Uma miragem no espelho
relógio que anda pra trás
sentimento tão ausente
que não volta mais.
É como um barco à vela
à deriva na corrente
aguardando ventania
que lhe leve à nascente.
O que esperar à frente?
este amanhã que não chega
e um sentimento tão latente
Teatro que refrata convexo
emoções controvertidas
imagens e nada mais que isso.
Thiago Azevedo
Belém, 06 de maio de 2012
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sábado, 5 de maio de 2012
terça-feira, 10 de abril de 2012
"Descarteando"
Tenho dúvidas
sobre a vida que vem,
a morte que vai,
o riso perene,
o pranto que permanece.
Tenho dúvidas
sobre a fé das montanhas,
a não-fé no amanhã,
do Deus que é caminho,
do não-Deus menino.
Tenho dúvidas
sobre o que é certo,
também do que é errado,
das verdades antigas,
que são mentiras de hoje.
Tenho dúvidas
sobre a paz almejada
e da guerra para alcançá-la,
da fala constante
e do silêncio distante.
Tenho dúvidas
sobre a própria dúvida,
também sobre o que é certeza,
do presente tempo
e o futuro incerto.
Tenho dúvidas
da saudade na ausência
e da chegada, o aconchego,
o sol que se põe na linha
e seu nascer no arvoredo.
Tenho dúvidas
sobre minha poesia,
todas as canções que escrevi,
todas as paixões que senti,
sinto tudo seguir com o vento.
Tenho dúvidas,
sobre o vento que sopra,
a brisa que traz o mar,
a semente que cresce,
o rio que desce,
a vida que adoece.
A única coisa
que tenho certeza,
mas não absoluta,
é do amor que nasce,
tornando a vida mais simples...
Thiago Azevedo
Abril/2012
sobre a vida que vem,
a morte que vai,
o riso perene,
o pranto que permanece.
Tenho dúvidas
sobre a fé das montanhas,
a não-fé no amanhã,
do Deus que é caminho,
do não-Deus menino.
Tenho dúvidas
sobre o que é certo,
também do que é errado,
das verdades antigas,
que são mentiras de hoje.
Tenho dúvidas
sobre a paz almejada
e da guerra para alcançá-la,
da fala constante
e do silêncio distante.
Tenho dúvidas
sobre a própria dúvida,
também sobre o que é certeza,
do presente tempo
e o futuro incerto.
Tenho dúvidas
da saudade na ausência
e da chegada, o aconchego,
o sol que se põe na linha
e seu nascer no arvoredo.
Tenho dúvidas
sobre minha poesia,
todas as canções que escrevi,
todas as paixões que senti,
sinto tudo seguir com o vento.
Tenho dúvidas,
sobre o vento que sopra,
a brisa que traz o mar,
a semente que cresce,
o rio que desce,
a vida que adoece.
A única coisa
que tenho certeza,
mas não absoluta,
é do amor que nasce,
tornando a vida mais simples...
Thiago Azevedo
Abril/2012
quinta-feira, 22 de março de 2012
Emudecer
Hoje minha poesia cala
não por não haver nada a dizer
mas por causa do nó
que se fez em minha garganta
e emudeceu a alma.
Hoje a chuva soa como choro
o arco-íris tornou-se uma penumbra
que de tão turva
não parece mais com esperança
e emudeceu a alma.
Hoje não há o canto
nenhum pássaro voa tão alto
apenas um cortante silêncio
de um rasante, na tentativa de sobreviver
e emudeceu a alma.
Hoje a alma emudece mais
doendo cada vez mais dentro de si
à procura de luz, calor humano
hoje o sol perdeu seu brilho e encanto
e emudeceu a alma...
emudeceu a vida
emudeceu o encanto
emudeceu o sonho
emudeceu a verdade
emudeceu a esperança
emudeceu a poesia
emudeceu Deus...
Thiago Azevedo
Belém, 22 de março de 2012
não por não haver nada a dizer
mas por causa do nó
que se fez em minha garganta
e emudeceu a alma.
Hoje a chuva soa como choro
o arco-íris tornou-se uma penumbra
que de tão turva
não parece mais com esperança
e emudeceu a alma.
Hoje não há o canto
nenhum pássaro voa tão alto
apenas um cortante silêncio
de um rasante, na tentativa de sobreviver
e emudeceu a alma.
