O sol se despede neste ver-o-peso
Deste meu rio que é Guamá
Paro penso no rio que se faz por lá
De bem longe que às vezes esqueço
Conhecimento vago na mente
E imagino sem saber o que pensar.
A chuva em Belém que se faz faceira
Rega a poesia e a mangueira
Diferente do Rio que cai torrente,
Um rio que não se faz poesia,
Desabriga o amigo ou inimigo
Desfaz o que vê pela frente
Longe assim, como poder avisar?
O choro que cai no rio Guamá
É o mesmo lamento que chega até lá
No cais deste meu porto
Este Ver-O-Peso da minha esquina
Sabe o tamanho que pesa em mim
Ver em desalento o oprimido
Sem saber como consolar.
Rio Guamá de Botos e Iaras
Proteja e leve meu canto
Enxuga um pouco o pranto
Daquele rio que se faz por lá
Viaja mudando teu nome
Com um pedaço de meu peito
Que se desfaz no chorar.
Thiago Azevedo
Belém, 28 de janeiro de 2011
O Rio, assim como a chuva, possui contrastes que se moldam em nosso país, a chuva que cai no norte não é a mesma que se faz no sudeste, isso se torna evidente após a tragédia que ceifou milhares de vidas e deixou outra multidão à mingua de pão, água e abrigo. Como olhar e pensar esses acontecimentos estando tão distante na presença? O que a TV nos mostra, dá apenas impressões, mas o que sentir? Fazer, podemos todos, quando nos dispomos a ajudar, mas mesmo assim, como sentir a dor dos pais que perderam seus filhos, filhos que perderam pais e os amores que se separaram pela dor da morte?
Tentei imaginar, tentei pintar o quadro de consolo e choro ante esta realidade, que mesmo distante na geografia, sempre estaremos próximos quanto à humanidade...









