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Divulgue esta idéia

CancaodaFloresta

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Paz

Aonde tudo se finda,
Desse percurso longo
Que faz de minha vida,
Uma busca imensa
Por repouso e paz.

Um local tranqüilo,
Banhado pela brisa,
Brisa que extasia,
Uma boa nostalgia,
Um recanto de paz.

Para meus pés
E minha alma
Um belo teto,
Sentimento de lar
O meu desejo,
Apenas encontrar paz.

O sol que o frio aquece
E faz acordar da preguiça,
Banha todas as esperanças
A beleza de um novo dia,
Viver e recomeçar.

Antes que a noite caia,
Queremos construir
Algo que perdure,
Que tenha sentido,
Sentido de paz.

Para minha vida
Quero um lugar,
Sentimento de amar,
Um belo desejo
De encontrar um lar,
Repouso e enfim paz.

(Thiago Azevedo)

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Tempo

Tempo,
Em todo momento,
                  Tempo.

Para os amantes,
Estar junto,
É esquecer o
                  Tempo.

Para quem espera,
É viver o tormento
De contar o
                  Tempo.

Para quem nasce,
Viver é sempre,
Não saber o
                  Tempo.

Para quem envelhece,
É aguardar contando,
O fim do
                  Tempo.

O tempo,
Não volta mais,
Pra frente, não é capaz,
É só o agora
E nada mais

Para quem envelhece
Viver é sempre,
Lembrar o
                  Tempo.

Para quem nasce,
É desejar,
Avançar o
                  Tempo.

Para quem espera
Estar junto,
É resgatar o
                  Tempo.

E para quem ama,
Só o momento,
Não há o
                  Tempo.

Tempo,
           Tempo,
                      Tempo...

(Thiago Azevedo)

Fugacidade II

Carros, fumaça, corrida!
Buzinas, barulho, chacina!
Gritos, assaltos, morfina!
Stress de uma terrível rotina.

Tudo é sem sentido e fugaz,
Reflexo do mau-estar,
De minha falta de paz
Quero fugir, pra outro lugar.

Quero viver uma fuga/cidade.
Para um lugar longe
E experimentar
Privacidade.

Minha vida está amordaçada,
Nessa correria de todo dia,
Desse ciclo que não termina,
Contraste do desejo que não finda.

Sinto que estou envelhecendo
Mais do que realmente devo,
Preciso de fuga/cidade.
Para resgatar minha verdadeira
Idade.

Mesmo que seja fugaz,
Necessito de fuga
Dessa louca cidade,
Que me tira a alegria
De viver e experimentar
Felicidade.

(Thiago Azevedo)

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Fugacidade

Rompe-se a aurora,
O sol aquece
E os fios da noite,
Se vão, desaparecem.

Tudo, todo dia,
Uma escuridão fugaz,
A vida efêmera,
Que não se repete mais.

Rompe-se o ventre,
Surge a vida
Que chora em agonia,
A dor da euforia.

Tudo é efêmero,
Tudo é fugaz,
Essa aurora que fenece.
Permanente é a noite,
Que vem simples e depois se vai.

(Thiago Azevedo)

sábado, 22 de agosto de 2009

Na minha terra tem mangueiras

Na minha terra, tem mangueiras,
Têm tantas que não se pode contar,
Que nos aufere um belo fruto,
E os moleques na rua
Esmeram-se em catar.

Na minha terra, tem um túnel de mangueiras,
E suas sombras o fazem tão belo
Mas tome muito cuidado,
A manga pode fazer um machucado,
Seu fruto mira das alturas,
O cocuruto desavisado.

Na minha terra, tem mangueiras,
Frondosas e senhoras,
Observando-as cuidadosamente,
Contam-nos belas histórias.
De passados memoriais,
Essas belas colunas vivas,
Majestades colossais.

Na minha terra, tem uma mangueira,
Apenas uma sobreviveu,
Já não tem suas folhas,
Até seu fruto feneceu,
Todas suas irmãs morreram,
Em meio ao descompasso
Do ferro e o concreto.

Não há mais histórias,
Nem moleques atoa de prosa,
Não há sombra e nem túnel
Apenas uma velha árvore
Como nossa alma,
Morre, lúgubre.

(Thiago Azevedo)

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Passados e fracassos

Sinto-me como quem perde
Num jogo arriscado de azar,
Onde a vida é minha maior adversária,
Não me deixa ganhar,
Nem ao menos tentar.

Vivo focado em um alvo
Que penso nunca alcançar,
E fico absorto, como alguém morto,
Concebendo um novo futuro,
Através de um outro passado,
Imaginando como seria
Recomeçar.

