Home | Twitter | Facebook | Para melhor visualização deste blog é recomendável a utilização de uma resolução de vídeo 1280 x 800.

Divulgue esta idéia

CancaodaFloresta

domingo, 27 de junho de 2010

Lágrimas...

Minha lágrima tem a cor do barro
deixado pelo caminho,
deixando em silêncio
o sofrimento de muitos pequenos,
dos calados em meio ao entulho,
muitos que nunca mais acordarão.

Minha lágrima tem a cor do negrume
que suja minha alma,
diante do sofrimento humano,
diante do esquecimento humano,
diante deste amor que endureceu.

Minha lágrima tem o sabor amargo
das esperanças que minguam
ante a violência diária das casas e ruas
que o homem é capaz de prover,
contra a terra que deveria servir e cultivar,
contra o próximo a quem deveria amar.

Minha lágrima tem a cor do sangue
dos mortos deixados pelas ruas,
daqueles que ainda hão de morrer
nas mãos do descaso de todos,
por causa da vergonha
dos que não se desnudam do egoísmo.

Minha lágrima tem o sabor amargo da derrota,
daqueles que nunca experimentaram a vitória,
nem ao menos a almejam
por não haver quem lhes dê
o sentimento de ser um vitorioso
ante a todos os fracassos do caminho.

Minha lágrima tem o cheiro do petróleo,
tem o sofrimento dos animais sujos,
tem a dor daqueles que tentam respirar em vão,
tentam achar o ar que o petróleo em seus pulmões
não permite encontrar.

Minha lágrima tem a sujeira do nordeste,
não apenas da dor que o rio causou
mas daqueles que por anos
nem sequer sabiam que nordeste havia.

Minha lágrima tem o tamanho das árvores
que caem diariamente em nome da ganância,
da serra que deixa pelado os corações dos homens
e do monte que em breve deixará de ser belo.

Minha lágrima tem a dor da esperança
que insiste em persistir,
como a mãe que acredita no retorno do filho perdido,
da mãe que crê que o bandido poderá ser bom,
de que dias melhores poderão surgir,
de que a humanidade um dia irá mudar.

Minha lágrima tem a dor da fé,
que tenta remover as montanhas da intolerância,
busca vias para encontrar a paz entre os homens
e encontrar uma nova canção para os corações,
que valorize o outro acima de si mesmo,
acima da verdades estampadas em forma de bandeiras.

Minha lágrima tem molhado os lençóis
sem saber se irão acabar,
sem imaginar como será o amanhã,
se tudo continuar do jeito que está,
apenas sei que...

...Minha lágrima tem o tamanho do meu coração,
que tem ficado pequeno dia após dia...

Thiago Azevedo
Belém, 28 de junho de 2010

5 comentários:

  1. Não há o que dizer...
    Você, simplesmente, disse tudo e mais um pouco!
    Excelente...

    ResponderExcluir
  2. Parabéns caro poeta, gostei muito, é um maravilhoso poema.
    Paz ao teu coração e seja feliz.

    ResponderExcluir
  3. Excelente reflexão querido!
    ****
    Minha lágrima tem o tamanho do meu coração...que tem ficado pequeno a cada dia.
    *****
    O meu coração tb tem se apequenado de tantas dores...

    Continue a escrever!

    Abraços!

    ResponderExcluir
  4. Gostei muito dessa parte ->Minha lágrima tem o sabor amargo
    das esperanças que minguam
    ante a violência diária das casas e ruas
    que o homem é capaz de prover, parabéns!

    ResponderExcluir
  5. Só quando a gente DESCANSA a alma, as coisas voltam a acontecer.
    E tudo que estava ao nosso redor começa a se ENCAIXAR.
    Até mesmo os vácuos e os LIMITES fazem sentido.
    Eram CAMINHOS.
    E todo caminho tende a uma CHEGADA.
    E toda chegada tende a um FINAL.
    E todo final tende a um COMEÇO...


    Beijos Thiago! Sou sua fanzoca!

    ResponderExcluir

LinkWithin

Related Posts with Thumbnails

"Diga