Quando só havia o silêncio
nenhum dia a se contar
preparaste o meu berço
e com um velho violão
compôs belas canções
de acalentar.
Mesmo sem saber compor
e nenhum verso me vier cantar
uma melodia já existia
sussurrar em meu coração
semeando nova poesia
de esperançar.
Se planar nas asas da alvorada
e sonhar nos extremos do mar,
até ali a tua måo é presença,
para todos os meus medos
teu abraço é puro alento,
tua voz é canção de ninar.
Quem pode evitar tua presença
e fugir para longe de tua face?
Se houver em mim, Senhor
algo que me faça esconder
no denso breu me encontrarás
farás minh'alma emudecer.
Sonda Senhor,
prova o que há no coração
olha minhas pegadas
faz-me outra vez descansar
em pastos mais verdejantes
e em calmas águas navegar.
Thiago Azevedo
Marituba, 08 de agosto de 2011
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terça-feira, 9 de agosto de 2011
sexta-feira, 27 de maio de 2011
Porto Seguro (Thiago Azevedo e Fabrício Matheus)
Segue mais uma bela parceria entre meus amigos, esta música tem uma particularidade, encaminhei a letra para o Fabrício e para o Gladir musicarem, imaginava algo semelhante ao que fizemos no Canção para o Rio, um composição à seis mãos, porém, algo curioso aconteceu, praticamente simultaneamente os dois me encaminharam melodias diferentes e posto o dilema entramos no consenso de que esta seria composta de um poema e duas músicas e o mais engraçado, é que ouvindo uma depois da outra, sinto que elas se tornam uma canção só.
Esta é a que compus com o Fabrício, é uma gravação caseira e o Fabrício estava com gripe, espero que se recupere logo.
Porto Seguro
O sol desponta no dia
Descortinando a maré
Barco navega na lida
Do pescador que tem fé
A esperança é mais viva
Pro coração bendizer.
Na noite enluarada
Meu barco quer atracar
Rumo à nova jornada
Ver outra flor rebentar
E ver pairar na janela
O canto do sabiá.
Minha certeza é perene
Tal qual manga no pé
Segue na trilha perdida
Desfaz tudo o que quer
Minha certeza é perene
Tal qual onda e maré
Segue sem prumo, sem leme,
Ou ancoragem qualquer.
Porto seguro, meu guia
Pra descansar os meus pés
Traz um renovo, anuncia
Fogo que pode aquecer
Faz debruçar o cansaço
Partir pro abraço do Pai.
Belém -- Rio de Janeiro, 25 de Maio de 2011.
Thiago Azevedo e Fabrício Matheus
segunda-feira, 23 de maio de 2011
Adoração
Bem-te-vi,
bem que viu,
arco-íris rebenta no céu,
colorir multicor o chapéu,
sorriso da criança a brincar,
nova primavera de flor,
bem-te-vi a voar e voar.
Bem-te-vi,
bem que viu,
uma garoa, beijos de amar,
as mãos dadas, caminhar,
afagos da mãe, favos de amor,
café e bolo no quintal,
bem-te-vi a olhar e sonhar.
Bem-te-vi,
bem que viu,
semeando nova canção,
soa calma, uma oração,
sob as estrelas, o luar,
a passarada em seresta,
bem-te-vi a adorar e voar...
Thiago Azevedo
Belém, 23 de maio de 2011
bem que viu,
arco-íris rebenta no céu,
colorir multicor o chapéu,
sorriso da criança a brincar,
nova primavera de flor,
bem-te-vi a voar e voar.
Bem-te-vi,
bem que viu,
uma garoa, beijos de amar,
as mãos dadas, caminhar,
afagos da mãe, favos de amor,
café e bolo no quintal,
bem-te-vi a olhar e sonhar.
Bem-te-vi,
bem que viu,
semeando nova canção,
soa calma, uma oração,
sob as estrelas, o luar,
a passarada em seresta,
bem-te-vi a adorar e voar...
Thiago Azevedo
Belém, 23 de maio de 2011
sexta-feira, 11 de março de 2011
Entrelinhas
Está lá,
em meio às palavras e parábolas,
um sentimento exposto,
uma ferida exposta,
uma ausência sentida,
uma necessidade latente,
um pai a espera no portão,
olhar perdido para o horizonte,
um álbum de infância no colo.
