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Divulgue esta idéia

CancaodaFloresta

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Pés

Meus pés dóem
tanto que já não dá mais,
foi por andar tanto,
por muitos lugares
sem sair do lugar,
que fiquei indo,
sem ir a lugar algum.

Meus pés dóem
por tentar sair deste redemoinho
que acabou tornando-se os dias,
dóem por tentar pular para fora
e alçar novos vôos em forma de sonhos,
sonhos que renovam a fé e alegria.

Meus pés dóem
por tanto ficar parado,
sem sair do lugar,
esperando o próximo bonde,
para me levar a qualquer lugar.

Meus pés dóem
e não há nada que se faça
para que eles parem de doer,
preciso de asas para voar,
preciso de espaço para sair,
preciso de tempo para viver,
preciso de vida
para que meus pés parem de doer.

Thiago Azevedo
Belém, 26 de maio de 2010

domingo, 23 de maio de 2010

Colheita

Amanhece o dia,
vai seguindo em frente
com as mãos no arado,
mais um dia de trabalho
árduo e fadigado,
as mãos,
revestidas de calos,
seguem firmes
na secura e no cansaço.
Olha para trás,
só o rastro pesado
do arado,
vem o sol escaldante,
depois o temporal,
o medo persiste
de não haver
o que colher depois.
Um novo dia nasce,
volta ao campo de novo,
arando e plantando
um novo jardim,
com as mais belas flores
e juntos tomarmos
um gostoso café,
rodeados por rosas,
cravos e jasmins,
desfrutando do amor
que aramos
em verdes campos,
que existem
em nossas almas,
escrever um novo poema,
cantar uma nova canção,
entoar uma melodia
que flui do coração.

Thiago Azevedo
Belém, 23 de maio de 2010

sábado, 22 de maio de 2010

Heitor, Cecília

Por um triz,
a música em mim deixaria,
a vitória não seria mantida,
deixaria de existir
Heitor,
não seria mais Cecília.
Uma poça de sangue
sem razão, nem por quê,
um mortal sentimento
de amor esvaindo,
pelo filho,
que impedido,
não iria nascer.
Como sentir saudade
de alguém assim,
sem berço,
sem colo,
ainda uma pequena
lembrança,
uma centelha
que é parte de mim.
Heitor, Cecília,
vitória e melodia,
do amor que permanece
em mim.
Não há mais sangue
não há mais o fim,
apenas um novo começo
para se plantar
e florescer um novo jardim.

Thiago Azevedo
Belém, 22 de maio de 2010

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Saudade

Faz algum tempo,
o suficiente para mim,
tempo que faz saudade,
tempo que me abre
grandes brechas na vida
e faz sangrar o coração.
Olho para dentro
de minha conturbada alma
e não acho razões,
nem mesmo a causa
pra tamanha saudade.
Nem os oráculos
conseguem dizer
o que me fez sagrar tanto.
Escrevo um verso,
tento um soneto,
exprimo e espremo
ao máximo a mente,
nada parece fluir,
somente consigo sentir
uma lancinante saudade,
como dói o coração.
Perdi tempo demais
ocupando demais o tempo,
hoje não consigo mensurar
onde ficou a saudade que tinha,
nem mesmo consigo definir
do que tinha saudade.
O jeito é seguir em frente,
cegando e tropeçando
e esquecendo
que um dia tive
um pouco de tempo,
um tanto de felicidade,
que hoje sou pleno
de incertezas
e cheio de saudade.

Thiago Azevedo
Belém, 21 de maio de 2010

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Regresso

Foi navegando nos sete mares,
enfrentando chuva e o mal tempo,
num fim de tarde,
o cais do porto,
em meio a folia
e a saudade
que mata por dentro,
olho o mar calmo
refletindo teu rosto,
retrato de um belo momento,
breve alento
esperando eu voltar.

Os peixes e passarinhos
anunciam meu voltar,
te aguardo ansioso
na beira-mar,
uma lua cheia
ilumina meu amar,
um beijo molhado
sela o regressar,
plena certeza
que realmente
cheguei ao lar.

