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CancaodaFloresta

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terça-feira, 4 de abril de 2017

Sem título

Que seja livre
enquanto voe
E seja leve
Embora sofre
Mas siga eterno
Mesmo distante.

Que o amor
Seja a loucura
Mais bela
A teimosia
Mais certa
O erro
Mais doce.

Pois sempre
É apenas
Um sonho
Que se esconde
Entre fronhas
No colchão.

E faz voar longe
Viver sonhos
De primeiros olhares
Beijos roubados
Ternos abraços.

Acima de tudo
Que seja amor
Apesar de tudo
Apesar do verso
Da música
E apesar de mim...

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Theatro da Paz


Silvaney Duarte
Passo pela avenida Assis de Vasconcelos,
Deixo-me desnudar pelo Theatro da Paz
e sobre minhas retinas, o passar do tempo
para bem antes da infância,
quando a praça da República
era um mundo tão grande
que nem dava pra ver a pista,
parecia uma parte incrustada da floresta,
vejo as antigas fotos da família,
minha irmã tão pequena aprendendo a andar,
olho também um antigo retrato,
que nesse caso é assim, retrato,
pois me leva pra mais longe,
para um tempo mais pacato,
onde a praça e o theatro
eram mais parte do seu tempo,
de uma gostosa Belém de outrora,
quando a chuva era mais convidativa à poesia,
sentar-se num banco desta praça
era para conviver, contar causos,
prosear com amigos fumando cachimbo tomando Malbec,
falar de política, poesia, ou mesmo da vida.
Como queria poder pular para dentro do retrato
e viver um dia neste tempo do Theatro,
tão senhor de seu tempo, de sua história.
O hoje, parece mais um intruso
que ousadamente resiste
à estranheza do futuro,
um mero contraste do acaso,
como tudo aquilo que fez parte
e construiu a memória
de um povo que não existe mais.
Volto para mais adiante,
continuo contemplando,
dentro do carro
enquanto o sinal está fechado,
pois quando ele abrir,
as lembranças que me reportam a este ontem,
precisarão correr para não chegar
atrasadas seja lá pra onde o futuro levar...

Thiago Azevedo
Maio/2012

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Infinito amor

Deus com infinito amor,
amou o que é perene,
amou tanto
que superabundou sua existência
com centelhas de finitude
e com isso,
tornou-se poema de amor,
daqueles de se abraçar e beijar.
Como o horizonte,
que é eterno em sua linha
e vira ondas de mar,
para abraçar a beira do cais.

Thiago Azevedo
Belém, 05 de fevereiro de 2012

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Tempo

na claridez repentina
dissipa toda neblina
e refaz todo o caminho
volta ao tempo menino.

a chuva sobe à nuvem
o rio mergulha nascente
o adulto cresce mindinho
e voa com intenção do ninho.

na escuridão tão vizinha
cresce ao passo de um tempo
carrega tão breve história
no presente, perene momento.

floresce a luz do abraço
na claridez repentina
envolve como a um laço
a tua vida na minha.

Thiago Azevedo
Marituba, 13 de dezembro de 2011

O amor é capaz de nos fazer voltar no tempo e fazer da pessoa amada tão especial, como se fosse sempre a primeira vez que fosse amada.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Pode o homem viver sem amor?

Mesmo que fale a língua dos poetas,
descanse a alma nos braços da alva
e fizer meu leito à sombra da mangueira,
de quê vale, sem o alento do amor?

É como sentir frio, apesar de aquecido,
é viver uma eterna ausência
com a casa toda em festa,
é o cantar solitário do passarinho,
é viver uma certeza inútil,
é andar ao luar,
sem a companhia da lua.

Amor é semente de divina graça
semeada na melodia do vento,
é gozo em meio ao sacrifício,
viver na esperança do hoje,
como se fosse pra sempre momento.

É poesia de Drummond
e canção de Cartola,
é tornar-se poeta,
sem tecer uma única palavra,
ou desenhar qualquer melodia.

É vencer a morte,
mesmo que morrendo,
é viver a dor da ternura
e ter a razão ferida
pela não razão do amor,
é falar todas as línguas,
sem pronunciar uma única palavra,
é deixar às mágoas esquecidas
no calor do silêncio.


é tudo saber
e nada esconder,
é luz na escuridão
e cruz que salva,
é ser em si apenas
e serenidade na tormenta,
é morte que prova
além do fogo da paixão.

