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Divulgue esta idéia

CancaodaFloresta

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Monotonia...

Há um tempo na vida do poeta,
em que não há palavras,
não há canções,
há apenas silêncio...

Este tempo serve de fundamento,
para reviver a poesia,
para reviver a vida
e reaprender...

Reaprender o caminho,
conhecer novos caminhos,
desconhecer caminhos,
e voltar ao mesmo caminho...

Há um tempo na vida do poeta,
em que o silêncio não quer dizer nada,
apenas um mórbido
silêncio...

Thiago Azevedo
Belém, 30 de dezembro 2010

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Manto de chuva

Sobre a verde cidade,
cai um manto cinza,
que forma uma chuva
constante e fina,
ela remete a uma saudade
que se esvai a cada gota,
que se faz intensa a cada gota,
que se faz pranto a cada gota.

Esta fina chuva
rega e revigora a verde cidade
e ao findá-la,
ouve-se o cantar dos pássaros
garças, bem-te-vis, curiós
periquitos, Araras
e outros que nunca ouvi,

vê-se as crianças
saindo de suas tocas,
para brincar alegremente
com os restos de chuva
que ficaram em pequenas poças.

Vê-se os enamorados
aos beijos e abraços,
como se a chuva
os fizesse sentir
a intensa necessidade
de estar junto.

Ao findar da chuva,
com o coral da passarada,
com as crianças em festa
e com os casais dado aos amores,
a floresta fica mais verde,
a vida mais esperançosa,
dá vontade de deitar numa rede,
sonhar mais com o futuro
e deixar o coração mais saudoso...

Thiago Azevedo
Belém, 23 de dezembro de 2010

Soneto de açaí

Num girar cadenciado
junto, semente e água
num misturar rodado
o engrossar da massa

a desnudar da semente
um carimbó cantado
de chama Verequete
que é mestre sagrado.

Açaí batido na hora
seja puro ou misturado
lança nova semente

pra novo fruto plantado
colher tudo novamente
alimento nobre, louvado.

Thiago Azevedo
Belém, 23 de dezembro de 2010

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Choro reticente...

O choro da tenra criança
é mais que pedido de alento
é o clamor amoroso
de um Deus que se fez
Infância...

Thiago Azevedo
Belém, 21 de dezembro de 2010

domingo, 19 de dezembro de 2010

Uma vida reticente...

Este primeiro choro,
teu primeiro e humilde choro,
soa como música,
soa como poesia,
tão serena,
tão pedinte
e tão carente,
faz com que tenha necessidade,
de cuidado,
de carinho,
de afago.

Este primeiro choro,
tão cheio de perguntas
e com tão poucas respostas,
sobre este imenso mundo,
sobre este imenso tempo,
faz com que este primeiro choro,
seja mais que um choro,
mas indagações:
que luz é essa?
Que rostos são esses?
Que ar é esse?
Que primeiro choro é esse?

Ah! Este teu primeiro choro,
dá vontade de não parar de ouvi-lo,
dá vontade de sempre senti-lo no coração.

Este teu primeiro choro,
é apenas teu primeiro choro,
que inicia tua jornada
e dará vazão a novos choros,
novas perguntas,
novas caminhadas,
um mundo repleto de sonhos,
encontros e desencontros,
amores e desamores.

Por hora,
este teu primeiro choro,
é apenas tua pequena vida
em forma de reticências...

Thiago Azevedo
Belém, 20 de dezembro de 2010

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Dias de chuva...

Em dias de chuva,
cada gota caída,
é lágrima silente,
saudade carente,
é poente esperar.

É amor ausente,
caminhar solitário,
é semblante pesado,
tempo cansado,
é sempre recordar.

É alento perdido,
sentimento incontido,
que a alma despida
se faz confessar.

Este tamanho ansiar,
é viver uma vida sem sentido,
caçar vento e vazio,
é vaidade e pesar.

Em dias de chuva,
cada gota é inteiro um mundo,
é mergulhar bem lá dentro e fundo,
nesta vida que é um mar.

É a saudade do sagrado
que faz desta chuva,
um chorar rasgado,
é ausência, perda e fardo,

é rio nascente,
mar poente,
é saudade silente
e lagrimar...

Thiago Azevedo
Belém, 16 de dezembro de 2010

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Que seja assim...

Que o amor seja assim,
sempre desconhecido,
que sempre a medida
em que se der a conhecer,
volte outra vez
ao estranhamento,
para que tenha um quê
de insensatez
e viva sempre um sentimento
de incerteza.

Que este objeto de amor
seja para sempre estranho,
para que se aprenda a conhecê-lo
todos os dias da vida,
que este sentimento de sabê-lo
se afaste cada vez mais.

Que o amor seja assim,
um misto de mistério,
com prazer de conhecê-lo
só por hoje
e na caminhada da vida,
se descubra que nada se sabe
sobre nenhum de nós dois,
que este prazer que se tem,
seja para sempre o primeiro,
mesmo que seja o último.

Que o amor seja assim,
para sempre estranho,
mesmo que costumeiro,
para sempre imperfeito,
por não ser completo,
para sempre pleno,
por não ser cheio,
para sempre dúvida,
para que se construa respostas,
para sempre amor,
mesmo que desamor...

Thiago Azevedo
Belém, 14 de dezembro de 2010

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Insanidade

Ainda não ultrapassei meus limites poéticos,
não explorei as incertezas que me assolam
e que faz de mim este misto
de insanidade e impureza,
um caderno de prosa
e manuscritos de poesia.

