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Divulgue esta idéia

CancaodaFloresta

sábado, 30 de abril de 2011

O vento e o tempo

Meu tempo
de contra-tempo
na chuva ou cais
a espera do vento
trazer uma mensagem
ao meu coração
aflito e perdido
ansiando paz.

Este vento
voa e voa a sussurrar
segue livre sua viajem
sem saber aonde chegar
espalha minha semente
deixando-a semear
aos corações sozinhos
precisando ter quem amar
deixa o vento seguindo
para um dia encontrar.

O tempo
e o vento
um olhar perdido
no horizonte do cais
pôr-do-sol escondido
por meu perdido olhar.

Suave brisa
acaricia o luar
pois o sol foi-se sozinho
sem amor para cantar
ensina-me uma canção
pra minha viola em silêncio
poder outra vez tocar.

O vento e o tempo
dá-me um novo olhar
acaricia meus anseios
pra eu poder recomeçar
manda minha carta
pro meu amor novamente
semear...

Thiago Azevedo
Belém, 01 de maio de 2011

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Cidade morena

Esta cidade morena
teus barcos, tuas pequenas
peixe fresco, mesa farta
pirarucu, tainha e tambaqui.

Terra da chuva faceira
lágrimas de chuva roxa
da índia de pele morena
lendas chorosas de açaí.

Das terras de Súmauma
trazes novamente o céu
a grande mangueira silente
curva reverente verde véu.

A Ver bem o peso que tens
os perfumes do mercado
da vida que se faz na arte,
resultado de artesanato.

O sol se deita e dorme outra vez
sobre o manto verde cristalino
a cantar novamente ao som da viola
ao dedilhar teu sabor divino.

Desperta o amor da cidade morena
Pra ouvir apaixonada o canto do rio
fazer florir alegria tão serena
pra eu nunca mais desaguar vazio.

Thiago Azevedo
Belém 28 de abril de 2011

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Gramatomântico

Sou um experimento de poesia,
ora, apaixonado romântico,
noutra concreto, semântico,
minha poesia queria a metafísica,
dei-lhe a metalingüística,
tornei-me arremedo,
colcha de retalhos
de muitas poesias,
das pedras e passarinhos,
que rolam e gorjeiam
sem saber onde pousar.

Sou um experimento
de minha própria poesia,
da noite e do dia,
em busca de sua própria metafísica,
da meta e lingüística
romântica poesia,

é gramatomancia.

Thiago Azevedo
Belém, 26 de abril de 2011

Desvairiedade

Unidade de
uma multidão de
unidades de
um todo de
um por todos de
uns todos por nenhuma
umidade na unidade das
partes de partes de
metades de
um todo
reflexo
concreto
complexo
objeto de
um de
todo
metade de
um
todo unidade
pai,
filho e
espírito santo
trindade da
deidade
amém!

Thiago Azevedo
Belém, 26 de abril de 2011

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Tacacazeira

Nada melhor na vida
que um fim de tarde,
sol pinta amarelado
o rosto da velha negra,
suado e risonho
da tacacazeira,
que serve quente
em cuia preta,
suco amarelado
com fumaça subindo,
duas conchas de goma,
camarão grande e salgado a gosto,
jambú que faz arder os beiços
e pimenta pra fazer suar o corpo.

Fim de tarde, o calor ardente do sol
pede por uma boa, quente
e gostosa cuia de tacacá,
ao luzir de mais um poente,
vou terminando a cuia,
meus lábios tremem, sinto mais sede,
é hora de partir, escrever mais um poema
e me apaixonar outra vez...

Thiago Azevedo
Belém, 22 de abril de 2011

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Bastidores



Saiba que poetas não sabem escrever palavras belas,
apenas conseguem ver o que há de mais belo
por trás da cortina do espetáculo.

Thiago Azevedo
Belém, 11 de abril de 2011

Desvariedade

Este simples sentimento
quero emitir em versos
tão pequenos e simples
que cabem no tempo
da lira dissonante
no tom mais ofegante
na cadência sem fim.

Este sentimento renasce
tal qual a flor à luz do sol
que se espreguiça
para acordar suas cores
banhadas pelo orvalho da noite
e semeia a mais bela poesia
que já floriu em meu jardim.

Meus versos não são mais simples
são simplesmente um todo
inteiro de você
e inteiro de mim

ainda quero emiti-los
ao som da lira
reproduzindo nosso tom
num ritmo dissonante

de nossos corpos ofegantes
instrumentos de uma música
que somente nossos sexos
podem emitir e conduzir

Meu sentimento
é todo poesia
é todo santo
é todo profano

Este desvario sentimento
não consegue fazer-se síntese
é inteiro metáfora
é plenamente loucura

é o infinito
no finito
de nada...