Está lá, não digas que não,
nas entrelinhas da profana poesia,
tão profana, porém tão sagrada,
ele fugiu do céu não para salvar,
mas para ser salvo
desta angustiosa necessidade de abraçar
e amar intensamente outra vez.
Está lá, bem latente,
uma saudade que pulsa,
o coração que dói
por esta sofrida ausência,
este lado vazio no banco,
a voz flutuando no vazio,
o jardim não parece mais tão belo,
o pôr-do-sol traz somente recordações
de quando a casa tinha mais vida,
agora, um poço de interrogações.
Afinal, está lá,
para quem quiser ler,
até mesmo um Deus
pode ter suas próprias interrogações,
seu próprio sentimento de vazio,
sua própria necessidade de sentir-se às vezes
um pouco mais humano...
Thiago Azevedo
Belém, 11 de março de 2011
em meio às palavras e parábolas,
um sentimento exposto,
uma ferida exposta,
uma ausência sentida,
uma necessidade latente,
um pai a espera no portão,
olhar perdido para o horizonte,
um álbum de infância no colo.
Está lá, não digas que não,
nas entrelinhas da profana poesia,
tão profana, porém tão sagrada,
ele fugiu do céu não para salvar,
mas para ser salvo
desta angustiosa necessidade de abraçar
e amar intensamente outra vez.
Está lá, bem latente,
uma saudade que pulsa,
o coração que dói
por esta sofrida ausência,
este lado vazio no banco,
a voz flutuando no vazio,
o jardim não parece mais tão belo,
o pôr-do-sol traz somente recordações
de quando a casa tinha mais vida,
agora, um poço de interrogações.
Afinal, está lá,
para quem quiser ler,
até mesmo um Deus
pode ter suas próprias interrogações,
seu próprio sentimento de vazio,
sua própria necessidade de sentir-se às vezes
um pouco mais humano...
Thiago Azevedo
Belém, 11 de março de 2011
Gosto dos paradoxos, de brincar um pouco com a profana idéia de um Deus que sente saudades, possui suas próprias interrogações, interrogações de Deus, quem pode sondá-las?
Olhando o rio, e deixando-se sentir um pouco de saudades de coisas ou situações que não consigo descrever, percebi que todo este sentimento, nos faz sentir dúvidas, anseios e angústias. Porém, nas entrelinhas do texto sagrado, percebemos isso também, na parábola do pai amoroso, quando este olha longe o filho voltar, como se sempre o estivesse esperando, angustiosamente aguardando seu retorno, pronto para abraçá-lo. Todo este sentimento de ausência fez com que o pai perdesse um pouco o sentido das coisas e da vida.
Outro momento que pode-se notar esse sentimento é quando Jesus fala sobre a dor que sentia por sentir-se rejeitado e se comparou a galinha ao tentar protejer seus filhotes sob suas asas.
Se lermos os textos com o olhar da poesia, perceberemos o quanto isso é latente e podemos ousar dizer que até Deus tem seus momentos de sentir, nesta ausência de companhia, que tudo não tem sentido...
quinta-feira, 15 de julho de 2010
Inquisição
Inquirir
uma punição
das minhas certezas,
de minha nova
impretensa
convicção.
Exonerado
de minha antiga fé,
certeza que plena tinha,
fiquei só e a pé,
nestes descaminhos,
pleno de incertezas,
restando somente
comunhão.
Explicar
não é necessário,
sentir é mais,
cansei da razão
que dilacera a alma
e deixa vazio, pesado,
o pobre coração.
Liberdade
é o que anseio
de todos os preceitos
de todos os receios
liberdade de alma
liberdade de mente
liberdade para ter fé
liberdade para não tê-la
acima de toda clausura,
escravidão.
Inquirir,
querem-me novamente,
minha alma
presa aos ritos,
presa às prisões,
não sou mais o mesmo,
nem há mais como ser
o mesmo de antes,
então, estou absolvido,
para caminhar livre
desta loucura,
que me acrisola o peito,
dessa insana medida
de dar a todos
satisfação...
