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CancaodaFloresta

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terça-feira, 9 de agosto de 2011

Salmo 139

Quando só havia o silêncio
nenhum dia a se contar
preparaste o meu berço
e com um velho violão
compôs belas canções
de acalentar.

Mesmo sem saber compor
e nenhum verso me vier cantar
uma melodia já existia
sussurrar em meu coração
semeando nova poesia
de esperançar.

Se planar nas asas da alvorada
e sonhar nos extremos do mar,
até ali a tua måo é presença,
para todos os meus medos
teu abraço é puro alento,
tua voz é canção de ninar.

Quem pode evitar tua presença
e fugir para longe de tua face?
Se houver em mim, Senhor
algo que me faça esconder
no denso breu me encontrarás
farás minh'alma emudecer.

Sonda Senhor,
prova o que há no coração
olha minhas pegadas
faz-me outra vez descansar
em pastos mais verdejantes
e em calmas águas navegar.

Thiago Azevedo
Marituba, 08 de agosto de 2011

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Uma estrela, um regaço

Terra árida, um caminho
sem companhia, solidão
uma estrela sozinha
um destino, um chão.

A alma é carente de vida
também por alento e perdão
caminhando sozinha, perdida
A secura da vida, um sertão.

A vida é fardo, cansaço
Lar sem estrelas, sertão
sozinho, a lua é cangaço
espera por paz e perdão.

De um Deus, traquinagem
céu de crianças, canção
há uma luz, um menino
de um pequeno, perdão.

Caminheiros da terra
em busca de lar, vinho e pão
uma vida em festa, alegria
amor que traz comunhão.

Uma estrela, um guia
uma luz, salvação
de uma certeza perdida
sedenta de ser condução.

Uma criança divina
veio do céu para o chão
fazer da vida, poesia
do verso, eterna canção.

Thiago Azevedo
Belém, 22 de novembro de 2010

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Quatro amigos

Quatro amigos,
um único coração,
fazer levantar o amigo,
que se fixa ao colchão.
Entre todos os impecílhos,
entre a terra e o céu,
melhor pelo telhado,
esperança de irmão.
Quatro amigos,
entre dúvidas e esperanças,
erguem a fé,
um amigo no leito,
querem vê-lo de pé.
Ouviram ao longe,
a palavra de um divino,
que cura a tudo,
seja pobre, ou menino,
a todos que lhe vier.
Lançaram-se sem ao menos conhecer,
buraco aberto no telhado,
amor fraterno que fez mover,
compaixão ao amigo
deitado no chão.
Que te fez curar?
Mais do que fé,
foi o amor de irmão,
levanta-te e anda,
corre, pula e dança,
não há mais choro,
só amor e perdão.

Thiago Azevedo
Belém, 09 de abril de 2010

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Rede de pescaria

Atando os nós das redes
E colhendo todos os peixes
Que durante a noite pescou.
Tentando fio a fio costurá-las
Dos furos que a vida deixou.

Fiando ponto a ponto
Deixando a rede pronta
Para a próxima pescaria
Que o mar da vida
Levar nesta romaria.

Olho para a margem
Um vulto a espiar
Pede que volte a terra
Para comigo cear
E a vida celebrar.

As redes agora estão
Prontas ao mar lançar
Lancem ao vento as velas
Para redes cheias de vida
Peixes poderem pescar.

Atando os nós da rede
Que a vida desfiou
O vulto fia comigo
Os fios cansados
Que minha dor causou.

(Thiago Azevedo)

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Elegia da Cruz

Porque o dia ficou tão escuro?
Tudo parece tão cinza,
Sinto uma tristeza profunda
Mas tudo parece normal, mais um dia,
Mais um a ser pendurado,
Mas porque estou tão triste?
Não deveria, pois fui feita para isso.
Um julgamento justo. Será?
Mais um criminoso. Será?
Ouço sempre os mesmo gritos.
O mesmo desejo de todos,
Morte!
Todos querem sangue.
Estou tão cansada disso,
Cheia de tanta violência,
Cheia de tanta dor.
Mas hoje é diferente,
Alguém diferente,
Fui escolhida, justamente pra Ele.
Sinto seu sangue escorrer.
Ele está pesado demais,
Como se estivesse carregando o mundo todo.
Quem será esse homem?
O que ele fez para sofrer tanto?
Sinto profundamente sua dor.
Sinto profundamente sua angústia.
É grande demais.
Deus, por que o abandonaste?
Sinto a dor da terra em que fui cravada,
Como se seu sangue a fizesse chorar.
A terra toda sente seu sofrimento.
É como se eles fossem um.
Deus me perdoe.
Teu Filho está sobre mim.
Não queria ser seu algoz.
Não queria ser a ferramenta para sua dor.
Sinto que o fim está próximo,
Ele morre
E leva consigo também minha vida.
Deus me perdoe.
Teu Filho morre sobre mim.
Teu Filho morre sobre mim.
Entrego nas tuas mãos o seu espírito.
E tudo está em fim
Consumado.

(Thiago Azevedo)

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