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CancaodaFloresta

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Atando os nós

Quero poder acordar
Todos os dias e te olhar
Dentro dos teus olhos
E ver o meu amor em ti
Te sentir dentro de mim

Sentir teu lado da cama,
Preenchido com teu corpo nu,
Teu cheiro sobre os lençóis
Depois de uma noite a sós
E entre nossas almas,
Atando os nós

Voando em nosso quarto
Sem a noção de espaço
Perdendo a visão dos tempos
Nem o que é noticiado
Nada mais importa
Apenas o meu corpo no teu

Nem passado, presente ou futuro,
O único tempo que existe é apenas nós
Debaixo desses lençóis
Nossas almas entrelaçadas
Atando os nós

Quero poder acordar
Dentro dos teus olhos
Depois de uma noite a sós
Atando os nós

Do amor e nós dois.

(Thiago Azevedo)

terça-feira, 28 de julho de 2009

Pássaro Encantado

Lembra quando nos encontramos,
Naquele banco de praça?
A lua iluminando teu olhar,
Desnudando um coração ferido,
Buscando respostas
Em seus próprios caminhos,
Renascer era preciso.

Estavas perdida,
Andando numa rua escura,
Esmagada por dentro
Caminhando sem a noção do tempo,
Procurando sentido
Pra tua alma seqüestrada,
Como um pássaro engaiolado
Esperando a liberdade
Para poder cantar.

Meu pequeno pássaro encantado,
Em meio à fragilidade
Que tua tenra alma refletia,
Queria te ver cantar
Uma bela e triste canção
Pra me envolver,
E me apaixonar.

Quero em teus braços me aprisionar,
Tal qual um pássaro,
Que não sabe voar livre
Sabe apenas cantar
Canções tristes
Por só saber te amar.

Meu pássaro encantado!
Quero em teu coração descansar.
Te dar um novo motivo pra voar,
Uma nova canção pra cantar,
Em um novo verso escrever.

Meu coração se junta ao teu
Para seres livre,
Livre pra cantar,
Um cântico de liberdade
Pra minha alma junto da tua
Uma história nova poder contar.

(Thiago Azevedo)

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Poema de Domingo

Pipas no céu,
Uma linda aquarela
E uma música triste
Pra meu espírito silenciar,
Como uma criança
Que ouve uma canção de ninar.

Não paro de pensar,
Como é ser livre
No mundo dos sonhos,
Onde a alma do poeta descansa,
Voando e imaginando,
Palavras cheias de sentimento e vida.

Um lugar onde não há limites,
Apenas contornos
De um mundo
Construído em versos e estrofes
Redigidas em um domingo qualquer,
Dia em que tudo é possível,
Dia em que sonhar é preciso.

Uma linda aquarela
De pipas no céu,
Uma criança a ninar,
Ouvir uma música triste,
Que diz que escrever é sonhar,
É mergulhar nesse mundo,
Onde a alma do poeta é imortal

Nada de barreiras,
Nada de limites.
Tudo pode ser vivido
Num domingo qualquer.

Voar como uma pipa
E numa aquarela a pintar o céu
No silêncio de meu espírito,
Ouvir uma música triste
E sonhar com um mundo simples
De uma criança a ninar.

(Thiago Azevedo)

Histórias em verso

Não,
Não me deixe esquecer
A beleza das palavras
Que aprendi a escrever,
De punho e pincel
No branco infinito
Da folha de papel.

A história que aprendemos a contar,
Nossa história de amor,
Oscilante entre amor e desamor.

Entre promessas
E juras deferidas,
Tua história
Fundia-se a minha.

Hoje já não sei
Onde começa a tua,
Ou a minha.
Apenas caminhamos,
Escrevendo
A nossa própria história.

Ainda não pensamos no final.
Mas de que importa?
Se o hoje se escreve agora

Em versos imediatos
Deixando-os apenas fluir
De nossas almas,
Fundidas e confundidas.

Melhor deixar o amanhã
Para amanhã,
Pois o que quero hoje
É apenas te amar,
Por mais este minuto
E poder escrever
Mais um verso
Em nossa história.

(Thiago Azevedo)

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Da escuridão se fez poesia

Haja luz!
E tudo se fez poesia.
No primeiro verso do poeta,
Que da escuridão,
Tudo tornou belo.

Preciosas palavras,
Que através delas
Esse majestoso autor
Tudo formou,
Tudo criou.