Hoje a alma emudece mais
doendo cada vez mais dentro de si
à procura de luz, calor humano
hoje o sol perdeu seu brilho e encanto
e emudeceu a alma...
emudeceu a vida
emudeceu o encanto
emudeceu o sonho
emudeceu a verdade
emudeceu a esperança
emudeceu a poesia
emudeceu Deus...
Thiago Azevedo
Belém, 22 de março de 2012
terça-feira, 13 de março de 2012
Paradoxo
O amor é para sempre,
mas quanto tempo
para sempre pode durar
em cada verso da canção?
Tempo que reflete eternidade
no florir de cada emoção,
mas quando finda-se o infinito
no adormecer da velha estação?
Ah! Estes velhos paradoxos,
fazem eterno o presente,
banhando-se nas lágrimas do passado
e vivendo nas angustias do futuro.
Quem poderá controlar
este sentimento de perpetuação,
mesmo que perene seja a canção?
Quem poderá medir
se certo ou não
os versos deste turbulento quinhão?
De eternidade em eternidade
em cada perene alvorecer
sol reluz mais uma vida temporão...
Thiago Azevedo
Belém, 13 de março de 2012
mas quanto tempo
para sempre pode durar
em cada verso da canção?
Tempo que reflete eternidade
no florir de cada emoção,
mas quando finda-se o infinito
no adormecer da velha estação?
Ah! Estes velhos paradoxos,
fazem eterno o presente,
banhando-se nas lágrimas do passado
e vivendo nas angustias do futuro.
Quem poderá controlar
este sentimento de perpetuação,
mesmo que perene seja a canção?
Quem poderá medir
se certo ou não
os versos deste turbulento quinhão?
De eternidade em eternidade
em cada perene alvorecer
sol reluz mais uma vida temporão...
Thiago Azevedo
Belém, 13 de março de 2012
segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012
Preenchimento
Quando percebo minha poesia vazia,
é por causa da minha alma
que anda cheia demais,
cheia de muitas certezas,
carregada de olhos já vistos,
destas certezas que envenenam
esta singela poesia,
faz com que perca a curiosidade,
que eu não tenha dúvidas
e isso a deixa pesada,
como um fardo que tenho que levar,
paro um pouco,
faço uma oração...
"Pai, faz-me novo,
de um vazio que dantes não tinha,
de todos os meus preceitos,
inclusive daqueles
que me fazem ter certeza
de quem Tu és..."
Com essa prece,
sento-me na cadeira
e minha poesia
se preenche outra vez...
Thiago Azevedo
Belém, 06 de fevereiro de 2012
é por causa da minha alma
que anda cheia demais,
cheia de muitas certezas,
carregada de olhos já vistos,
destas certezas que envenenam
esta singela poesia,
faz com que perca a curiosidade,
que eu não tenha dúvidas
e isso a deixa pesada,
como um fardo que tenho que levar,
paro um pouco,
faço uma oração...
"Pai, faz-me novo,
de um vazio que dantes não tinha,
de todos os meus preceitos,
inclusive daqueles
que me fazem ter certeza
de quem Tu és..."
Com essa prece,
sento-me na cadeira
e minha poesia
se preenche outra vez...
Thiago Azevedo
Belém, 06 de fevereiro de 2012
domingo, 5 de fevereiro de 2012
Rebentar da poesia
A poesia é como o rebento
que quer sair
e precisa emitir dores
tão profundas
que remodelam o ser.
Para parir poesia,
é preciso que a alma
esteja grávida
e sinta dores intensas.
Alma que não dói
não pode escrever,
não consegue encontrar
as palavras que amalgamam os versos,
pois poesia é parir
o que a alma está cheia.
Dor e alegria,
são o conjunto que formam
a gene da poesia,
como cromossomo de pai e mãe.
Ela não respeita seus desejos,
quer apenas ser,
um ser em si mesma,
a plenitude da mais singela poesia...
Thiago Azevedo
Belém, 06 de fevereiro de 2012
que quer sair
e precisa emitir dores
tão profundas
que remodelam o ser.
Para parir poesia,
é preciso que a alma
esteja grávida
e sinta dores intensas.
