sua suada cruz,
todos em seus vícios e suplícios
rastejando e tropeçando,
tentando seguir um pouco
e mais adiante,
por um pouco de alento,
sombra e abrigo,
na árida terra dos desolados,
os pés rachados
pelo calor e secura,
deste caminho picadeiro,
em todo alvorecer do dia.
Surge então novo palhaço
saltitante a alegrar o momento,
escondendo por detrás das cortinas
seu mais dorido sentimento...

Thiago Azevedo
Belém, 13 de julho de 2011

terça-feira, 5 de julho de 2011

Frivolidades

Há momentos em que minha poesia é tola,
cheia de frivolidades e uma busca vã pela rima,
pela necessidade de tentar falar do belo,
da alma bela e da vida fantasiosa,
como se não houvessem perguntas,
somente respostas,
como se tudo fosse um oceano de certezas,
como se a dúvida não fosse a única certeza a se ter.

Queria acreditar que não houvessem mentiras,
que a utopia que descrevo,
fosse apenas um mero reflexo da realidade,
mas no fim, se tornou um retrato exaustivo
da minha banalidade com que vejo o mundo.

Ah, mundo cruel, que desdenha dos meus sentimentos,
ridiculariza minhas palavras,
faz perder e esquecer a melodia gostosa de uma boa rima,
fazes-me escrever como a um diário
e ter a ousadia de chamar isso de poema.

Ah, mundo sem graça, se não fosse os versos,
que seria do mundo, que seria das minhas dúvidas frívolas
e o que seria das minhas crises pervertidas,
se não fosse o doce toque das palavras ajuntadas em versos?

Sim, isso é poesia, apesar de tudo,
mesmo apesar do próprio poeta,
da estrutura,
do método,
da sintaxe,
da gramática,
apesar da vida e da morte,
isso ainda será poesia,
por muitos anos serei lido como poesia,
mesmo através de meu mais tolo poema,
ainda sim, serei preservado como poesia,
ela não é o que fala, escreve ou se lê,
apenas é aquilo que sente,
mesmo que sejam sentimentos frívolos
mesmo que sejam sentimentos bobos,
mesmo o mais tolo poema,
ainda sim...

será a mais bela poesia...

Thiago Azevedo
Belém, 05 de julho de 2010

As vezes nos achamos tolos em querer que aquilo que escrevemos seja perfeito, o mesmo se dá na poesia, buscamos as melhores rimas, a melhor estruturamas sem sentir nada é buscar palavras no vazio e no fim, perde-se a essência de poesia e poeta.

Este poema é um grito de liberdade entre poesia e poeta, um grito que livra das amarras desta tentativa vã e constante de buscar a melhor forma de escrever, ela não existe se você não estiver inteiro no poema.

A poesia nada mais é, do que um reflexo da alma do poeta, neste sentido, contrario o mestre Pessoa que dizia que o poeta é um fingidor, na verdade, ele não finge, apenas aprisiona o que sente em função de regras malfadadas...

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Despedida

uma boa roda de prosa
ao pé do velho salgueiro
fez soar nossa história
verso a verso, poesia
brotar a mais bela rosa.

passa o tempo e a vida
trilha um novo destino
segue uma boa aurora
passo a passo, o caminho
amor que cresce, renova.

fica um pouco de nós
neste porta-retrato
sabiá no velho salgueiro
ausência e saudade
no choro violeiro.

falta a palavra e a rima
sem mais rodas de prosa
sem o abraço e o abrigo
somente pranto e partida
e esta saudosa memória.

o olhar da tão bela rosa
fará outra vez lembrar
antigos versos escritos
sobre a bela amizade
vivida à luz da aurora.

Thiago Azevedo
Belém, 28 de junho de 2011


Este poema escrevi para um amigo, que foi meu pastor e tutor em minha adolescência, acompanhou minhas crises, meus devaneios e minhas andanças pela vida. Partilhamos de grandes momentos nos cafés em butecos, das caminhadas sobre as livrarias, conversas amigas ao fim das tardes.

Ele precisou seguir o chamado da vida e foi para outra cidade, como vida de pastor é intinerante, não sei se ainda nos encontraremos antes de vir o grande momento.

Encaminhei este poema ao Fabrício Matheus do Grãos da Terra, quem sabe daí não surja mais uma canção.

domingo, 3 de julho de 2011

"Infância" - Grãos da Terra - (Thiago Azevedo e Fabrício Matheus)



Este é mais um vídeo da canção Infância, escrita em parceria com Fabrício Matheus e interpretada pelo Grãos da Terra. No Evento realizado pelo MC3 na pauta "H2O - Happy our Oásis".