Bela poesia,
Que conta uma história de amor,
De um poeta que só sabia amar
E através de belos versos,
Uma beleza sem igual,
Primeiro casal,
Primeiro par.

Amor que aos dois une,
Sentimento que mutuamente se nutre,
Entre versos e poeta.

Nós somos versos
De uma bela poesia,
Do poeta que se fez verbo
Para amar cada vez mais
E no toque de seu abraço,
Trazer a paz.

Para os seus
Que há muito esqueceu
Da beleza da poesia
E das palavras do poeta
Que a tudo vida deu.

E agora na morte
Uma nova poesia
Escrita com sangue e dor
O verbo deu sua vida
Como versos de amor.

Para reescrever a história
E recriar os versos
Para uma nova poesia.

Haja amor!
Primeiro verso declamou
Que da escuridão
Nova poesia formou.

(Thiago Azevedo)

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Escravos da Rotina

Acordar e partir,
Café no caminho tomar,
Almoçar sem tempo para parar,
Trabalhar, nunca pensar.

Apenas e sempre,
Dinheiro e dinheiro ganhar,
Sem ter tempo pra gastar.

Homem fraco e vazio,
Sem tempo para usufruir
A beleza da vida
Que de graça tens.

Nada precisaste fazer
Para tê-la em tuas mãos,
A única coisa que pedes de ti, vive-a!

Tão intensamente quanto desejas,
Tão simplesmente quanto podes,
Um dia, nada serás,
Ao pó tornarás.

De que te adiantou suar tanto?
Garimpando ouro de tolo.
Contar teu lucro?
É só o que aprendeste a fazer?

Pobre homem,
Rico és, mas nada tens.
O sol se pôs e a noite veio.
Nada de cores, nada de festa,
Apenas a escuridão e sombra
Sobre ti vieram.

Infeliz te tornou,
Pois nada aproveitou
Apenas a velha rotina,
Sempre a mesma coisa,
Todo o tempo,
O tempo todo.

Acordar e partir,
Café no caminho tomar,
Almoçar sem tempo para parar,
Trabalhar, nunca pensar.

Até quando isso?
Nunca vais te cansar?

(Thiago Azevedo)

Paradoxos Anexos

Por que me sinto tão sujo?
Tão amargurado pelos meus desejos impuros
Deste corpo sofrível e melancólico,
Marcado por caminhos desvirtuados
E sonhos malfadados?

O rumo dos felizes não em agrada,
Prefiro afogar-me em meus anseios,
Enforcar minh’alma por causa dos meus suplícios
Sinto-me um fantasma vazio e cheio.

Cheio de incertezas
De que o tempo não me trará respostas
Ao contrário, me fará apenas perguntas,
Se tudo isso vale mesmo a pena.

Tudo parece tão cinza,
Sem cor e sem sabor.
Tenho que me desfazer desses nós
Que apertam minha garganta.

Mas tudo parece tão apertado
Tão insuportável...

Sou apenas alguém simples
Tentando entender a vida
Em meio a toda essa tristeza
Que da alma humana emana,
Sobre suas encruzilhadas
Mal traçadas

Tudo parece tão mal resolvido,
Talvez tenha que ser assim,
Uma escuridão profunda
Precisa anteceder a luz.

As dúvidas sempre vêm antes das respostas
A incerteza nos faz crer que
Teremos dias de certezas.
As guerras são motivos
Para a necessidade de paz.

Mas uma única coisa ainda paira no ar,
Porque tudo deve partir desses paradoxos?
Nada parece ter nexo,
Apenas dúvidas escritas
A partir de versos em anexo.

(Thiago Azevedo)

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Como dizer que te amo?


Como dizer que te amo?
Sem incorrer em clichês?
Sem me tornar demodê?

Muitos já escreveram sobre o amor,
Muitos já viveram o amor,
Mas como posso demonstrar que te amo?

Só o tempo pode provar minhas palavras
Só os meus gestos podem mostrar meu desejo
Mas apenas uma frase pode resumir tudo isso.

Te amo!
Só e apenas isso,
E nada mais que isso.

(Thiago Azevedo)

terça-feira, 21 de julho de 2009

Homenagem ao Carimbó

Ao som da zabumba, banjo e curimbó,
Dançando sob a luz do luar ao som do carimbó,
Cantando as lendas de minha infância.
Yaras, Matintas, Botos e Curupiras,
Imagens da cultura popular.

