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CancaodaFloresta

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Haver

O que deixas de lembrança
aos poucos que te veem?
apenas um lugar vazio
uma vaga imagem
apenas ausência
não há calendário
não há pausa
não há haver...
Lutas contra o relógio
o orçamento apertado
o lucro minguado
o dinheiro pingado
lutas e lutas mais
contra a poesia que há em ti
lutas para sobreviver
todos os dias
entregas teu suor
tuas energias
tuas alegrias
teu sustento
tua vida inteira
e entregas inteira a vida.
Sentes uma vaga saudade
uma memória em forma de fotografia
um texto escrito numa lápide
os pais que seguem o seu curso
rumo ao horizonte do mar
mas não conseguiste ver nem o poente
nem ao menos uma lágrima
caiu deste teu tão rígido olhar.
Quando isso tudo aconteceu?
A dor que corrói a alma
não é imaginar que estou velho
ou que o tempo está passando
é não perceber que o tempo passa
que o sol nasce
e sua luz diminui ao cair da noite
que no céu há estrelas
e choram quando chove
que as crianças cantam
uma canção que nunca ouvi
que lá fora
há brincadeiras
há risos
há mais do que sonho
mais do que penso
lá fora
onde a vida acontece
e não se esconde
há mais o haver...

Thiago Azevedo
Belém, 01 de novembro de 2011

1 comentários:

  1. Thiago, muito lindo o seu poema! Assemelha-se a um outro que li do Carlos Drummond de Andrade. E destaco daqui a pergunta que não quer calar:

    "O que deixas de lembrança
    aos poucos que te veem?"

    Hoje, nesse dia tão especial, digo-te:

    São os fatos marcantes, a saudade, o caráter e grande felicidade de ter tido um pai exemplar!

    Bjos e tudo de PAZ!

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