Na minha terra, tem mangueiras,
Têm tantas que não se pode contar,
Que nos aufere um belo fruto,
E os moleques na rua
Esmeram-se em catar.
Na minha terra, tem um túnel de mangueiras,
E suas sombras o fazem tão belo
Mas tome muito cuidado,
A manga pode fazer um machucado,
Seu fruto mira das alturas,
O cocuruto desavisado.
Na minha terra, tem mangueiras,
Frondosas e senhoras,
Observando-as cuidadosamente,
Contam-nos belas histórias.
De passados memoriais,
Essas belas colunas vivas,
Majestades colossais.
Na minha terra, tem uma mangueira,
Apenas uma sobreviveu,
Já não tem suas folhas,
Até seu fruto feneceu,
Todas suas irmãs morreram,
Em meio ao descompasso
Do ferro e o concreto.
Não há mais histórias,
Nem moleques atoa de prosa,
Não há sombra e nem túnel
Apenas uma velha árvore
Como nossa alma,
Morre, lúgubre.
(Thiago Azevedo)






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