Minha lágrima tem a cor do barro
deixado pelo caminho,
deixando em silêncio
o sofrimento de muitos pequenos,
dos calados em meio ao entulho,
muitos que nunca mais acordarão.
Minha lágrima tem a cor do negrume
que suja minha alma,
diante do sofrimento humano,
diante do esquecimento humano,
diante deste amor que endureceu.
Minha lágrima tem o sabor amargo
das esperanças que minguam
ante a violência diária das casas e ruas
que o homem é capaz de prover,
contra a terra que deveria servir e cultivar,
contra o próximo a quem deveria amar.
Minha lágrima tem a cor do sangue
dos mortos deixados pelas ruas,
daqueles que ainda hão de morrer
nas mãos do descaso de todos,
por causa da vergonha
dos que não se desnudam do egoísmo.
Minha lágrima tem o sabor amargo da derrota,
daqueles que nunca experimentaram a vitória,
nem ao menos a almejam
por não haver quem lhes dê
o sentimento de ser um vitorioso
ante a todos os fracassos do caminho.
Minha lágrima tem o cheiro do petróleo,
tem o sofrimento dos animais sujos,
tem a dor daqueles que tentam respirar em vão,
tentam achar o ar que o petróleo em seus pulmões
não permite encontrar.
Minha lágrima tem a sujeira do nordeste,
não apenas da dor que o rio causou
mas daqueles que por anos
nem sequer sabiam que nordeste havia.
Minha lágrima tem o tamanho das árvores
que caem diariamente em nome da ganância,
da serra que deixa pelado os corações dos homens
e do monte que em breve deixará de ser belo.
Minha lágrima tem a dor da esperança
que insiste em persistir,
como a mãe que acredita no retorno do filho perdido,
da mãe que crê que o bandido poderá ser bom,
de que dias melhores poderão surgir,
de que a humanidade um dia irá mudar.
Minha lágrima tem a dor da fé,
que tenta remover as montanhas da intolerância,
busca vias para encontrar a paz entre os homens
e encontrar uma nova canção para os corações,
que valorize o outro acima de si mesmo,
acima da verdades estampadas em forma de bandeiras.
Minha lágrima tem molhado os lençóis
sem saber se irão acabar,
sem imaginar como será o amanhã,
se tudo continuar do jeito que está,
apenas sei que...
...Minha lágrima tem o tamanho do meu coração,
que tem ficado pequeno dia após dia...
Thiago Azevedo
Belém, 28 de junho de 2010
domingo, 27 de junho de 2010
quinta-feira, 17 de junho de 2010
Nem um tanto, nem outro
Tem momentos que me sinto poeta,
com vontade de escrever versos,
inundado por inteiro
nos mananciais da poesia.
Em outros, ouso ser crônista,
narrando acontecimentos,
escrevendo estórias,
enxergando em forma de prosa
fatos e feitos de uma vida.
Mas, na maioria das vezes,
sou apenas eu mesmo,
nem um tanto poeta,
nem um pouco cronista,
sigo apenas em frente,
numa rotina monótona,
tentando sobreviver,
no dia-a-dia da vida.
Thiago Azevedo
Belém, 18 de junho de 2010
com vontade de escrever versos,
inundado por inteiro
nos mananciais da poesia.
Em outros, ouso ser crônista,
narrando acontecimentos,
escrevendo estórias,
enxergando em forma de prosa
fatos e feitos de uma vida.
Mas, na maioria das vezes,
sou apenas eu mesmo,
nem um tanto poeta,
nem um pouco cronista,
sigo apenas em frente,
numa rotina monótona,
tentando sobreviver,
no dia-a-dia da vida.
Thiago Azevedo
Belém, 18 de junho de 2010
domingo, 13 de junho de 2010
Pés descalços
Pés descalços,
piçarra e chão,
retorno no tempo
quando criança.
Onde avôs eram pais,
os pais, filhos
e os filhos,
apenas filhos.
Lembro das brincadeiras,
inúteis brincadeiras
que sujavam a casa
e junto a bronca.
Pique esconde,
peteca e roda,
pega-pega,
pipa e bola.
Esta inútil infância
não considerava o futuro,
nem mesmo as notícias
de crises do presente.
Brincar era tudo,
pisar descalço
no chão de terra
num jogo de bola.
Calço minhas sandálias,
tiro meus pés do chão,
vejo os pais virarem avôs,
os filhos, pais
e as crianças,
continuam brincando
suas brincadeiras
de criança.
