segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Despedida


Chegou o tempo
Dessa despedida amarga
O fato de haver a ida
Quando tudo era mais simples
Ante uma partida
Que não se tinha.

Agora chegou à hora
De recomeçar o agora
Uma nova caminhada
Sem mais o medo
De estar sozinho
Sob a sombra do receio.

Quando não havia certezas
Me deste novas vias
Que foram percorridas
Agora chegou à hora
De novamente dividirmos
Os caminhos, os sonhos,
Os rumos e os mundos.

A gente se vê
Não é adeus, nem o fim
Mas um novo olá
Um novo postal
Uma nova possibilidade
De poder me encontrar.

Espero que vá me visitar
Botar o papo em dia
Jogando conversa fora
Assim um amor saudoso
Da ausência que deixamos
Do espaço vazio que ficou
Fluirá de nossa história.

Siga seu caminho
Mas de vez em quando
Olhe pra trás
Quem sabe minha sombra
Volte a te seguir
Como era antes
E não te sintas só
Nunca mais.

Assim como você está em mim
Esteja em eu em você,
Acima de tudo,
Lembrarei de você
Lembre também de mim...

(Thiago Azevedo)

O convite (Lc 14.15-23)


A casa está arrumada
Tudo no seu devido lugar
A mesa está posta
Estou ansioso
O vinho e o pão
Serão a aliança
Neste cear e celebrar.

Onde estão os convidados?
Separei a todos um lugar
Estou muito alegre
Quero meus amigos
Para beber e comemorar.

Não querem vir, tudo bem
Vou às ruas, todas elas
Venham maltrapilhos
Quero com vocês celebrar
Do pão e do vinho, compartilhar.

Dou um pouco de mim
Me torno um de vocês
Juntos à mesa
No viver e celebrar
Esse reino de maltrapilhos
Em tudo compartilhar.

As dores da vida
E as simples alegrias
Tudo em meio à folia
Dança e choro
Mutuamente consolar.

A mesa está posta
Venham maltrapilhos
Juntem-se a mim
Em memória do Pai
Em memória de mim.

No pão e vinho
Corpo e sangue
Ceia de comunhão
Nova aliança de paz
Perpétua união.

(Thiago Azevedo)

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Caminho de Emaús


Vamos andando
Por essa longa estrada
Tristes e sozinhos
Pelos fatos ocorridos
Apenas com o sol
A nos iluminar
Tão árduo caminho.

Assim como a luz se põe
Nossas esperanças
Se dissipam na escuridão
Não nos deixa nada
Apenas a solidão.

Posso caminhar?
Quem é você?
Apenas um andarilho
Deve ser triste andar sozinho
Sou alguém sem ter onde repousar.

Você não soube dos fatos
Não sou daqui, apenas passo
Perdemos tudo pelo que esperávamos
E o que queriam?
Liberdade dessa agonia.

Compreendo sua tristeza
Então livra-nos dessa lida
Deves entender mais a vida
Que vida essa que temos
Espere vou explicar.

Vamos caminhando
A escuridão vai passar
Mesmo que por uma noite permaneça
A luz voltará e entenderás
Que tudo foi necessário
Mesmo a morte é um fato
Que deves te ensinar.

Vamos entrar
Quero contigo cear
Partilhar do vinho e pão
Para poder dizer
Que deves assim viver
A vida partilhar
Semelhante pão e vinho
No comer e celebrar.

Agora compreendo
Mestre tu sempre conosco está
No viver e partilhar
Mesmo que o sol se ponha
Às vezes é necessário chorar
Mas também preciso acordar
E deixar o sol novamente brilhar
Renascer nossas esperanças
Reconstruir o caminhar.

(Thiago Azevedo)

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Grão de mostarda


Pequena semente,
Tão pequena e singela
Frágil, de vida incerta.

A que compararei
Esta pequena vida?
Ainda não sei sobre sua sina.

Vou e semeio na terra
Sem saber o que surgirá
Deixo que vá o sol
E recebo a lua
Que me acompanha no esperar.

É preciso que morra
Para que se rompa a vida
E reluzir o maravilhoso mistério.

Surge um broto
Já surge belo, porém pequeno
Tanto que cabe na palma da mão.

Vai se virando os dias
As noites a contar e cantar
E o pequeno broto
Vira uma grande e frondosa árvore
Aonde os pássaros vêm se aninhar.

A que compararei
Esta grande árvore?
Que de tão bela não vejo outro lugar.

Comparo com o Reino do Pai
Onde todos tem lugar
Aninha sem receio, a todos sem julgar.

Assim é o Reino,
Que como uma grande árvore
Sombra nos dá
Para os pés cansados
Enfim descansar.

(Thiago Azevedo)