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CancaodaFloresta

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Porto Seguro (Thiago Azevedo e Fabrício Matheus)



Segue mais uma bela parceria entre meus amigos, esta música tem uma particularidade, encaminhei a letra para o Fabrício e para o Gladir musicarem, imaginava algo semelhante ao que fizemos no Canção para o Rio, um composição à seis mãos, porém, algo curioso aconteceu, praticamente simultaneamente os dois me encaminharam melodias diferentes e posto o dilema entramos no consenso de que esta seria composta de um poema e duas músicas e o mais engraçado, é que ouvindo uma depois da outra, sinto que elas se tornam uma canção só.

Esta é a que compus com o Fabrício, é uma gravação caseira e o Fabrício estava com gripe, espero que se recupere logo.

Porto Seguro

O sol desponta no dia
Descortinando a maré
Barco navega na lida
Do pescador que tem fé
A esperança é mais viva
Pro coração bendizer.

Na noite enluarada
Meu barco quer atracar
Rumo à nova jornada
Ver outra flor rebentar
E ver pairar na janela
O canto do sabiá.

Minha certeza é perene
Tal qual manga no pé
Segue na trilha perdida
Desfaz tudo o que quer
Minha certeza é perene
Tal qual onda e maré
Segue sem prumo, sem leme,
Ou ancoragem qualquer.

Porto seguro, meu guia
Pra descansar os meus pés
Traz um renovo, anuncia
Fogo que pode aquecer
Faz debruçar o cansaço
Partir pro abraço do Pai.

Belém -- Rio de Janeiro, 25 de Maio de 2011.
Thiago Azevedo e Fabrício Matheus

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Adoração

Bem-te-vi,
bem que viu,
arco-íris rebenta no céu,
colorir multicor o chapéu,
sorriso da criança a brincar,
nova primavera de flor,
bem-te-vi a voar e voar.

Bem-te-vi,
bem que viu,
uma garoa, beijos de amar,
as mãos dadas, caminhar,
afagos da mãe, favos de amor,
café e bolo no quintal,
bem-te-vi a olhar e sonhar.

Bem-te-vi,
bem que viu,
semeando nova canção,
soa calma, uma oração,
sob as estrelas, o luar,
a passarada em seresta,
bem-te-vi a adorar e voar...

Thiago Azevedo
Belém, 23 de maio de 2011

sexta-feira, 13 de maio de 2011

O muro

A cada pedra erguida
ao suor de nossas alegrias
sofridas, sentidas, vividas,
escritas, de-scritas em prosa
e em versos de poesia,

meu violão solitário dedilha
cada lágrima contida
em lençóis úmidos, escondida,
o teu choro despido,
refrão de uma canção perdida.

ah, saudades do tempo
quando tudo era mais simples,
só nós dois e nossos sonhos,
o céu era mais azul e intenso,
agora, neblina e temporais

e mais uma pedra erguida,
de calos, sangue e suor,
mesmo apesar de tudo,
somos carregados de sonhos,
de vôos em céu azul reluzente.

as pedras que erguemos
do percurso que seguimos,
são para subirmos novamente
no muro que nos escondeu o sol
e começarmos tudo outra vez.

Thiago Azevedo
Belém, 13 de maio de 2011

sábado, 7 de maio de 2011

Como faz pra não te amar?

Esta terra que é semente
onde brota a mais bela poesia
em forma de manga de mangueira
regada pela bela chuva de todo dia.

Ah que terra mais bela
que se modela nas mãos do escultor
de Icoaraci, o mestre mais dedicado
escreve a história com escolhido barro
verso esculpido das mãos do criador.

Caranguejada que vem fresco do mangue
numa mesa farta de cerveja e amigos
violão, voz rouca e o batuque do curimbó
rodopia, rodopia a cabloca morena
ao cantar suas lendas de carimbó.

As lágrimas nascidas de Iaçá
sustenta alimentando este povo
junto, depois ou o próprio almoço
a rede na varanda, descansar.

O tempo que te corre devagar
esta terra de paz e nostalgia
a juventude que não se faz passar
dos poetas nas praças e esquinas.

Minha velha poesia
não cansa de te falar
Pará terra querida,
como faz pra não mais te amar?

Thiago Azevedo
Curuçá, 07 de maio de 2011

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Esperança

Solta as redes deitadas no cais
iça nas águas tuas velas recolhidas
da vida que se fez sentir ferida
desata os nós que te prende aos ais.

Navega o rio de teus temores
o vento sopra em bravio torrente
a ausência na alma é latente
a fraquejar por faltar teus amores.

Esperança solitária fica no cio
por um sol que possa novamente raiar
navegar outra vez em noites de frio
sem horizonte, à deriva, sem lar.

Desfaz a teia destes tristes nós
costura novamente tua rede
brada com furor tua voz.

Põe teu barco novamente em frente
abandona esta tua vida cadente
livra as tuas mãos do algoz.

Vai, acha outra vez o norte
perdido no teu caminho
lute sempre até a morte

por teus sonhos, fé e amores
reconstrói o barco da tua vida
para o sol vir a ti com novas cores.

Thiago Azevedo
Belém, 06 de maio de 2011

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