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CancaodaFloresta

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segunda-feira, 27 de março de 2017

É preciso Transver...

À Manoel de Barros

Olha o moleque
pintando de azul
o som celeste
que canta do céu
segura a andorinha
dobradura de papel.

João de "Barros"
também faz poesia
estica o horizonte
pede companhia
reluz o escuro
chama à "brincaria"

É preciso prever
deixar-se, rever
um coelho de chapéu
é preciso transver
té mais vê
Seu Manoel

É preciso viver
voar, esquecer
"borrachura" de papel
é preciso morrer
té mais vê
Seu Manoel

Dia que envelhece
letra que aquece
é preciso correr
atrás do onde
aonde está você
Manoel?

É preciso prever
é preciso escrever
é preciso morrer
é preciso esquecer
é preciso viver
é preciso transver
é preciso
é preciso
é preciso...

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Pequenino eterno mundo


à Cecília

esse teu sorriso
que carregas no rosto,
faz-me lembrar do infinito,
deixa-me plenamente exposto
ao reencontro com o sagrado
e minha piedade outrora esquecida.

tuas tenras mãozinhas
tateando minhas lentes,
dão nova visão do mundo,
de não querer ser ou ter
mais nada além do que a vida
acima de tudo.

tuas suaves palminhas
soam como alegre canção,
a embalar a valsa do dia,
desta mais sensível poesia,
na contradança do aconchego
ao entoar o humilde violão.

é difícil explicar,
sou adulto demais para entender,
como pode o eterno cantar
numa vida que acaba de nascer?
É difícil, eu sei,
é como tentar decifrar o florescer.

a vida passa
como a brisa do poente,
teu sorriso será outro,
estas mãozinhas serão perenes,
tuas palminhas serão lembrança,
mas no meu coração,
será eternamente...

Thiago Azevedo
Belém, 06 de setembro de 2011

sábado, 7 de maio de 2011

Como faz pra não te amar?

Esta terra que é semente
onde brota a mais bela poesia
em forma de manga de mangueira
regada pela bela chuva de todo dia.

Ah que terra mais bela
que se modela nas mãos do escultor
de Icoaraci, o mestre mais dedicado
escreve a história com escolhido barro
verso esculpido das mãos do criador.

Caranguejada que vem fresco do mangue
numa mesa farta de cerveja e amigos
violão, voz rouca e o batuque do curimbó
rodopia, rodopia a cabloca morena
ao cantar suas lendas de carimbó.

As lágrimas nascidas de Iaçá
sustenta alimentando este povo
junto, depois ou o próprio almoço
a rede na varanda, descansar.

O tempo que te corre devagar
esta terra de paz e nostalgia
a juventude que não se faz passar
dos poetas nas praças e esquinas.

Minha velha poesia
não cansa de te falar
Pará terra querida,
como faz pra não mais te amar?

Thiago Azevedo
Curuçá, 07 de maio de 2011

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Poesia triste é samba

Antes havia tristeza,
entoada a uma nota só,
ouve-se um único acorde,
de fato, era uma nota dó.

Esta mazela de poesia,
exalta uma tristeza tamanha,
em dó entoa a melodia,
poesia que soa triste é samba.

Aos grandes sambistas saúdo,
nesta comunhão de botequim,
tocando um choro de viola,
pandeiro, cavaco e tamborim

A nossa senhora do Ó rogo,
por amor deste bamba,
pra que anoiteça triste
e amanheça samba.

Tristeza que faz melodia,
melodia que rebola e dança,
dança que faz poesia,
poesia que é samba.

Thiago Azevedo
Belém, 03 de dezembro de 2010

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Cecília

Mais um verso
Que se faz poesia,
Uma vida
A perfilar em canção,
Dentro de mim,
Dentro de nós.

Da Rosa,
Veio o botão,
Que Rebenta,
Felicidade,
Agora do verso,
A melodia,
Que entoará,
Eternidade.

Singela canção,
Faz suave
O ninar,
Levita o anseio
Faz-me sonhar
Em desejo,
Com uma vida
Tão pequenina,
Que nem sabe,
Quando chegar.