Sinto-me como quem se arrepende
De todos os incontados erros,
Marcados por decisões imprudentes
E os efeitos de atos incoerentes,
Levam-me a esse trágico incoveniente.

Recomeçar seria um meio de mudar,
Mas vejo tudo embaçado e sem jeito,
Como um nó atado e cego.
Sinto-me como alguém só
Que nessa escuridão tão densa,
Obscurece, anuvia minha vista
E tira a poeira de meus medos.

Sinto-me como quem sente,
Sente um medo profano,
De algo assim sem tamanho,
Que provavelmente não vê
E nem mesmo sabe por que.

Medos que havia enterrado,
Sob um túmulo fundo e vago,
Reservado aos meus mal-passos,
Sombras sem vida, há muito esquecida
Que havia em meu coração.
Agora vem como quem ressuscita
E me toma pela mão.

Sinto-me como quem deixa,
Deixa tudo isso vir à tona,
Tal qual um turbilhão
Que me convida a entrar
No núcleo de um furação.

E nos jardins do passado,
Lembrando de meus antigos medos,
Como o do profundo escuro,
Ou no armário, o monstro obtuso.
Hoje já sou um adulto e tenho novos,
Que me causam tamanho pavor,
Dentre todos, há um que é maior.

De fracassar em tudo,
Principalmente no amor...

(Thiago Azevedo)

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Grande Artista

Belos pincéis
Nas mãos do pintor,
Uma obra-prima,
Que expressam
Beleza e primazia.

Preciosos pincéis,
Nas mãos do poeta,
Surge uma bela poesia
Nas páginas do mundo,
Lindos versos escritos
Em páginas de vida.

Ambos os artistas,
Reúnem no sentimento
A alegria de ver na vida
O brotar dessa bela harmonia
Mesmo na preciosa pintura
Realiza-se como mágica poesia.

Neste mundo mágico de poetas
Tudo é beleza e poesia
De todos os artistas
Deus é único e o maior.
Pinta a vida com aquarela e pincel
Escreve lindas poesias
Nesse mundo de papel.

Deus artista e poeta
Faz de nós Seu pincel
Para criar a obra-prima
Perfeita arte do céu.

(Thiago Azevedo)

Amo-te apesar de mim

Amo-te assim,
Apesar de mim,
Dessa dor dentro do peito
Que te faz chorar
Maculando teu leito.

Esse amor assim,
Desse desejo incongruente,
Do coração que diz sim,
Mas o corpo diferente, enfim,
O que faz me amares sendo assim?

É possível amar-te tanto
E causar este sofrer tamanho?
Viver este complexo paradoxo
Que por fim nos une
Aliando amor e ódio.

Ódio por não saber
Fazer-te não sofrer
Fazer-te tão cansada
Sem nem saber por quê?

Amar-te tanto assim,
Mesmo sendo eu assim,
Amo-te para muito e além
De mim e apesar de mim.

(Thiago Azevedo)

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Açaí

Em tigela ou cuia,
Toma-se esse suco roxo,
Dele se usa tudo,
Até mesmo o seu caroço.
Bebe com farinha d’água
Feita da mandioca,
Ou misturado e gelado
Com farinha de tapioca.

Pode se chamar juçara,
Ou até mesmo açaizeiro,
Toma-se com açúcar doce,
Ou mesmo sem muito floreio.

Tanto faz, como tanto fez,
Nada diminui esse desejo,
De ser consumida,
Por esse povo belo e guerreiro
Que no mercado de ferro,
O grande Ver-o-Peso,
Expõe seu grande apreço.

Mesmo não se tomando o suco,
Pode também embelezar
Que nas mãos do artesão
Um belo cordão a ornamentar.

Dos teus caroços um belo mosaico
Enfeita o pescoço da bela cabloca
Desse estado, o meu Pará.
Arte aprendida com os índios,
Repassada aos filhos
Através desse belo idílio.

Nas lendas se chama iaçá
Uma planta que não pára de chorar
Em nosso coração,
Sua semente a brotar
Pequenas lágrimas roxas,
Açaí quero te chamar.

(Thiago Azevedo)

sábado, 15 de agosto de 2009

Viva a adesão do Pará!

Vamos paraenses, às ruas.
Beber e festejar,
Nos embriagar com muita cerveja
A tal adesão do Pará.

Temos muito que comemorar! Será?
Viva a adesão do Pará!
De tudo que nos deram
Como esmola pra ficar.

Vamos brindar!
A tudo o que aderimos.

