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sexta-feira, 18 de maio de 2012

Theatro da Paz


Silvaney Duarte
Passo pela avenida Assis de Vasconcelos,
Deixo-me desnudar pelo Theatro da Paz
e sobre minhas retinas, o passar do tempo
para bem antes da infância,
quando a praça da República
era um mundo tão grande
que nem dava pra ver a pista,
parecia uma parte incrustada da floresta,
vejo as antigas fotos da família,
minha irmã tão pequena aprendendo a andar,
olho também um antigo retrato,
que nesse caso é assim, retrato,
pois me leva pra mais longe,
para um tempo mais pacato,
onde a praça e o theatro
eram mais parte do seu tempo,
de uma gostosa Belém de outrora,
quando a chuva era mais convidativa à poesia,
sentar-se num banco desta praça
era para conviver, contar causos,
prosear com amigos fumando cachimbo tomando Malbec,
falar de política, poesia, ou mesmo da vida.
Como queria poder pular para dentro do retrato
e viver um dia neste tempo do Theatro,
tão senhor de seu tempo, de sua história.
O hoje, parece mais um intruso
que ousadamente resiste
à estranheza do futuro,
um mero contraste do acaso,
como tudo aquilo que fez parte
e construiu a memória
de um povo que não existe mais.
Volto para mais adiante,
continuo contemplando,
dentro do carro
enquanto o sinal está fechado,
pois quando ele abrir,
as lembranças que me reportam a este ontem,
precisarão correr para não chegar
atrasadas seja lá pra onde o futuro levar...

Thiago Azevedo
Maio/2012

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Lágrimas de Iaçá

Ah! Mãe de todas as águas,
Iaçá chora por teus filhos
que já não estão mais,
tua orla não é mais a mesma,
Iaçá caminha desolada,
seu líquido é escuro,
mas não é de fruta,
é batido,
mas não alimenta,
nele só há dor
sentido pela ausência,
é amargo demais,
azedou a vida
que não é mais a mesma,
há muitos gritos,
mas não das crianças de Icoaraci,
é do líquido
que semeou tua terra,
mas não floresce vida,
apenas dor e ausência.
Até quando Juraci?
Farás tuas urnas
ornando com sangue,
teus símbolos marajoaras?
Não há mais crianças,
não há mais cirandas,
não há mais canções,
não há mais cerâmicas,
não há mais o giro da roda do oleiro.
Por que estás em silêncio Juraci?
Até quando permitirás o choro de Iaçá?
Até quando as águas de Icoaraci serão carmesim?
Até quando?

Thiago Azevedo

Belém, 30 de novembro de 2011



Glossário - Tupi
Icoaraci - Mãe de todas as águas
Juraci - Aquela que fala o bem
Iaçá - Ao contrário lê-se Açaí. Segundo a lenda indígena, Iaçá lamentou a morte de seu filho, Tubiraçá e ouviu seu choro próximo de onde fora sepultado e após ver a criança, a abraçou a noite toda, mas na verdade estava abraçando um pé de Açaí, não aguentando o frio noturno, Iaçá veio a falecer. Desde então Açaí nome que veio de Iaçá significa, "Planta de Chora" por causa da semente roxa que se assemelham à lágrimas.

sábado, 7 de maio de 2011

Como faz pra não te amar?

Esta terra que é semente
onde brota a mais bela poesia
em forma de manga de mangueira
regada pela bela chuva de todo dia.

Ah que terra mais bela
que se modela nas mãos do escultor
de Icoaraci, o mestre mais dedicado
escreve a história com escolhido barro
verso esculpido das mãos do criador.

Caranguejada que vem fresco do mangue
numa mesa farta de cerveja e amigos
violão, voz rouca e o batuque do curimbó
rodopia, rodopia a cabloca morena
ao cantar suas lendas de carimbó.

As lágrimas nascidas de Iaçá
sustenta alimentando este povo
junto, depois ou o próprio almoço
a rede na varanda, descansar.

O tempo que te corre devagar
esta terra de paz e nostalgia
a juventude que não se faz passar
dos poetas nas praças e esquinas.

Minha velha poesia
não cansa de te falar
Pará terra querida,
como faz pra não mais te amar?

