Amanari, Amanari,
por que partiste?
Por que te foste?
Deixaste seduzir por este mundo,
tão confuso, tão obtuso, tão artificial,
este mundo de brancos.
Agora que foste,
não há mais nada
não há mais chuva.
Trocaste o desconforto confortável do mundo índio
pelo conforto desconfortável do mundo branco.
Agora és pequeno Amanari,
não és ninguém, és nada,
apenas mais um tinga.
Neste pequeno espaço,
lutas por teu pão diário,
sofres com o trabalho pesado,
trabalhas não para ti,
mas pra outro alguém.
Vai pela calçada
um casal branco,
vê ali Amanari,
estirado no chão,
morto e esquecido
eles passam e vão
deixando Amanari
estirado no chão.
Por que não és mais Amanari?
Deixaste de ser eterno,
deixaste de ser lembrança,
deixaste de ser índio,
deixaste de ter esperança.
Junto com Amanari,
tudo se vai,
toda a história,
toda memória.
Não há mais mito
não há mais floresta
não há mais indígenas
há apenas este Belo Monte.
(Thiago Azevedo)
Belém, 16 de fevereiro de 2010
Glossário
Amanari - do Tupi, Água de Chuva
Tinga - do Tupi, de cor branca





Um belo poema muito lindo.
ResponderExcluirQue continue abençoando sua vida !
Shalom