O sol se pôs
bem na minha frente,
não pude ver,
havia poeira
no parabrisas,
tentei parar,
mas não havia tempo,
os carros atrás lembravam,
o tempo não vai parar,
tenho que correr,
tentar colocar
o sol por detrás de mim.
Tenho que lutar,
não posso parar,
o poeta estava errado,
não há tempo para tudo,
nem sempre haverá sol
para ficar debaixo,
a flor nasce na manhã
e fenece ao findar a tarde,
não pude ver,
só consegui observar o espaço,
imagino as flores,
os carros buzinam,
lembrando que não há tempo,
o sol nasce à minha frente,
não posso ver,
tenho que utilizar o para-sol,
cega minha direção,
tento parar,
mais buzinas,
o tempo não tem tempo,
dentro do carro,
não tenho tempo,
somente pressa,
todos têm urgência,
ninguém se lembra,
o sol se pôs,
mais uma vez,
à minha frente,
e outra vez,
não pude ver...
Thiago Azevedo
Belém, 29 de novembro de 2011






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