Thiago Azevedo
Curuçá, 07 de maio de 2011

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Cidade morena

Esta cidade morena
teus barcos, tuas pequenas
peixe fresco, mesa farta
pirarucu, tainha e tambaqui.

Terra da chuva faceira
lágrimas de chuva roxa
da índia de pele morena
lendas chorosas de açaí.

Das terras de Súmauma
trazes novamente o céu
a grande mangueira silente
curva reverente verde véu.

A Ver bem o peso que tens
os perfumes do mercado
da vida que se faz na arte,
resultado de artesanato.

O sol se deita e dorme outra vez
sobre o manto verde cristalino
a cantar novamente ao som da viola
ao dedilhar teu sabor divino.

Desperta o amor da cidade morena
Pra ouvir apaixonada o canto do rio
fazer florir alegria tão serena
pra eu nunca mais desaguar vazio.

Thiago Azevedo
Belém 28 de abril de 2011

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Tacacazeira

Nada melhor na vida
que um fim de tarde,
sol pinta amarelado
o rosto da velha negra,
suado e risonho
da tacacazeira,
que serve quente
em cuia preta,
suco amarelado
com fumaça subindo,
duas conchas de goma,
camarão grande e salgado a gosto,
jambú que faz arder os beiços
e pimenta pra fazer suar o corpo.

Fim de tarde, o calor ardente do sol
pede por uma boa, quente
e gostosa cuia de tacacá,
ao luzir de mais um poente,
vou terminando a cuia,
meus lábios tremem, sinto mais sede,
é hora de partir, escrever mais um poema
e me apaixonar outra vez...

Thiago Azevedo
Belém, 22 de abril de 2011

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Soneto de açaí

Num girar cadenciado
junto, semente e água
num misturar rodado
o engrossar da massa

a desnudar da semente
um carimbó cantado
de chama Verequete
que é mestre sagrado.

Açaí batido na hora
seja puro ou misturado
lança nova semente

pra novo fruto plantado
colher tudo novamente
alimento nobre, louvado.

Thiago Azevedo
Belém, 23 de dezembro de 2010

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Poesia triste é samba

Antes havia tristeza,
entoada a uma nota só,
ouve-se um único acorde,
de fato, era uma nota dó.

Esta mazela de poesia,
exalta uma tristeza tamanha,
em dó entoa a melodia,
poesia que soa triste é samba.

Aos grandes sambistas saúdo,
nesta comunhão de botequim,
tocando um choro de viola,
pandeiro, cavaco e tamborim

A nossa senhora do Ó rogo,
por amor deste bamba,
pra que anoiteça triste
e amanheça samba.

Tristeza que faz melodia,
melodia que rebola e dança,
dança que faz poesia,
poesia que é samba.

Thiago Azevedo
Belém, 03 de dezembro de 2010

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Sertanejo

Ara a seca terra
Na ardura do caminho
O semear da flor
Colheita de espinho.

Falta de tudo
Alimento, paz e moradia
Falta alento
Na sofrida romaria.

Na ardura da vida
Falta-nos energia
Neste sertão de secura
Pra viver a alegria.

Para colher esperança
Nesta vida dura
É preciso semear fé
Amor, paz e candura.

Thiago Azevedo
Belém, 5 de novembro de 2010

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Ver-o-peso

Um olhar doce e sereno,
Nesta calma e tranqüila cidade,
Na chuva fina e constante,
Que molha o rio de tarde.

No solar da beira,
Beira do grande rio,
O fim do dia te acena,
Retira das águas as redes,
Arruma as pontas dos fios.

Mais um cheiro na gente,
Pra trazer o amor e a sorte,
Para os dias sem esperança,
Deste povo alegre e altivo,
Nativo povo do norte.

As velhas mãos que rendem,
Mais uma obra de artesanato,
Vendedores de peixe frito,
Açaí grosso e charque salgado,
cotidiano doce deste mercado.

Ah! Aqui me dá tamanha paz,
Um bucolismo sereno,
Um amor tão pleno,
Não consigo sair daqui.

Quando meu sol se pôr
E se for por trás do mercado,
Quero eternamente dormir ,
Às margens deste teu seio sagrado.

Thiago Azevedo
Belém, 20 de outubro de 2010

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Sítio do Pica-Pau Amarelo

Nos universos paralelos,
em viagens mirabolantes,
em grandiosos reinos,
ou em galáxias distantes.