Alma que não dói
não pode escrever,
não consegue encontrar
as palavras que amalgamam os versos,
pois poesia é parir
o que a alma está cheia.
Dor e alegria,
são o conjunto que formam
a gene da poesia,
como cromossomo de pai e mãe.
Ela não respeita seus desejos,
quer apenas ser,
um ser em si mesma,
a plenitude da mais singela poesia...
Thiago Azevedo
Belém, 06 de fevereiro de 2012
segunda-feira, 30 de janeiro de 2012
Catavento
No azul celeste da aurora
o chamado é sereno e suave,
viajar pelo mundo afora,
desbravar mil lugares.
os cata-ventos dançam
colorindo as sementes,
como que por encanto,
florescem vida na gente.
Multicores giram e cantam,
de cores muitas, tornam-se uma,
sendo todas numa só.
Como o tempo do ponteiro, giram,
giram tanto que faz a leve pluma,
mover moinho e mó.
Thiago Azevedo
Belém, 30 de janeiro de 2012
segunda-feira, 26 de dezembro de 2011
Renovar
todo dia é dia de nascer,
recomeçar e viver,
o rio que leva a história
traz consigo o renovo,
novas memórias, o alvorecer.
os passarinhos
cantam das mangueiras,
com seus novos frutos
e folhas bem verdinhas,
em seu tempo, o amadurecer
em meus tempos de menina
ouvia meu pai dizer,
"janeiro é tempo de roça,
ouça a chuva cantarolar
os novos começos, o renovar.
tudo tem seu tempo,
os cupuaçús, bacuris,
pupunhas e tucumãs,
as águas dos igarapés
dos rios que vem e vão.
a vida que se faz nova
a cada florescer da estação,
nenhum inverno é tão longo,
nenhuma lágrima é tão triste,
no despertar da efloração.
boa noite minha filha,
o sol novamente virá,
você vai ver,
toda dor cessará,
e tudo vai se acalmar outra vez".
Rosinda Miranda e Thiago Azevedo
Marituba, 26 de dezembro de 2011
Num momento de tristeza um e-mail me chega, era de minha esposa, dando alento e renovando o ânimo, contando suas histórias de menina, quando do iniciar das chuvas, vinha também o renovar da natureza, que nossa vida era assim, como as estações dos tempos, como afirma o Coelet, que tudo precisa de seu tempo, tudo é feito para renovação, as coisas vem e vão, como o rio que leva e traz consigo a nascente e o mar.
Nada é tão longo quanto se parece, nenhuma dor é grande o suficiente que não se possa curar, nenhuma lágrima é tão densa, que a chuva não possa lavar.
Tem dias da vida da gente, que o inverno é necessário para nos recolher e quiçá, se aproximar mais de Deus.
quarta-feira, 21 de dezembro de 2011
Amanhã
a noite dos tempos,
caminha o luar,
causos de alento,
canta a viola,
a forgueira
e em volta,
o prosear.
em gotas de lágrimas,
esbraveja o mar,
rio que adoça
lá adiante,
na nascente,
afronta e
o faz acalmar.
mais uma gota
que se faz derramar,
no inverno, faz chuva,
semeia o chão,
na primavera,
o florescer,
renovar.
bota tua mesa
lá fora, no jardim,
segura minha mão,
a chuva se foi,
o sabiá já falou,
o rio que conduz o mar,
outra vez clareou...
Thiago Azevedo
Marituba, 21 de dezembro de 2011
caminha o luar,
causos de alento,
canta a viola,
a forgueira
e em volta,
o prosear.
em gotas de lágrimas,
esbraveja o mar,
rio que adoça
lá adiante,
na nascente,
afronta e
o faz acalmar.
mais uma gota
que se faz derramar,
no inverno, faz chuva,
semeia o chão,
na primavera,
o florescer,
renovar.
bota tua mesa
lá fora, no jardim,
segura minha mão,
a chuva se foi,
o sabiá já falou,
o rio que conduz o mar,
outra vez clareou...