O que será do homem
se não seguir o amor?
É viver o céu sem o paraíso,
navegar o rio adentro,
sem a lágrima da nascente
que rega cada pétala de flor.

Ainda que ande às margens da morte,
e a roseira não floresça
à mais bela das primaveras,
o amor a tudo isso resiste,
é espelho que desnuda,
é coberta que protege
e esperança que persiste,
só ele engrandece o aprendiz
e faz humilde o mestre.

O amor
tudo prova,
tudo suporta,
tudo faz,
tudo é,
para todo sempre,
é amor acima de tudo...

Thiago Azevedo
Marituba, 09 de novembro de 2011

Fiz uma tentativa de pensar o amor numa perspectiva a partir de Drummond, Gibran, Paulo e Davi nos Salmos.
A princípio queria escrever uma canção, mas a coisa foi fluindo e não consegui parar, então segui o conselho do profeta, parafraseando...

"Quando a poesia te vier, segui-a, embora seus caminhos sejam ásperos e escarpados..."

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Sobre o amor...

Quando o amor te vier,
abrace forte suas asas
que sombreiam a alvorada,
embora seja difícil
compreender seu destino,
siga sem medo ou receio,
mesmo se áspero o caminho.

Mesmo que a espada
exponha feridas escondidas,
debaixo das penas
da mais fina esperança,
ouça a voz que ecoa
bem dentro de seu coração,
no amor acreditai.

Ele coroa a vida
em meio ao sacrifício,
isso é fruto de crescimento,
como a semente que morre,
para dar uma nova vida,
siga o amor,
deixe ele te levar.

Mesmo que sangre,
a cicatriz irá curar,
ele acaricia os ramos
que dançam à luz do sol,
também desce às raízes
que abraçam a terra
e fortalecem o farol.

Não há outro desejo,
senão dar-se um pouco mais
e peineirar as impurezas,
moer até atingir a alvura,
amolecer para nos moldar,
para que tomeis o pão
em meio à festa e folia
da mais sagrada comunhão.

siga o amor,
basta o amor,
deixe o amor,
conheça o amor,
chore o amor,
sinta o amor,
cante o amor...


Thiago Azevedo
Belém, 28 de setembro de 2011

A idéia é fazer canções sobre os capítulos do livro O Profeta de Kalil Gibran, ainda não tenho as músicas, estou compondo primeiramente os versos, vamos ver no que dá, este primeiro poema é sobre o capítulo que fala do Amor.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Coração de areia - A Canção

Deus fez sarau de vida,
toada de singela poesia,
coração que se desfez
na poeira do tempo,
em lágrimas e melodia.

Fez-se miserável por nós,
um coração que desmancha
feito areia de mar,
para florescer outra vez,
o amor que se fez desaguar.

Coração de areia,
tornado pura terra,
traz nova primavera,
envolvida pela aurora
que o orvalho vem regar.


Coração de areia,
faz da minha canção, um mar,
para navegar ao fim da tarde,
sentir uma nova saudade
e outros tempos recordar.

Deus que se faz areia,
coração em corrente preamar,
traz meu barco de volta,
pra ancorar neste teu cais,
descansar este meu choro
e poder te amar um pouco mais...

Thiago Azevedo
Belém, 27 de setembro de 2011

Essa é a primeira versão do que poderá ser a canção Coração de Areia, eu remontei o poema original em verso livre e tentei organizar em versos mais metrificados, claro que nem tanto, para poder se enquadrar melhor à melodia, que ainda não tem.

Vamos ver se dá pra acontecer...

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Coração de areia

Na toada da poesia,
ouve-se o sarau de Deus,
que com amor, se desfez,
deixou-se e se lançou,
tornando-se seu próprio algoz,
desfacelando o coração,
carne transformada
em poeira do tempo
e se lança ao vento,
a espalhar-se pela vida,
um punhado a adubar o mundo.
Coração de areia
tornado terra pura,
que floresce em cada jardim
uma nova primavera,
envolvida pela aurora
e bem aventura a tristeza,
lágrimas que se tornam orvalho,
a regar e frutificar os sonhos,
as esperanças e a fé.
Coração de areia
que faz do mar, praia,
para caminhar ao fim de tarde,
deslumbrar-se com o pôr-do-sol
e sentir outra vez saudades
daquele tempo em que havia amor.
Deus que se fez areia,
coração se fez preamar,
que acolhe o pescador
e faz o barco buscar o cais,
Deus que se faz miserável,
só para poder amar
um pouco mais...

