descanse a alma nos braços da alva
e fizer meu leito à sombra da mangueira,
de quê vale, sem o alento do amor?
É como sentir frio, apesar de aquecido,
é viver uma eterna ausência
com a casa toda em festa,
é o cantar solitário do passarinho,
é viver uma certeza inútil,
é andar ao luar,
sem a companhia da lua.
Amor é semente de divina graça
semeada na melodia do vento,
é gozo em meio ao sacrifício,
viver na esperança do hoje,
como se fosse pra sempre momento.
É poesia de Drummond
e canção de Cartola,
é tornar-se poeta,
sem tecer uma única palavra,
ou desenhar qualquer melodia.
É vencer a morte,
mesmo que morrendo,
é viver a dor da ternura
e ter a razão ferida
pela não razão do amor,
é falar todas as línguas,
sem pronunciar uma única palavra,
é deixar às mágoas esquecidas
no calor do silêncio.
é tudo saber
e nada esconder,
é luz na escuridão
e cruz que salva,
é ser em si apenas
e serenidade na tormenta,
é morte que prova
além do fogo da paixão.
O que será do homem
se não seguir o amor?
É viver o céu sem o paraíso,
navegar o rio adentro,
sem a lágrima da nascente
que rega cada pétala de flor.
Ainda que ande às margens da morte,
e a roseira não floresça
à mais bela das primaveras,
o amor a tudo isso resiste,
é espelho que desnuda,
é coberta que protege
e esperança que persiste,
só ele engrandece o aprendiz
e faz humilde o mestre.
O amor
tudo prova,
tudo suporta,
tudo faz,
tudo é,
para todo sempre,
é amor acima de tudo...
Thiago Azevedo
Marituba, 09 de novembro de 2011
Fiz uma tentativa de pensar o amor numa perspectiva a partir de Drummond, Gibran, Paulo e Davi nos Salmos.
A princípio queria escrever uma canção, mas a coisa foi fluindo e não consegui parar, então segui o conselho do profeta, parafraseando...
"Quando a poesia te vier, segui-a, embora seus caminhos sejam ásperos e escarpados..."






0 comentários:
Postar um comentário