A natureza tão bela
E aos que vêm de fora, extraindo.
Aos minérios tão fartos
E às empresas que desmatam via contrato.

Temos mais justiça
Para libertar o opressor,
Aderimos à corrupção
E também ao corruptor.

Viva a Cabanagem,
E a Eldorado dos Carajás!

Viva a adesão,
No Brasil do Grão-Pará!
Isso é um grande motivo
Pra beber e se embriagar.

Falamos através de uma bela língua,
Que tão pouco sabemos pronunciar,
Os índios são marginalizados,
Aprenderam também a roubar.

Me sinto melhor,
Pois faço parte deste país.

Meu povo é oprimido,
Escravizado e infeliz,
Temos um governo omisso
Que legisla, não em nosso suplício.

Mas para o que paga mais e melhor,
Em detrimento dos que lutam
Todos os dias com sacrifício,
Mas morrem pobres e só.

Quero beber, me embriagar
E esquecer a tal adesão do Pará.

(Thiago Azevedo)

Maniçoba

Tudo começa com maniva,
A carne-seca não esqueça,
Com porco é carregada
De lingüiça, lombo e orelha,
O rabo vai junto com toucinho,
Precisa cozinhar bem direitinho.

A gosto, pimenta-de-cheiro e alho,
Pra tudo ser bem temperado.
Esse prato é mui amado,
Prato gostoso, indispensável.
Aos que ainda são visitantes,
Alimento sempre recomendável.

Quatro dias deve antecipar
Essa estranha feijoada,
Cozer a base de maniva,
Que vem da roça de mandioca.
Mas nem todo mundo pode
Se aventurar a cozinhar.

Para poder iniciar,
No primeiro dia a raiar,
Acrescente primeiro a maniva,
Numa panela e água a fervilhar,
Deixe dormir em fogo brando,
Sem deixar a água secar.

Vem o segundo dia,
O porco vai acrescentar,
Todos os seus derivados,
Na panela a carregar,
A panela vai continuar fervendo,
Enquanto a noite durar.

Abrindo o terceiro dia,
A carne-seca escaldar,
E junto à maniva, deves misturar,
Vai mexendo o dia inteiro,
Mas nunca se esquecendo,
Fervendo sem parar.

Finalmente o último dia,
Pra terminar de cozinhar,
Acrescente alho espremido
E pimenta a temperar.
Mexe às vezes e constante,
Mais seis horas fervilhar.

Sirva com arroz branco,
Ou farinha da mandioca.
Sirva na cozinha, ou na rua,
Qualquer lugar, não importa.
Feijoada dos paraenses
Ela se chama maniçoba.

(Thiago Azevedo)

Cata-vento

Gira, gira, gira o vento,
Gira forte o cata-vento,
Vento gira multicores,
Gira lento, pára o tempo.

Gira rápido, gira o tempo,
Multicores, fundem o momento,
Funde tanto que confunde,
Branco agora é o cata-vento.

(Thiago Azevedo)

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Su-realidade

Meu sonho derrete,
Como uma aquarela,
Borra minha mente.

Passo a sonhar
Um mundo inimaginável,
Vida em su-realidade.

Não é ao contrário?
A realidade su-real?
O sonho algo banal?

Se o sonho é fantasia,
A realidade mórbida
Também o é.


Só morte, desalento,
Uma desigualdade desleal,
Parte, deste mundo real.

O mundo su-real
Deveria ser perfeito,
Mas só o sonho é.

Nem morte, nem sofrimento,
Realidade com alento
Mostra o perfeito comportamento.

Meu sonho borra a pintura
Em uma realidade utópica...
Mas que droga de ilusão de ótica.

(Thiago Azevedo)

Poeminha Papa-chibé

Égua de ti
Foi te embora
Me deixou aqui
Um Papa-chibé
Com cara de tambaqui.

Ah! Sumano
Meu coração é gito
Pra esse mundão esquisito
Maninhu me mostra
Esse mundo novo
Pra mim refazer o caminho.

Nesse dito Papa-chibé
Quero sair da lesera
Só to brincando com essas letras
Mais ú caramba minino vô te dizer:
Égua sumano, que beleza!

Nem te conto,
Conheço um povo santo
Devoto e sem par
Gente pai d’égua
Quando conhecer, vai amar.

(Thiago Azevedo)

O Grande Numinoso*

I
Ao que é compreendido
Pela completa incompreensão
Que não cabendo em nenhum lugar
Faz do homem, um lar.

Que não se pode nominar
Tem muitos nomes a se contar
Tudo foi, se quiser, será
Misterioso demais para explicar.

