A poesia é transgressora
dos sentimentos que se procura esconder,
o que está oculto, os versos trazem à tona,
como a nascente revelada pelo furor da cachoeira,
ou da palavra que quer permanecer em silêncio,
entretanto a poesia,
encontra a língua que abusa de metáforas
e ousa viver à mercê de seus neologismos.
Para viver a poesia,
é preciso transgredir-se,
deixar-se vulnerável em palavras que fortalecem,
é viver paradoxos,
incompreender o que é compreensível,
ver no banal, o essencial,
é não ter controle de si mesmo.
No fim, a poesia te fará um ser humano melhor,
não por ser perfeito,
pelo contrário,
mas por mergulhar na imperfeição
e ver-se inteiramente fragilizado,
inteiramente sentido por si mesmo
e finalmente,
inteiramente humano...
Thiago Azevedo
Belém, 26 de fevereiro de 2010
sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011
sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011
Moldura...
Minhas palavras deram uma pausa
necessária para me readaptar
à parede de minha nova moldura.
neste meu novo retrato,
há uma imagem meio turva,
não é branco e preto,
não é colorida e nem sépia,
não é nova ou velha,
que fotografia esconde esta moldura?
Que palavras serão ditas
após minha vista se acostumar
com o que vê no novo retrato?
Enquanto isso,
o silêncio que atordoa meus versos,
são de uma necessária ausência,
de mim mesmo em mim mesmo,
para compreender esta imagem
que se molda em minha parede.
O dia se deita no oeste,
a música silencia em seu último acorde,
o silêncio se finda ao voltarem às palavras
e a poesia se resignifica,
tal como se faz com as fotografias
e as molduras de parede...
Thiago Azevedo
Belém, 18 de fevereiro de 2010
necessária para me readaptar
à parede de minha nova moldura.
neste meu novo retrato,
há uma imagem meio turva,
não é branco e preto,
não é colorida e nem sépia,
não é nova ou velha,
que fotografia esconde esta moldura?
Que palavras serão ditas
após minha vista se acostumar
com o que vê no novo retrato?
Enquanto isso,
o silêncio que atordoa meus versos,
são de uma necessária ausência,
de mim mesmo em mim mesmo,
para compreender esta imagem
que se molda em minha parede.
O dia se deita no oeste,
a música silencia em seu último acorde,
o silêncio se finda ao voltarem às palavras
e a poesia se resignifica,
tal como se faz com as fotografias
e as molduras de parede...
Thiago Azevedo
Belém, 18 de fevereiro de 2010
sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011
Rascunho
Minha poesia é um eterno rascunho
em busca de finalizar a si mesma
quando o sol se põe a oeste do monte.
Meu lápis é o profeta de meus versos
em caligrafia mal enquadrada
de um amor que não compreendeu.
As pautas que guiam meu horizonte
fazem-me perder no infinito
olhar e coração navegarem distantes.
Minha poesia é uma linha rabiscada
história em forma de rascunho
cruza a vida para reinventar o mundo.
Thiago Azevedo
Belém, 12 de fevereiro de 2011
O rascunho é a busca perpétua pelo crescimento, melhoria, evolução e para tal, assim como a borboleta que sucede a larva. A vida reinventa o mundo e reflete a poesia que se rascunha numa linha infinita do horizonte, refletindo a eternização através do sentimento que se reflete em forma de palavras, ora desconexas, ora ligadas e compreensíveis.
No fim, todo poeta é um modelo de rascunho que não se preocupa em terminar, entretanto, apenas viver mais uma nova experiência em forma de verso.
em busca de finalizar a si mesma
quando o sol se põe a oeste do monte.
Meu lápis é o profeta de meus versos
em caligrafia mal enquadrada
de um amor que não compreendeu.
As pautas que guiam meu horizonte
fazem-me perder no infinito
olhar e coração navegarem distantes.
Minha poesia é uma linha rabiscada
história em forma de rascunho
cruza a vida para reinventar o mundo.
Thiago Azevedo
Belém, 12 de fevereiro de 2011
O rascunho é a busca perpétua pelo crescimento, melhoria, evolução e para tal, assim como a borboleta que sucede a larva. A vida reinventa o mundo e reflete a poesia que se rascunha numa linha infinita do horizonte, refletindo a eternização através do sentimento que se reflete em forma de palavras, ora desconexas, ora ligadas e compreensíveis.
No fim, todo poeta é um modelo de rascunho que não se preocupa em terminar, entretanto, apenas viver mais uma nova experiência em forma de verso.
segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011
Projeto Canção do Rio - Águas de Março
Queridos amigos, respondendo a um grande desafio do momento, Gladir Cabral, Fabrício Matheus, José Barbosa Júnior e eu estamos envolvidos num projeto de criar uma série de sambas de lamento. A idéia é desabafar junto com o povo e buscar consolação, solidariedade, alguma esperança possível diante da forte correnteza do desânimo e do abatimento geral.