Gritar
é o que me sobra,
a todos estes
que me querem
preso a tudo,
com carinho
um belo e singelo,
NÃO!
Thiago Azevedo
Belém, 15 de julho de 2010
uma punição
das minhas certezas,
de minha nova
impretensa
convicção.
Exonerado
de minha antiga fé,
certeza que plena tinha,
fiquei só e a pé,
nestes descaminhos,
pleno de incertezas,
restando somente
comunhão.
Explicar
não é necessário,
sentir é mais,
cansei da razão
que dilacera a alma
e deixa vazio, pesado,
o pobre coração.
Liberdade
é o que anseio
de todos os preceitos
de todos os receios
liberdade de alma
liberdade de mente
liberdade para ter fé
liberdade para não tê-la
acima de toda clausura,
escravidão.
Inquirir,
querem-me novamente,
minha alma
presa aos ritos,
presa às prisões,
não sou mais o mesmo,
nem há mais como ser
o mesmo de antes,
então, estou absolvido,
para caminhar livre
desta loucura,
que me acrisola o peito,
dessa insana medida
de dar a todos
satisfação...
Gritar
é o que me sobra,
a todos estes
que me querem
preso a tudo,
com carinho
um belo e singelo,
NÃO!
Thiago Azevedo
Belém, 15 de julho de 2010
quarta-feira, 17 de março de 2010
Lavando os pes
Veja um balde,
ponha água,
Arrume também uma toalha.
Tirem as sandálias,
mostre-me os pés descalsos,
tão cansados, tão sujos, tão sedentos.
Vou molhando e lavando,
teus pés sujos deste caminho,
renovo teus passos,
recomece outra vez.
Não é preciso lavar o corpo,
basta apenas os pés,
que carregam o pesado fardo
e tanto aflige você.
Agora estás limpo e renovado,
estás pronto para refazer os passos,
que minha paz seja com você.
Compreendes o que fiz?
Limpando teus caminhos,
renovando teu passado?
Vai e faz o mesmo também.
Compartilhe da jornada,
lavando os pés da caminhada,
dos aflitos e maltrapilhos,
assim como os amei,
do mesmo jeito amem-se vocês também.
Thiago Azevedo
Belém, 10 de março de 2010
ponha água,
Arrume também uma toalha.
Tirem as sandálias,
mostre-me os pés descalsos,
tão cansados, tão sujos, tão sedentos.
Vou molhando e lavando,
teus pés sujos deste caminho,
renovo teus passos,
recomece outra vez.
Não é preciso lavar o corpo,
basta apenas os pés,
que carregam o pesado fardo
e tanto aflige você.
Agora estás limpo e renovado,
estás pronto para refazer os passos,
que minha paz seja com você.
Compreendes o que fiz?
Limpando teus caminhos,
renovando teu passado?
Vai e faz o mesmo também.
Compartilhe da jornada,
lavando os pés da caminhada,
dos aflitos e maltrapilhos,
assim como os amei,
do mesmo jeito amem-se vocês também.
Thiago Azevedo
Belém, 10 de março de 2010
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010
Sagrado
Olho pro céu e procuro
Tateando entre as estrelas
Um rastro de minha consciência,
Através de minha vivência
Que tive em Ti, ó Deus.
Ando sem direção e sem destino,
Buscando onde reclinar o semblante
De minhas tristes feridas
Feitas nos tropeços da vida
E da falta de guarida.
Sou um andarilho em busca
De um tesouro perdido,
Há muito esquecido
Nos meus pobres descaminhos
De meu coração maltrapilho.
Onde deixei minha fé?
Escondida em meio às certezas
Escritas em belas palavras
Vazias e falsas desta cruel frieza,
Enganando meu triste coração.
Achava que tinha a verdade
Entretanto, sabia que me mentia
Servindo a quem imaginava
Que tinha as respostas
Para minhas impurezas.
Hoje ando sozinho,
Trilhando novos caminhos
Buscando só de Deus depender,
Não me deixes mais esquecer
Só em Ti Pai, quero viver.
(Thiago Azevedo)
Tateando entre as estrelas
Um rastro de minha consciência,
Através de minha vivência
Que tive em Ti, ó Deus.
