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CancaodaFloresta

sábado, 25 de setembro de 2010

As primaveras de Belém

Entre uma chuva e outra
nestas garoas de toda tarde,
uma cidade imersa em densos verdes,
onde as estações se confundem,
inverno, chuva do dia todo,
verão, chuva de todo dia,
onde estão as outras estações?
Os desavisados não as percebem,
os desatentos as deixam passar,
são apenas vírgulas,
que dão as pausas acidentais
no prosseguimento dos dias,
mas ao caminhar pelas ruas,
sem a pressa cotidiana,
olho o florescer dos muros,
dos jardins das casas,
dos canteiros de praças,
o cantar das abelhas,
o dançar dos beija-flores,
atentos a toda movimentação da vida,
celebram sem receio algum,
o arco-íris das cores escondidas
no reino das senhoras verdes.
Não tenho dúvida,
chegou aqui também a primavera,
como não haveria de chegar?
É o aniversário do florescer,
é a natividade que surge
em forma de novos botões,
uma nova vida a brotar,
um novo amor para amar.
Na minha terra,
as chuvas de primavera
são belas sinfonias,
de exaltação à paixão
que se inicia
nas ruas, praças e esquinas,
num colorido ao fundo
das flores que anunciam
o brindar da estação
que na voz do poeta canta...

“Quando entrar setembro
e a boa nova andar nos campos...”

Tão profundamente em meu coração.

Thiago Azevedo
Belém, 25 de setembro de 2010

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Calendário

Diante do calendário,
o observar dos meses e dias,
pouco importando o ano
quando se vai longe,
bem longe,
anos atrás.
Numa rua de piçarra,
as verdes vias,
repletas de rios e igarapés,
uma Belém de nostalgia,
uma Belém que não é mais,
das brincadeiras de bola,
divertimento com petecas,
cai uma na vala,
pega com a mão
e limpa na roupa suja,
pés no chão,
sem preocupar com pedrinhas,
sem preocupar com a lama,
apenas o sentir o chão,
o correr sem direção,
o voar raso,
pés no chão,
chuva serena da tarde cinza,
garoa da poesia
em pingos de versos.
As noites aos bandos,
juntam-se nas ruas,
para mais brincadeiras
pira-se-esconde,
polícia e ladrão,
pira maromba,
pira garrafa,
outras que nem lembro não,
conversas de calçada,
anúncio do fim da piçarra,
papos sem sentido,
entre causos e gritos,
o vizinho grita e xinga
querendo ver o jornal,
querendo ouvir a notícia,
molecada boba,
encontram as primeiras meninas,
os primeiros amores,
os primeiros beijos,
juras falsas de amor,
os primeiros dissabores.
E continuam as brincadeiras,
as antigas cantigas,
os mesmos moleques,
as mesmas broncas de mãe,
como fantasmas que ecoam
no folhear do calendário,
olha a data e vês
que está no dia errado,
hora de voltar para o relógio,
girá-lo em sentido horário
E deixar que os novos moleques
das ruas novas de piçarras,
tenham suas próprias lembranças também.

Thiago Azevedo
Belém, 20 de setembro de 2010

sábado, 18 de setembro de 2010

Finitude

Sou um ponto pequeno
diante da imensidão do universo
e tenho dentro de mim
a imensidão do universo
dentro de um ponto pequeno.

Sou um ponto pequeno
caminhando perdido no mundo
com toda a infinitude da existência
perdida e contida
dentro da finitude da vida.

Thiago Azevedo
Belém, 18 de setembro de 2010

terça-feira, 14 de setembro de 2010

60 segundos

Quantos anos pode haver em 60 segundos?
Quantos dias pode haver em 60 segundos?
Quantas horas pode haver em 60 segundos?
Quantos segundos pode haver em 60 segundos?

O passo de uma vida inteira,
pode-se passar num piscar de olhos,
num rasgo de 60 segundos.

Hoje tenho 60 anos
em 60 segundos...

Thiago Azevedo
Belém, 14 de setembro de 2010

sábado, 11 de setembro de 2010

O amor

Amor que é amor não se cria,
é entidade viva, incompreensível e divina,
já dizia o adágio da bíblia,
é o próprio sagrado
chamado Deus,
que ama sem medida.

O amor é como o vento,
que sopra onde bem entender,
mora na alma dos seres,
como numa mina
que se dá a buscar o valor do ouro,
ou a beleza do diamante.

Os tesouros de verdade, não são inventados,
como quem inventa uma roda,
mas descobertos pelo coração,
que explora a preciosa riqueza
que existe nesta imensa mina,
as vezes tão sombria e soturna
as vezes tão intensa e diurna.

Mina que é minha ,
mina que é tua,
de todos é essa mina,
a grande mina de nossas vidas,
mina que é o amor que não se cria...

Thiago Azevedo
Belém, 11 de setembro de 2010

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