Thiago Azevedo
Marituba, 21 de dezembro de 2011
segunda-feira, 12 de dezembro de 2011
Fulgás
uma lágrima caída
pela dor que me retém,
um sentir-me numa ilha,
a solidão de um refém.
a mais dorida poesia,
lágrima de escrever,
lamento e melancolia,
a voz se faz emudecer.
lágrima de esquecer,
a palavra mais sentida,
vai solta na ventania,
poesia de florescer.
tudo é ilusão,
a mais fulgás brisa,
o olhar que lagrima
e sonhos de adormecer.
Thiago Azevedo
Belém, algum dia de 2011
pela dor que me retém,
um sentir-me numa ilha,
a solidão de um refém.
a mais dorida poesia,
lágrima de escrever,
lamento e melancolia,
a voz se faz emudecer.
lágrima de esquecer,
a palavra mais sentida,
vai solta na ventania,
poesia de florescer.
tudo é ilusão,
a mais fulgás brisa,
o olhar que lagrima
e sonhos de adormecer.
Thiago Azevedo
Belém, algum dia de 2011
Este poema estava perdido no meu computador, acho que não havia gostado dele à princípio, ou se queria transformá-lo em canção. Hoje folheando as pastas perdidas o vi, abandonado e sem nome, entretanto, havia me tomado por inteiro e pedindo que fosse terminado, então cumpri seu desejo.
terça-feira, 29 de novembro de 2011
Congestionamento
O sol se pôs
bem na minha frente,
não pude ver,
havia poeira
no parabrisas,
tentei parar,
mas não havia tempo,
os carros atrás lembravam,
o tempo não vai parar,
tenho que correr,
tentar colocar
o sol por detrás de mim.
Tenho que lutar,
não posso parar,
o poeta estava errado,
não há tempo para tudo,
nem sempre haverá sol
para ficar debaixo,
a flor nasce na manhã
e fenece ao findar a tarde,
não pude ver,
só consegui observar o espaço,
imagino as flores,
os carros buzinam,
lembrando que não há tempo,
o sol nasce à minha frente,
não posso ver,
tenho que utilizar o para-sol,
cega minha direção,
tento parar,
mais buzinas,
o tempo não tem tempo,
dentro do carro,
não tenho tempo,
somente pressa,
todos têm urgência,
ninguém se lembra,
o sol se pôs,
mais uma vez,
à minha frente,
e outra vez,
não pude ver...
Thiago Azevedo
Belém, 29 de novembro de 2011
bem na minha frente,
não pude ver,
havia poeira
no parabrisas,
tentei parar,
mas não havia tempo,
os carros atrás lembravam,
o tempo não vai parar,
tenho que correr,
tentar colocar
o sol por detrás de mim.
Tenho que lutar,
não posso parar,
o poeta estava errado,
não há tempo para tudo,
nem sempre haverá sol
para ficar debaixo,
a flor nasce na manhã
e fenece ao findar a tarde,
não pude ver,
só consegui observar o espaço,
imagino as flores,
os carros buzinam,
lembrando que não há tempo,
o sol nasce à minha frente,
não posso ver,
tenho que utilizar o para-sol,
cega minha direção,
tento parar,
mais buzinas,
o tempo não tem tempo,
dentro do carro,
não tenho tempo,
somente pressa,
todos têm urgência,
ninguém se lembra,
o sol se pôs,
mais uma vez,
à minha frente,
e outra vez,
não pude ver...
Thiago Azevedo
Belém, 29 de novembro de 2011
terça-feira, 1 de novembro de 2011
Haver
O que deixas de lembrança
aos poucos que te veem?
apenas um lugar vazio
uma vaga imagem
apenas ausência
não há calendário
não há pausa
não há haver...
Lutas contra o relógio
o orçamento apertado
o lucro minguado
o dinheiro pingado
lutas e lutas mais
contra a poesia que há em ti
lutas para sobreviver
todos os dias
entregas teu suor
tuas energias
tuas alegrias
teu sustento
tua vida inteira
e entregas inteira a vida.
Sentes uma vaga saudade
uma memória em forma de fotografia
um texto escrito numa lápide
os pais que seguem o seu curso
rumo ao horizonte do mar
mas não conseguiste ver nem o poente
nem ao menos uma lágrima
caiu deste teu tão rígido olhar.
Quando isso tudo aconteceu?