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Alento poesia

Vou tentando escrever
novas notas em meu caderno,
parece que esqueci,
como se faz sonhar
e pintar em aquarela
meus novos versos.

A poesia é como o vento,
como controlar?
Pousa suave na aurora
e tufões no deitar poente.

Pode vir na simpes melodia,
ou na mais densa euforia
sentida no coração do poeta,
é imprevisível o momento.

Tocado pela brisa da poesia,
sua pena flui como manancial,
em rios caldalosos e torrentes.
como se nunca pudesse esgotar.

Ao findar este momento,
quando a palavra conclui seu papel,
parte sem despedida,
em busca de outro coração perdido,
deixando no poeta, amargura e fel.

Sento-me à beira do portão
com uma boa xícara de café quente,
um pôr-do-sol no horizonte
e o amor que me acalenta.

Aguardo a próxima brisa me tocar,
para deitar sobre a relva,
caminhar junto às margens do ribeiro
e escrever os mais belos versos outra vez.

Thiago Azevedo
Marituba, 01 de julho de 2011

Depois de uma tempestade de versos, a poesia parece pedir descanso e assim como as estações e o vento, pede passagem para ir à outras pastagens para desfrutar de outros poetas que anseiam da beleza da poesia.

O que fazer então quando o sentimento de ausência da poesia se instala?

Hibernar e viver um pouco este silencioso inverno e deixar que a primavera volte outra vez...

sábado, 25 de junho de 2011

Infância (Thiago Azevedo e Fabrício Matheus)



O vídeo da canção Infância em parceria com Fabrício Matheus e voz de Millene Costa

Infância

A pluma cai no gramado
Orvalho que brinca faceiro
De escorregar na janela
Passado que volta ligeiro
Abrigo, sombra e regaço
Lembra jasmim perfumado
É molhar os pés junto ao ribeiro.

Criança pinta inocente
As cores do dia no quintal
Vida que passa na frente
Correndo sem eira no trigal
Lembrança da velha infância
Momentos vividos outrora
Faz poesia da vida, sarau.

Andarilho tempo
Tece o destino
Tramas de alento
De um rio desatino.
Andarilho vento
Sonho peregrino
Luz do sentimento
Coração menino.

Chuva que faz no telhado
Cantigas em meio ao sereno
Lembra qualquer melodia
Que é só quimera, contento
Desabrochar a alegria
E uma nova harmonia
Vontade de brincar outra vez.

Thiago Azevedo e Fabrício Matheus
Belém- Rio de Janeiro, 01 de junho de 2011.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Mais uma bela parceria com meu amigo paulista/belenense/carioca Fabrício Matheus do Grãos da Terra. Quando foi encaminhada a primeira gravação com o Fabrício cantando já estava maravilhosa, mas nesta última versão, ficou simplesmente divino, a suave voz da Millene deixou o tom mais reflexivo na canção. Em breve estarei postando o vídeo. Retirei a canção do blog do Fabrício http://www.fabriciomatheusbr.blogspot.com/ visitem, vale muito à pena, tem muita coisa maravilhosa lá.

Na gravação, destaque para a participação especial de Millene Costa, vocalista do grupo Grãos da Terra, que gentilmente emprestou sua voz a esta canção (Valeu Millinha!). Agradecimentos também ao amigo Urbano da Mata, (Valeu Fernandão!) pela paciencia e pelo lanchinho em sua casa, local da gravação.
Clique para ouvir:
"Infância"

Infância

A pluma cai no gramado
Orvalho que brinca faceiro
De escorregar na janela
Passado que volta ligeiro
Abrigo, sombra e regaço
Lembra jasmim perfumado
É molhar os pés junto ao ribeiro.

Criança pinta inocente
As cores do dia no quintal
Vida que passa na frente
Correndo sem eira no trigal
Lembrança da velha infância
Momentos vividos outrora
Faz poesia da vida, sarau.

Andarilho tempo
Tece o destino
Tramas de alento
De um rio desatino.
Andarilho vento
Sonho peregrino
Luz do sentimento
Coração menino.

Chuva que faz no telhado
Cantigas em meio ao sereno
Lembra qualquer melodia
Que é só quimera, contento
Desabrochar a alegria
E uma nova harmonia
Vontade de brincar outra vez.