Na companhia do milho,
que é um eterno falante,
o sabichão visconde,
sabugo chato, arrogante,

Exclama uma certa pequena,
que é uma boneca falante,
com cabelo desgrenhado,
coberta de pano extravagante.

Ainda tem muitos outros,
uma certa e pequena menina,
que tem por nome Narizinho,
e seu aventureiro irmão,
o sonhador Pedrinho.

Há ainda mais no sítio,
Nastácia, Benta e mitos
de sacis, reis e minotauros,
umas reformas esquisitas,
feitas pela boneca Emília.

Cada história um mundo,
como diz o Gil na canção:
No país da fantasia,
num estado de euforia,
cidade polichinelo.

Sítio do Pica-pau Amarelo,
Dona Benta, Visconde e Nastácia,
Emília, Saci, Cuca e criançada,
mundo maravilha, brincadeiras,
travessuras e euforia.

Tudo é possível,
tudo é imaginação,
tudo é magia,
tudo é coração.

Sítio do Pica-pau Amarelo,
viverá sempre com singeleza,
seja na letra impressa
em livros de bibliotecas,
também será eterno,
no imaginário das crianças
que entoam sua canção.

Thiago Azevedo
Belém, 06 de outubro de 2010

sábado, 25 de setembro de 2010

As primaveras de Belém

Entre uma chuva e outra
nestas garoas de toda tarde,
uma cidade imersa em densos verdes,
onde as estações se confundem,
inverno, chuva do dia todo,
verão, chuva de todo dia,
onde estão as outras estações?
Os desavisados não as percebem,
os desatentos as deixam passar,
são apenas vírgulas,
que dão as pausas acidentais
no prosseguimento dos dias,
mas ao caminhar pelas ruas,
sem a pressa cotidiana,
olho o florescer dos muros,
dos jardins das casas,
dos canteiros de praças,
o cantar das abelhas,
o dançar dos beija-flores,
atentos a toda movimentação da vida,
celebram sem receio algum,
o arco-íris das cores escondidas
no reino das senhoras verdes.
Não tenho dúvida,
chegou aqui também a primavera,
como não haveria de chegar?
É o aniversário do florescer,
é a natividade que surge
em forma de novos botões,
uma nova vida a brotar,
um novo amor para amar.
Na minha terra,
as chuvas de primavera
são belas sinfonias,
de exaltação à paixão
que se inicia
nas ruas, praças e esquinas,
num colorido ao fundo
das flores que anunciam
o brindar da estação
que na voz do poeta canta...

“Quando entrar setembro
e a boa nova andar nos campos...”

Tão profundamente em meu coração.

Thiago Azevedo
Belém, 25 de setembro de 2010

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Belém

Ah Belém...
cidade que inspira
a mais bela poesia,
ao mesmo tempo
bucólica e moderna,
caótica e poética.

Belém,
são belos teus postais,
deliciosa a tua comida,
cidade bela e querida,
rios de bela nostalgia,
onde o sol dorme em paz.

Rio Guamá, Baía do Guajará,
terra de imensas Mangueiras,
da manga, açaí e tacacá,
peixe frito no Ver-o-peso,
vendedoras de verduras e cheiro,
barracas de belas cerâmicas
e trançado de artesanato.

Belém,
casa do pão não é teu nome,
nome que injustamente chamam,
cidade com a mais bela paisagem,
com as mais diversas linguagens,
muito mais que trigo e fermento,
casa de paz e alento.

És casa dos músicos e poetas,
da paisagem mais diversa,
entre o concreto e o nativo,
convive a nostalgia Landiana
em forma de passado moderno.

Belém não deixe
que a saudade de ti se perca,
que a modernidade te encubra,
que o verde se extinga,
que os poetas te deixem,
que a música se acabe.

Belém,
viva mais um dia
de teu pôr-do-sol,
de amor que brota dos amantes,
de mais um verso,
de mais uma poesia,
e depois de viver mais um dia,
viva para todo sempre,
Belém.

Thiago Azevedo
Belém, 30 de agosto de 2010

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Ulha

Ulha a mangueira menina,
ulha o jambeiro moleque,
ulha a pipa piqueno,
ulha.

Aí vem o tapioqueiro,
aí vem o picolezeiro,
aí vem o namoradeiro,
aí vem.

