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Divulgue esta idéia

CancaodaFloresta

terça-feira, 30 de março de 2010

Elegia de lua

Lua branca e fria,
o sol foi embora,
levou junto
tua alegria.

Ficou apenas a penumbra
sombria, sem acolhida,
onde repousar,
onde se recuperar
de todas as feridas?

Lua, és agora minha amiga,
compartilha comigo
um pouco de tua história,
um pouco de tua vida.

O sol se foi,
te deixou sozinha
neste escuro,
à deriva

A conduzir os barqueiros
que procuram porto,
os amantes que sabem pouco
sobre tua vida sofrida.

Lua triste amiga,
nasce somente para dizer
adeus a todos,
adeus ao dia,
já vieste de partida.

As estrelas são testemunhas,
de teu pranto diário,
de teu penar solitário
sem luz, nem alegria.

Tua vida é apenas penumbra,
sem amor,
só saudade,
somente elegia.

Thiago Azevedo
Belém, 30 de março de 2010

segunda-feira, 29 de março de 2010

Debaixo do sol

Debaixo do sol
há tempo para tudo,
tudo que vem e começa,
perece e outra vez
vem e se repete,
tempo para caminhar,
também para os descaminhos,
há momentos de estar junto,
outros para se estar sozinho,
há tempo para suspirar de amor
e para dele também sofrer de dor,
tempo para ter paz,
assim como para a guerra encontrar.
De tudo que a vida nos deixa
debaixo do sol e da lua,
há o tempo para escrever,
seja soneto, prosa ou elegia,
mas há o tempo em que a alma dorme,
silencia.
Nesse tempo, só há que esperar,
pois haverá tempo para despertar,
reencontrar a vida,
reencontrar os versos,
reviver a poesia
e por fim,
tudo novamente, recomeçar,
nada mais será velho
debaixo do sol,
tudo será novo
e eterno outra vez.

Thiago Azevedo
Belém, 29 de março de 2010

terça-feira, 23 de março de 2010

Coelet

Enfado, enfado
diz o sábio cansado,
em tudo só enxerga uma coisa,
pesada vida, pesado fardo.

Seja do sol que nasce,
põe-se e logo outra vez,
torna de novo a nascer.

Ou da própria vida,
que tudo segue o mesmo curso,
nasce, cresce, envelhece sem ver,
o tempo passado, ou futuro se ter.

De que adianta lutar tanto?
Querer conquistar todo o mundo,
se na morte nada vai pro fundo?

Jovem tolo, diz o sábio,
correr em círculos à toa,
consegues tocar o vento?

De que adianta, diz o velho cansado,
ter todos os bens da vida,
se não se tiver a vida de bem.

Não tiver o amor da vida,
Não tiver bela paz,
Não tiver a vida do amor.
Não tiver paz.

Enfado, enfado,
canta o velho sábio,
Enfado, enfado,
já foi jovem tolo
o velho cansado.

Thiago Azevedo
Belém, 23 de março de 2010

Curió

Pequeno Curió,
sentado ao galho da árvore,
cantando canções que me levam longe
e me transportam para qualquer lugar,
desde que seja tranquilo,
desde que seja lar.

Canta pequeno Curió,
canções que me façam chorar,
mesmo que de alegria,
mesmo que de saudade,
mesmo que eu não saiba.

Pequeno Curió,
fique comigo mais um instante,
alivia a dor de minhas lembranças,
a intensidade de minhas saudades,
até que eu possa novamente descansar.

Fique pequeno Curió,
mas se fores, volte,
me conte sobre os lugares que foi,
cante novas canções que aprendeu,
letras de amores que viveu.

Volta pequeno Curió,
não demores a voltar,
sinto uma dor intensa,
uma saudade triste
por não te ouvir cantar.

Fico na gaiola,
esperando Curió voltar,
quem sabe um dia eu cante,
canções de esperança e liberdade,
e quando estiver livre,
cante muito mais alto
para nunca mais parar.