A dor que corrói a alma
não é imaginar que estou velho
ou que o tempo está passando
é não perceber que o tempo passa
que o sol nasce
e sua luz diminui ao cair da noite
que no céu há estrelas
e choram quando chove
que as crianças cantam
uma canção que nunca ouvi
que lá fora
há brincadeiras
há risos
há mais do que sonho
mais do que penso
lá fora
onde a vida acontece
e não se esconde
há mais o haver...
Thiago Azevedo
Belém, 01 de novembro de 2011
aos poucos que te veem?
apenas um lugar vazio
uma vaga imagem
apenas ausência
não há calendário
não há pausa
não há haver...
Lutas contra o relógio
o orçamento apertado
o lucro minguado
o dinheiro pingado
lutas e lutas mais
contra a poesia que há em ti
lutas para sobreviver
todos os dias
entregas teu suor
tuas energias
tuas alegrias
teu sustento
tua vida inteira
e entregas inteira a vida.
Sentes uma vaga saudade
uma memória em forma de fotografia
um texto escrito numa lápide
os pais que seguem o seu curso
rumo ao horizonte do mar
mas não conseguiste ver nem o poente
nem ao menos uma lágrima
caiu deste teu tão rígido olhar.
Quando isso tudo aconteceu?
A dor que corrói a alma
não é imaginar que estou velho
ou que o tempo está passando
é não perceber que o tempo passa
que o sol nasce
e sua luz diminui ao cair da noite
que no céu há estrelas
e choram quando chove
que as crianças cantam
uma canção que nunca ouvi
que lá fora
há brincadeiras
há risos
há mais do que sonho
mais do que penso
lá fora
onde a vida acontece
e não se esconde
há mais o haver...
Thiago Azevedo
Belém, 01 de novembro de 2011
segunda-feira, 31 de outubro de 2011
Salvação...
Salvem,
da inanição,
a pena seca,
sem tinta,
sem mão,
nem caligrafia.
Salvem,
o sentimento
que padece,
de frio e desalento,
sem choro,
contrito,
esquecido,
salvem.
Salvem,
o olhar,
que turva e esmorece,
na secura das pálpebras,
sem lágrimas,
nem pranto,
salvem.
Por onde estão os poetas?
Às margens das esquinas?
Nas notas de rodapés
fúnebres, silentes?
Quem salvará
da solidão, os poetas?
Salvem,
as folhas de papel,
que continuam em branco,
sem ter quem nelas escreva,
uma única linha,
um único sentimento,
uma única lágrima,
uma única poesia,
salvem...
Thiago Azevedo
Marituba, 31 de outubro de 2011
da inanição,
a pena seca,
sem tinta,
sem mão,
nem caligrafia.
Salvem,
o sentimento
que padece,
de frio e desalento,
sem choro,
contrito,
esquecido,
salvem.
Salvem,
o olhar,
que turva e esmorece,
na secura das pálpebras,
sem lágrimas,
nem pranto,
salvem.
Por onde estão os poetas?
Às margens das esquinas?
Nas notas de rodapés
fúnebres, silentes?
Quem salvará
da solidão, os poetas?
Salvem,
as folhas de papel,
que continuam em branco,
sem ter quem nelas escreva,
uma única linha,
um único sentimento,
uma única lágrima,
uma única poesia,
salvem...
Thiago Azevedo
Marituba, 31 de outubro de 2011
terça-feira, 25 de outubro de 2011
Temporão...
O que é a vida?
senão semente temporão,
surge como singela poesia
e se esvai, como fogo e paixão.
É folha que dança ao vento
e resseca ao fim da estação,
quando se desfaz no poente,
torna-se apenas pó e escuridão.
Portanto, para quê fingir
que a vida é feito rascunho?
Enganar o coração ferido?
Iludir-se sozinho no mundo?
Vida esta que não se repete,
é água de rio corrente,
que muda ao passo de um salto.
Vida, frágil como a flor perene,
deixa somente a memória ausente
do perfume que a brisa levou silente...
Thiago Azevedo
Belém, 23 de outubro de 2010
senão semente temporão,
surge como singela poesia
e se esvai, como fogo e paixão.
É folha que dança ao vento
e resseca ao fim da estação,
quando se desfaz no poente,
torna-se apenas pó e escuridão.
Portanto, para quê fingir
que a vida é feito rascunho?
Enganar o coração ferido?
Iludir-se sozinho no mundo?
