Traidor!
Um grito forte ecoa no ar,
Na minha pobre mente
E em meu coração,
Forte a palpitar.
Criminoso!
Não queria isso,
Não imaginei esse conflito,
Desejei apenas revolução,
Mas trouxe à ruína
Alguém que chamei de irmão.
Hipócrita!
Sonhava uma nova realidade
Para meu povo sofrido.
Liberdade a todos,
Escravizados, martirizados.
Não pensei no fim
Que ia dar.
Inocente!
É só o que penso.
Não o vejo revidar
Nenhuma acusação,
Não o ouço falar.
Por que se deixar culpar?
Culpado!
Será que tenho perdão?
Há para mim salvação?
Pelo brilho das moedas
Um fardo duro de carregar.
Fui seu algoz,
Angustiante de suportar.
Dor!
Só vejo a escuridão,
O céu pranteia sua perda,
A terra clama por seu sangue,
Um campo infértil.
O que posso fazer?
Só posso lamentar.
Morte!
Não vejo mais saída,
A não ser entregar a vida.
Esse abismo me acomete,
Minha alma, fenece,
Estrangula meu ar.
Meu Deus me perdoe...
Vou me matar!
(Thiago Azevedo)






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