Thiago Azevedo
Belém, 23 de março de 2010

domingo, 21 de março de 2010

Saudades de Belém

Belém dos meus sonhos,
sinto saudades dos teus recantos.
Recantos que só vejo através de fotos
estampadas em adesivos por cima de caixas.

Sinto saudades do teu Ver-o-peso,
doce lembrança deste mercado,
do peixe, da fruta, do doce,
da mística que paira sobre o artesanato.

Lembro com alegria do Cruzeiro,
bela orla de icoaraci,
memória eterna de alguém apaixonado,
que caminha junto do bem amado,
sujando de areia os dedos dos pés.

Nem posso falar da República praça,
ornada e coroada por teu templo maior,
templo da Paz, palco de memoráveis louvores,
à ti, ó Belém do Grão Pará.

Terminei o passeio,
andei de norte a sul na memória,
cruzei a cidade inteira,
sem sair desta caixa quente e abafada,
Que meu ar sufoca.

Um dia nos reencontraremos Belém,
Um dia reviveremos nossa glória,
Um dia não precisarei das fotos,
Um dia reescreveremos nossa história.

Thiago Azevedo
Belém, 21 de março de 2010

sábado, 20 de março de 2010

Beija-flor 2

Aonde se escondem as palavras,
que um dia aprendi a escrever?
Voa longe beija-flor
encontrar meu bem querer.

Pequenino passarinho beija-flor,
Procura as palavras que perdi,
será que está na última roseira
onde deixei meu amor?

Voa leve, vai levando
meu desejo de encontrar,
a paz que tanto anseio
e nas palavras descansar.

Beija-flor, beija-flor
Vem no meu ouvido contar,
beija flor, beija-flor
Vem minh'alma alentar.

Sinto saudades do beija-flor,
foi-se embora e nunca mais voltou.
Sinto saudades das palavras
Que da flor ele me levou.

Thiago Azevedo
Belém, 20 de março de 2010

quarta-feira, 17 de março de 2010

Lavando os pes

Veja um balde,
ponha água,
Arrume também uma toalha.

Tirem as sandálias,
mostre-me os pés descalsos,
tão cansados, tão sujos, tão sedentos.

Vou molhando e lavando,
teus pés sujos deste caminho,
renovo teus passos,
recomece outra vez.

Não é preciso lavar o corpo,
basta apenas os pés,
que carregam o pesado fardo
e tanto aflige você.

Agora estás limpo e renovado,
estás pronto para refazer os passos,
que minha paz seja com você.

Compreendes o que fiz?
Limpando teus caminhos,
renovando teu passado?
Vai e faz o mesmo também.

Compartilhe da jornada,
lavando os pés da caminhada,
dos aflitos e maltrapilhos,
assim como os amei,
do mesmo jeito amem-se vocês também.

Thiago Azevedo
Belém, 10 de março de 2010

terça-feira, 16 de março de 2010

A morte do poeta

O poeta hiberna,
sonhando com o amor,
um amor que se foi,
um amor que o deixou.

O poeta silencia,
sem bradar, nem falar,
não há movimento de sua pena,
está em silêncio, sem amar.

O poeta abandona
seus versos, sem cantar,
não há mais poesia,
não há mais palavras pra contar.

Partiu o amor,
em silêncio está a alma,
dormem os versos e a poesia,
perde-se as palavras
sem saber como acordar.

O que aconteceu com o poeta?
Por que deixou cair o semblante?
Por que está sério o amante?

O poeta hiberna,
O poeta silencia,
O poeta abandona.

O poeta deixou a inocência,
ele desistiu de ser criança,
ele tornou-se um adulto...

...e morreu.

Thiago Azevedo
Belém, 10 de março de 2010

segunda-feira, 15 de março de 2010

Quando o poeta cala

Vão-se os dias e as noites,
sofre calado o violão,
encostado na parede,
sem o toque de uma mão.

