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CancaodaFloresta

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Patriarca das palavras


Antes tudo era silêncio
Nem vida, nem cores
Apenas um turbilhão
Amargo sem sabores.

Tomado em absorto respiro
Rompe-se o tenso silêncio
Onde antes nada havia
Letras puras Ele pronuncia.

Haja! Primeiro verbo dito
Pelo patriarca das palavras
Num lampejo gramatical
Surge o som que exige.
Luz de seu corpo espiritual.

Rompe-se a confusão
E tudo passa a ter vida
O claro virou dia
E noite, a escuridão
Mas ainda tudo era turvo
Pois nada ainda havia.

Quando num relance mágico
Haja novamente surgiu
As águas se separaram
Em cima chamou de céus
Em baixo chamou de mar.

O Patriarca das palavras
Queria um lugar para ficar
E descansar de todo alvoroço
Foi quando novamente diz.

Haja porção seca para pisar
A isso chamou de terra
Onde tudo pôde brotar
Bons frutos, frutificar.

Tudo foi sendo criado
Numa bela diversão
Brincando com as palavras
Dando a elas ação.

Patriarca das palavras
Foi criando e pintando
Através dos verbos
Céus, terra e mar.

Antes de concluir
Seu ato de criar
Foi além das palavras
Fez surgir o primeiro par.

Para a vida compartilhar
E desfrutar a paz
De sua companhia
E através das palavras
À brisa da tarde, conversar.

O Patriarca fez o último ato
Ensinou bem mais precioso
Bem mais que verbos ou atos
Deu versos de amor
Em forma de vida e harmonia.

Antes de tudo findar
Suas últimas palavras ditas
Tudo isto é belo e bom
Obra perfeita de um artista.

Descansa Patriarca
Em meio à luz serena do dia
Depois dessa bela brincadeira
Sonha em paz novamente
Com a beleza da poesia.

(Thiago Azevedo)

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