Thiago Azevedo e Fabrício Matheus
Belém- Rio de Janeiro, 01 de junho de 2011.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Reconciliação

clara luz
dissipa a cega escuridão
orienta o caminho
trilha novas saídas
aos sonhos que virão
alento e salvação.

todo amor
aquece o ferido coração
em noites tão frias
carentes e vazias
cheias de desilução
afago e adoção.

viver o bem
é rio a fluir comunhão
partilha e companhia
navegar na travessia
poesia, melodia e violão
letra e canção.

plena vida
floresce na celebração
tão frágil é o ninar
voz rouca que acalanta
sonho e recordação
esperança e renovação.

primavera flor
desabrocha a emoção
que suspira silente
o alvorecer do leste
e finda a solidão
paz e reconciliação.

clara luz
afago e adoção
todo amor
alento e salvação
todo bem
esperança e renovação
toda vida
paz e reconciliação
toda flor
letra e canção.

Thiago Azevedo
Belém, 09 de junho de 2011

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Porto Seguro (Thiago Azevedo e Fabrício Matheus)



Segue mais uma bela parceria entre meus amigos, esta música tem uma particularidade, encaminhei a letra para o Fabrício e para o Gladir musicarem, imaginava algo semelhante ao que fizemos no Canção para o Rio, um composição à seis mãos, porém, algo curioso aconteceu, praticamente simultaneamente os dois me encaminharam melodias diferentes e posto o dilema entramos no consenso de que esta seria composta de um poema e duas músicas e o mais engraçado, é que ouvindo uma depois da outra, sinto que elas se tornam uma canção só.

Esta é a que compus com o Fabrício, é uma gravação caseira e o Fabrício estava com gripe, espero que se recupere logo.

Porto Seguro

O sol desponta no dia
Descortinando a maré
Barco navega na lida
Do pescador que tem fé
A esperança é mais viva
Pro coração bendizer.

Na noite enluarada
Meu barco quer atracar
Rumo à nova jornada
Ver outra flor rebentar
E ver pairar na janela
O canto do sabiá.

Minha certeza é perene
Tal qual manga no pé
Segue na trilha perdida
Desfaz tudo o que quer
Minha certeza é perene
Tal qual onda e maré
Segue sem prumo, sem leme,
Ou ancoragem qualquer.

Porto seguro, meu guia
Pra descansar os meus pés
Traz um renovo, anuncia
Fogo que pode aquecer
Faz debruçar o cansaço
Partir pro abraço do Pai.

Belém -- Rio de Janeiro, 25 de Maio de 2011.
Thiago Azevedo e Fabrício Matheus

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Adoração

Bem-te-vi,
bem que viu,
arco-íris rebenta no céu,
colorir multicor o chapéu,
sorriso da criança a brincar,
nova primavera de flor,
bem-te-vi a voar e voar.

Bem-te-vi,
bem que viu,
uma garoa, beijos de amar,
as mãos dadas, caminhar,
afagos da mãe, favos de amor,
café e bolo no quintal,
bem-te-vi a olhar e sonhar.

Bem-te-vi,
bem que viu,
semeando nova canção,
soa calma, uma oração,
sob as estrelas, o luar,
a passarada em seresta,
bem-te-vi a adorar e voar...

Thiago Azevedo
Belém, 23 de maio de 2011

sexta-feira, 13 de maio de 2011

O muro

A cada pedra erguida
ao suor de nossas alegrias
sofridas, sentidas, vividas,
escritas, de-scritas em prosa
e em versos de poesia,

meu violão solitário dedilha
cada lágrima contida
em lençóis úmidos, escondida,
o teu choro despido,
refrão de uma canção perdida.

ah, saudades do tempo
quando tudo era mais simples,
só nós dois e nossos sonhos,
o céu era mais azul e intenso,
agora, neblina e temporais

e mais uma pedra erguida,
de calos, sangue e suor,
mesmo apesar de tudo,
somos carregados de sonhos,
de vôos em céu azul reluzente.

as pedras que erguemos
do percurso que seguimos,
são para subirmos novamente
no muro que nos escondeu o sol
e começarmos tudo outra vez.

Thiago Azevedo
Belém, 13 de maio de 2011

sábado, 7 de maio de 2011

Como faz pra não te amar?

Esta terra que é semente
onde brota a mais bela poesia
em forma de manga de mangueira
regada pela bela chuva de todo dia.

Ah que terra mais bela
que se modela nas mãos do escultor
de Icoaraci, o mestre mais dedicado
escreve a história com escolhido barro
verso esculpido das mãos do criador.

Caranguejada que vem fresco do mangue
numa mesa farta de cerveja e amigos
violão, voz rouca e o batuque do curimbó
rodopia, rodopia a cabloca morena
ao cantar suas lendas de carimbó.

As lágrimas nascidas de Iaçá
sustenta alimentando este povo
junto, depois ou o próprio almoço
a rede na varanda, descansar.

O tempo que te corre devagar
esta terra de paz e nostalgia
a juventude que não se faz passar
dos poetas nas praças e esquinas.

