Belém, Belém
Teus túneis são portais
Que encaminham para ver
O Ver-o-peso da cidade
As delícias deste povo
Cheiro, gosto e tato
Da comida
Dos perfumes
Do artesanato.
Belém, Belém
Tuas ruas molhadas
Onde cruza o po-po-po
A canoa do pescador
Que olha abismado
A loucura dos carros
Na outra Belém
Da pressa e do asfalto
Belém que não te conhece bem.
Belém, Belém
Das chuvas das tardes cinza
Das lágrimas de Iaçá
Que chora por te amar
Chora tanto,
Por causa de muitos
Que não sabem te olhar.
Belém, Belém
Que tem em seu ar
O grito da floresta
Que se ajusta
Em meio ao contemporâneo
Em meio ao moderno
Em meio ao rústico
Em meio à Belle Époque
Em meio ao que resta.
Belém, Belém
Do Ver-o-peso
Do lá em baixo do comércio
Do Theatro da Paz
De Val-de-cans
Do Rio Guamá
Das Marias
Dos Josés
De todos de boa fé.
Belém, Belém
Que rebola ao som do Carimbó
Do brega da aparelhagem
Que chora com Nilson Chaves
Verequete, Pinduca e Tapajós
Que tens o rosto de Benedito Nunes
Ou simplesmente Bené
E de tantos outros
Que muitos nem sabem
Quem são, ou onde estão.
Belém, Belém
De muitos mitos
Que te fizeram mundo
São muito mais que superstição
Caiporas, Curupiras e Curumins
Matintas, Iaras, Boiúnas, Mapinguarí
Ribeirinhos, Feirantes
E fazedores de açaí
Belém do peixe
Belém da fruta
Belém do cheiro
Belém de muita
Belém, Belém
Tua mãe foi o rio
Que se chama Guamá
Teu sobrenome é
Baía do Guajará
Belém de todos
Belém do Pará.
(Thiago Azevedo)






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