O totalmente incriado
Se deixou criar
De forma insólita
Deformado agora está.

Reflexos numa sala de espelhos
Apenas imagens refletidas
De uma consciência egoísta
Visão turva, incompreensiva.

É a verdade do não saber
Muito amplo, não há como reter
Não tem forma para absolutizar
Nem fôrma a se formalizar.

É livre demais. Clausura!
Liberdade soa ateu. Demais para ser deus!
Escravo dos templos sacros. Usura!
Os discursos prolixos enchem o saco. Perdura!

Religiões sem deus
Criam um para ser seu
Nomes em rótulos de enlatados
Para o deles ser melhor que o teu.

Bramha, Krishna, Buda e Alá
Tupã, Mao, Jesus ou Jeová
Nomes que a mente vai limitar
A compreensão e humanizar.

Incompreendido, Inconcebível
Sem nome que podemos chamar
Salva-nos dessa loucura,
Com teus ventos faz voar.

Para onde a vida começa a brotar
Um amor transcedente
Uma experiência imanente
Viver e religar.

Vamos vivenciar o sagrago
Longe da religião sem deus
Sem semblantes carregados
Livres enfim para unicamente amar.

II
É preciso desligar
O Numinoso desse simulacro
Da fé costurada
Em panos de trapo.

De uma fé barata
Dessa criatura ingrata
Age de forma insensata
Quer só receber e cobrar.

Com orações em palavras comedidas
Exigir bênçãos sem medida
Repetir sempre e sempre tudo
Requerer. Obrigado pra quê?

Fazer do Numinoso
Um mero tira-colo (Exigo!)
Sentado em insolente colo (Reivindico!)
Sempre com a cabeça baixa (Submeter!).

Isso não é fé
Fede, é fé(zes)
Não Nele,
Mas em você.

Isso tudo é uma cilada
Esse deus é inventado
Um truque bobo e barato
Um dia você vai ter que aprender.

Que a fé é graça
Não precisa nada fazer
Muito menos pedir
Nem tão pouco carecer.

O Numinoso é livre de rótulos
Fachadas, igrejas ou invólucros
Está sempre em mim
E pode viver em você.

Basta experimentar viver
Sem os muros dos templos abafados
Com vidas de sabor tão travo
De tantos pecados pra arrepender.

Voe livre desse deus lorde
Fruto de uma rima pobre
Que só vive pela lei em você
Liberte-se! Para não perecer.

Livrem os sábados, os domingos
E todos os dias santos
Livrem o Numinoso das fôrmas, dos trapos de pano
Liberdade para todos serem somente humanos.

(Thiago Azevedo)

*Rudolf Otto, nasceu a 25 de Setembro de 1869 e veio a falecer em 6 de Março de1937. Foi eminente teólogo, protestante alemão e erudito em religiões comparadas. Autor do livro: The Idea of the holy, publicado pela primeira vez em 1917 como Das Heilige (considerado um dos mais importantes tratados teológicos em língua alemã do século XX). Otto é criador do termo numinous, este termo exprime um importante conceito religioso da actualidade.
Na sua obra “O Sagrado”, publicada em 1917, Rudof Otto analisa a realidade apriorista do Numinoso, ou sagrado através dos elementos racionais e irracionais, cujos principais aspectos são descritos nas categorias do Mytetium Tremendum como Tremendum (arrepiante), Majestas (avassalador), Mysterium (o totalmente outro). O Numinoso é “fascinante” e “assombroso” a um só tempo.
A tese central do autor é a ideia do sagrado compreendido como algo divino. clique aqui para saber mais

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Só pra você

Amor/ando
Esperando
Deixar nascer
Um amor
Como o sol
Na manhã
Florescer.




Amar/ando
Sonhando
Deixar ver
Meu amor
Como a flor
Na primavera
Crescer.

Amor/ando
Amando
Deixar ser
Um amor
Só você
E pra sempre
Você.

(Thiago Azevedo)

domingo, 9 de agosto de 2009

Elegia de Judas, o enforcado

Traidor!
Um grito forte ecoa no ar,
Na minha pobre mente
E em meu coração,
Forte a palpitar.

Criminoso!
Não queria isso,
Não imaginei esse conflito,
Desejei apenas revolução,
Mas trouxe à ruína
Alguém que chamei de irmão.

Hipócrita!
Sonhava uma nova realidade
Para meu povo sofrido.
Liberdade a todos,
Escravizados, martirizados.
Não pensei no fim
Que ia dar.