Ainda tenho medo da exposição,
tenho receio de minha inconseqüente poesia,
peço misericórdia aos poetas que me antecederam
e perdão aos que ainda vão me suceder,
sou um poeta medroso e irresponsável,
com um coração tolo e uma alma livre,
sou portador de uma pena acrisolada
pelo pecado de não saber ultrapassar
meus próprios pecados com pecados melhores,
por não saber lidar com esta insana liberdade.

Quero estar no além limite da imensidão de mim mesmo,
para poder viver a avassaladora intensidade de minha poesia.

Quando isso acontecer,
não terei temor em minha palavra,
não me arrependerei por ter a mais profana poesia,
me orgulharei por ter inventado novos pecados em forma de palavras,
assim, poderei viver meus versos com mais ousadia.

Thiago Azevedo
Belém, 09 de dezembro de 2010

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Sem sentido...

Madrugada em silêncio
de som, alma e palavra,
página em branco, vazia,
é Infinito como o mundo,
é poesia.

Uma taça de vinho,
ouvir música do Chico,
um lamento solitário
em verso sem sentido,
é sentimento fingido.

Um verso sentido,
é sentimento perdido
num mundo infinito
do lamento de Chico,
a poesia é vazia
e o poeta fingido.

Thiago Azevedo
Belém, 08 de dezembro de 2010

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Cadência

Palavra
deslavada
em mentira
cadenciada

na melodia
chorosa
cantada
em verso
e prosa.

Palavra
ressalvada
que salva
a poesia

que mente
e sente
poeta
músico
e hipocrisia.

Palavra
carregada
de dor
e ironia

morre
ao pé do ouvido
em sussurro
de amor
e agonia.

Thiago Azevedo
Belém, 06 de dezembro de 2010

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Este meu quinhão

Venderam-me uma vaga idéia de felicidade,
como algo que se consome
e que para se alcançar tal idéia
era preciso sacrificar minha juventude,
dedicar horas à fio para ter como comprá-la.
Perdi tempo inundado em torres de papel,
pisei com minha pressa de chegar a tempo
em todas as flores do caminho,
todas as borboletas que voavam tranqüilas pelo jardim,
pisei na minha doce história,
como se não tivesse história.
Não vi o nascer da aurora,
nem o doce entardecer,
não vi o dia em que meus pais partiram,
estava ocupado em busca desta felicidade.
Esta felicidade que ignora quem sou
e despreza quem fui,
para ela não há limites,
ela quer mais além do limite.
Ocupei demais o tempo
imaginando que mente vazia
era lugar de descanso para o diabo,
mais diabo foi quem me vendeu esta idéia,
vendi minh’alma ao diabo
em troca desta felicidade que me venderam.
Hoje sou velho, consegui consumir tudo que me venderam,
fiquei mais doente, por causa do tempo que não dediquei à saúde,
perdi a vitalidade da vida em troca desta felicidade.
Conquistei o mundo inteiro,
para isso, perdi uma vida inteira,
agora me considero feliz,
só não sei mais como desfrutar desta felicidade que me venderam
em troca de toda minha vida,
pelo preço de toda minha história...

Thiago Azevedo
Belém, 04 de dezembro de 2010

Poesia triste é samba

Antes havia tristeza,
entoada a uma nota só,
ouve-se um único acorde,
de fato, era uma nota dó.

Esta mazela de poesia,
exalta uma tristeza tamanha,
em dó entoa a melodia,
poesia que soa triste é samba.

Aos grandes sambistas saúdo,
nesta comunhão de botequim,
tocando um choro de viola,
pandeiro, cavaco e tamborim

A nossa senhora do Ó rogo,
por amor deste bamba,
pra que anoiteça triste
e amanheça samba.

Tristeza que faz melodia,
melodia que rebola e dança,
dança que faz poesia,
poesia que é samba.

Thiago Azevedo
Belém, 03 de dezembro de 2010

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Cadência do tempo

Pessoas caminhando,
é anúncio de mais um cortejo,
pranto e lamento,
é prenúncio de mais um enterro.

Finda-se o dia e reinicia outro,
a vida numa repetitiva sinfonia,
todos dançam a cadência
da louca canção do tempo.

Nascer, adoecer, morrer,
cresce-se para um mundo cheio
de tudo, intenso de nada,
a vida adulta é doença,

É densa cegueira,
para a beleza do que é simples,
é plena surdez,
para ouvir a pureza do silêncio.

Corre-se para vencer o mundo,
para perder a noção do tempo,
corre-se para vencer a morte
e acabar com a vida em lamento.

Dura canção do tempo,
maldita melodia da vida,
peso eterno de ser triste
nesta sinfonia do mundo.

Nascer, adoecer, morrer,
é prenúncio de mais um cortejo,
vida adulta é doença,
é anúncio de mais um enterro...

Thiago Azevedo
Belém, 2 de dezembro de 2010

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Semeadura

No arar desta terra
banho de sol e chuva
semente e chão
semeadura.

Pés no chão
dança e pisadura
no lagar, uma canção
vinho da uva.

Luz dourada
no caminho de trigo
semeada ao vento
o voar sem destino.

Assar do pão
esmagar do trigo
levedar da massa
vento e moinho.

Uma roda de viola
risos, convívio e canção
amigos a compartilhar sonhos
entardecer de celebração.

Thiago Azevedo
Belém, 24 de dezembro de 2010

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Uma estrela, um regaço

Terra árida, um caminho
sem companhia, solidão
uma estrela sozinha
um destino, um chão.

A alma é carente de vida
também por alento e perdão
caminhando sozinha, perdida
A secura da vida, um sertão.

A vida é fardo, cansaço
Lar sem estrelas, sertão
sozinho, a lua é cangaço
espera por paz e perdão.

