
Passa o dia
e o raiar poente,
passa a primavera
da temporã semente,
também a infância,
junto a idade da gente.
Passa o homem
e a menina mulher,
passa a pressa,
passa e não fica,
passa o padre,
o pastor e o bispo,
passam e não ouvem,
o clamor e o suplício.
Passa o vereador,
o prefeito e o governador,
passam sem ver,
fingem passar e esquecer.
Tudo vem e passa,
passa o vento,
passa a chuva,
passa lento,
a dor e o tormento,
passa o luto e a luta,
passa a esperança,
passa a fé,
passa o fardo,
que pesa e cansa,
passa o amor
e a serena flor,
que o vento balança,
passa tudo,
fica nada,
até quem sofre,
passa na vida,
que surge perene
e infinita definha...
Thiago Azevedo
Belém, 16 de outubro de 2010





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