Navego agora em outros mares,
de lençóis floridos que voam pelos ares,
a chuva anuncia o frio de fora
e o fogo que incendeia nosso quarto,
amando-se muito e loucamente,
com desejo que não se finda,
não há mais mal tempo,
não há saudades no cais,
nem mesmo temporais.

Os peixes e passarinhos
anunciam meu voltar,
te aguardo ansioso
na beira-mar,
uma lua cheia
ilumina meu amar,
um beijo molhado
sela o regressar,
plena certeza
que de realmente
cheguei ao lar.

Não há mais saudades no cais,
não há mais chuvas no mar
não há mais temporais,
apenas aconchego e alento,
um endereço certo,
um nome à espera,
um amor sem segredo,
ardendo em desejo,
desejo pleno de amar.

Thiago Azevedo
Belém, 20 de maio de 2010

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Calendário

Segunda,
terça,
quarta,
quinta,
sexta,
sábado,
domingo-feira,
tanto faz,
posso inverter a ordem,
todos os dias são iguais,
de sol a sol,
de chuva em chuva,
estou ali,
observando o mesmo lugar,
andando pra todos os lados
e indo a nenhum lugar.
É deprimente,
ver uma vida inteira
se perder como escrava
desta relatividade do tempo,
é triste ver
o sol se pôr
apenas por reflexos
de espelhos convexos,
olho para o relógio,
é torturante ver o ponteiro
girando bem devagar,
meu cabelo cresceu,
minha barba cresceu,
meu rosto envelheceu
meu novo filho nasceu,
minha filha cresceu,
mas eu não vi,
estava aqui preso,
observando
a mesma paisagem
de todos os dias,
dá oito horas.
meio-dia,
três da tarde,
fecha a tarde,
finda o dia,
vejo a lua
sem brilho,
termina a noite,
volto para casa,
todos dormindo,
que pena,
de novo
e outra vez,
eu sozinho,
um estranho
em meu próprio ninho,
que cama é essa,
que móveis são estes,
que família é essa,
eu não sei,
nem sei que dia é hoje,
quarta,
domingo,
terça,
quinta,
sábado,
segunda-feira.
Tenho medo do mundo,
pois nunca mais vi o mundo,
não sei como é lá,
não sei onde é lá,
me tornei um mero escravo,
sem sonhos,
sem família,
sem amigos,
sem dias.

Thiago Azevedo
Belém, 17 de maio de 2010

sábado, 15 de maio de 2010

Elegia de um amigo

Você foi embora
deixou uma imensa saudade
ficou somente o porto
e comigo, a solidão.

Não há mais tardes de papo,
nem mesmo o café com pão,
os conselhos de amigo
ombro de irmão.

Todas as tardes
entre um pôr-do-sol e outro
sentarei nos cais do porto
quem sabe um dia
verei você voltar.

Não sei mais o que faço
não consigo lembrar
dos conselhos que deste
no caso de eu voltar a errar.

Quem caminhará comigo?
Quem me ouvirá suspirar?
Como saberei o caminho?
Quem me ouvirá chorar?

Mesmo longe
tua voz vai ecoar
nas melhores lembranças
virão me acalentar.

Sei que é para teu bem
e que não deves mais ficar
queria que fosse diferente
mas se não puder,
sei lá, o jeito é contentar.

Vai na paz e no bem
mas ficas um pouco
para um último café
um último conselho
um último ombro
não consigo
vou chorar.

Velho amigo,
volte em breve
para um novo ombro
um novo conselho
e um novo café
não haverá mais prantos
somente contigo
um novo celebrar.

Thiago Azevedo
Belém, 10 de maio de 2010

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Dia de finados

Abrem-se os portões,
as multidões em alvoroço
caminham silenciosas,
flores em punho,
velas brilhantes,
orações e rezas
aos montes.

Caminham sem caminho
por entre os cidadãos,
moradores do local,
entre todos
um especial,
que ainda não está morto,
mas que já morreu.

Entre finados e finantes,
pensa-se em tudo,
na finitude da vida,
na falta de tempo
para poder viver,
saem dali,
volta tudo ao normal
de vez e outra vez.