De um Deus, traquinagem
céu de crianças, canção
há uma luz, um menino
de um pequeno, perdão.

Caminheiros da terra
em busca de lar, vinho e pão
uma vida em festa, alegria
amor que traz comunhão.

Uma estrela, um guia
uma luz, salvação
de uma certeza perdida
sedenta de ser condução.

Uma criança divina
veio do céu para o chão
fazer da vida, poesia
do verso, eterna canção.

Thiago Azevedo
Belém, 22 de novembro de 2010

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Afago e poesia

Este meu lugar
de inocência serena,
em tardes gris,
a aninhar meu pranto,
explodir meu peito
e estufar o canto,
em morenas melodias,
deste amor que eu redigi

em páginas faceiras,
mãos suaves do escritor,
um olhar plangente
de poeta sonhador,
seus versos penitentes,
enlevo e doce amor,
que faz a poesia assim.

Um caminhar solitário,
um cuidar tão descuidado,
deste amor que cresce tanto
que não cabe mais em si,
a inundar em melodia,
desta intensa cantoria,
que se faz maior dentro de mim.

Afago e companhia,
consolo eterno e poesia,
deste amor que dediquei
apenas para ti.

Thiago Azevedo
Belém, 16 de novembro de 2010

domingo, 14 de novembro de 2010

Essencialidade

Quando sonhar
se tornar um mero capricho
no coração dos homens,
a poesia morrerá
sentada num banco,
tentando escrever
seu derradeiro verso,
sobre poetas,
que ousaram
imaginar,
que sonhar
era uma essencial
necessidade.

Thiago Azevedo
Belém, 15 de novembro de 2010

Este meu choro

Quando estou feliz,
ou imerso na tristeza.
por estar acompanhado,
ou profundamente solitário,
na celebração de vida,
ou na saudade silente
que vem com a morte.
Por tudo,
também por nada,
deságuo como um rio,
me afogo em bravio mar,
mesmo quando não parece,
minha alma desvanece,
realmente,
ou fingidamente.
Quando o sentimento enfim esfriar
e não houver mais este meu choro,
por acompanhamento,
solidão,
vida,
morte,
som,
silêncio,
alegria,
tristeza,
tudo,
nada,
serei nada.

Thiago Azevedo
Belém, 14 de novembro de 2010

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Fundição

Martelo e bigorna
Em intenso fogo
Destruo e refaço
O fundir do aço.

Choro dolorido
Da alma intensa
Tempo e momento
O findar do lamento.

Martelo e bigorna
Em fogo, a alma
É sentimento.

Choro sofrido
No aço fundido
A dor, é fermento.

Thiago Azevedo
Belém, 10 de novembro de 2010

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Sertanejo

Ara a seca terra
Na ardura do caminho
O semear da flor
Colheita de espinho.

Falta de tudo
Alimento, paz e moradia
Falta alento
Na sofrida romaria.

Na ardura da vida
Falta-nos energia
Neste sertão de secura
Pra viver a alegria.

Para colher esperança
Nesta vida dura
É preciso semear fé
Amor, paz e candura.

Thiago Azevedo
Belém, 5 de novembro de 2010

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Cecília

Mais um verso
Que se faz poesia,
Uma vida
A perfilar em canção,
Dentro de mim,
Dentro de nós.

Da Rosa,
Veio o botão,
Que Rebenta,
Felicidade,
Agora do verso,
A melodia,
Que entoará,
Eternidade.

Singela canção,
Faz suave
O ninar,
Levita o anseio
Faz-me sonhar
Em desejo,
Com uma vida
Tão pequenina,
Que nem sabe,
Quando chegar.

Suave, espero,
Poder enfim
Contigo cantar,
Esta nova canção,
Com Beatriz,
Do alto da vida,
Um eterno bailar,
Com Rosa,
Semear e sonhar.

Vela pela canção,
Nestes versos,
Que desfiam
Tão singela melodia,
Nossa pequena padroeira,
És musa e poesia,
Da minha música
És protetora,
Amor pra sempre,
Cecília.

Thiago Azevedo
Belém, 3 de novembro de 2010

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Garrafeiro

Olha a garrafa!
Grita o velho garrafeiro,
duas por um algodão doce,
é sempre o seu preço.
Olha a garrafa!
Vem um bando moleques,
carregados de garrafas,
de refrigerante e cerveja,
um pai angustiado,
não terá mais o seu vasilhame
pra tomar cerveja no sábado.
Sabendo que sua garrafa virou doce,
distribui cascudo na molecada,
mas já não adianta nada,
sua cerveja já virou doce.
Olha a garrafa!
Grita o velho garrafeiro,
seu nome ninguém sabe,
apenas o chamam,
garrafeiro!
Sua história ninguém conhece,
só sabem que empurra um carro de mão,
repleto de garrafas vazias,
com um poste cheio de algodões doces,
o que faz com as garrafas? Ninguém sabe,
também não tem conhecimento,
que sua vida também é tão vazia,
quanto as garrafas que troca por doce.

Thiago Azevedo
Belém 01 de novembro de 2010

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Minhas músicas de Chico

à Rosa, Beatriz e Cecília.

Queria escrever música de Chico,
estudei cada verso seu,
ouvi cada música sua,
mas não conseguia escrever
nenhuma música de Chico.
Então, aconteceu que desisti
e nas andanças desta vida,
vi no caminho uma bela rosa,
que florescia em um jardim,
foi então que percebi,
que me apaixonei
por música de Chico.
Deste amor que tive por Rosa,
abandonei o escrever música de Chico,
e começamos a viver música de Chico.
Este pleno amor que nos envolvia,
surgiu um belo botão,
Beatriz, a bailarina,
fazendo-me extremamente feliz,
e baila ao ouvir música de Chico
se divertindo com as cirandas,
entoadas para certas bailarinas.
Agora em mais uma primavera
que brota na vida,
em forma de belo botão,
a da música padroeira,
Cecília, a poetisa,
que embala a beleza dos versos,
que aprendi a viver e a escrever.