Vamos dar um passeio,
por entre as mangueiras,
por entre os açaizeiros,
nesta bela floresta
de bambuzeiros.

Estamos perto do Ver-o-peso,
mais que mercado, um templo,
entre pensantes e transeuntes
que firmes em romaria,
vão seguindo adiante.

Peixe frito, cerveja gelada, açaí,
cais do porto, artesanato.

vem ver o luar morena,
que rasga o rio e o mato.

Aí vem o pôr-do-sol morena,
aí vem o po-po-po no rio,
aí vem um vendedor de rosas,
aí vem.

Ulha as crianças na lama,
ulha a brincadeira de rua,
ulha a infância que chama,
ulha.

Elas colhem as belas mangas
as que caem no chão e as do pé,
pé que nasce em pequeno botão,
flor de poesia e fruta de paixão.

Vamos tomar banho de chuva,
da garoa da tarde cinzenta,
vamos sair gritando nas ruas,
a nossa paixão que brota do chão
e forma de botão de flor bela.

Ulha a poesia,
ulha o poeta,
ulha o trovador,
ulha.

Thiago Azevedo
Belém, 23 de agosto de 2010

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Canto ao carimbó

Rompe o carimbó
em meio ao molejo,
em meio ao rodopiar,
ouço firme e forte,
o batuque do curimbó.

Contos de pescador,
poesia de trovador,
história de contador,
canto sobre o amor.

Saias floridas,
primavera em som,
a voz rouca e sofrida,
não cansa de entoar,
o canto do carimbó.

Mestre caboclo,
canta, mestre cantador,
conta a vida viva,
canta forte
com vigor.

Boto, Iara, Matinta,
canta também sobre o amor
que tem a vida
de um nobre pescador.

Meu canto o rio anuncia,
anuncia forte este meu cantar,
anuncia e convida teu povo,
noite adentro dançar e celebrar.

Dança morena moça,
rebola neste cantar,
vai caboclo moço,
tua morena conquistar.

A noite só continua,
se o caboclo moço embalar,
a fogosa morena moça,
no barracão a rodopiar.

Thiago Azevedo
Belém, 19 de julho de 2010
Festival do Folclore de Curuçá 2010

domingo, 21 de março de 2010

Saudades de Belém

Belém dos meus sonhos,
sinto saudades dos teus recantos.
Recantos que só vejo através de fotos
estampadas em adesivos por cima de caixas.

Sinto saudades do teu Ver-o-peso,
doce lembrança deste mercado,
do peixe, da fruta, do doce,
da mística que paira sobre o artesanato.

Lembro com alegria do Cruzeiro,
bela orla de icoaraci,
memória eterna de alguém apaixonado,
que caminha junto do bem amado,
sujando de areia os dedos dos pés.

Nem posso falar da República praça,
ornada e coroada por teu templo maior,
templo da Paz, palco de memoráveis louvores,
à ti, ó Belém do Grão Pará.

Terminei o passeio,
andei de norte a sul na memória,
cruzei a cidade inteira,
sem sair desta caixa quente e abafada,
Que meu ar sufoca.

Um dia nos reencontraremos Belém,
Um dia reviveremos nossa glória,
Um dia não precisarei das fotos,
Um dia reescreveremos nossa história.

Thiago Azevedo
Belém, 21 de março de 2010

sexta-feira, 12 de março de 2010

Amanari

Amanari, Amanari,
por que partiste?
Por que te foste?
Deixaste seduzir por este mundo,
tão confuso, tão obtuso, tão artificial,
este mundo de brancos.
Agora que foste,
não há mais nada
não há mais chuva.
Trocaste o desconforto confortável do mundo índio
pelo conforto desconfortável do mundo branco.
Agora és pequeno Amanari,
não és ninguém, és nada,
apenas mais um tinga.
Neste pequeno espaço,
lutas por teu pão diário,
sofres com o trabalho pesado,
trabalhas não para ti,
mas pra outro alguém.
Vai pela calçada
um casal branco,
vê ali Amanari,
estirado no chão,
morto e esquecido
eles passam e vão
deixando Amanari
estirado no chão.
Por que não és mais Amanari?
Deixaste de ser eterno,
deixaste de ser lembrança,
deixaste de ser índio,
deixaste de ter esperança.
Junto com Amanari,
tudo se vai,
toda a história,
toda memória.
Não há mais mito
não há mais floresta
não há mais indígenas
há apenas este Belo Monte.

