O que é Poesia das Mangueiras

As mangueiras são grandes árvores, podendo atingir entre 35 e 40 metros de altura, com um raio de copa próximo de 10 metros. Suas folhas botânicas são perenes, entre 15 e 35 centímetros de comprimento e entre seis e 16 centímetros de largura.Quando jovens estas folhas são verde-folha. As flores são diminutas, em inflorescências paniculadas nas extremidades dos ramos. São tantas que seu perfume é sentido a boa pertice.

As sementes, quando plantadas em solo fértil e bem irrigado, podem germinar com facilidade e originar novas árvores de crescimento rápido nos primeiros anos. Desta forma a mangueira tem se disseminado pelas formações vegetacionais nativas no Brasil, e apresentam uma ameaça à vegetação nativa quando sua cultura não tem o manejo adequado.

Primavera de plástico


Chega a primavera
Festa de vida e cores
Mais alegria, mais flores
As árvores festejam
Dando os sabores.

Pergunto-me
Como saberemos
Que a primavera veio?
Se em 2020
Não teremos mais flores
Nem verde, nem sabores?

Seremos escravos
Do concreto armado
A vida será mais cinza
Deste cimento batido
Que sufoca os ares.

Mas haverá sempre a primavera
No lugar da natureza bela
As cores serão de plástico
No lugar dos olores
Bom ar é mais prático.

No fim não teremos
Mais árvores,
Nem flores,
Só flores de plástico.

(Thiago Azevedo)

Rio


Lá vai na noite
Densa a fio
O luzeiro pequeno
Do barco timoneiro
Rasgando no escuro
O grande rio.

No contraste da noite
Metade claro
Metade escuro
No meio, o rio.

Esse barquinho
Navega tranqüilo
Transporta sozinho
O solitário pescador
Que vai sem medo
Desbravar o rio.

Em busca
Não se sabe de quê
Comida, sustento
Ou busca respostas
Para seus por quês.

Assim vai-se a noite
Também vai o barquinho
Levado pelo pescador
Que não se sabe
Se está triste,
Mas vai, sozinho.

A procura de um porto
Que seja seguro
Que seja eterno
Que seja rio
Rio que mostre
Qual seu caminho.

(Thiago Azevedo)

Justificativa

Bom meus amigos, andei meio sumido de minhas declamações, na verdade estou produzindo novos poemas, mas que por enquanto não postarei aqui. Em virtude de uma amiga minha me insentivar, estou produzindo o livro Antologia das Mangueiras, com todos os poemas selecionados aqui do blog e outros que estou escrevendo.

Por isso estarei um pouco ausente de novos poemas aqui no blog, mas desfrutem e se deliciem com os poemas existentes aqui deste pequeno espaço.

Abraços a todos e Bom apetite.

Chuva

A chuva cai, cai, cai,
Ela vem e depois se vai,
Molha, encharca e desfaz.

Chuva que vem fina
Pinga, pinga e pinga,
Parece bem pouco,
Porém muito pinga,
Tanto que não se finda.

Tem uma que é torrencial
Que de tão forte e valente,
É casada com o vendaval.

Chuva grande e forte,
Precipita pesada e potente,
Derruba tudo de repente,
Inclusive, a casa da gente,
Chuva desajuizadamente.

A chuva cai, leva e vai
Com as minhas certezas
Que já nem sei mais.

(Thiago Azevedo)

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Um pouco de mim

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Thiago Azevedo
Belém, Pará, Brazil
Cansado do institucionalimos e das nomenclaturas, me denomino apenas cristão em busca da simplicidade do evangelho. Daquele há muito esquecido por nós, que faz diferença e transforma a vida do ser humano, de forma integral e que se enverga em direção aos mais oprimidos.
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Que é o poeta

O poeta é um fingidor
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama o coração.

[...]

Dizem que finjo ou minto
Tudo que escrevo. Não.
Eu simplesmente sinto
Com a imaginação.
Não uso o coração.

Tudo o que sonho ou passo,
O que me falha ou finda,
É como que um terraço
Sobre outra coisa ainda.
Essa coisa é que é linda.

Por isso escrevo em meio
Do que não está ao pé.
Livre do meu enleio,
Sério do que não é.
Sentir? Sinta quem lê!

(Fernando Pessoa)

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