Hoje sou poeta,
não escrevo música de Chico,
mas amo todas as músicas de Chico
que vivem em meu coração,
fazendo da minha vida,
uma eterna canção de Chico.

Thiago Azevedo
Belém, 28 de outubro de 2010

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Máquina de escrever


Como queria ter uma máquina de escrever,
daquelas bem velhinhas e pequenas,
para poder escrever um belo livro.
Sei lá, me deu uma saudade destas máquinas,
do barulho que fazem na batida das teclas,
soam como uma música que rima com café quente,
que se entoa numa melodia em dias de pouca luz,
num fim de tarde à beira de uma janela,
com as árvores do quintal fazendo cenário
para a construção de mais esta poética.
Como queria ter uma máquina de escrever,
acho que com ela, meus poemas parecerão melhores,
porque parecerão mais velhos,
poemas são como vinhos,
quanto mais marcados pelo tempo,
tornam-se mais belos e mais elegantes.
Como queria ter uma máquina de escrever,
assim pareceria menos preso aos dias da velocidade,
desta modernidade que consome a alma e a aura poética,
destes dias de puramente consumo,
como se os poemas pudessem ser diluídos no passar de um clique.
Como queria ter uma máquina de escrever,
creio que assim, me tornaria mais poeta,
como os grandes que aprendi a amar,
fico no vazio sonhando,
tentando vê-los escrevendo em suas velhas máquinas de escrever,
os poemas que marcaram vidas,
marcaram almas, marcaram histórias.

Ah! Como queria uma máquina de escrever...

Thiago Azevedo
Belém, 26 de outubro de 2010

sábado, 23 de outubro de 2010

Quando o vazio está cheio

Poemas são inconstantes,
vão e vem em instantes,
como a torrente maré,
que pode inundar a beira,
como também não dar pé.

Ah! Poemas brincalhões,
que abandonam os poetas,
sem dar satisfações,
deixando-nos a beira
de um ataque de nervos,

A arrancar os cabelos,
quebrar os lápis e canetas,
rasgar resmas de papel,
deixando-nos pensar
que perdemos a mão.

Remoemos as cadeias da alma,
em busca de uma palavra,
um verso, um tema,
nada vem ao encontro,
não há nenhum consolo.

Melhor é viver a hibernada,
deixar passar este inverno,
que faz deitar a poesia
em um doce descanso,
afinal, poesia não é proletária.

A arte de não escrever
também é poesia,
que não se manifesta na escrita,
mas em se deixar intensa,
para se viver plena e viva.

É um vazio cheio,
que alimenta nossos brios,
para num próximo encontro,
ao findar a invernada,
amanhecer em mais um verso,
e o florescer de uma nova poesia.

Thiago Azevedo
Belém, 23 de outubro de 2010

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Lamento de Maria, a doméstica

Desde muito, muito tempo
antes mesmo desta cantoria
os noticiário anuncia
os robo que segue em frente
dos safado que ficam
impune e sempre mente.

Os jornar grita e estampa
mais uma triste notícia
pai que mata mãe
mãe que mata filha
filha que mata toda família
tem arguma coisa errada
argo que não divia.

Gente boa e honesta
pai e mãe de família
morrendo todo dia
nas mão dos safado
pro causo da violência
corrupção e descaso
que faz desta lida, rotina.

Minha esperança é mindinha
não credito em mais ninguém
nem mesmo na minha vizinha
tenho medo de tudo
de sair bem ali na esquina
até de fazer comida
no fogão da minha cozinha.

Me roubam todo dia
a carteira vive vazia
o dinheiro do ônibus
é do ladrão de galinha
meu sofrido salário
nas mão do safado
que governa o estado.

Nem a fé escapulia
tem quem diga qui é pra Deus
mas é só pro padre ou pastor
poder safar o seu
fico com cara de otária
creditando que é pela fé
fé que na verdade me fudeu.

Me roubaram tudo
que tinha na vida
minha casa, caiu
meu dinheiro, sumiu
meu marido, fugiu
minha fé, faliu
e nesta terra de má fé
até Deus anda nu e a pé.

Thiago Azevedo
Belém, 21 de outubro de 2010

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Ver-o-peso

Um olhar doce e sereno,
Nesta calma e tranqüila cidade,
Na chuva fina e constante,
Que molha o rio de tarde.

No solar da beira,
Beira do grande rio,
O fim do dia te acena,
Retira das águas as redes,
Arruma as pontas dos fios.

Mais um cheiro na gente,
Pra trazer o amor e a sorte,
Para os dias sem esperança,
Deste povo alegre e altivo,
Nativo povo do norte.

As velhas mãos que rendem,
Mais uma obra de artesanato,
Vendedores de peixe frito,
Açaí grosso e charque salgado,
cotidiano doce deste mercado.

Ah! Aqui me dá tamanha paz,
Um bucolismo sereno,
Um amor tão pleno,
Não consigo sair daqui.

Quando meu sol se pôr
E se for por trás do mercado,
Quero eternamente dormir ,
Às margens deste teu seio sagrado.

Thiago Azevedo
Belém, 20 de outubro de 2010

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Brincador de palavras

Quando se brinca com as palavras,
Pode não acabar bem,
Você inverte o certo
E o sentido pode ficar sem.

