segunda-feira, 30 de janeiro de 2012
Catavento
No azul celeste da aurora
o chamado é sereno e suave,
viajar pelo mundo afora,
desbravar mil lugares.
os cata-ventos dançam
colorindo as sementes,
como que por encanto,
florescem vida na gente.
Multicores giram e cantam,
de cores muitas, tornam-se uma,
sendo todas numa só.
Como o tempo do ponteiro, giram,
giram tanto que faz a leve pluma,
mover moinho e mó.
Thiago Azevedo
Belém, 30 de janeiro de 2012
sexta-feira, 27 de janeiro de 2012
Canção do Uirapuru - Cançöes da Floresta (Thiago Azevedo e Gladir Cabral)
Canção composta em parceria com o mestre Gladir Cabral, para nosso novo projeto junto com Fabrício Matheus, o Canção da Floresta.
E começamos com esta canção que celebra um de nossos pássaros mais nobres e melodiosos, o uirapuru.
Uirapuru
Canta tua poesia
faz bailar o arvoredo
Vem, desperta o novo dia mais cedo
Ó flautista iluminado
Anuncia o teu segredo
Tua dança leve no arvoredo
Faz surgir contigo a primavera
Ilumina o coração da floresta
Tua dança tão serena
Chama o vento pra dançar
E a terra começa a brotar
Uirapuru cantador do tempo
Uirapuru, leve como o vento
Uirapuru, sempre tão sutil
Tão misterioso quanto o Brasil
De onde vem a melodia?
Esse choro tão bonito?
Vem de um coração alegre ou aflito?
Quem já viu a tua dança
Teu bailado tão bendito
Sabe que teu canto vem do infinito
Sabiá parou pra ouvir novamente
Tua bela melodia de amor
Bem-te-vi te viu dançando
E ficou a escutar
E a vida pousou pra sonhar
Uirapuru cantador do tempo
Uirapuru, leve como o vento
Uirapuru, sempre tão sutil
Tão misterioso quanto o Brasil [canto do Brasil]
Thiago Azevedo e Gladir Cabral
Belém | Criciúma
segunda-feira, 26 de dezembro de 2011
Renovar
todo dia é dia de nascer,
recomeçar e viver,
o rio que leva a história
traz consigo o renovo,
novas memórias, o alvorecer.
os passarinhos
cantam das mangueiras,
com seus novos frutos
e folhas bem verdinhas,
em seu tempo, o amadurecer
em meus tempos de menina
ouvia meu pai dizer,
"janeiro é tempo de roça,
ouça a chuva cantarolar
os novos começos, o renovar.
tudo tem seu tempo,
os cupuaçús, bacuris,
pupunhas e tucumãs,
as águas dos igarapés
dos rios que vem e vão.
a vida que se faz nova
a cada florescer da estação,
nenhum inverno é tão longo,
nenhuma lágrima é tão triste,
no despertar da efloração.
boa noite minha filha,
o sol novamente virá,
você vai ver,
toda dor cessará,
e tudo vai se acalmar outra vez".
Rosinda Miranda e Thiago Azevedo
Marituba, 26 de dezembro de 2011
Num momento de tristeza um e-mail me chega, era de minha esposa, dando alento e renovando o ânimo, contando suas histórias de menina, quando do iniciar das chuvas, vinha também o renovar da natureza, que nossa vida era assim, como as estações dos tempos, como afirma o Coelet, que tudo precisa de seu tempo, tudo é feito para renovação, as coisas vem e vão, como o rio que leva e traz consigo a nascente e o mar.
Nada é tão longo quanto se parece, nenhuma dor é grande o suficiente que não se possa curar, nenhuma lágrima é tão densa, que a chuva não possa lavar.
Tem dias da vida da gente, que o inverno é necessário para nos recolher e quiçá, se aproximar mais de Deus.
quarta-feira, 21 de dezembro de 2011
Amanhã
a noite dos tempos,
caminha o luar,
causos de alento,
canta a viola,
a forgueira
e em volta,
o prosear.
em gotas de lágrimas,
esbraveja o mar,
rio que adoça
lá adiante,
na nascente,
afronta e
o faz acalmar.
mais uma gota
que se faz derramar,
no inverno, faz chuva,
semeia o chão,
na primavera,
o florescer,
renovar.
bota tua mesa
lá fora, no jardim,
segura minha mão,
a chuva se foi,
o sabiá já falou,
o rio que conduz o mar,
outra vez clareou...
Thiago Azevedo
Marituba, 21 de dezembro de 2011
caminha o luar,
causos de alento,
canta a viola,
a forgueira
e em volta,
o prosear.
em gotas de lágrimas,
esbraveja o mar,
rio que adoça
lá adiante,
na nascente,
afronta e
o faz acalmar.
mais uma gota
que se faz derramar,
no inverno, faz chuva,
semeia o chão,
na primavera,
o florescer,
renovar.
bota tua mesa
lá fora, no jardim,
segura minha mão,
a chuva se foi,
o sabiá já falou,
o rio que conduz o mar,
outra vez clareou...
Thiago Azevedo
Marituba, 21 de dezembro de 2011
quinta-feira, 15 de dezembro de 2011
Dissonância
O que é tão dissonante
do que o rio na contra-mão?
Um rio que toma o asfalto,
ou o asfalto que asfasta com a mão?
Rio que corre na beira,
faz germinar o chão?
asfalto que resseca a ribeira,
não deixa nascer nem um grão?
Dissonância inocente,
moleque que pula em ribeirão,
rio que molha a gente,
vai pro céu e volta então.
Asfalto é enchente,
calor e moderna opressão,
no vai e vem dessa gente,
na desenvolvida ilusão...
Thiago Azevedo
Marituba, 15 de dezembro de 2011
do que o rio na contra-mão?
Um rio que toma o asfalto,
ou o asfalto que asfasta com a mão?
Rio que corre na beira,
faz germinar o chão?
asfalto que resseca a ribeira,
não deixa nascer nem um grão?
Dissonância inocente,
moleque que pula em ribeirão,
rio que molha a gente,
vai pro céu e volta então.
Asfalto é enchente,
calor e moderna opressão,
no vai e vem dessa gente,
na desenvolvida ilusão...
Thiago Azevedo
Marituba, 15 de dezembro de 2011
As cidades cada vez mais tomam conta do espaço que dantes eram das florestas, dos rios e mares. Isso, por mais que tentem negar, tem gerado impacto direto na vida das pessoas, pois a água das chuvas que antes tinham pra onde ir, não tem mais, as cidades com pouca estrutura, acabam sofrendo as catástrofes naturais de um planeta que geme, com "gemidos inexprimíveis" o anseio que se tornar aquilo que fora um dia, um lugar para todos...
Creio que Deus tem deixado a terra se vingar daqueles que a massacraram quando deveriam cuidar e cultivar...
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