Aqui está nossa segunda canção: “Águas de março”, clara citação à canção de Tom Jobim, feita em sua casa em São José do Vale do Rio Preto, infelizmente destruída pelas últimas chuvas.
Águas de março
Águas de março, tão fora do tempo,
Tão antes de a gente esperar
Tomam espaços, navegam no vento
E fazem o povo chorar
Rios de dores carregam as flores
E os nossos amores pro mar
Quem é que dá a palavra de ordem
E que faz toda água voltar?
É pau, é pedra, é toco
É fim de mundo, é ribanceira
É samba que perdeu o tom [tudo]
É campo sem peroba
É matita sem pereira
É verso que não fica bom
Águas de março, tão fora do tempo
Que até Deus se fez lagrimar
Velha mangueira ficou em silêncio
Pra longe se foi sabiá
Falta de teto, de chão e abrigo
O sol escondido do olhar
Rio de pranto, uma chuva de prata
O céu desatou a chorar
Águas de março, tão fora do tempo
Que fazem o leito jorrar.
Boa lareira que fez-se poeira
E trouxe mais cinza ao luar.
Sonho contido, retrato perdido
Daquilo que um dia foi lar.
Lado de dentro jogado na rua
E a rua perdida a chorar.
Rio quer tanto, uma nuvem de graça
Que faça essa gente cantar.
Gladir Cabral, Thiago Azevedo e Fabrício Matheus
Fonte: www.gladircabral.com.br
segunda-feira, 31 de janeiro de 2011
Canção do Guamá
À beira-mar, fim de tarde
O sol se despede neste ver-o-peso
Deste meu rio que é Guamá
Paro penso no rio que se faz por lá
De bem longe que às vezes esqueço
Conhecimento vago na mente
E imagino sem saber o que pensar.
A chuva em Belém que se faz faceira
Rega a poesia e a mangueira
Diferente do Rio que cai torrente,
Um rio que não se faz poesia,
Desabriga o amigo ou inimigo
Desfaz o que vê pela frente
Longe assim, como poder avisar?
O choro que cai no rio Guamá
É o mesmo lamento que chega até lá
No cais deste meu porto
Este Ver-O-Peso da minha esquina
Sabe o tamanho que pesa em mim
Ver em desalento o oprimido
Sem saber como consolar.
Rio Guamá de Botos e Iaras
Proteja e leve meu canto
Enxuga um pouco o pranto
Daquele rio que se faz por lá
Viaja mudando teu nome
Com um pedaço de meu peito
Que se desfaz no chorar.
Thiago Azevedo
Belém, 28 de janeiro de 2011
O sol se despede neste ver-o-peso
Deste meu rio que é Guamá
Paro penso no rio que se faz por lá
De bem longe que às vezes esqueço
Conhecimento vago na mente
E imagino sem saber o que pensar.
A chuva em Belém que se faz faceira
Rega a poesia e a mangueira
Diferente do Rio que cai torrente,
Um rio que não se faz poesia,
Desabriga o amigo ou inimigo
Desfaz o que vê pela frente
Longe assim, como poder avisar?
O choro que cai no rio Guamá
É o mesmo lamento que chega até lá
No cais deste meu porto
Este Ver-O-Peso da minha esquina
Sabe o tamanho que pesa em mim
Ver em desalento o oprimido
Sem saber como consolar.
Rio Guamá de Botos e Iaras
Proteja e leve meu canto
Enxuga um pouco o pranto
Daquele rio que se faz por lá
Viaja mudando teu nome
Com um pedaço de meu peito
Que se desfaz no chorar.
Thiago Azevedo
Belém, 28 de janeiro de 2011
O Rio, assim como a chuva, possui contrastes que se moldam em nosso país, a chuva que cai no norte não é a mesma que se faz no sudeste, isso se torna evidente após a tragédia que ceifou milhares de vidas e deixou outra multidão à mingua de pão, água e abrigo. Como olhar e pensar esses acontecimentos estando tão distante na presença? O que a TV nos mostra, dá apenas impressões, mas o que sentir? Fazer, podemos todos, quando nos dispomos a ajudar, mas mesmo assim, como sentir a dor dos pais que perderam seus filhos, filhos que perderam pais e os amores que se separaram pela dor da morte?
Tentei imaginar, tentei pintar o quadro de consolo e choro ante esta realidade, que mesmo distante na geografia, sempre estaremos próximos quanto à humanidade...
Assinar:
Postagens (Atom)