Palavras são um poço de desentendidos,
Já dizia um velho autor de um livro antigo,
Você pinta, borda e cria neologismos,
Palavras novas e sem significado,
Só para o autor, mas não para o dicionário.

Para o brincador de palavras,
Os inimigos não são poucos,
Sintaxe, gramática e a maldita reforma ortográfica,
Mas que pouco influencia,
Para quem brinca com a forma e a dis-forma.

Brincar com palavras é perigoso,
Você pode acabar gostando
E no fim, se tornar poeta,
Poetas brincam o tempo todo,
Poetas são bichos loucos.

Thiago Azevedo
Belém, 18 de outubro de 2010

sábado, 16 de outubro de 2010

Palavração

1 Palavra alta 3
2 De amor uma palavra 3
1 Voz calada 3
2 Silêncio de enamorada 3
1 Letra de canção 3
2 Beijos roubados 3
1 Palavração 3
2 Excitação 3

4 Na calada da noite 6
5 Viola e violeiro 6
4 Lua prateada 6
5 Oferta de serenata 6
4 Caminho e mãos dadas 6
5 É Melodia e canção 6
4 Paixão 6
5 Palavração 6

Thiago Azevedo
Belém, 16 de outubro de 2010

OBS: A poesia é um verdadeiro laboratório das palavras, neste poema resolvi experimentar algo inusitado pra mim, misturar os versos nas estrofes, os números que estão do lado dos versos, representam a seqüência da leitura dos versos, também a extrofe a ser lida. Com isso, o poema tem 6 estrofes misturadas. Depois que terminei de escrever e fui ler, deu um nó na minha cabeça.
Para criar este poema, precisei fazer os versos de forma normal e depois li e misturei, como numa salada ou para confeccionar um bolo chamado palavração.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Pé de Fé, Fé de Pé...

Pé de pé
Pé de moleque
Fruta pé.

Pé de bola
Chulé no pé
Pé de unha
Encravado pé
Pé de chão.

Chão de pé
Pé e mão
Pé de pé, de pé.

Caminha pé
Pé de fé
Qualquer fé
Fé de pé
Fé de fé, de fé.

Fé de fé
Fé de moleque
Enfezada fé.

Fé de fruta.
Chulé da fé
Fé de chão
Fé de irmão
Fé de fé, de fé.

Fé de pé
Mão de fé
Pé de mão
Pé de pé, de pé.

Thiago Azevedo
Belém, 13 de outubro de 2010

domingo, 10 de outubro de 2010

A bola

Rebate e volta,
pula, quica a bola,
pelada de moleque,
brincadeira de criança,
bola, quica e pula,
pés descalços,
chuta longe,
corre em volta,
quica, pula a bola,
pula, bola e quica,
volta e rebate,
chuta longe,
corre rápido,
cai errado,
no quintal do vizinho,
um assassinato,
uma faca,
um velho irado,
fim da brincadeira,
fura, esvazia a bola.

Thiago Azevedo
Belém, 10 de outubro de 2010

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Frutamor

Fruta pé
fruta madura
cai no chão.

Pé de fruta
ainda verde
é plantação.


Amor junto
madura fruta
doce paixão.

Amor só
é saudade
vira solidão.

Frutamor
que desnuda
ardente paixão.

Fruta muda
novo outono
renova estação.

Thiago Azevedo
Belém, 8 de outubro de 2010

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Números

Qual seu verdadeiro nome?
este que está escondido
por trás desta pilha de papeis,
desta pilha de números,
destes que te quantificam,
destes que te esvaziam,
e esconde quem verdadeiramente és.

Não quero saber tua idade,
qual o tamanho de tua casa,
o valor de teu salário,
nem ao menos tua altura,
muito menos ainda
sobre tua profissão,
não quero correr o risco
de ouvir informações quantificadas.

Quem de fato és?
tu que te esconde
por trás destes ignóbeis números?
sabes dizer?
já imaginaste pensar em apenas ser,
sem os números que te prendem?
destes malditos números vazios
que não te dão nenhuma esperança?

Sempre insiste em quantificar a vida,
o número de amigos,
quantidade de familiares,
contando tudo que tens,
contando as noites mal dormidas
por causa dos números
dos dias que perdeste
tentando repor algum número perdido.

Agora que chegaste até aqui,
contas o número de versos,
o número de estrofes,
o número de erros cometidos,
talvez, pare para contar o número de palavras,
ou pior ainda, o número de letras,
mas já paraste para contar
quanto tempo perdeste,
contando o número de vezes
que a vida já passou diante dos teus olhos
e a deixaste passar?

Thiago Azevedo
Belém, 7 de outubro de 2010

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Sítio do Pica-Pau Amarelo

Nos universos paralelos,
em viagens mirabolantes,
em grandiosos reinos,
ou em galáxias distantes.

Na companhia do milho,
que é um eterno falante,
o sabichão visconde,
sabugo chato, arrogante,

Exclama uma certa pequena,
que é uma boneca falante,
com cabelo desgrenhado,
coberta de pano extravagante.

Ainda tem muitos outros,
uma certa e pequena menina,
que tem por nome Narizinho,
e seu aventureiro irmão,
o sonhador Pedrinho.

Há ainda mais no sítio,
Nastácia, Benta e mitos
de sacis, reis e minotauros,
umas reformas esquisitas,
feitas pela boneca Emília.

Cada história um mundo,
como diz o Gil na canção:
No país da fantasia,
num estado de euforia,
cidade polichinelo.

Sítio do Pica-pau Amarelo,
Dona Benta, Visconde e Nastácia,
Emília, Saci, Cuca e criançada,
mundo maravilha, brincadeiras,
travessuras e euforia.