Terra cheia de vida e cores,
Saias floridas não param de rodopiar.
O canto de um povo alegre
Que nasceu pra viver e festejar.

Que na labuta de todo dia
Encontra mais força para cantar,
E a voz rouca do mestre
Expressa seu amor profundo
Desse belo carimbó.

Yaras, Matintas, Botos e Curupiras,
Lendas tão vibrantes e coloridas
De mistérios profundos da floresta,
Que o homem deveria preservar.

Pescadores, artesãos e poetas,
Mestres dessa estimada cultura,
Observadores do cotidiano
Desse povo nobre e trabalhador,
Irmanados no amor de nosso Senhor,
Jesus Cristo Salvador.

(Thiago Azevedo)

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Intolerância

Por que as pessoas insistem em se trucidar
Por achar que possuem uma única verdade a se velar?
Umas mais, outras menos, mas todos prontos para atacar.
Quem quer que seja, bastar ameaçar.

Por achar que seu fundamentalismo
É a única razão para se destruir
As esperanças e os sonhos
Daqueles que não tem mais com que sonhar
Não tem mais porque esperar.
Apenas querem um Deus que lhes possa abençoar

O deus deles não abençoa, mata
Não ama, odeia
Não tolera, trucida o corpo
E rasga a alma como uma ferida

Colocando uma lei que não serve para guiar
Apenas para desviar de um caminho melhor
Para mais religiosismos e seus ritos
Escravos da lei e do dogma
Querem mais pobres para aprisionar

Pobres pequeninos, que não sabem se defender
Pobres pequeninos, que não podem se esconder
Pois eles estão espalhados por todos os lugares
São qualquer um, são todos nós.

Intolerância nossa de cada dia,
Sempre pronta para abocanhar a próxima vítima
Destruição sempre acompanha o teu reino
Essa é a única vontade,
Essa é a única verdade,
Sempre na terra, mas nunca no céu.

Todos devem se amar,
Essa é a única verdade a se velar
Essa é a única lei a nos guiar
Só assim, poderemos viver
Irmanados em paz.

(Thiago Azevedo)

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Elegia da Cruz

Porque o dia ficou tão escuro?
Tudo parece tão cinza,
Sinto uma tristeza profunda
Mas tudo parece normal, mais um dia,
Mais um a ser pendurado,
Mas porque estou tão triste?
Não deveria, pois fui feita para isso.
Um julgamento justo. Será?
Mais um criminoso. Será?
Ouço sempre os mesmo gritos.
O mesmo desejo de todos,
Morte!
Todos querem sangue.
Estou tão cansada disso,
Cheia de tanta violência,
Cheia de tanta dor.
Mas hoje é diferente,
Alguém diferente,
Fui escolhida, justamente pra Ele.
Sinto seu sangue escorrer.
Ele está pesado demais,
Como se estivesse carregando o mundo todo.
Quem será esse homem?
O que ele fez para sofrer tanto?
Sinto profundamente sua dor.
Sinto profundamente sua angústia.
É grande demais.
Deus, por que o abandonaste?
Sinto a dor da terra em que fui cravada,
Como se seu sangue a fizesse chorar.
A terra toda sente seu sofrimento.
É como se eles fossem um.
Deus me perdoe.
Teu Filho está sobre mim.
Não queria ser seu algoz.
Não queria ser a ferramenta para sua dor.
Sinto que o fim está próximo,
Ele morre
E leva consigo também minha vida.
Deus me perdoe.
Teu Filho morre sobre mim.
Teu Filho morre sobre mim.
Entrego nas tuas mãos o seu espírito.
E tudo está em fim
Consumado.

(Thiago Azevedo)

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Elegia do Arrependimento

Queria poder ter contemplado mais o amanhecer
Ter me enlevado na beleza do entardecer
Até mesmo achar mais graça do anoitecer

De não ter sentido tanta saudade
Das minhas decisões erradas
E das minhas ações equivocadas

Queria ter vivido de forma mais plena
Sem o desgaste amargo dos meus problemas
Vivendo angustiado por causa dos meus anseios

De não ser tão auto-punitivo
Quanto aos meus próprios desvios
E dos meus desvarios

Queria poder ver o amanhecer novamente
Deixar me envolver pela beleza do entardecer
E achar em Ti, Deus, gratidão a cada anoitecer

(Thiago Azevedo)

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