Inocente!
É só o que penso.
Não o vejo revidar
Nenhuma acusação,
Não o ouço falar.
Por que se deixar culpar?

Culpado!
Será que tenho perdão?
Há para mim salvação?
Pelo brilho das moedas
Um fardo duro de carregar.
Fui seu algoz,
Angustiante de suportar.

Dor!
Só vejo a escuridão,
O céu pranteia sua perda,
A terra clama por seu sangue,
Um campo infértil.
O que posso fazer?
Só posso lamentar.

Morte!
Não vejo mais saída,
A não ser entregar a vida.
Esse abismo me acomete,
Minha alma, fenece,
Estrangula meu ar.
Meu Deus me perdoe...

Vou me matar!

(Thiago Azevedo)

sábado, 8 de agosto de 2009

Métrica

Não tenho estilo,
Sigo apenas o instinto,
Deixo fluir a princípio
Palavras desencontradas
Que formam versos
Meio sem nexo.

Não sigo a métrica,
Não penso a estética,
Não explico a rima,
Nem sei se isso é poesia.

Não conheço a gramática,
Uso apenas as palavras,
De forma muito prática
Desconsiderando a sintaxe,
Através de fonética básica.

Não me considero poeta,
Não me sinto compositor,
Não me acho letrista,
Nem sou escritor.

Me pergunto,
O que sou?
Para utilizar as palavras.
Pra falar sobre tudo
E mais um pouco,
Sobre amor?

Se tivesse certeza,
Usaria um ponto final.
Se tivesse plenitude,
Talvez uma exclamação!
Mas com minhas dúvidas
Sobre a questão,
Fecho confuso.
Por que sou uma interrogação?

(Thiago Azevedo)

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Peregrino

Andei por muitas estradas,
E muitos caminhos
Em busca de um lar.
Meus ombros estão fatigados,
Preciso recomeçar.

Os trôpegos descaminhos,
O andar sozinho,
Carregando um fardo
Que já não consigo suportar.

Tanto já fiz
Que já não sei.
O que sobra
Desses escombros
Que a vida me reserva?

Já não sinto a vida,
Já não sinto nem a morte.
Sinto-me um errante,
Um peregrino sem rumo,
Sem destino pra trilhar.

Preciso descansar,
Não quero apenas teto,
Preciso encontrar um lar
Com portas sempre abertas
E aconchego pra me dar.

Nas palavras encontrei
Mais que refúgio,
Nos versos, encontrei lugar.
Um lar onde posso descarregar
Meu profundo desmazelo.

Agora perco meus medos
De não saber aonde chegar.
Quero apenas voar
E voltar ao meu lugar,
Que de tão longe,
Com ele
Só quero sonhar.

(Thiago Azevedo)

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Pai (à meu pai)

Para a infância, um herói.
Com super-poderes
Livrava dos monstros
Os armários e as camas.

Estavas presente
Nos primeiros passos,
Nos trôpegos compassos
Via longe o caminhar.

Na juventude, o amigo,
Que tenta entender
As constantes mudanças
Que a antiga criança
Passou a viver.

Os primeiros amores,
Um ombro à consolo
Para os desamores
Que fizeram sofrer.

Na maioridade, um igual,
Um novo filho, tal qual
Viestes a ter.
Uma nova geração,
Avô agora ser.

És um novo herói,
Com super-poderes,
Novos monstros
Deves agora deter.

Com grandes histórias
De uma outra infância
Vens a entreter
O filho do teu filho.
Com colo e abrigo
Nos teus braços,
Pai e Avô
Amo você.

(Thiago Azevedo)

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Dorme pequena criança (à minha filha)

Dorme pequena criança,
Te cobrirei em meus braços,
Protegerei os teus passos,
Não te deixarei cair.

Dorme pequena criança,
Que alegria traz,
A tristeza tamanha
Que só teu sorriso desfaz.

Dorme pequena criança,
Te visitarei em teus sonhos,
Lutarei com as feras,
Serei teu guerreiro,
Velarei teu sono.

Pequena criança,
Em meus braços
Te vi crescer,
Senti me envolver
E no teu amor me perder.

Minha maluquinha,
Vi teus primeiros passos.
Nossos primeiros papos.
Que tivemos ao anoitecer.

Assuntos sem nexo,
Palavras desencontradas,
De histórias contadas,
Pra te fazer dormir.

Embalada em minha rouca voz,
Dormes em meus braços,
No calor do meu abraço,
Sonhas e te vejo sorrir
Sabendo do meu amor
Que dedico unicamente a ti
Minha pequena criança
Beatriz.

(Thiago Azevedo)

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