Tudo é possível,
tudo é imaginação,
tudo é magia,
tudo é coração.

Sítio do Pica-pau Amarelo,
viverá sempre com singeleza,
seja na letra impressa
em livros de bibliotecas,
também será eterno,
no imaginário das crianças
que entoam sua canção.

Thiago Azevedo
Belém, 06 de outubro de 2010

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Arrependimentos

Deus nas suas brincadeiras,
não mediu conseqüências,
resolveu fazer incompleto
a chamada primazia
de todas as criaturas.
Mais estranho ainda,
é ouvi-lo dizer
que ela é imagem sua
e mais ainda,
que muito boa é,
tão incompleta criatura.
Como deus pode pregar
uma peça dessas,
se no restante da criação,
tudo foi bom e perfeito?
Há perfeição no que é imperfeito?
Deus não responde,
deixa meu coração em dúvida
e sem solução.
Então vou à busca por respostas,
observo a natureza
e vejo perfeita harmonia,
mas nos humanos criados,
andando sempre em busca,
de sabe-se lá o quê.
Quanto mais passa o tempo,
vejo a natureza em sua perfeição,
mudar tanto e radicalmente,
não porque ela se transforme,
mas por causa da alma humana,
que no caminhar das eras,
continua a mesma.
Deus olha para o calendário,
observa o relógio velho e atrasado,
olha para os humanos,
em sua perfeita imperfeição,
matando-se e dando-se em morte,
destruindo o que ainda era perfeito,
possuindo sem ser possuidor.
Deus ao ver tudo isso se pergunta:
Pode haver um reflexo tão turvo?
Pode existir uma imagem tão manchada?
Onde está a verdadeira semelhança?
Deus senta-se no sofá,
chora e se arrepende
de um dia tê-los criado.

Thiago Azevedo
Belém, 4 de outubro de 2010

domingo, 3 de outubro de 2010

Minhas emoções

Quero poder controlar
a porococa de meu coração,
meus sentimentos estão misturados,
como num encontro
entre o calmo rio
e o ruidoso mar, ,
estou como o aflito,
que aguarda o turbilhão,
as palavras se misturam,
os versos se confundem,
não sei se estou amando,
ou se sou amado,
se odeio,
ou se sou odiado.
Quero sentir meu coração,
mas esta pororoca de sentimentos
não me deixam em paz,
não me deixam fluir.
Pobre do rio,
que não consegue vencer o mar,
mas mesmo não o levando de volta,
adoça seu intenso navegar.
Aguardo a calmaria,
onde posso voltar à nascente
e resgatar os primeiros versos,
a beleza inocente
das primeiras palavras
e para tornar imenso rio
que por tanto amar,
vai ao encontro
do pôr-do-sol,
tão belo e sereno
que só há de ser no mar...

Thiago Azevedo
Belém, 03 de outubro de 2010

sábado, 25 de setembro de 2010

As primaveras de Belém

Entre uma chuva e outra
nestas garoas de toda tarde,
uma cidade imersa em densos verdes,
onde as estações se confundem,
inverno, chuva do dia todo,
verão, chuva de todo dia,
onde estão as outras estações?
Os desavisados não as percebem,
os desatentos as deixam passar,
são apenas vírgulas,
que dão as pausas acidentais
no prosseguimento dos dias,
mas ao caminhar pelas ruas,
sem a pressa cotidiana,
olho o florescer dos muros,
dos jardins das casas,
dos canteiros de praças,
o cantar das abelhas,
o dançar dos beija-flores,
atentos a toda movimentação da vida,
celebram sem receio algum,
o arco-íris das cores escondidas
no reino das senhoras verdes.
Não tenho dúvida,
chegou aqui também a primavera,
como não haveria de chegar?
É o aniversário do florescer,
é a natividade que surge
em forma de novos botões,
uma nova vida a brotar,
um novo amor para amar.
Na minha terra,
as chuvas de primavera
são belas sinfonias,
de exaltação à paixão
que se inicia
nas ruas, praças e esquinas,
num colorido ao fundo
das flores que anunciam
o brindar da estação
que na voz do poeta canta...

“Quando entrar setembro
e a boa nova andar nos campos...”

Tão profundamente em meu coração.

Thiago Azevedo
Belém, 25 de setembro de 2010

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Calendário

Diante do calendário,
o observar dos meses e dias,
pouco importando o ano
quando se vai longe,
bem longe,
anos atrás.
Numa rua de piçarra,
as verdes vias,
repletas de rios e igarapés,
uma Belém de nostalgia,
uma Belém que não é mais,
das brincadeiras de bola,
divertimento com petecas,
cai uma na vala,
pega com a mão
e limpa na roupa suja,
pés no chão,
sem preocupar com pedrinhas,
sem preocupar com a lama,
apenas o sentir o chão,
o correr sem direção,
o voar raso,
pés no chão,
chuva serena da tarde cinza,
garoa da poesia
em pingos de versos.
As noites aos bandos,
juntam-se nas ruas,
para mais brincadeiras
pira-se-esconde,
polícia e ladrão,
pira maromba,
pira garrafa,
outras que nem lembro não,
conversas de calçada,
anúncio do fim da piçarra,
papos sem sentido,
entre causos e gritos,
o vizinho grita e xinga
querendo ver o jornal,
querendo ouvir a notícia,
molecada boba,
encontram as primeiras meninas,
os primeiros amores,
os primeiros beijos,
juras falsas de amor,
os primeiros dissabores.
E continuam as brincadeiras,
as antigas cantigas,
os mesmos moleques,
as mesmas broncas de mãe,
como fantasmas que ecoam
no folhear do calendário,
olha a data e vês
que está no dia errado,
hora de voltar para o relógio,
girá-lo em sentido horário
E deixar que os novos moleques
das ruas novas de piçarras,
tenham suas próprias lembranças também.

