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Divulgue esta idéia

CancaodaFloresta

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Dissonância

O que é tão dissonante
do que o rio na contra-mão?
Um rio que toma o asfalto,
ou o asfalto que asfasta com a mão?

Rio que corre na beira,
faz germinar o chão?
asfalto que resseca a ribeira,
não deixa nascer nem um grão?

Dissonância inocente,
moleque que pula em ribeirão,
rio que molha a gente,
vai pro céu e volta então.

Asfalto é enchente,
calor e moderna opressão,
no vai e vem dessa gente,
na desenvolvida ilusão...

Thiago Azevedo
Marituba, 15 de dezembro de 2011

As cidades cada vez mais tomam conta do espaço que dantes eram das florestas, dos rios e mares. Isso, por mais que tentem negar, tem gerado impacto direto na vida das pessoas, pois a água das chuvas que antes tinham pra onde ir, não tem mais, as cidades com pouca estrutura, acabam sofrendo as catástrofes naturais de um planeta que geme, com "gemidos inexprimíveis" o anseio que se tornar aquilo que fora um dia, um lugar para todos...

Creio que Deus tem deixado a terra se vingar daqueles que a massacraram quando deveriam cuidar e cultivar...

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Tempo

na claridez repentina
dissipa toda neblina
e refaz todo o caminho
volta ao tempo menino.

a chuva sobe à nuvem
o rio mergulha nascente
o adulto cresce mindinho
e voa com intenção do ninho.

na escuridão tão vizinha
cresce ao passo de um tempo
carrega tão breve história
no presente, perene momento.

floresce a luz do abraço
na claridez repentina
envolve como a um laço
a tua vida na minha.

Thiago Azevedo
Marituba, 13 de dezembro de 2011

O amor é capaz de nos fazer voltar no tempo e fazer da pessoa amada tão especial, como se fosse sempre a primeira vez que fosse amada.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Fulgás

uma lágrima caída
pela dor que me retém,
um sentir-me numa ilha,
a solidão de um refém.

a mais dorida poesia,
lágrima de escrever,
lamento e melancolia,
a voz se faz emudecer.

lágrima de esquecer,
a palavra mais sentida,
vai solta na ventania,
poesia de florescer.

tudo é ilusão,
a mais fulgás brisa,
o olhar que lagrima
e sonhos de adormecer.

Thiago Azevedo
Belém, algum dia de 2011



Este poema estava perdido no meu computador, acho que não havia gostado dele à princípio, ou se queria transformá-lo em canção. Hoje folheando as pastas perdidas o vi, abandonado e sem nome, entretanto, havia me tomado por inteiro e pedindo que fosse terminado, então cumpri seu desejo.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Salmo 139



Mais uma música feita por mim, ainda não está acabada e creio que nem perto disso, mas é uma forma de tentar manter sua produção a salvo, caso perca de alguma forma. Desculpem também pela voz, desafinei pra caramba e a gravação é caseira, bem caseira também é só pra passar a idéia da música mesmo.

A idéia é falar sobre o salmo 139, de que não podemos nos esconder de Deus e de seu amor, por mais que procuremos isso, é inevitável, pois como diz o texto, ele nos sonda, mesmo que nos escondamos nas asas da alvorada ou façamos nosso leito no horizonte do mar, esse é o amor de Deus por nós, do bom pastor que vai atrás da ovelha perdida e não mede esforços para ver sua criação bem e feliz.

Salmo 139

Quem consegue
esconder a dor
se nem a flor
o seu silêncio
oculta ao jardim?

Qual a lágrima
do autor
o singelo amor
cantará
o coração
sem se ouvir?

Quem poderá
negar todos os fatos
os seus olhos fechar?
Quem poderá
ficar sem a luz do dia
sem o som da poesia
do sabiá?

Quem sentirá
vir a brisa
no horizonte
lhe avisar
que nas ondas
vem o mar?

Quem seguirá
o convite do luar,
da fogueira
e do amor
quem cantará?

Se repousar
meus poemas de alvorada
nos encantos do além-mar
e nas montanhas
fizer o meu lar
sem teu amor
o que será?

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Lágrimas de Iaçá

Ah! Mãe de todas as águas,
Iaçá chora por teus filhos
que já não estão mais,
tua orla não é mais a mesma,
Iaçá caminha desolada,
seu líquido é escuro,
mas não é de fruta,
é batido,
mas não alimenta,
nele só há dor
sentido pela ausência,
é amargo demais,
azedou a vida
que não é mais a mesma,
há muitos gritos,
mas não das crianças de Icoaraci,
é do líquido
que semeou tua terra,
mas não floresce vida,
apenas dor e ausência.
Até quando Juraci?
Farás tuas urnas
ornando com sangue,
teus símbolos marajoaras?
Não há mais crianças,
não há mais cirandas,
não há mais canções,
não há mais cerâmicas,
não há mais o giro da roda do oleiro.
Por que estás em silêncio Juraci?
Até quando permitirás o choro de Iaçá?
Até quando as águas de Icoaraci serão carmesim?
Até quando?

Thiago Azevedo

Belém, 30 de novembro de 2011



Glossário - Tupi
Icoaraci - Mãe de todas as águas
Juraci - Aquela que fala o bem
Iaçá - Ao contrário lê-se Açaí. Segundo a lenda indígena, Iaçá lamentou a morte de seu filho, Tubiraçá e ouviu seu choro próximo de onde fora sepultado e após ver a criança, a abraçou a noite toda, mas na verdade estava abraçando um pé de Açaí, não aguentando o frio noturno, Iaçá veio a falecer. Desde então Açaí nome que veio de Iaçá significa, "Planta de Chora" por causa da semente roxa que se assemelham à lágrimas.

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