Nas lápides,
uma simples,
sem ornamentos,
sem terreno,
sem morto,
mas que ainda
caminha,
um vivo morto,
que não sabe que morreu,
mas segue em curso,
esse morto não é outro,
ele sou eu.

Thiago Azevedo
Belem, 09 de maio de 2010

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Porta aberta

Deixe a porta aberta,
pra quando chegar
não haver motivos
para desistir
de entrar.

Finja que dorme,
pra eu poder te olhar,
me imaginar no teu corpo,
mergulhado em eterna paixão
me afogar.

Fique toda nua
para poder te desenhar,
com curvas suaves
através de meus dedos,
te contornar.

Sonhe que me ame,
mesmo sem eu estar,
quem sabe eu não tarde,
abra a porta do teu quarto,
deite ao seu lado
e começe a te amar.

Thiago Azevedo
Belém, 09 de maio de 2010

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Bem-te-vi

Vai bem-te-vi,
voar pelos campos
os que ainda sobraram
deste descampado,
será que ainda encontras
um recanto?

Oh! bem-te-vi,
não reconheces mais
os verdes que haviam,
as flores e os riachos,
alimento não encontras,
apenas restos,
sobras que te deixaram.

Bem-te-vi,
cuidavas dos campos,
jardinava meu jardim,
onde vais agora?
Não há mais onde,
nem mesmo os restos
que haviam em mim.

Bem-te-vi,
é apenas um nome
de um belo condomínio,
ninguém se apieda de ti,
ou lembra que antes
deste cimento e concreto,
era teu este jardim.

Bem-te-vi,
lágrimas de céu,
cheiro de penar,
sem ter onde pousar
deste cansado voar.

Bem-te-vi,
Bem-te-vi,
nunca mais,
nunca vi,
Bem-te-vi.

Thiago Azevedo
Belém, 09 de maio de 2010

terça-feira, 11 de maio de 2010

Frustração

Por onde andam os amigos?
Todos dizem que sumi,
mas sempre estive no mesmo lugar,
não me movi, fiquei estagnado,
não conheço mais as ruas,
não sei mais seus endereços,
qual seus telefones?
Aliás, o que é telefone?
A cidade toda mudou
enquanto estive preso,
Olho para todos os lados
vejo pessoas todos os dias,
o tempo todo,
mas não conheço ninguém,
não reconheço nelas
os amigos de antigamente,
das rodadas de papo,
dos loucos sonhos,
da beleza da amizade.
Esta solidão me arrebenta,
corrói minha alma,
meu espírito,
minha fé,
não tenhos mais meus espelhos,
para ver neles a imagem
que havia de Deus em mim.
Não reconheço minha face,
está mais abatida,
está mais cansada,
está mais frustrada.
Onde mora meu sucesso?
Se para ocorrer,
precisei morrer?
Precisei desistir de viver?
Não tenho mais família,
não tenho mais amigos,
não tenho mais nada,
apenas um salário melhor,
um cargo melhor,
mais trabalho,
mais de tudo
e principalmente
de nada.

Thiago Azevedo
Belém 09 de maio de 2010

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Poema bobinho

Queria fazer um poema,
um poema bem bobinho,
com rimas óbvias,
poema de criança.

Pensei nas borboletas,
que pintam o céu multicor
e junto com elas, as flores,
que recheiam os poemas
com versos de amor.

Lembrei das brincadeiras
que tinha quando criança,
muitas eram de roda,
com cantigas da infância.

Ainda não tinha
um poema bobinho,
tinha somente rimas,
que de tão óbvias
não terminei,
o fim ficou em branco,
o resto, eu não sei.

Thiago Azevedo
Belém, 10 de maio de 2010

Perenidade

É tão triste ver
belas flores,
que num dia nascem,
no outro morrer.

Que fizeram
para deste mal
interminável
virem a sofrer?

É tão estranho
vê-las murcharem,
antes mesmo
de experimentarem
o doce anoitecer.

Frágil vida
sem seu pólem,
perecem sem ver
seu novo fruto
brotar, florescer.

