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CancaodaFloresta

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Passados e fracassos

Sinto-me como quem perde
Num jogo arriscado de azar,
Onde a vida é minha maior adversária,
Não me deixa ganhar,
Nem ao menos tentar.

Vivo focado em um alvo
Que penso nunca alcançar,
E fico absorto, como alguém morto,
Concebendo um novo futuro,
Através de um outro passado,
Imaginando como seria
Recomeçar.

Sinto-me como quem se arrepende
De todos os incontados erros,
Marcados por decisões imprudentes
E os efeitos de atos incoerentes,
Levam-me a esse trágico incoveniente.

Recomeçar seria um meio de mudar,
Mas vejo tudo embaçado e sem jeito,
Como um nó atado e cego.
Sinto-me como alguém só
Que nessa escuridão tão densa,
Obscurece, anuvia minha vista
E tira a poeira de meus medos.

Sinto-me como quem sente,
Sente um medo profano,
De algo assim sem tamanho,
Que provavelmente não vê
E nem mesmo sabe por que.

Medos que havia enterrado,
Sob um túmulo fundo e vago,
Reservado aos meus mal-passos,
Sombras sem vida, há muito esquecida
Que havia em meu coração.
Agora vem como quem ressuscita
E me toma pela mão.

Sinto-me como quem deixa,
Deixa tudo isso vir à tona,
Tal qual um turbilhão
Que me convida a entrar
No núcleo de um furação.

E nos jardins do passado,
Lembrando de meus antigos medos,
Como o do profundo escuro,
Ou no armário, o monstro obtuso.
Hoje já sou um adulto e tenho novos,
Que me causam tamanho pavor,
Dentre todos, há um que é maior.

De fracassar em tudo,
Principalmente no amor...

(Thiago Azevedo)

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