Thiago Azevedo
Marituba, 26 de setembro de 2011

Ao me deleitar com as palavras do Pr. Manoel Moraes, me veio ao coração este poema em versos livres. A expressão, ou as expressões, que me tocaram foi através do significado de misericórdia, que quer dizer misericárdia, ou tornar o coração miserável, como se o tivesse transformado em areia, expressão utilizado pelo Pr. Manoel Moraes.

Deus tornou seu coração miserável por nós, transformou seu coração em poeira por causa do seu amor, isso realmente me tocou profundamente, trouxe uma significação poética profunda sobre o que significa ser misericordioso e com certeza também, tornou para mim, ser humano arrogante e presunçoso, um sentimento inalcansável. Somente Deus repleto e somente amor pode se deixar tornar miserável e diluir seu coração em poeira lançada ao vento para adubar a vida dos homens e dar-lhes novo significado, uma nova primavera...

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Pequenino eterno mundo


à Cecília

esse teu sorriso
que carregas no rosto,
faz-me lembrar do infinito,
deixa-me plenamente exposto
ao reencontro com o sagrado
e minha piedade outrora esquecida.

tuas tenras mãozinhas
tateando minhas lentes,
dão nova visão do mundo,
de não querer ser ou ter
mais nada além do que a vida
acima de tudo.

tuas suaves palminhas
soam como alegre canção,
a embalar a valsa do dia,
desta mais sensível poesia,
na contradança do aconchego
ao entoar o humilde violão.

é difícil explicar,
sou adulto demais para entender,
como pode o eterno cantar
numa vida que acaba de nascer?
É difícil, eu sei,
é como tentar decifrar o florescer.

a vida passa
como a brisa do poente,
teu sorriso será outro,
estas mãozinhas serão perenes,
tuas palminhas serão lembrança,
mas no meu coração,
será eternamente...

Thiago Azevedo
Belém, 06 de setembro de 2011

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Mistério da vida

Olhe bem pela janela,
um rouxinol acabou de pousar,
tão pequeno, pensou ela,
como pode ser tão belo seu cantar?

Observe estas pequenas coisas,
o florescer no velho pomar,
veja como engatinha a pequena criança
e balbucia seu tímido falar.

Sinta as asas da alvorada,
que te levam a descansar,
nos mais longinquos mares
e faz a vida novamente renovar.

Esta vida se faz mistério,
como o fim de cada começar,
o nascer perene do rebento
e o morrer em cada invernar.

Olhe bem pela janela,
a brisa que lhe veio tocar,
suave carinho divino,
seu coração lhe vem consolar.

Thiago Azevedo
Marituba, 25 de agosto de 2011

A vida é feito um mistério, já disse uma vez o Boca livre e portanto, sua beleza está nas pequenas coisas, nos mínimos detalhes que as vezes deixamos escapar aos nossos olhos, porém, pior ainda, é deixar escapar isso tudo aos nossos corações.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Que mulher é essa?

Mas que mulher é essa?
que passa e se revela?
será flor ou promessa?
Preciso saber
que mulher é essa?

Em dias tão nublados
de cores tão gris
ela vem e passa
e deixa em mim saudade
dessas de não ter fim.

Por que Senhor? Piedade
por amar tão bem querer
esta mulher que passa
flor do poente
luz da aurora
canção do alvorecer.

Levo em meu coração
esta pequena semente
que o vento deixou
cresce sementeira
amor que dela tenho
amor de rosa flor.

Thiago Azevedo
Marituba, 12 de agosto de 2011

Nem preciso dizer pra quem é este poema...
Estou aprendendo a escrever meus poemas de amor.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Sementes (Thiago Azevedo e Gladir Cabral)



Mais uma parceria com Gladir Cabral. Sou agradecido a Deus por poder caminhar ao lado deste grande homem, e grande compositor de nossa música, tenho aprendido bastante com sua história e experiência e isso tem refletido diretamente em nossas canções. Espero que esse crescimento gere cada vez mais bons frutos para compor nosso belo jardim de poesia.