Minha velha poesia
não cansa de te falar
Pará terra querida,
como faz pra não mais te amar?

Thiago Azevedo
Curuçá, 07 de maio de 2011

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Esperança

Solta as redes deitadas no cais
iça nas águas tuas velas recolhidas
da vida que se fez sentir ferida
desata os nós que te prende aos ais.

Navega o rio de teus temores
o vento sopra em bravio torrente
a ausência na alma é latente
a fraquejar por faltar teus amores.

Esperança solitária fica no cio
por um sol que possa novamente raiar
navegar outra vez em noites de frio
sem horizonte, à deriva, sem lar.

Desfaz a teia destes tristes nós
costura novamente tua rede
brada com furor tua voz.

Põe teu barco novamente em frente
abandona esta tua vida cadente
livra as tuas mãos do algoz.

Vai, acha outra vez o norte
perdido no teu caminho
lute sempre até a morte

por teus sonhos, fé e amores
reconstrói o barco da tua vida
para o sol vir a ti com novas cores.

Thiago Azevedo
Belém, 06 de maio de 2011

sábado, 30 de abril de 2011

O vento e o tempo

Meu tempo
de contra-tempo
na chuva ou cais
a espera do vento
trazer uma mensagem
ao meu coração
aflito e perdido
ansiando paz.

Este vento
voa e voa a sussurrar
segue livre sua viajem
sem saber aonde chegar
espalha minha semente
deixando-a semear
aos corações sozinhos
precisando ter quem amar
deixa o vento seguindo
para um dia encontrar.

O tempo
e o vento
um olhar perdido
no horizonte do cais
pôr-do-sol escondido
por meu perdido olhar.

Suave brisa
acaricia o luar
pois o sol foi-se sozinho
sem amor para cantar
ensina-me uma canção
pra minha viola em silêncio
poder outra vez tocar.

O vento e o tempo
dá-me um novo olhar
acaricia meus anseios
pra eu poder recomeçar
manda minha carta
pro meu amor novamente
semear...

Thiago Azevedo
Belém, 01 de maio de 2011

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Cidade morena

Esta cidade morena
teus barcos, tuas pequenas
peixe fresco, mesa farta
pirarucu, tainha e tambaqui.

Terra da chuva faceira
lágrimas de chuva roxa
da índia de pele morena
lendas chorosas de açaí.

Das terras de Súmauma
trazes novamente o céu
a grande mangueira silente
curva reverente verde véu.

A Ver bem o peso que tens
os perfumes do mercado
da vida que se faz na arte,
resultado de artesanato.

O sol se deita e dorme outra vez
sobre o manto verde cristalino
a cantar novamente ao som da viola
ao dedilhar teu sabor divino.

Desperta o amor da cidade morena
Pra ouvir apaixonada o canto do rio
fazer florir alegria tão serena
pra eu nunca mais desaguar vazio.

Thiago Azevedo
Belém 28 de abril de 2011

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Gramatomântico

Sou um experimento de poesia,
ora, apaixonado romântico,
noutra concreto, semântico,
minha poesia queria a metafísica,
dei-lhe a metalingüística,
tornei-me arremedo,
colcha de retalhos
de muitas poesias,
das pedras e passarinhos,
que rolam e gorjeiam
sem saber onde pousar.

Sou um experimento
de minha própria poesia,
da noite e do dia,
em busca de sua própria metafísica,
da meta e lingüística
romântica poesia,

é gramatomancia.

Thiago Azevedo
Belém, 26 de abril de 2011

Desvairiedade

Unidade de
uma multidão de
unidades de
um todo de
um por todos de
uns todos por nenhuma
umidade na unidade das
partes de partes de
metades de
um todo
reflexo
concreto
complexo
objeto de
um de
todo
metade de
um
todo unidade
pai,
filho e
espírito santo
trindade da
deidade
amém!

Thiago Azevedo
Belém, 26 de abril de 2011

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Tacacazeira

Nada melhor na vida
que um fim de tarde,
sol pinta amarelado
o rosto da velha negra,
suado e risonho
da tacacazeira,
que serve quente
em cuia preta,
suco amarelado
com fumaça subindo,
duas conchas de goma,
camarão grande e salgado a gosto,
jambú que faz arder os beiços
e pimenta pra fazer suar o corpo.

Fim de tarde, o calor ardente do sol
pede por uma boa, quente
e gostosa cuia de tacacá,
ao luzir de mais um poente,
vou terminando a cuia,
meus lábios tremem, sinto mais sede,
é hora de partir, escrever mais um poema
e me apaixonar outra vez...

Thiago Azevedo
Belém, 22 de abril de 2011

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