Vida esta que não se repete,
é água de rio corrente,
que muda ao passo de um salto.
Vida, frágil como a flor perene,
deixa somente a memória ausente
do perfume que a brisa levou silente...
Thiago Azevedo
Belém, 23 de outubro de 2010
Louco! esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será? Bíblia Sagrada - Lucas 12:20
sexta-feira, 21 de outubro de 2011
Caudalosa tristeza
A chuva anuncia
a tristeza que me fica,
parece que só há chuva,
no amargo sentir da agonia.
Toda tristeza
guardada numa única gota,
uma perda que não desfaz,
lágrima que levou o tempo,
riso que não volta mais.
Quem vai apagar
toda dor que já sentiu?
como dormir e esquecer,
o pranto que não se ouviu?
Caudalosa chuva,
que é perene desaguar,
rega a noite plangente,
para vida aflorar em euforia,
quando o sol for alvorar.
Chuva que dança
e faz da nascente rio,
leva minha tristeza embora,
como o barquinho leva o navio.
Ah, bela tristeza,
és tormento e tempestade,
deixa raiar minha poesia
não faz do meu agora,
solidão na eternidade.
Thiago Azevedo
Marituba, 21 de outubro de 2011
Porque a sua ira dura só um momento; no seu favor está a vida. O choro pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã. Bíblia Sagrada | Salmos 30:5
segunda-feira, 17 de outubro de 2011
Soneto da lágrima de amor
Desejo rasgando por dentro,
como a noite que rasga o dia
na ausêcia que não desfaz
esta lágrima que fere a poesia.
olhar perdido pela janela,
uma chuva que insiste em cair,
o frio cálido que adormece,
uma dor que quer ferir.
dor de quem sofre silente,
o amanhã que não quer florir,
somente um saudade poente,
coração que quer explodir,
porta-retrato esquecido,
amor perdido que não deixa ir.
Thiago Azevedo
Marituba, 17 de outubro de 2011
como a noite que rasga o dia
na ausêcia que não desfaz
esta lágrima que fere a poesia.
olhar perdido pela janela,
uma chuva que insiste em cair,
o frio cálido que adormece,
uma dor que quer ferir.
dor de quem sofre silente,
o amanhã que não quer florir,
somente um saudade poente,
coração que quer explodir,
porta-retrato esquecido,
amor perdido que não deixa ir.
Thiago Azevedo
Marituba, 17 de outubro de 2011
Soneto do tempo
o tempo preso na parede,
lento, dança sem correr,
sonhos de menina moça,
olha no quintal, chover.
anseios de menina mulher,
alento, abrigo, carinho,
rosa da aurora acontecer,
pétala, perfume, espinho.
o inverno raia com o poente,
finda silente mais uma canção,
dorme o vento e a semente,
na poesia de uma humilde oração,
"Pai nosso, quero poder fazer
da vida mais que mera intenção..."
Thiago Azevedo
Marituba, 17 de outubro de 2011
lento, dança sem correr,
sonhos de menina moça,
olha no quintal, chover.
anseios de menina mulher,
alento, abrigo, carinho,
rosa da aurora acontecer,
pétala, perfume, espinho.
o inverno raia com o poente,
finda silente mais uma canção,
dorme o vento e a semente,
na poesia de uma humilde oração,
"Pai nosso, quero poder fazer
da vida mais que mera intenção..."
Thiago Azevedo
Marituba, 17 de outubro de 2011
Passageiro

Passa o dia
e o raiar poente,
passa a primavera
da temporã semente,
também a infância,
junto a idade da gente.
Passa o homem
e a menina mulher,
passa a pressa,
passa e não fica,
passa o padre,
o pastor e o bispo,
passam e não ouvem,
o clamor e o suplício.
Passa o vereador,
o prefeito e o governador,
passam sem ver,
fingem passar e esquecer.
Tudo vem e passa,
passa o vento,
passa a chuva,
passa lento,
a dor e o tormento,
passa o luto e a luta,
passa a esperança,
passa a fé,
passa o fardo,
que pesa e cansa,
passa o amor
e a serena flor,
que o vento balança,
passa tudo,
fica nada,
até quem sofre,
passa na vida,
que surge perene
e infinita definha...