Ando sem direção e sem destino,
Buscando onde reclinar o semblante
De minhas tristes feridas
Feitas nos tropeços da vida
E da falta de guarida.
Sou um andarilho em busca
De um tesouro perdido,
Há muito esquecido
Nos meus pobres descaminhos
De meu coração maltrapilho.
Onde deixei minha fé?
Escondida em meio às certezas
Escritas em belas palavras
Vazias e falsas desta cruel frieza,
Enganando meu triste coração.
Achava que tinha a verdade
Entretanto, sabia que me mentia
Servindo a quem imaginava
Que tinha as respostas
Para minhas impurezas.
Hoje ando sozinho,
Trilhando novos caminhos
Buscando só de Deus depender,
Não me deixes mais esquecer
Só em Ti Pai, quero viver.
(Thiago Azevedo)
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
Semente de paz
Como a pequena semente
Que semeia as entranhas da terra.
Criam no coração dos homens
Profundas e belas raízes
E funde minh’alma a ela.
Assim é o amor de Deus
Que semeia sua semente
No coração de todos desta terra
Amor simples, manso e profundo
Paz que brota em meio à procela.
Vento que vem de longe,
Não sabe como e nem de onde,
Vento que vem livre e semeia
Este amor que brota de Deus
Semente de amor e paz.
Deste amor rebenta também esperança
Pra este terror que não se finda
E em nossas almas, profundas feridas
Que impedem o brilho do sol pairar.
Sobre nossas almas áridas e sofridas
Desta terra, as mãos só os calos
Semeando a terra dos esfomeados
Um amor que lhes traga a paz.
Vento que vem de longe,
Não sabe como e nem de onde
Semeia o sol novamente
Para que tenhamos dias melhores
Dias de Deus em nós, dias de paz.
(Thiago Azevedo)
Que semeia as entranhas da terra.
Criam no coração dos homens
Profundas e belas raízes
E funde minh’alma a ela.
Assim é o amor de Deus
Que semeia sua semente
No coração de todos desta terra
Amor simples, manso e profundo
Paz que brota em meio à procela.
Vento que vem de longe,
Não sabe como e nem de onde,
Vento que vem livre e semeia
Este amor que brota de Deus
Semente de amor e paz.
Deste amor rebenta também esperança
Pra este terror que não se finda
E em nossas almas, profundas feridas
Que impedem o brilho do sol pairar.
Sobre nossas almas áridas e sofridas
Desta terra, as mãos só os calos
Semeando a terra dos esfomeados
Um amor que lhes traga a paz.
Vento que vem de longe,
Não sabe como e nem de onde
Semeia o sol novamente
Para que tenhamos dias melhores
Dias de Deus em nós, dias de paz.
(Thiago Azevedo)
sexta-feira, 15 de janeiro de 2010
Fé
Caminhar sem caminho,
ver sem ter vista,
ouvir sem ter ouvido,
seguir a vida,
sem rumo,
até onde não se avista,
deixando o vento
ser o único guia
para teus sonhos,
semelhante as sementes
plantadas junto à ribanceira,
que são banhadas
pelas límpidas águas
do rio esperança.
Assim é a fé,
que certa, espera,
ama e deseja,
descansa e anseia
a próxima aurora.
Fé que tudo coopera,
para os que nada almejam,
nem fama ou glória,
querem ser sementes,
lançadas ao suave vento
da vida e da história.
(Thiago Azevedo)
Belém, 14 de janeiro de 2010
ver sem ter vista,
ouvir sem ter ouvido,
seguir a vida,
sem rumo,
até onde não se avista,
deixando o vento
ser o único guia
para teus sonhos,
semelhante as sementes
plantadas junto à ribanceira,
que são banhadas
pelas límpidas águas
do rio esperança.
Assim é a fé,
que certa, espera,
ama e deseja,
descansa e anseia
a próxima aurora.
Fé que tudo coopera,
para os que nada almejam,
nem fama ou glória,
querem ser sementes,
lançadas ao suave vento
da vida e da história.
(Thiago Azevedo)
Belém, 14 de janeiro de 2010
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