Sementes

A nota solta ao vento,
Pulou do velho violão
Sementes ao relento
No despertar de uma canção

O canto da alvorada,
A passarada a revoar
A jovem na calçada
Tão calada a meditar

No sonho, no tempo,
No encanto, no alento,
No giro tão lento
De cada momento


Pousado na janela
Amanheceu o rouxinol
Cantava só pra ela
E anunciava a luz do sol

A rosa, acostumada
A ser o centro da atenção,
Pensou que era pra ela
O sol, a voz e o violão

E o sonho, o tempo,
O encanto, o alento,
O giro tão lento
De cada momento


Thiago Azevedo e Gladir Cabral
Belém - Criciúma

sábado, 6 de agosto de 2011

Rosas não devem chorar (Thiago Azevedo e Gladir Cabral)



Esta música dedico à minha esposa Rosa, que num momento de tristeza chorou e me fez chegar primeiramente ao poema e em parceria com meu amigo de Criciúma Gladir Cabral desenvolveu esta bela canção e mais um belo resultado que transpassa fronteiras.

Rosas não devem chorar

Presta atenção
Olha bem neste espelho
Qual rosto que vês?
Um pequeno botão
Uma rosa, talvez

Ouve querida,
A chuva lá for a
Já começa a cantar
E a poesia tão bela
Quer te confortar.

Nenhuma rosa deveria chorar
E a jardineira só faria sorrir
A sementeira cantaria
Pra chamar o colibri

Deixa cair
Essa lágrima quente
E regar a raiz
A voz do teu coração
Ouve bem o que diz.

A primavera
Virá novamente
Te fazer florescer
Toda essa dor passará
Quando a flor renascer

Thiago Azevedo & Gladir Cabral
Criciúma, Belém do Pará, 5 agosto 2011.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Rosas não devem chorar

Presta atenção
olhe bem neste espelho
qual rosto que vês?
um pequeno botão
ou da rosa um jardim?

Ouve querida
o som da chuva lá fora
que entoa sua melodia
quiçá esta bela poesia
sirva pra te confortar.

Nenhuma rosa deveria chorar
apenas no jardim florescer
e tua semente seguir
na dança do beija-flor
viva a se renovar.

esta tua lágrima
que cai sobre a relva
fortalece tua raiz
esta voz do teu coração
ouça bem o que diz.

primavera nova virá
alvorada será outra vez
novas pétalas te dar
tudo que foi, passará
esta dor que se fez.

Thiago Azevedo
Belém, 29 de julho de 2011


Este poema dedico à minha preciosa Rosa que embeleza com as mais belas flores o meu precioso jardim.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Despedida

uma boa roda de prosa
ao pé do velho salgueiro
fez soar nossa história
verso a verso, poesia
brotar a mais bela rosa.

passa o tempo e a vida
trilha um novo destino
segue uma boa aurora
passo a passo, o caminho
amor que cresce, renova.

fica um pouco de nós
neste porta-retrato
sabiá no velho salgueiro
ausência e saudade
no choro violeiro.

falta a palavra e a rima
sem mais rodas de prosa
sem o abraço e o abrigo
somente pranto e partida
e esta saudosa memória.

o olhar da tão bela rosa
fará outra vez lembrar
antigos versos escritos
sobre a bela amizade
vivida à luz da aurora.

Thiago Azevedo
Belém, 28 de junho de 2011


Este poema escrevi para um amigo, que foi meu pastor e tutor em minha adolescência, acompanhou minhas crises, meus devaneios e minhas andanças pela vida. Partilhamos de grandes momentos nos cafés em butecos, das caminhadas sobre as livrarias, conversas amigas ao fim das tardes.

Ele precisou seguir o chamado da vida e foi para outra cidade, como vida de pastor é intinerante, não sei se ainda nos encontraremos antes de vir o grande momento.

Encaminhei este poema ao Fabrício Matheus do Grãos da Terra, quem sabe daí não surja mais uma canção.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Reconciliação

clara luz
dissipa a cega escuridão
orienta o caminho
trilha novas saídas
aos sonhos que virão
alento e salvação.

todo amor
aquece o ferido coração
em noites tão frias
carentes e vazias
cheias de desilução
afago e adoção.

viver o bem
é rio a fluir comunhão
partilha e companhia
navegar na travessia
poesia, melodia e violão
letra e canção.

plena vida
floresce na celebração
tão frágil é o ninar
voz rouca que acalanta
sonho e recordação
esperança e renovação.

primavera flor
desabrocha a emoção
que suspira silente
o alvorecer do leste
e finda a solidão
paz e reconciliação.

clara luz
afago e adoção
todo amor
alento e salvação
todo bem
esperança e renovação
toda vida
paz e reconciliação
toda flor
letra e canção.