Eterna é a noite,
que consome
a alvorada,
fazendo-nos
alheios a isso,
fechar os olhos
e adormecer.

Thiago Azevedo
Belém, 09 de maio de 2010

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Prolixidade paradoxa

Sou uma colcha de retalhos,
de letras de canções que não ouvi,
durante todo o tempo em que vivi,
não parei para escutar nada,
além de novas canções antigas
que me fizeram lembrar
daquilo que ainda posso ser,
no passado próximo
de um futuro antigo.

Sou um lapso de história,
um acidente ocasional
de um parto prematuro,
num velho mundo novo
que se perde no tempo,
que adoece a memória
misturando as estações,
mudando tudo
deixando como está,
um salto para o futuro
voltando ao começo.

Sou as páginas de livros rasgados,
deixando os versos inacabados
e de poesias incompletas,
dizendo sobre qualquer coisa,
desde que seja sobre tudo,
desde que fale sobre nada,
escondido em livros guardados
em bibliotecas perdidas,
em livros esquecidos
de um autor desconhecido.

Olho para o que sou,
vejo as canções não tocadas
por causa de um lapso da história,
escrita em páginas de livros rasgados,
perdido em algum novo mundo velho
adormecido com o tempo,
onde moram autores esquecidos,
que falam sobre tudo
e escrevem sobre nada.

Como posso saber
onde deixei a última página
do meu livro que se chama,
A história de minhas memórias?

Thiago Azevedo
Belém, 05 de maio de 2010

To nem aí

To nem aí,
pode sair de vez,
não quero mais você
rondando meu quarto,
seguindo meus passos,
não quero mais sofrer.

Não te quero mais,
saia da minha vida,
é melhor assim,
antes que nos cause
maiores feridas,
já me basta todas
a que tenho aqui.

Não que não te ame,
Não pense assim,
apenas cansei,
pensei que seria feliz,
pensei que seria eterno,
sobrou apenas este inferno.

Quando sair
não olhe pra trás,
não estarei mais lá,
nem mesmo para dar adeus,
nem mesmo um último beijo,
vou estar trancada
pra você não me ver chorar.

Tudo que me resta
são apenas lembranças
de algumas cartas e juras falsas
jogadas debaixo da cama,
nem as fotos quero,
senão vou sofrer mais.

Sobre o lençol,
o cheiro forte de amor
que tantas fizemos aqui,
agora somente as lágrimas,
por causa de todas as brigas,
de todos os pratos quebrados,
da dor do passado.

Quando não existir mais nada,
eu talvez saia novamente,
talvez eu ame outra pessoa,
talvez eu abra a porta
para você entrar outra vez
mesmo que tudo volte novamente
a acontecer...

Thiago Azevedo
Belém, 05 de maio de 2010

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Por amar-te tanto...

Olha amor,
no zelo e no cuidado,
doce e amargo fardo,
que carrego por você.

Amar-te tanto,
dói demais,
ter-te perto,
mesmo longe,
no meu pensamento,
só há seu nome,
meu bem viver.

Mesmo no jardim mais belo,
nada é belo demais
se não há você,
meu único pecado,
é não ter comido
da maçã
junto com você.

Amar-te tanto,
tão bem querer,
Amar-te tanto,
tão bem sofrer,
Amar-te sempre,
tão bem morrer.

Fingir tua presença,
nesta dura ausência,
não quero mais,
vou pra junto de ti,
comer o pão
que o diabo amassou,
suar para plantar
um novo jardim
e sentir cada espinho
das rosas que darei a ti.

Amar-te tanto,
tão bem querer,
Amar-te tanto,
tão bem sofrer,
Amar-te sempre,
tão bem morrer.

És para mim Eva,
nascida da terra,
bela, sensual e eterna,
para viver só pra mim.

És para mim Édem,
um belo jardim,
beleza de rosa,
aroma de jasmim.

És a maçã,
da serpente,
do veneno,
doce e delicioso
pecado de comer,
viver para sempre,
morrer de amor
com você até o fim.

Thiago Azevedo
Belém, 02 de maio de 2010

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