Folheio o jornal de domingo,
separo o caderno de empregos,
busco um trabalho novo,
um trabalho que não dê trabalho,
um trabalho que me dê sustento,
um trabalho que me dê
a possibilidade de poder viver.
Nada encontro, nem sou encontrado,
vejo que não existe,
não há como viver intensamente,
sob a égide do trabalho,
que cansa a alma,
que atormenta o espírito,
que consome o corpo.
Fecho o caderno,
arrumo o jornal
e o jogo fora,
continuo a procurar,
continuo no meu velho emprego,
a trabalhar para sustentar o corpo,
enquanto isso,
minha alma definha,
agoniza lentamente,
ante a possibilidade,
de me tornar um mero escravo
da necessidade.
(Thiago Azevedo)
Belém, 07 de fevereiro de 2010





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