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Divulgue esta idéia

CancaodaFloresta

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Sobre o amor...

Quando o amor te vier,
abrace forte suas asas
que sombreiam a alvorada,
embora seja difícil
compreender seu destino,
siga sem medo ou receio,
mesmo se áspero o caminho.

Mesmo que a espada
exponha feridas escondidas,
debaixo das penas
da mais fina esperança,
ouça a voz que ecoa
bem dentro de seu coração,
no amor acreditai.

Ele coroa a vida
em meio ao sacrifício,
isso é fruto de crescimento,
como a semente que morre,
para dar uma nova vida,
siga o amor,
deixe ele te levar.

Mesmo que sangre,
a cicatriz irá curar,
ele acaricia os ramos
que dançam à luz do sol,
também desce às raízes
que abraçam a terra
e fortalecem o farol.

Não há outro desejo,
senão dar-se um pouco mais
e peineirar as impurezas,
moer até atingir a alvura,
amolecer para nos moldar,
para que tomeis o pão
em meio à festa e folia
da mais sagrada comunhão.

siga o amor,
basta o amor,
deixe o amor,
conheça o amor,
chore o amor,
sinta o amor,
cante o amor...


Thiago Azevedo
Belém, 28 de setembro de 2011

A idéia é fazer canções sobre os capítulos do livro O Profeta de Kalil Gibran, ainda não tenho as músicas, estou compondo primeiramente os versos, vamos ver no que dá, este primeiro poema é sobre o capítulo que fala do Amor.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Coração de areia - A Canção

Deus fez sarau de vida,
toada de singela poesia,
coração que se desfez
na poeira do tempo,
em lágrimas e melodia.

Fez-se miserável por nós,
um coração que desmancha
feito areia de mar,
para florescer outra vez,
o amor que se fez desaguar.

Coração de areia,
tornado pura terra,
traz nova primavera,
envolvida pela aurora
que o orvalho vem regar.


Coração de areia,
faz da minha canção, um mar,
para navegar ao fim da tarde,
sentir uma nova saudade
e outros tempos recordar.

Deus que se faz areia,
coração em corrente preamar,
traz meu barco de volta,
pra ancorar neste teu cais,
descansar este meu choro
e poder te amar um pouco mais...

Thiago Azevedo
Belém, 27 de setembro de 2011

Essa é a primeira versão do que poderá ser a canção Coração de Areia, eu remontei o poema original em verso livre e tentei organizar em versos mais metrificados, claro que nem tanto, para poder se enquadrar melhor à melodia, que ainda não tem.

Vamos ver se dá pra acontecer...

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Horizonte (Thiago Azevedo e Fabrício Matheus)



Esta é uma antiga parceria entre o Fabrício e eu, fala de Deus como horizonte, que por mais que tentemos alcançar, não podemos por nossa limitação em lidar com o infinito, o máximo que podemos é contemplá-lo na sua beleza poética e olhar ao nosso redor a trajetória e ver o quanto já navegamos neste mar e crescemos com Ele, mesmo sem ao menos chegar perto de seu limite.

Quando o Fabrício mandou a melodia, de cara pensei nas canções praieiras de Dorival Caymmi e realmente ficou uma bela canção.

Horizonte

Alvorada
Cresce a esperança no olhar
As nuvens anseiam o vento
Coração deseja amar
Vela içada
Redes prontas pro mar
Querendo alcançar o horizonte
A Fé que se quer renovar

Oceano
Segue distante o pensar
Buscando o imenso infinito
Sem saber como tocar
Só o sol
Conhece o teu lugar
Tua linha como berço
Ao fazê-lo descansar

Bem ao lado
Vejo o meu tracejar
Quanto mais te conheço
Percebo não posso chegar
Me contento
Calmas águas navegar
Neste dia poente
Que a estrela se fez alvorar.

Alvorada...
Vela içada...
Oceano...
Só o sol...
Ao meu lado...
Me contento.
Horizonte.

Thiago Azevedo e Fabrício Matheus
Belém - Rio de Janeiro,
25 de maio de 2011

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Coração de areia

Na toada da poesia,
ouve-se o sarau de Deus,
que com amor, se desfez,
deixou-se e se lançou,
tornando-se seu próprio algoz,
desfacelando o coração,
carne transformada
em poeira do tempo
e se lança ao vento,
a espalhar-se pela vida,
um punhado a adubar o mundo.
Coração de areia
tornado terra pura,
que floresce em cada jardim
uma nova primavera,
envolvida pela aurora
e bem aventura a tristeza,
lágrimas que se tornam orvalho,
a regar e frutificar os sonhos,
as esperanças e a fé.
Coração de areia
que faz do mar, praia,
para caminhar ao fim de tarde,
deslumbrar-se com o pôr-do-sol
e sentir outra vez saudades
daquele tempo em que havia amor.
Deus que se fez areia,
coração se fez preamar,
que acolhe o pescador
e faz o barco buscar o cais,
Deus que se faz miserável,
só para poder amar
um pouco mais...

Thiago Azevedo
Marituba, 26 de setembro de 2011

Ao me deleitar com as palavras do Pr. Manoel Moraes, me veio ao coração este poema em versos livres. A expressão, ou as expressões, que me tocaram foi através do significado de misericórdia, que quer dizer misericárdia, ou tornar o coração miserável, como se o tivesse transformado em areia, expressão utilizado pelo Pr. Manoel Moraes.