Thiago Azevedo
Belém, 13 de junho de 2010
piçarra e chão,
retorno no tempo
quando criança.
Onde avôs eram pais,
os pais, filhos
e os filhos,
apenas filhos.
Lembro das brincadeiras,
inúteis brincadeiras
que sujavam a casa
e junto a bronca.
Pique esconde,
peteca e roda,
pega-pega,
pipa e bola.
Esta inútil infância
não considerava o futuro,
nem mesmo as notícias
de crises do presente.
Brincar era tudo,
pisar descalço
no chão de terra
num jogo de bola.
Calço minhas sandálias,
tiro meus pés do chão,
vejo os pais virarem avôs,
os filhos, pais
e as crianças,
continuam brincando
suas brincadeiras
de criança.
Thiago Azevedo
Belém, 13 de junho de 2010
terça-feira, 8 de junho de 2010
Páginas amassadas
Muitos textos, que inacabados,
são abandonados pelo caminho,
textos que poderiam dizer muito
sobre uma vida inteira,
tornaram-se mero rascunho
escrito em folhas jogadas no chão.
Poemas incompletos,
muitas vezes por causa de um rima,
ou de um verso mal escrito,
mesmo de um sentimento não sentido
se perdem ao vento do tempo,
sem som, nem melodia.
Semelhante a muitos dos dias
em que se sentou num banco
ao fim da tarde à beira do portão,
esperando um amor que partiu
ou a antiga vida que definha
no esquecimento e na solidão.
As barbas brancas lhe vieram,
a pele, antes lisa, se enrugou,
as lembranças que existiam,
viraram poemas incompletos
escritos em páginas amassadas
para serem jogadas ao chão.
Ah, quem dera
poder resgatar os antigos textos,
reescrever os primeiros versos,
recomeçá-los de onde se parou,
como apagar os erros cometidos,
como esquecer os amores de então?
Thiago Azevedo
Belém, 08 de junho de 2010
são abandonados pelo caminho,
textos que poderiam dizer muito
sobre uma vida inteira,
tornaram-se mero rascunho
escrito em folhas jogadas no chão.
Poemas incompletos,
muitas vezes por causa de um rima,
ou de um verso mal escrito,
mesmo de um sentimento não sentido
se perdem ao vento do tempo,
sem som, nem melodia.
Semelhante a muitos dos dias
em que se sentou num banco
ao fim da tarde à beira do portão,
esperando um amor que partiu
ou a antiga vida que definha
no esquecimento e na solidão.
As barbas brancas lhe vieram,
a pele, antes lisa, se enrugou,
as lembranças que existiam,
viraram poemas incompletos
escritos em páginas amassadas
para serem jogadas ao chão.
Ah, quem dera
poder resgatar os antigos textos,
reescrever os primeiros versos,
recomeçá-los de onde se parou,
como apagar os erros cometidos,
como esquecer os amores de então?
Thiago Azevedo
Belém, 08 de junho de 2010
sexta-feira, 4 de junho de 2010
Mudanças
Chegou a hora,
de mudar o verso,
trocar a rima,
amar mais,
ter mais tempo,
viver mais.
Sem mais gaiolas,
apenas o ar
soprando as asas
convidando para mais um vôo,
para mais longe,
para onde a vista não alcança.
Este vôo é como o primeiro,
meio temeroso,
meio arriscado,
porém, tão emocionante,
tão sublime.
Você vai ao encontro
do verso,
da rima,
reencontra novamente com a poesia
como se fossem velhas amigas,
de infância,
de velhice,
sentadas num banco de praça,
jogando conversa fora,
sonhando com o passado,
e remontando a memória.
Thiago Azevedo
Belém, 5 de junho de 2010
de mudar o verso,
trocar a rima,
amar mais,
ter mais tempo,
viver mais.
Sem mais gaiolas,
apenas o ar
soprando as asas
convidando para mais um vôo,
para mais longe,
para onde a vista não alcança.
Este vôo é como o primeiro,
meio temeroso,
meio arriscado,
porém, tão emocionante,
tão sublime.
Você vai ao encontro
do verso,
da rima,
reencontra novamente com a poesia
como se fossem velhas amigas,
de infância,
de velhice,
sentadas num banco de praça,
jogando conversa fora,
sonhando com o passado,
e remontando a memória.
Thiago Azevedo
Belém, 5 de junho de 2010
Assinar:
Postagens (Atom)