Por onde será que anda
o poeta que dedilhava
antigas e belas canções
que fazem chorar o coração?

Não há quem chore
pelo solitário violão,
não há mais rodas melodiosas
fazendo coro nas canções.

Quando o poeta se cala,
silencia junto o violão,
silencia também a alma
e morre o amor do coração.

Thiago Azevedo
Belém, 07 de março de 2010

sábado, 13 de março de 2010

Escravo

Sacolas e mais sacolas,
pessoas saindo,
pessoas entrando
e o mesmo movimento,
o insuportável movimento,
que vem e se repete.
Pessoas mecânicas,
pessoas mecanizadas,
um horário a cumprir,
nenhuma liberdade usufruir
de domingo a domingo
sem ao menos ver o mundo,
o sol nasce e se põe,
mas você não sabe quando,
você não sabe como,
está preso a este ciclo maldito,
está preso a necessidade de sobreviver,
está amordaçado, sem esperança de sair.
Que movimento insano,
que vida insana,
a memória que dantes era alegre,
vai esvaindo-se em números,
barulhos, movimentos e dinheiro.
Cada vez mais você não é mais,
você não é mais ninguém,
agora é apenas um mero objeto,
abjeto entregue à rotina,
com objetivo de auferir lucro a outrem.
Pobre coitado,
não sabe mais quando é noite,
nem quando é dia,
nem quem são os seus.
Quem o libertará
da escravidão deste ciclo?
Quem o libertará
da necessidade de sobreviver?
Quem o libertará
da estupidez que o fazem sofrer?
Quem o libertará da ilusão de ganhar,
quando na verdade
dá todo o vigor de sua vida
em nome do lucro
que outro vai usufruir,
outro que não é você.

(Thiago Azevedo)
Belém, 26 de fevereiro de 2010

sexta-feira, 12 de março de 2010

Amanari

Amanari, Amanari,
por que partiste?
Por que te foste?
Deixaste seduzir por este mundo,
tão confuso, tão obtuso, tão artificial,
este mundo de brancos.
Agora que foste,
não há mais nada
não há mais chuva.
Trocaste o desconforto confortável do mundo índio
pelo conforto desconfortável do mundo branco.
Agora és pequeno Amanari,
não és ninguém, és nada,
apenas mais um tinga.
Neste pequeno espaço,
lutas por teu pão diário,
sofres com o trabalho pesado,
trabalhas não para ti,
mas pra outro alguém.
Vai pela calçada
um casal branco,
vê ali Amanari,
estirado no chão,
morto e esquecido
eles passam e vão
deixando Amanari
estirado no chão.
Por que não és mais Amanari?
Deixaste de ser eterno,
deixaste de ser lembrança,
deixaste de ser índio,
deixaste de ter esperança.
Junto com Amanari,
tudo se vai,
toda a história,
toda memória.
Não há mais mito
não há mais floresta
não há mais indígenas
há apenas este Belo Monte.

(Thiago Azevedo)
Belém, 16 de fevereiro de 2010

Glossário
Amanari - do Tupi, Água de Chuva
Tinga - do Tupi, de cor branca

quinta-feira, 11 de março de 2010

Pindura

Olha a máquina
que açaí bate,
lá fora há um cão
late, bate e late.

Cai suco roxo,
pra encher o saco,
por favor, um litro e meio,
bate, late, bate.

Não tenho dinheiro,
põe na pindura do mês,
um dia se tiver, eu pago
abate, bate e late.

Acrescente ainda
um litro de farinha para o pirão,
tem que ser do tipo d’água,
bate, pirão e bate.

Essa é a única refeição,
bate, abate e late,
um trocado, não tenho, não,
açaí, fiado e pirão.