Thiago Azevedo
Belém, 20 de setembro de 2010

sábado, 18 de setembro de 2010

Finitude

Sou um ponto pequeno
diante da imensidão do universo
e tenho dentro de mim
a imensidão do universo
dentro de um ponto pequeno.

Sou um ponto pequeno
caminhando perdido no mundo
com toda a infinitude da existência
perdida e contida
dentro da finitude da vida.

Thiago Azevedo
Belém, 18 de setembro de 2010

terça-feira, 14 de setembro de 2010

60 segundos

Quantos anos pode haver em 60 segundos?
Quantos dias pode haver em 60 segundos?
Quantas horas pode haver em 60 segundos?
Quantos segundos pode haver em 60 segundos?

O passo de uma vida inteira,
pode-se passar num piscar de olhos,
num rasgo de 60 segundos.

Hoje tenho 60 anos
em 60 segundos...

Thiago Azevedo
Belém, 14 de setembro de 2010

sábado, 11 de setembro de 2010

O amor

Amor que é amor não se cria,
é entidade viva, incompreensível e divina,
já dizia o adágio da bíblia,
é o próprio sagrado
chamado Deus,
que ama sem medida.

O amor é como o vento,
que sopra onde bem entender,
mora na alma dos seres,
como numa mina
que se dá a buscar o valor do ouro,
ou a beleza do diamante.

Os tesouros de verdade, não são inventados,
como quem inventa uma roda,
mas descobertos pelo coração,
que explora a preciosa riqueza
que existe nesta imensa mina,
as vezes tão sombria e soturna
as vezes tão intensa e diurna.

Mina que é minha ,
mina que é tua,
de todos é essa mina,
a grande mina de nossas vidas,
mina que é o amor que não se cria...

Thiago Azevedo
Belém, 11 de setembro de 2010

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

À deus Baco

Vinho e poesia
combinação melhor não podia,
com música então,
seria a coroação
de sublime harmonia.

Baco deus do vinho,
poderia ser também da poesia,
e completaria a família,
que festeja em meio aos versos,
que festeja em repleta folia.

Tinto, branco,
seco e suave,
melhor mesmo
são os anos,
quantos mais idosos,
aumenta-se a vontade.

Vinho com poesia,
Seca-se mais uma garrafa
finda-se mais um verso
a taça está vazia,
fecho incompleto o caderno.

Abro mais uma garrafa
e reiniciam novos versos...

Thiago Azevedo
Belém, 11 de setembro de 2010

Reinvenção

Foi brincando
entre uma palavra e outra,
que acabei descobrindo
a duras penas o óbvio.

Que as juntando,
davam ritmo
do ritmo, a rima,
da rima, o verso
do verso, a estrofe
da estrofe, a poesia
da poesia, a vida
da vida, o amor.

A partir disso,
descobri que não queria outra coisa,
não queria outra vida,
queria ser um juntador de palavras,
queria ser um criador de poesias,
queria ser um descobridor do amor.

Foi juntando as palavras,
semeando poesias,
que no fim da jornada,
descobri o amor
e acabei reinventando a vida.

Belém, 10 de setembro de 2010

domingo, 5 de setembro de 2010

Você aprende...

Um dia você aprende,
que para nascer,
foi necessário um misto de dor e prazer
para crescer,
era necessário deixar a inocência,
para envelhecer,
era preciso resgatar a infância outra vez,
para amar,
era preciso sofrer um pouco...

e para morrer,
você terá que aprender a deixar quem ama...

Mas, um dia você aprenderá,
que quando partir, você voltará,
em forma de fotografia,
em forma de história,
ou simplesmente, em forma de doce memória,
nas lembranças daqueles que você aprendeu a amar
e que se deixaram continuar vivendo
com um pouco do amor
que você deu.

Porque aprender e amar
é um misto de saudade
com a possibilidade de sempre voltar pra casa outra vez.

Thiago Azevedo
Belém, 5 de setembro de 2010

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Belém

Ah Belém...
cidade que inspira
a mais bela poesia,
ao mesmo tempo
bucólica e moderna,
caótica e poética.

Belém,
são belos teus postais,
deliciosa a tua comida,
cidade bela e querida,
rios de bela nostalgia,
onde o sol dorme em paz.

Rio Guamá, Baía do Guajará,
terra de imensas Mangueiras,
da manga, açaí e tacacá,
peixe frito no Ver-o-peso,
vendedoras de verduras e cheiro,
barracas de belas cerâmicas
e trançado de artesanato.

Belém,
casa do pão não é teu nome,
nome que injustamente chamam,
cidade com a mais bela paisagem,
com as mais diversas linguagens,
muito mais que trigo e fermento,
casa de paz e alento.

És casa dos músicos e poetas,
da paisagem mais diversa,
entre o concreto e o nativo,
convive a nostalgia Landiana
em forma de passado moderno.

Belém não deixe
que a saudade de ti se perca,
que a modernidade te encubra,
que o verde se extinga,
que os poetas te deixem,
que a música se acabe.

Belém,
viva mais um dia
de teu pôr-do-sol,
de amor que brota dos amantes,
de mais um verso,
de mais uma poesia,
e depois de viver mais um dia,
viva para todo sempre,
Belém.

Thiago Azevedo
Belém, 30 de agosto de 2010

sábado, 28 de agosto de 2010

Um doente

Sinto uma dor grande,
uma dor física
que me consome,
entre analgésicos
e relaxantes musculares,
durmo, ou penso que durmo.

