Salvem,
da inanição,
a pena seca,
sem tinta,
sem mão,
nem caligrafia.
Salvem,
o sentimento
que padece,
de frio e desalento,
sem choro,
contrito,
esquecido,
salvem.
Salvem,
o olhar,
que turva e esmorece,
na secura das pálpebras,
sem lágrimas,
nem pranto,
salvem.
Por onde estão os poetas?
Às margens das esquinas?
Nas notas de rodapés
fúnebres, silentes?
Quem salvará
da solidão, os poetas?
Salvem,
as folhas de papel,
que continuam em branco,
sem ter quem nelas escreva,
uma única linha,
um único sentimento,
uma única lágrima,
uma única poesia,
salvem...
Thiago Azevedo
Marituba, 31 de outubro de 2011






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