Deus tornou seu coração miserável por nós, transformou seu coração em poeira por causa do seu amor, isso realmente me tocou profundamente, trouxe uma significação poética profunda sobre o que significa ser misericordioso e com certeza também, tornou para mim, ser humano arrogante e presunçoso, um sentimento inalcansável. Somente Deus repleto e somente amor pode se deixar tornar miserável e diluir seu coração em poeira lançada ao vento para adubar a vida dos homens e dar-lhes novo significado, uma nova primavera...

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Ciranda do tempo

Danca menino,
Dança menina,
faz a ciranda,
em giro tão lento,
sem se importar.

O andar bem leve,
que faz a melodia,
é brincadeira
de criança
e faz o tempo parar,
parar, parar, parar...

Vamos girando,
com risos afora,
vamos pintar
com nossas mãos
outro lar.

Sonhar novamente,
não é utopia,
é ser criança
outra vez,
correr, pular, brincar,
cantar, cantar, cantar...

Vem comigo
nesta ciranda de roda,
deixa teus medos,
bem longe,
em outro lugar.

vem ouvir
novamente a canção,
num giro bem lento
do tempo ainda perdido,
bem dentro do teu coração,
do tempo ainda perdido,
bem dentro do teu coração...

Thiago Azevedo

Marituba, 14 de setembro de 2011

Eu queria escrever uma ciranda, esta é a última versão, estou postando mas espero um dia ouví-la como canção.

Escrevi pensando em como vamos perdendo nossa criança que morou há muito tempo em nós, como a adultice nos deixa secos, a poesia nas palavras nos lembram, mas a realidade nos empurra ao esquecimento, olho minhas filhas e me vejo no espelho e vejo o quantas vezes sou injusto e duro, querendo que elas entrem no meu mundo, quando deve ser ao contrário.

Precisamos parar um pouco de deixar o medo de lado, ouvir novamente a ciranda que anda perdida bem dentro dos nossos corações...

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Chegança

A luz se faz movimento,
sinaliza aonde quer chegar,
é lírio a brotar infinito,
de acalanto e esperar.

São Sementes em rebentação,
águas que nascem de um salto,
servem a mais bela inspiração,
à vida que faz sobressalto.

Vôo singelo da gaivota,
em direção ao horizonte mar,
é serenata à lua que veio
e faz poesia de amar.

Boto meu barco no rio,
a navegar mundo afora,
na minha canção eu assovio
os descaminhos de outrora.

E são tantas as marcas
que passam em minhas andanças,
tantos pés já calejados
que anseiam por esta chegança.

Thiago Azevedo
Marituba, 09 de setembro de 2011

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Pequenino eterno mundo


à Cecília

esse teu sorriso
que carregas no rosto,
faz-me lembrar do infinito,
deixa-me plenamente exposto
ao reencontro com o sagrado
e minha piedade outrora esquecida.

tuas tenras mãozinhas
tateando minhas lentes,
dão nova visão do mundo,
de não querer ser ou ter
mais nada além do que a vida
acima de tudo.

tuas suaves palminhas
soam como alegre canção,
a embalar a valsa do dia,
desta mais sensível poesia,
na contradança do aconchego
ao entoar o humilde violão.

é difícil explicar,
sou adulto demais para entender,
como pode o eterno cantar
numa vida que acaba de nascer?
É difícil, eu sei,
é como tentar decifrar o florescer.

a vida passa
como a brisa do poente,
teu sorriso será outro,
estas mãozinhas serão perenes,
tuas palminhas serão lembrança,
mas no meu coração,
será eternamente...

Thiago Azevedo
Belém, 06 de setembro de 2011

sábado, 3 de setembro de 2011

Vazio

Faz um tempo que não consigo escrever
nenhum verso ou prosa,
folheio toda a biblioteca,
busco inspiração no Drummond,
no Rubem e na Adélia,
olho com afinco e resignação
cada letra da Clarice e da Cecília,
nada surge, nada vem,
sinto apenas um profundo e eterno vazio,
já ouvi dizer que ele é do tamanho de Deus,
mas onde Ele está então?
Percebi que este vazio era necessário,
era preciso esvaziar,
estar cheio é demasiadamente cansativo,
levou-me a pensar repetitivo,
como se só houvesse um jeito,
uma forma,
aprendi a desconstruir os versos,
reaprendi a construí-los,
mas só olhava um lado.
Precisava estar em crise,
mas o vazio me tirou a crise,
queria falar do amor,
o vazio me tirou o amor,
insisti em falar de Deus,
o vazio me tirou Deus,
queria falar só de mim,
o vazio me tirou de mim mesmo.
Ele me deixou apenas o silêncio
mais profundo e sufocante,
como se diante de tanta coisa,
precisava parar e esvaziar,
agora reencontro tudo de novo,
diferente de antes,
pois o vazio não é mais o mesmo,
ele segue seu curso como o vento,
soprando onde quer,
quem pode dizer onde ou quando irá pousar?
Só sei que quando ele vier novamente,
ficarei sentado no portão de casa na minha cadeira de balanço,
olhando o dançar do vento sobre as árvores na mais plena solitude
e vivenciarei estar vazio de tudo outra vez...

Thiago Azevedo
Belém, 03 de setembro de 2011

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