Suave, espero,
Poder enfim
Contigo cantar,
Esta nova canção,
Com Beatriz,
Do alto da vida,
Um eterno bailar,
Com Rosa,
Semear e sonhar.

Vela pela canção,
Nestes versos,
Que desfiam
Tão singela melodia,
Nossa pequena padroeira,
És musa e poesia,
Da minha música
És protetora,
Amor pra sempre,
Cecília.

Thiago Azevedo
Belém, 3 de novembro de 2010

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Minhas músicas de Chico

à Rosa, Beatriz e Cecília.

Queria escrever música de Chico,
estudei cada verso seu,
ouvi cada música sua,
mas não conseguia escrever
nenhuma música de Chico.
Então, aconteceu que desisti
e nas andanças desta vida,
vi no caminho uma bela rosa,
que florescia em um jardim,
foi então que percebi,
que me apaixonei
por música de Chico.
Deste amor que tive por Rosa,
abandonei o escrever música de Chico,
e começamos a viver música de Chico.
Este pleno amor que nos envolvia,
surgiu um belo botão,
Beatriz, a bailarina,
fazendo-me extremamente feliz,
e baila ao ouvir música de Chico
se divertindo com as cirandas,
entoadas para certas bailarinas.
Agora em mais uma primavera
que brota na vida,
em forma de belo botão,
a da música padroeira,
Cecília, a poetisa,
que embala a beleza dos versos,
que aprendi a viver e a escrever.

Hoje sou poeta,
não escrevo música de Chico,
mas amo todas as músicas de Chico
que vivem em meu coração,
fazendo da minha vida,
uma eterna canção de Chico.

Thiago Azevedo
Belém, 28 de outubro de 2010

sábado, 15 de agosto de 2009

Viva a adesão do Pará!

Vamos paraenses, às ruas.
Beber e festejar,
Nos embriagar com muita cerveja
A tal adesão do Pará.

Temos muito que comemorar! Será?
Viva a adesão do Pará!
De tudo que nos deram
Como esmola pra ficar.

Vamos brindar!
A tudo o que aderimos.

A natureza tão bela
E aos que vêm de fora, extraindo.
Aos minérios tão fartos
E às empresas que desmatam via contrato.

Temos mais justiça
Para libertar o opressor,
Aderimos à corrupção
E também ao corruptor.

Viva a Cabanagem,
E a Eldorado dos Carajás!

Viva a adesão,
No Brasil do Grão-Pará!
Isso é um grande motivo
Pra beber e se embriagar.

Falamos através de uma bela língua,
Que tão pouco sabemos pronunciar,
Os índios são marginalizados,
Aprenderam também a roubar.

Me sinto melhor,
Pois faço parte deste país.

Meu povo é oprimido,
Escravizado e infeliz,
Temos um governo omisso
Que legisla, não em nosso suplício.

Mas para o que paga mais e melhor,
Em detrimento dos que lutam
Todos os dias com sacrifício,
Mas morrem pobres e só.

Quero beber, me embriagar
E esquecer a tal adesão do Pará.

(Thiago Azevedo)

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Pai (à meu pai)

Para a infância, um herói.
Com super-poderes
Livrava dos monstros
Os armários e as camas.

Estavas presente
Nos primeiros passos,
Nos trôpegos compassos
Via longe o caminhar.

Na juventude, o amigo,
Que tenta entender
As constantes mudanças
Que a antiga criança
Passou a viver.

Os primeiros amores,
Um ombro à consolo
Para os desamores
Que fizeram sofrer.

Na maioridade, um igual,
Um novo filho, tal qual
Viestes a ter.
Uma nova geração,
Avô agora ser.

És um novo herói,
Com super-poderes,
Novos monstros
Deves agora deter.

Com grandes histórias
De uma outra infância
Vens a entreter
O filho do teu filho.
Com colo e abrigo
Nos teus braços,
Pai e Avô
Amo você.

(Thiago Azevedo)

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