Uma dor lancinante,
que perfura a espinha,
como uma agulha
que percorre os nervos,
veia e acerta em cheio
minha paciência.

O colesterol alto,
uma dor na lombar,
a glicose alterada,
um peso acima da medida,
um corpo preso à mesa
e uma vida corrida.

Sinto-me um velho
de uns tantos poucos anos,
estou numa angústia gritante,
num desejo punjante,
de jogar tudo pro ar
e sair ao léu, viajar.

Que dor é essa,
capaz de me tirar a paz,
de me tirar o sono,
de me tirar a alegria,
que vai além da dor na espinha
e acrisola meu espírito em agonia?

Vou seguindo em frente,
na medida do possível,
parando de vez enquando,
para sentir um pouco mais de dor,
para tomar mais um copo d'água
e mais um comprimido de anador.

Thiago Azevedo
Belém, 28 de agosto de 2010

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Ontem

Ontem
caminhamos por uma longa estrada
sem se preocupar com a chegada
apenas o caminho nos importava
colhendo as flores de muitos jardins
olhando nossos corações
caminhando juntos
num amor que não tinha fim.

Ontem
é um dia que se mantém vivo
através das pequenas lembranças
que são centelhas de memória
e recheiam de imensa alegria
faz vivermos o ontem
como se fosse agora.

Ontem
rima com saudade
que rima com poesia
a imaginação de um dia
que talvez nunca houvesse outrora
em uma paz torrente
que se levanta na aurora.

Só mais um dia queria
para viver esta eterna saudade
do hoje que se converte em ontem
perfilada de uma imensa tranquilidade
que faz meu coração descansar no amanhã
e buscar viver com mais piedade.

Thiago Azevedo
Belém, 27 de agosto de 2010

Chegou a primavera

Andando pela rua
vi um árvore
que antes não via
porque estava nua
sem frutos seus
sem folhas suas.

Andando pela rua
vi uma cor
que antes não via
porque tudo era cinza
sem a aquarela que vive
a pintar o dia de alegria.

Andando pela rua
senti um perfume
que antes não sentia
porque não existia aroma
das flores perfiladas
por pétalas suas.

Andando pela rua
percebi, não era inverno
era hora de despertar
a alma que estava a hibernar
era hora de descobrir o amor
era hora de voltar a amar.

Andando pela rua
recebi o amor
da morena que caminha
apaixonada e sozinha
que silente espera
o alvorecer da primavera.

Thiago Azevedo
Belém, 27 de agosto de 2010

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Ulha

Ulha a mangueira menina,
ulha o jambeiro moleque,
ulha a pipa piqueno,
ulha.

Aí vem o tapioqueiro,
aí vem o picolezeiro,
aí vem o namoradeiro,
aí vem.

Vamos dar um passeio,
por entre as mangueiras,
por entre os açaizeiros,
nesta bela floresta
de bambuzeiros.

Estamos perto do Ver-o-peso,
mais que mercado, um templo,
entre pensantes e transeuntes
que firmes em romaria,
vão seguindo adiante.

Peixe frito, cerveja gelada, açaí,
cais do porto, artesanato.

vem ver o luar morena,
que rasga o rio e o mato.

Aí vem o pôr-do-sol morena,
aí vem o po-po-po no rio,
aí vem um vendedor de rosas,
aí vem.

Ulha as crianças na lama,
ulha a brincadeira de rua,
ulha a infância que chama,
ulha.

Elas colhem as belas mangas
as que caem no chão e as do pé,
pé que nasce em pequeno botão,
flor de poesia e fruta de paixão.

Vamos tomar banho de chuva,
da garoa da tarde cinzenta,
vamos sair gritando nas ruas,
a nossa paixão que brota do chão
e forma de botão de flor bela.

Ulha a poesia,
ulha o poeta,
ulha o trovador,
ulha.

Thiago Azevedo
Belém, 23 de agosto de 2010

sábado, 21 de agosto de 2010

Padroeira dos poetas

Estou num silêncio absurdo,
nada que escrevo me agrada,
sinto uma necessidade latejante que não cura,
mas nada surge, nada brota em mim,
sinto uma pressão intensa,
como se algo houvesse para ser dito,
mas nada parece formar as orações
que necessito para dizer o indito.

Então, aceito clemente,
como um fiel devoto
desta padroeira dos poetas,
angustiados pela necessidade
de ter algo claro para dizer
quando tudo se faz turvo,
a ti dedico este idílio.

Ó padroeira dos poetas malditos,
que andam perdidos neste caminho,
sem o alento das palavras belas,
sem a escrita benfazeja da poesia,
abençoai.

Ó santa silenciosa,
que cala-nos a alma,
ensina-nos a ouvir melhor teu silêncio,
silêncio intenso que nos corta os sentidos,
faz cair em tão denso sono,
por não sabermos olhar para o lado de dentro,
abençoai.

Abençoai aos poetas
nos becos e frestas,
nos bares e calçadas
nos palcos e sargetas
ao som dos aplausos,
à angústia do silêncio,
abençoai

Padroeira dos silenciados,
falai através do som deste silêncio
que anuvia todas as certezas
e cala todo o movimentar das mãos
para manuscrever mais um verso
e recitar de mais um soneto.

Guia-nos pelas veredas da poesia,
mostrai o caminho da salvação,
toma-nos eternamente em tuas mãos,
e nos conduz às águas tranquilas,
nos recantos de nossas impuras almas.

Abençoai mãe dos poetas,
abençoai nos bares e puteiros,
abençoai os poetas bebados,
abençoai no mundo inteiro,
abençoai...

Thiago Azevedo
Belém, 22 de agosto de 2010

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