Thiago Azevedo
Belém, 11 de abril de 2011

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Carta aos novos

Quando eu morrer
quero que não seja enterrado em cemitério,
são mórbidos e tristes,
apesar do gostoso silêncio
e do vento que parece enxugar nossas lágrimas,
não, não quero cemitérios e suas lápides,
quero ser enterrado em solo fértil,
em vez de flores, queria sementes de flores e árvores,
para que as pessoas me visitem a cada estação,
não nos finados, pois finados é dia triste,
pelo contrário,
queria ser visitado na primavera,
com suas cores vivas,
as abelhas tirando mel de minhas flores,
que eu mesmo cultivei em meu corpo,
dos namorados deitando sobre minha relva
para enamorar um pouco
e sentir o aroma da vida que brota através de mim.
Não, não quero ir para o cemitério,
lá é lugar de pena e pesar,
quero me tornar jardim,
para as crianças poderem brincar.
Não acho isso falta de respeito,
mas renovação da vida
e no outono,
minhas árvores darão gostosos frutos,
para os moleques tirarem do pé
e para atarem uma gostosa rede em meus galhos
para um bom descanso,
ou até mesmo pendurarem um balanço de pneu
e voarem através do vento.
Até no inverno teria beleza em redor de mim,
quando minhas árvores perderiam seus frondosos cabelos verdes,
desnudadas, sobrando-lhes apenas seus preciosos galhos.
Não, não quero morar numa tumba,
quero ser semente, assim como minha poesia que não morre,
eu não morreria, apenas viveria diferente,
doando-me mais, participando mais da vida,
não escreveria mais poemas, seria motivo de poemas,
não por ter partido, mas por estar vivo em novas cores e tons.

Quando eu morrer, não me enterrem,
plantem-me e me transformem em jardim,
pois, como diz o poeta,
da terra eu vim e pra ela tornarei
e por isso, não queria ser terra infrutífera,
mas terra que dá vida outra vez...

Thiago Azevedo
Belém, 08 de abril de 2011

Lidar com a morte é algo que ninguém sabe ao certo como fazer, pois todos nós nascemos finitos com mentalidade infinita da vida. Nenhum de nós consegue imaginar a ausência de algum ente querido ou nossa mesmo, temos ciência de nossa finitude, porém, nosso sentimento é de que iremos viver para sempre.
Tão certo isso, que não sabemos lidar com os nossos mortos, os enterramos em tumbas, os escravizamos em cemitérios, esperamos um dia específico para as romarias acenderem suas velas, declarem suas orações e depositarem suas flores em luto.
Descobrir novas formas de viver é arte que a poesia nos dá, não de forma física e material, porém de forma existencial, se o poeta nos disse que somos pó e a ele voltaremos, nada mais justo que integrar à mãe Terra sendo parte dela, com suas árvores e flores. Por isso defendo, não quero ser enterrado, quero ser plantado para reviver novamente e eternamente na vida de outras pessoas.
Se me indagarem sobre este pensamento, perguntando que tipo de teologia é essa direi:

"Isso não é teologia, é poesia..."

terça-feira, 5 de abril de 2011

Epitáfio

Queria sussurrar uma nova história em teus ouvidos,
voltar a ser teu herói de outrora,
deixar de ser este vilão tão maldoso
que não te deixa ser plenamente feliz.
Queira poder te colocar outra vez em meu colo,
poder sonhar contigo e rir novamente de tuas histórias,
poder ouvir-te ler, mesmo não sabendo ler uma única linha sequer
só para ter o prazer de te ver crescer mais uma vez.
Não queria não ter tempo, ou fingir que não tenho tempo,
sinto meu coração vazio e frio, como nunca antes sentira,
sinto como se não houvesse amor, paixão e nem a poesia,
sou todo nada, sem dia ou noite, companhia ou solidão.
Queria que você voltasse a ser pequena,
que tivesse o tamanho de seu sorriso,
este que meus sonhos ainda tentam alcançar,
queria que outrora não fosse...
Queria que não fosse necessário pedir perdão,
nem ao menos houvesse necessidade de demonstrar amor,
pois amor não se demonstra, se vive a cada dia.
Ah, erva daninha do tempo, por que nos deixaste assim?
Você está crescendo, mas ainda tem um frágil coração,
que não agüenta sentir-se sozinha, abandonada e vazia.
Queria ser uma lembrança boa em sua vida,
mas vejo que serei apenas um tropeço nas suas histórias.
Todo belo conto de fada tem seus vilões,
creio que serei o vilão do seu,
que aterroriza a princesa, até sua liberdade,
quando esta encontra seu príncipe e sente-se feliz para sempre...

Enquanto isso, deixo a poesia repintar-me,
como se eu pudesse caminhar contigo a brincar pelos pastos verdejantes,
ler novas histórias de criança e te fazer feliz outra vez...

Thiago Azevedo
Belém, 5 de abril de 2011

A sombra do fim sempre nos acompanha, pois como disse uma vez o poeta, nem bem nascemos e já começamos a morrer, com isso, a vida vai se marcando com arrependimentos de coisas que deveríamos fazer e pessoas que deveríamos amar melhor.
O que nos faz desviar tanto assim nossos sentimentos?
A poesia se torna uma via para deixar divagar sobre esta tão dúbia forma de amar, a tal ponto de sempre nos arrependermos de sentir assim, como quem está à beira da morte e começa a esquadrinhar suas histórias e frustrações com a vida.

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