(Thiago Azevedo)
Belém, 16 de fevereiro de 2010

Glossário
Amanari - do Tupi, Água de Chuva
Tinga - do Tupi, de cor branca

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Encanto do Boto

Nesse rio amazonas,
Na margem, todos em festa,
A lua forte ilumina
O semblante puro
Da cabloquinha bela.

A noite esconde mistérios
Que só o amor desvela.
Com chapéu branco
Tronco forte e desnudo
Olhar profundo sobre ela.

Tira a bela donzela
Toda a noite de dança
Rebola muito com ela
Tanto que encanta
Neste breu que se levanta.

Toma a moça no braço
Vai pro meio do mato
E cheia de desejo, ama,
Vai-se a noite escura
E o belo moço com ela.

Ao raiar do novo dia,
Grávida ficou a donzela
Triste semblante da moça
Sem saber de onde veio
Aquele encantador moço.

Numa noite mágica de amor
Deixou-se seduzir, enlevar
Pelos encantos do belo moço
O fato é que não sabia
Que ele era o peixe boto.

(Thiago Azevedo)

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Lamentos de Belém




Belém que triste verde
o próprio fim anuncia
no moderno mundo pende
entregue à ganância
se escraviza.

Aos poucos morrem-se todos
os belos símbolos e mitos
Iaras, Matintas e Botos
sofrendo com a floresta
em meio ao suplício.

Quem ouvirá teu choro?
Abafado pelo bate estaca
de todos os prédios em coro
que na floresta esmaga.

Quem ouvirá teus gritos?
Ó mangueiras de Belém
quem erguerá para ti os olhos?
Estás abandonada sem ninguém.

Morrem tristes as mangueiras
e nasce cinza, esfumaçada
sem espaço, imprensada
nasce morta a antiga Belém.

(Thiago Azevedo)

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Qual a cara do Pará?


Uma vez me perguntaram
Qual a é a cara do paraense?
Muitos olham do lado errado
O paraense é guerreiro
E não um coitado.
Tem muito mais do Pará
Das frutas em fartura
Do açaí ao cupuaçu
Vale contar das cidades a história
Belém, Vigia, Curuça
Abade e as ilhas de fora
A vida do Pará tem um sabor especial
A maniçoba, o tacacá e o pato no tucupi
Tem também a marujada
O carimbo e o sairé
Lundum Bragantino e Marajoara
E o Boi-tinga de São Caetano de Odivelas.
Até eu me pergunto
Qual é a cara do Pará?
O Pará é muita coisa
Bem mais além que isso
O Grão-Pará do campo
Da cidade ou floresta
Tem o rosto dos mitos e lendas
O paraense tem um quê de místico,
Tem um quê de rio.
Bacia Amazônica
É Baia do Guajará
É nascente do rio Guamá
O paraense é bem maior
Do que se pode pensar
Quem pode me dizer
Qual o verdadeiro rosto do Pará?

(Thiago Azevedo)

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Identidade


Nasci às margens do rio Guamá
Sou caipora, sou curumim,
Sou baía do Guajará.

Cresci nas barracas do Ver-o-peso
Vendo o po-po-po rasgar o rio
Oceano de minha terra
De onde vi o mundo passar.

Sou o folclore da amazônia
Sou Matinta, curupira, Iaçá
Boto, Iara e sementes de guaraná.

Cresci brincando nas tardes chuvosas
Pegando manga do pé
Jogando bola na rua
De terra batida e pé no chão.

Sou a culinária de meu povo
Maniçoba, doce de cupuaçu
Pato no tucupi e tacacá.

Cresci ouvindo todos os sons da terra
Carimbó, marujada, Boi-bumbá
Guitarrada, brega, merengue
Lundu e também o siriá.

Sou a cultura da minha terra
A cerâmica do Marajó e Santarém
E o belo artesanato de Icoaraci e Abaeté.

Cresci sendo todos a quem vi
Feirantes, pescadores, músicos e artistas
Sou personagem do mundo inteiro
Sou Amazônida, sou Paraense
Acima de tudo Brasileiro.

(Thiago Azevedo)

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