cheia de frivolidades e uma busca vã pela rima,
pela necessidade de tentar falar do belo,
da alma bela e da vida fantasiosa,
como se não houvessem perguntas,
somente respostas,
como se tudo fosse um oceano de certezas,
como se a dúvida não fosse a única certeza a se ter.
Queria acreditar que não houvessem mentiras,
que a utopia que descrevo,
fosse apenas um mero reflexo da realidade,
mas no fim, se tornou um retrato exaustivo
da minha banalidade com que vejo o mundo.
Ah, mundo cruel, que desdenha dos meus sentimentos,
ridiculariza minhas palavras,
faz perder e esquecer a melodia gostosa de uma boa rima,
fazes-me escrever como a um diário
e ter a ousadia de chamar isso de poema.
Ah, mundo sem graça, se não fosse os versos,
que seria do mundo, que seria das minhas dúvidas frívolas
e o que seria das minhas crises pervertidas,
se não fosse o doce toque das palavras ajuntadas em versos?
Sim, isso é poesia, apesar de tudo,
mesmo apesar do próprio poeta,
da estrutura,
do método,
da sintaxe,
da gramática,
apesar da vida e da morte,
isso ainda será poesia,
por muitos anos serei lido como poesia,
mesmo através de meu mais tolo poema,
ainda sim, serei preservado como poesia,
ela não é o que fala, escreve ou se lê,
apenas é aquilo que sente,
mesmo que sejam sentimentos frívolos
mesmo que sejam sentimentos bobos,
mesmo o mais tolo poema,
ainda sim...
será a mais bela poesia...
Thiago Azevedo
Belém, 05 de julho de 2010
As vezes nos achamos tolos em querer que aquilo que escrevemos seja perfeito, o mesmo se dá na poesia, buscamos as melhores rimas, a melhor estruturamas sem sentir nada é buscar palavras no vazio e no fim, perde-se a essência de poesia e poeta.
Este poema é um grito de liberdade entre poesia e poeta, um grito que livra das amarras desta tentativa vã e constante de buscar a melhor forma de escrever, ela não existe se você não estiver inteiro no poema.
A poesia nada mais é, do que um reflexo da alma do poeta, neste sentido, contrario o mestre Pessoa que dizia que o poeta é um fingidor, na verdade, ele não finge, apenas aprisiona o que sente em função de regras malfadadas...






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