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Divulgue esta idéia

CancaodaFloresta

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Congestionamento

O sol se pôs
bem na minha frente,
não pude ver,
havia poeira
no parabrisas,
tentei parar,
mas não havia tempo,
os carros atrás lembravam,
o tempo não vai parar,
tenho que correr,
tentar colocar
o sol por detrás de mim.
Tenho que lutar,
não posso parar,
o poeta estava errado,
não há tempo para tudo,
nem sempre haverá sol
para ficar debaixo,
a flor nasce na manhã
e fenece ao findar a tarde,
não pude ver,
só consegui observar o espaço,
imagino as flores,
os carros buzinam,
lembrando que não há tempo,
o sol nasce à minha frente,
não posso ver,
tenho que utilizar o para-sol,
cega minha direção,
tento parar,
mais buzinas,
o tempo não tem tempo,
dentro do carro,
não tenho tempo,
somente pressa,
todos têm urgência,
ninguém se lembra,
o sol se pôs,
mais uma vez,
à minha frente,
e outra vez,
não pude ver...

Thiago Azevedo
Belém, 29 de novembro de 2011

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Coração de Areia



Desculpem a gravação, pois é extremamente caseira, feita pelo celular e também eu não sou um cantor no ato da palavra, mas esta é uma experiência que me estimulou a exercitar minha possibilidade de compor alguma coisa.

A idéia dessa canção veio a partir de uma mensagem do Pastor Manoel Moraes sobre Romanos 12, dentro de uma perspectiva que ainda não tinha ouvido, enfatizando a misericórdia de Deus, ou melhor a Misericardia, ou o ato de tornar o coração miserável, segundo o Pastor, como se fosse diluido como areia ao vento.

Esse é o sentido dos versos, falar desse Deus que se fez misericardia, tornando seu coração em areia para adubar o mundo e trazer nova primavera aos nossos corações.

Coração de Areia

A vida se torna toada
noite em dia se deu
viola canta alvorada
flor que a poesia acolheu.

Coração majestade
bate forte em seu peito
luz que se fez um menino
e reescreveu todo o enredo.

Coração feito areia
desnuda todo meu medo
cruz no caminho é candeia
reluz o que era segredo.

É doce fruto de vida
é canto, dança e o tempo
é afeição de ampulheta
é pranto, riso e momento.

O coração é divino
é pegada de areia
é compaixão de menino
feito remanso e ribeira.

Thiago Azevedo
Belém - 2011

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Pode o homem viver sem amor?

Mesmo que fale a língua dos poetas,
descanse a alma nos braços da alva
e fizer meu leito à sombra da mangueira,
de quê vale, sem o alento do amor?

É como sentir frio, apesar de aquecido,
é viver uma eterna ausência
com a casa toda em festa,
é o cantar solitário do passarinho,
é viver uma certeza inútil,
é andar ao luar,
sem a companhia da lua.

Amor é semente de divina graça
semeada na melodia do vento,
é gozo em meio ao sacrifício,
viver na esperança do hoje,
como se fosse pra sempre momento.

É poesia de Drummond
e canção de Cartola,
é tornar-se poeta,
sem tecer uma única palavra,
ou desenhar qualquer melodia.

É vencer a morte,
mesmo que morrendo,
é viver a dor da ternura
e ter a razão ferida
pela não razão do amor,
é falar todas as línguas,
sem pronunciar uma única palavra,
é deixar às mágoas esquecidas
no calor do silêncio.


é tudo saber
e nada esconder,
é luz na escuridão
e cruz que salva,
é ser em si apenas
e serenidade na tormenta,
é morte que prova
além do fogo da paixão.

O que será do homem
se não seguir o amor?
É viver o céu sem o paraíso,
navegar o rio adentro,
sem a lágrima da nascente
que rega cada pétala de flor.

Ainda que ande às margens da morte,
e a roseira não floresça
à mais bela das primaveras,
o amor a tudo isso resiste,
é espelho que desnuda,
é coberta que protege
e esperança que persiste,
só ele engrandece o aprendiz
e faz humilde o mestre.

O amor
tudo prova,
tudo suporta,
tudo faz,
tudo é,
para todo sempre,
é amor acima de tudo...

Thiago Azevedo
Marituba, 09 de novembro de 2011

Fiz uma tentativa de pensar o amor numa perspectiva a partir de Drummond, Gibran, Paulo e Davi nos Salmos.
A princípio queria escrever uma canção, mas a coisa foi fluindo e não consegui parar, então segui o conselho do profeta, parafraseando...

"Quando a poesia te vier, segui-a, embora seus caminhos sejam ásperos e escarpados..."

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Haver

O que deixas de lembrança
aos poucos que te veem?
apenas um lugar vazio
uma vaga imagem
apenas ausência
não há calendário
não há pausa
não há haver...
Lutas contra o relógio
o orçamento apertado
o lucro minguado
o dinheiro pingado
lutas e lutas mais
contra a poesia que há em ti
lutas para sobreviver
todos os dias
entregas teu suor
tuas energias
tuas alegrias
teu sustento
tua vida inteira
e entregas inteira a vida.
Sentes uma vaga saudade
uma memória em forma de fotografia
um texto escrito numa lápide
os pais que seguem o seu curso
rumo ao horizonte do mar
mas não conseguiste ver nem o poente
nem ao menos uma lágrima
caiu deste teu tão rígido olhar.
Quando isso tudo aconteceu?
A dor que corrói a alma
não é imaginar que estou velho
ou que o tempo está passando
é não perceber que o tempo passa
que o sol nasce
e sua luz diminui ao cair da noite
que no céu há estrelas
e choram quando chove
que as crianças cantam
uma canção que nunca ouvi
que lá fora
há brincadeiras
há risos
há mais do que sonho
mais do que penso
lá fora
onde a vida acontece
e não se esconde
há mais o haver...

Thiago Azevedo
Belém, 01 de novembro de 2011

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