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CancaodaFloresta

sábado, 15 de agosto de 2009

Maniçoba

Tudo começa com maniva,
A carne-seca não esqueça,
Com porco é carregada
De lingüiça, lombo e orelha,
O rabo vai junto com toucinho,
Precisa cozinhar bem direitinho.

A gosto, pimenta-de-cheiro e alho,
Pra tudo ser bem temperado.
Esse prato é mui amado,
Prato gostoso, indispensável.
Aos que ainda são visitantes,
Alimento sempre recomendável.

Quatro dias deve antecipar
Essa estranha feijoada,
Cozer a base de maniva,
Que vem da roça de mandioca.
Mas nem todo mundo pode
Se aventurar a cozinhar.

Para poder iniciar,
No primeiro dia a raiar,
Acrescente primeiro a maniva,
Numa panela e água a fervilhar,
Deixe dormir em fogo brando,
Sem deixar a água secar.

Vem o segundo dia,
O porco vai acrescentar,
Todos os seus derivados,
Na panela a carregar,
A panela vai continuar fervendo,
Enquanto a noite durar.

Abrindo o terceiro dia,
A carne-seca escaldar,
E junto à maniva, deves misturar,
Vai mexendo o dia inteiro,
Mas nunca se esquecendo,
Fervendo sem parar.

Finalmente o último dia,
Pra terminar de cozinhar,
Acrescente alho espremido
E pimenta a temperar.
Mexe às vezes e constante,
Mais seis horas fervilhar.

Sirva com arroz branco,
Ou farinha da mandioca.
Sirva na cozinha, ou na rua,
Qualquer lugar, não importa.
Feijoada dos paraenses
Ela se chama maniçoba.

(Thiago Azevedo)

Um comentário:

  1. Oie querido Thiago, gostei muito da poesia da Maniçoba, da rima poética com que escreves. Só não gostei por ter aguçado mais ainda a vontade de conhecer e apreciar este tão rico e apetitoso prato típico da sua região =D.

    Um abraço.

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