(Thiago Azevedo)
Belém, 09 de fevereiro de 2010

quarta-feira, 10 de março de 2010

Memória

Não me lembro da última vez,
daquela última vez que me fiz lembrar
que esqueci minha última lembrança
de uma última vez.
Não me lembro, faz tempo,
faz cinco minutos,
mas parece que se passaram muitos dias.
Tempo suficiente para esquecer.
Esta velha memória que não funciona mais,
não me lembro exatamente de quê?
Nossa, parece que faz muito tempo,
faz muito tempo, desde o primeiro verso deste poema.

(Thiago Azevedo)
Belém, 07 de fevereiro de 2010

terça-feira, 9 de março de 2010

Caderno de empregos

Folheio o jornal de domingo,
separo o caderno de empregos,
busco um trabalho novo,
um trabalho que não dê trabalho,
um trabalho que me dê sustento,
um trabalho que me dê
a possibilidade de poder viver.
Nada encontro, nem sou encontrado,
vejo que não existe,
não há como viver intensamente,
sob a égide do trabalho,
que cansa a alma,
que atormenta o espírito,
que consome o corpo.
Fecho o caderno,
arrumo o jornal
e o jogo fora,
continuo a procurar,
continuo no meu velho emprego,
a trabalhar para sustentar o corpo,
enquanto isso,
minha alma definha,
agoniza lentamente,
ante a possibilidade,
de me tornar um mero escravo
da necessidade.

(Thiago Azevedo)
Belém, 07 de fevereiro de 2010

segunda-feira, 8 de março de 2010

O caminho

O que fazer quando somos tentados a desistir?
Como suportar a dor do fracasso?
Como lidar com todas as tentativas?
Erga os olhos, mire o horizonte e continue caminhando,
continue, pois a vida pode ser bem mais do que se espera,
mesmo que suas pousadas sejam ásperas e escarpadas,
continue a caminhar, ainda que seja durante a chuva.
Entre um momento e outro, dê-se o luxo de sorrir,
de mostrar a beleza de um rosto que sorri,
mostre a beleza de uma vida que continua caminhando,
mesmo que tudo se torne sem sentido.
Assim como voam os beija-flores,
despreocupados com tudo,
até mesmo com a triste possibilidade
de não voar tão alto como as águias,
eles continuam voando.
É triste ver alguém que desistiu de caminhar,
que desistiu de tentar ver como será o final.
Quando, em meio aos tropeços,
olhares fixamente para o chão,
lembre-se, enquanto houver pés,
haverá chão para se caminhar,
haverá um novo lugar para se chegar
e quando não houver mais caminho,
você saberá que chegou sua hora de parar.

(Thiago Azevedo)
Belém, 07 de fevereiro de 2010

sábado, 6 de março de 2010

Presença

De repente me vi ali,
ao mesmo tempo presente,
ao mesmo tempo ausente,
rodeado de pessoas,
cercado pela multidão,
ao mesmo tempo
não vi ninguém,
nada havia.
Todos os sons ouvia,
mesmo que não houvesse som,
mesmo que não houvesse fala,
porque não havia pessoas.
Onde estavam todo esse tempo?
Onde eu estava durante toda uma vida?
Por que não há ninguém?
Vejo pessoas, vejo homens e mulheres,
vejo também velhos, adultos e crianças,
mas não há ninguém,
não vejo mais ninguém,
apenas uma sombra,
a minha sombra,
das minhas caminhadas
solitárias e intempestuosas.
De repente vejo que todos estão ali,
o único que não está ali...


...sou eu.

(Thiago Azevedo)
Belém, 07 de fevereiro de 2010

sexta-feira, 5 de março de 2010

Coração Mirrado (MT 12.9-14)

Num canto escondido,
por ninguém percebido,
com vergonha de sua mutilação,
humilhado e julgado,
por causa de sua mão,
pobre hebreu mirrado,
coração partido,
imerso em solidão.

Muito mais que mirradas mãos,
mutilados por todas as leis,
está o pobre coração,
cheio de mágoa e culpa,
não encontras na lei o perdão,
precisas de alforria desta prisão,
que te fez triste,
pobre coração.

