em meio às palavras e parábolas,
um sentimento exposto,
uma ferida exposta,
uma ausência sentida,
uma necessidade latente,
um pai a espera no portão,
olhar perdido para o horizonte,
um álbum de infância no colo.
Está lá, não digas que não,
nas entrelinhas da profana poesia,
tão profana, porém tão sagrada,
ele fugiu do céu não para salvar,
mas para ser salvo
desta angustiosa necessidade de abraçar
e amar intensamente outra vez.
Está lá, bem latente,
uma saudade que pulsa,
o coração que dói
por esta sofrida ausência,
este lado vazio no banco,
a voz flutuando no vazio,
o jardim não parece mais tão belo,
o pôr-do-sol traz somente recordações
de quando a casa tinha mais vida,
agora, um poço de interrogações.
Afinal, está lá,
para quem quiser ler,
até mesmo um Deus
pode ter suas próprias interrogações,
seu próprio sentimento de vazio,
sua própria necessidade de sentir-se às vezes
um pouco mais humano...
Thiago Azevedo
Belém, 11 de março de 2011
Gosto dos paradoxos, de brincar um pouco com a profana idéia de um Deus que sente saudades, possui suas próprias interrogações, interrogações de Deus, quem pode sondá-las?
Olhando o rio, e deixando-se sentir um pouco de saudades de coisas ou situações que não consigo descrever, percebi que todo este sentimento, nos faz sentir dúvidas, anseios e angústias. Porém, nas entrelinhas do texto sagrado, percebemos isso também, na parábola do pai amoroso, quando este olha longe o filho voltar, como se sempre o estivesse esperando, angustiosamente aguardando seu retorno, pronto para abraçá-lo. Todo este sentimento de ausência fez com que o pai perdesse um pouco o sentido das coisas e da vida.
Outro momento que pode-se notar esse sentimento é quando Jesus fala sobre a dor que sentia por sentir-se rejeitado e se comparou a galinha ao tentar protejer seus filhotes sob suas asas.
Se lermos os textos com o olhar da poesia, perceberemos o quanto isso é latente e podemos ousar dizer que até Deus tem seus momentos de sentir, nesta ausência de companhia, que tudo não tem sentido...






Thiago,
ResponderExcluirJá nem há mais o que dizer sobre seus escritos... simplesmente maravilhosos, beirando à perfeição!
Beijos, querido!
Tati fico vermelho quando você diz isso. Valeu mesmo. Abração!!
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