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CancaodaFloresta

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segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Canção do Guamá

À beira-mar, fim de tarde
O sol se despede neste ver-o-peso
Deste meu rio que é Guamá
Paro penso no rio que se faz por lá
De bem longe que às vezes esqueço
Conhecimento vago na mente
E imagino sem saber o que pensar.

A chuva em Belém que se faz faceira
Rega a poesia e a mangueira
Diferente do Rio que cai torrente,
Um rio que não se faz poesia,
Desabriga o amigo ou inimigo
Desfaz o que vê pela frente
Longe assim, como poder avisar?

O choro que cai no rio Guamá
É o mesmo lamento que chega até lá
No cais deste meu porto
Este Ver-O-Peso da minha esquina
Sabe o tamanho que pesa em mim
Ver em desalento o oprimido
Sem saber como consolar.

Rio Guamá de Botos e Iaras
Proteja e leve meu canto
Enxuga um pouco o pranto
Daquele rio que se faz por lá
Viaja mudando teu nome
Com um pedaço de meu peito
Que se desfaz no chorar.


Thiago Azevedo
Belém, 28 de janeiro de 2011


O Rio, assim como a chuva, possui contrastes que se moldam em nosso país, a chuva que cai no norte não é a mesma que se faz no sudeste, isso se torna evidente após a tragédia que ceifou milhares de vidas e deixou outra multidão à mingua de pão, água e abrigo. Como olhar e pensar esses acontecimentos estando tão distante na presença? O que a TV nos mostra, dá apenas impressões, mas o que sentir? Fazer, podemos todos, quando nos dispomos a ajudar, mas mesmo assim, como sentir a dor dos pais que perderam seus filhos, filhos que perderam pais e os amores que se separaram pela dor da morte?
Tentei imaginar, tentei pintar o quadro de consolo e choro ante esta realidade, que mesmo distante na geografia, sempre estaremos próximos quanto à humanidade...

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Semeadura

No arar desta terra
banho de sol e chuva
semente e chão
semeadura.

Pés no chão
dança e pisadura
no lagar, uma canção
vinho da uva.

Luz dourada
no caminho de trigo
semeada ao vento
o voar sem destino.

Assar do pão
esmagar do trigo
levedar da massa
vento e moinho.

Uma roda de viola
risos, convívio e canção
amigos a compartilhar sonhos
entardecer de celebração.

Thiago Azevedo
Belém, 24 de dezembro de 2010

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Casa de Farinha


No roçado de mandiotuba
Raiz de mandioca brotou,
Braquinha, cruvela, engana-ladrão,
Tantos nomes, uma visão.

Palavra semeada na terra
Floresce como maniva,
Meu coração é manipeba,
Na água amolece minha vida.

Casa de farinha,
Mandioca triturada,
Meu ser no fogo torrada,
Farinha pura tirar.

Deus, peneira minha vida,
Pra purificar minha essência,
Pai, nesse mundo de carência,
Manipueira não queria.

Sou farinha de mandioca,
Da palavra semeada,
Alimento de gente necessitada

Deus fazedor de farinha,
Celebrar na farinhada,
Cantar num som brasileiro
A alegria dessa toada.

(Thiago Azevedo)

terça-feira, 12 de maio de 2009

Poeminha sem tema


Poeminha sem tema
Influenciado por Vinícius
Vem contar que o lema
É construir desde o início

Palavrinhas cortantes
Falam o que antes
Ninguém quer ouvir
Com medo de sentir

Coisinhas do não ser
Porque todos querem ter
Para não deixar que exista
Amor que sobreviva

Amorzinho que de tão ausente
Talvez não exista no presente
Nem no passado ou no futuro
Tudo ainda é obscuro

Poeminha sem tema
Vive a beleza da tristeza
De estar sozinho
Buscando um caminho

Para um coraçãozinho
Viver um amor
Que sinta o ardor
De não ser mais sozinho

(Thiago Azevedo)

Elegia da Alma


Onde andas continuamente ó alma minha?
Que por tanto procurar, não consegues ver
Que os tristes desencontros te deixam desorientada
O fim do teu percurso te fez fatigada?

Onde andas todos os tempos longe dos passos?
Que deveríeis andar em todos os compassos
Traçados pelo teu destino,
Hoje andas desatinado pelo tempo e espaço

Por tanto procurar repouso, não encontraste
Onde reclinar tua vida, tão triste e sofrida
Por causa das buscas, não encontraste a paz
Todos os dias perguntas onde estas?

O tempo tem sido um inimigo voraz
Pois a cada contra-tempo
O escuro da noite vem ao teu encontro
Não te poupou desse desconforto

Quando estiveres sem o vigor da vida
Verás que todo o penar e sofrer
Te tornarão sábio, porém senil
Enfim a paz há de ser eterna

Ao teu último acordar entenderás
Que tudo não passou de um sonho

(Thiago Azevedo)

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