Pequena ovelha perdida,
esquecida na cova dos leões,
estende a mim tua mão,
te curarei no sábado,
por que não?
Vales mais que toda multidão
de leis que aprisionam,
teu pobre coração.

Vai na paz e no bem,
nesta liberdade que agora tens,
chega de esconderijos,
chega de mutilação,
muito mais que mão mirrada,
restaurou também o coração,
para uma nova vida
com mais perspectivas
de amor, paz e perdão.

(Thiago Azevedo)
Belém, 21 de janeiro de 2010

quinta-feira, 4 de março de 2010

Rotina

Todo dia
acordo cedo,
tomo banho,
depois o café,
vou ao trabalho,
paro pro almoço,
retorno ao batente,
volto pra casa,
tomo o jantar,
beijo a esposa,
brinco com a filha,
visto o pijama,
deito pra dormir...

O sono não vem,
o sonho não tem...

Repito a rotina
de todo santo dia,
nada muda,
nem uma vírgula,
vivo enfadado
deste tempo pesado
de todos os dias,
tudo é igual,
tudo é rotina,
todos os dias
são sempre os mesmos,
seja segunda,
seja domingo,
trabalhar,
brincar,
sobreviver,
cansar.

Sinto o tempo
passar em meu corpo,
mas minha mente
ficou parada,
repetindo sempre
a mesma coisa
programada,
de toda vida,
de todo dia,
acordo cedo,
tomo banho,
depois...

          ...o café.

(Thiago Azevedo)
Belém, 21 de janeiro de 2010

quarta-feira, 3 de março de 2010

Crises de existência

Quero poder dormir,
ver a noite fugir
rapidamente em meus sonhos.

Quero poder chorar,
extravasar meus sentidos
impotentes ao que vejo.

Quero poder sentir,
para lapidar dia-após-dia
meu endurecido coração.

Quero poder viver,
uma liberdade intensa,
que minh’alma anseia.

A noite persiste,
não tenho sono,
fugiram os sonhos.

Não tenho lágrimas,
estou entorpecido,
impotentes estão os sentidos.

Não consigo sentir,
não há o que lapidar,
meu coração está a ruir.

Não tenho vida,
tudo não passa de ilusão,
onde está a liberdade?
Estou só nesta prisão.

(Thiago Azevedo)
Belém, 21 de janeiro de 2010

terça-feira, 2 de março de 2010

Árvores nuas

Gosto de árvores
Principalmente no inverno
Tão frias, tão nuas
Sem fruto, nem folhas
Galhos, galhos e mais galhos.

Tão lindas, tão pobres
De seus densos verdes
Ficam apenas as formas
Destas árvores nuas.

Sinto-me nostálgico
A contemplar tão belas senhoras
Tão sérias, tão velhas
No rígido inverno
Apenas árvores nuas.

Não há sombra
Não há folhas
Não há frutos
Apenas árvores nuas.

(Thiago Azevedo)

segunda-feira, 1 de março de 2010

Queria ser poeta

Queria ser poeta,
Mas não sou,
Queria ser Vinícius,
Queria ser Bandeira,
Sou apenas alguém
Que escreve
Textos de cabeceira.

Queria ser poeta,
Queria ser Pessoa,
Talvez Quintana,
Drummond seria uma boa,
Deles sou aprendiz,
Não ouso ser professor.

Queria ser poeta,
Mas estou mais para beato
De grandes poetas
Que me inspiram
E a eles consagro
Este pequeno idílio.

O ditado não me serve
Querer não é poder
Querer é apenas querer
O poeta não se constrói,
Você apenas nasce poeta
E nada mais.

Poderia fazer muita coisa,
Teologia, Arquitetura e Engenharia
Mas somente uma me servia
Poesia é o que eu queria.
Queria ser poeta,
Apenas queria.

(Thiago Azevedo)

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