Thiago Azevedo
Belém, 09 de junho de 2011

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Porto Seguro (Thiago Azevedo e Fabrício Matheus)



Segue mais uma bela parceria entre meus amigos, esta música tem uma particularidade, encaminhei a letra para o Fabrício e para o Gladir musicarem, imaginava algo semelhante ao que fizemos no Canção para o Rio, um composição à seis mãos, porém, algo curioso aconteceu, praticamente simultaneamente os dois me encaminharam melodias diferentes e posto o dilema entramos no consenso de que esta seria composta de um poema e duas músicas e o mais engraçado, é que ouvindo uma depois da outra, sinto que elas se tornam uma canção só.

Esta é a que compus com o Fabrício, é uma gravação caseira e o Fabrício estava com gripe, espero que se recupere logo.

Porto Seguro

O sol desponta no dia
Descortinando a maré
Barco navega na lida
Do pescador que tem fé
A esperança é mais viva
Pro coração bendizer.

Na noite enluarada
Meu barco quer atracar
Rumo à nova jornada
Ver outra flor rebentar
E ver pairar na janela
O canto do sabiá.

Minha certeza é perene
Tal qual manga no pé
Segue na trilha perdida
Desfaz tudo o que quer
Minha certeza é perene
Tal qual onda e maré
Segue sem prumo, sem leme,
Ou ancoragem qualquer.

Porto seguro, meu guia
Pra descansar os meus pés
Traz um renovo, anuncia
Fogo que pode aquecer
Faz debruçar o cansaço
Partir pro abraço do Pai.

Belém -- Rio de Janeiro, 25 de Maio de 2011.
Thiago Azevedo e Fabrício Matheus

sexta-feira, 13 de maio de 2011

O muro

A cada pedra erguida
ao suor de nossas alegrias
sofridas, sentidas, vividas,
escritas, de-scritas em prosa
e em versos de poesia,

meu violão solitário dedilha
cada lágrima contida
em lençóis úmidos, escondida,
o teu choro despido,
refrão de uma canção perdida.

ah, saudades do tempo
quando tudo era mais simples,
só nós dois e nossos sonhos,
o céu era mais azul e intenso,
agora, neblina e temporais

e mais uma pedra erguida,
de calos, sangue e suor,
mesmo apesar de tudo,
somos carregados de sonhos,
de vôos em céu azul reluzente.

as pedras que erguemos
do percurso que seguimos,
são para subirmos novamente
no muro que nos escondeu o sol
e começarmos tudo outra vez.

Thiago Azevedo
Belém, 13 de maio de 2011

sábado, 7 de maio de 2011

Como faz pra não te amar?

Esta terra que é semente
onde brota a mais bela poesia
em forma de manga de mangueira
regada pela bela chuva de todo dia.

Ah que terra mais bela
que se modela nas mãos do escultor
de Icoaraci, o mestre mais dedicado
escreve a história com escolhido barro
verso esculpido das mãos do criador.

Caranguejada que vem fresco do mangue
numa mesa farta de cerveja e amigos
violão, voz rouca e o batuque do curimbó
rodopia, rodopia a cabloca morena
ao cantar suas lendas de carimbó.

As lágrimas nascidas de Iaçá
sustenta alimentando este povo
junto, depois ou o próprio almoço
a rede na varanda, descansar.

O tempo que te corre devagar
esta terra de paz e nostalgia
a juventude que não se faz passar
dos poetas nas praças e esquinas.

Minha velha poesia
não cansa de te falar
Pará terra querida,
como faz pra não mais te amar?

Thiago Azevedo
Curuçá, 07 de maio de 2011

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Esperança

Solta as redes deitadas no cais
iça nas águas tuas velas recolhidas
da vida que se fez sentir ferida
desata os nós que te prende aos ais.

Navega o rio de teus temores
o vento sopra em bravio torrente
a ausência na alma é latente
a fraquejar por faltar teus amores.

Esperança solitária fica no cio
por um sol que possa novamente raiar
navegar outra vez em noites de frio
sem horizonte, à deriva, sem lar.

Desfaz a teia destes tristes nós
costura novamente tua rede
brada com furor tua voz.

Põe teu barco novamente em frente
abandona esta tua vida cadente
livra as tuas mãos do algoz.

Vai, acha outra vez o norte
perdido no teu caminho
lute sempre até a morte

por teus sonhos, fé e amores
reconstrói o barco da tua vida
para o sol vir a ti com novas cores.

Thiago Azevedo
Belém, 06 de maio de 2011

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