Num canto escondido,
por ninguém percebido,
com vergonha de sua mutilação,
humilhado e julgado,
por causa de sua mão,
pobre hebreu mirrado,
coração partido,
imerso em solidão.
Muito mais que mirradas mãos,
mutilados por todas as leis,
está o pobre coração,
cheio de mágoa e culpa,
não encontras na lei o perdão,
precisas de alforria desta prisão,
que te fez triste,
pobre coração.
Pequena ovelha perdida,
esquecida na cova dos leões,
estende a mim tua mão,
te curarei no sábado,
por que não?
Vales mais que toda multidão
de leis que aprisionam,
teu pobre coração.
Vai na paz e no bem,
nesta liberdade que agora tens,
chega de esconderijos,
chega de mutilação,
muito mais que mão mirrada,
restaurou também o coração,
para uma nova vida
com mais perspectivas
de amor, paz e perdão.
(Thiago Azevedo)
Belém, 21 de janeiro de 2010





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