Thiago Azevedo
Belém, 16 de outubro de 2010
terça-feira, 11 de outubro de 2011
Palhaço
Cara branca
nariz vermelho
sorriso estampado
que nunca muda
nem se acaba
eternizado
no rosto do palhaço
prisioneiro da alegria
escravo do riso
nele não há lágrima
amaldiçoado a ser apenas sorriso
sacrificando seus sentimentos
esquecendo dia após dia quem é
sendo apenas palhaço
escondido dentro da maquiagem
por trás de um nome falso
e de uma vida sem sobrenome
quer ser triste
quer poder chorar
quer poder sofrer
quer poder lastimar
mas és palhaço
para sempre
nunca mais outra coisa
coisa triste é ser palhaço...
Thiago Azevedo
Marituba, 11 de outubro de 2011
nariz vermelho
sorriso estampado
que nunca muda
nem se acaba
eternizado
no rosto do palhaço
prisioneiro da alegria
escravo do riso
nele não há lágrima
amaldiçoado a ser apenas sorriso
sacrificando seus sentimentos
esquecendo dia após dia quem é
sendo apenas palhaço
escondido dentro da maquiagem
por trás de um nome falso
e de uma vida sem sobrenome
quer ser triste
quer poder chorar
quer poder sofrer
quer poder lastimar
mas és palhaço
para sempre
nunca mais outra coisa
coisa triste é ser palhaço...
Thiago Azevedo
Marituba, 11 de outubro de 2011
O coração dos sábios está na casa do luto, mas o coração dos tolos na casa da alegria. Eclesiastes 7:4
sexta-feira, 7 de outubro de 2011
Reflexo do mundo
Ser reflexo do seu mundo,
é a forma que o poeta tem
para expressar sua palavra.
Que mundo tenho hoje?
que tempo tenho agora?
Antes contemplava o verde
da tão intensa floresta,
os imensos jardins
com seu colorido perfumado.
Agora me contento
com uma folha voando pelo ar,
uma flor que cresce
resistente no asfalto,
a fumaça que embaça o sol
como turvo pôr-do-sol
e este perfume exalado
pelas lojas de vidro
simulando a última flor
envolvida no laço,
que laça a alma perdida
em tempo que não é mais.
Ser reflexo do mundo,
que mundo?
que tempo?
que vida?
e agora?
Poesia,
um reflexo
de um mundo sem nexo...
Thiago Azevedo
Marituba, 07 de outubro de 2011
é a forma que o poeta tem
para expressar sua palavra.
Que mundo tenho hoje?
que tempo tenho agora?
Antes contemplava o verde
da tão intensa floresta,
os imensos jardins
com seu colorido perfumado.
Agora me contento
com uma folha voando pelo ar,
uma flor que cresce
resistente no asfalto,
a fumaça que embaça o sol
como turvo pôr-do-sol
e este perfume exalado
pelas lojas de vidro
simulando a última flor
envolvida no laço,
que laça a alma perdida
em tempo que não é mais.
Ser reflexo do mundo,
que mundo?
que tempo?
que vida?
e agora?
Poesia,
um reflexo
de um mundo sem nexo...
Thiago Azevedo
Marituba, 07 de outubro de 2011
Estudando um pouco sobre poesia, cada poeta tem uma relação intrísica com seu tempo, seu mundo e momento. Isso me assaltou um tempo, parei e fiquei meditando sobre que tipo de poeta, ou projeto de poeta sou? Que tempo e mundo eu tenho para falar? Me vi aflito, por ao certo não saber, por estar mergulhado numa rede de dúvidas ao olhar para a história do presente e ver um mundo definhando dentro de si mesmo.
Numa palestra que o professor Manoel Moraes fez, percebi que as pessoas não sabem mais o que fazer da própria vida, parece que todos perderam o nexo.
Como diz o Chico, assim como os cegos, os poetas podem ver na escuridão, ou pelo menos ver a escuridão em que estão todos, porque muitos ainda nem se imaginam estar envolvidos nesta imensa crosta densa que cega os olhos e os sentidos, esse tempo se assemelha ao que diz o poeta que escreveu:
"O povo que andava em trevas, viu uma grande luz, e sobre os que habitavam na região da sombra da morte resplandeceu a luz." Bíblia Sagrada
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