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CancaodaFloresta

sábado, 3 de setembro de 2011

Vazio

Faz um tempo que não consigo escrever
nenhum verso ou prosa,
folheio toda a biblioteca,
busco inspiração no Drummond,
no Rubem e na Adélia,
olho com afinco e resignação
cada letra da Clarice e da Cecília,
nada surge, nada vem,
sinto apenas um profundo e eterno vazio,
já ouvi dizer que ele é do tamanho de Deus,
mas onde Ele está então?
Percebi que este vazio era necessário,
era preciso esvaziar,
estar cheio é demasiadamente cansativo,
levou-me a pensar repetitivo,
como se só houvesse um jeito,
uma forma,
aprendi a desconstruir os versos,
reaprendi a construí-los,
mas só olhava um lado.
Precisava estar em crise,
mas o vazio me tirou a crise,
queria falar do amor,
o vazio me tirou o amor,
insisti em falar de Deus,
o vazio me tirou Deus,
queria falar só de mim,
o vazio me tirou de mim mesmo.
Ele me deixou apenas o silêncio
mais profundo e sufocante,
como se diante de tanta coisa,
precisava parar e esvaziar,
agora reencontro tudo de novo,
diferente de antes,
pois o vazio não é mais o mesmo,
ele segue seu curso como o vento,
soprando onde quer,
quem pode dizer onde ou quando irá pousar?
Só sei que quando ele vier novamente,
ficarei sentado no portão de casa na minha cadeira de balanço,
olhando o dançar do vento sobre as árvores na mais plena solitude
e vivenciarei estar vazio de tudo outra vez...

Thiago Azevedo
Belém, 03 de setembro de 2011

2 comentários:

  1. Muito bom texto.
    O Vazio, o nada, deixa o homem suspenso para o si mesmo, e nele encontra-se o coração do ser!

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