Num canto escondido,
por ninguém percebido,
com vergonha de sua mutilação,
humilhado e julgado,
por causa de sua mão,
pobre hebreu mirrado,
coração partido,
imerso em solidão.
Muito mais que mirradas mãos,
mutilados por todas as leis,
está o pobre coração,
cheio de mágoa e culpa,
não encontras na lei o perdão,
precisas de alforria desta prisão,
que te fez triste,
pobre coração.
Pequena ovelha perdida,
esquecida na cova dos leões,
estende a mim tua mão,
te curarei no sábado,
por que não?
Vales mais que toda multidão
de leis que aprisionam,
teu pobre coração.
Vai na paz e no bem,
nesta liberdade que agora tens,
chega de esconderijos,
chega de mutilação,
muito mais que mão mirrada,
restaurou também o coração,
para uma nova vida
com mais perspectivas
de amor, paz e perdão.
(Thiago Azevedo)
Belém, 21 de janeiro de 2010
sexta-feira, 5 de março de 2010
quinta-feira, 4 de março de 2010
Rotina
Todo dia
acordo cedo,
tomo banho,
depois o café,
vou ao trabalho,
paro pro almoço,
retorno ao batente,
volto pra casa,
tomo o jantar,
beijo a esposa,
brinco com a filha,
visto o pijama,
deito pra dormir...
O sono não vem,
o sonho não tem...
Repito a rotina
de todo santo dia,
nada muda,
nem uma vírgula,
vivo enfadado
deste tempo pesado
de todos os dias,
tudo é igual,
tudo é rotina,
todos os dias
são sempre os mesmos,
seja segunda,
seja domingo,
trabalhar,
brincar,
sobreviver,
cansar.
Sinto o tempo
passar em meu corpo,
mas minha mente
ficou parada,
repetindo sempre
a mesma coisa
programada,
de toda vida,
de todo dia,
acordo cedo,
tomo banho,
depois...
...o café.
(Thiago Azevedo)
Belém, 21 de janeiro de 2010
acordo cedo,
tomo banho,
depois o café,
vou ao trabalho,
paro pro almoço,
retorno ao batente,
volto pra casa,
tomo o jantar,
beijo a esposa,
brinco com a filha,
visto o pijama,
deito pra dormir...
O sono não vem,
o sonho não tem...
Repito a rotina
de todo santo dia,
nada muda,
nem uma vírgula,
vivo enfadado
deste tempo pesado
de todos os dias,
tudo é igual,
tudo é rotina,
todos os dias
são sempre os mesmos,
seja segunda,
seja domingo,
trabalhar,
brincar,
sobreviver,
cansar.
Sinto o tempo
passar em meu corpo,
mas minha mente
ficou parada,
repetindo sempre
a mesma coisa
programada,
de toda vida,
de todo dia,
acordo cedo,
tomo banho,
depois...
...o café.
(Thiago Azevedo)
Belém, 21 de janeiro de 2010
quarta-feira, 3 de março de 2010
Crises de existência
Quero poder dormir,
ver a noite fugir
rapidamente em meus sonhos.
Quero poder chorar,
extravasar meus sentidos
impotentes ao que vejo.
Quero poder sentir,
para lapidar dia-após-dia
meu endurecido coração.
Quero poder viver,
uma liberdade intensa,
que minh’alma anseia.
A noite persiste,
não tenho sono,
fugiram os sonhos.
Não tenho lágrimas,
estou entorpecido,
impotentes estão os sentidos.
Não consigo sentir,
não há o que lapidar,
meu coração está a ruir.
Não tenho vida,
tudo não passa de ilusão,
onde está a liberdade?
Estou só nesta prisão.
(Thiago Azevedo)
Belém, 21 de janeiro de 2010
ver a noite fugir
rapidamente em meus sonhos.
Quero poder chorar,
extravasar meus sentidos
impotentes ao que vejo.
Quero poder sentir,
para lapidar dia-após-dia
meu endurecido coração.
Quero poder viver,
uma liberdade intensa,
que minh’alma anseia.
A noite persiste,
não tenho sono,
fugiram os sonhos.
Não tenho lágrimas,
estou entorpecido,
impotentes estão os sentidos.
Não consigo sentir,
não há o que lapidar,
meu coração está a ruir.
Não tenho vida,
tudo não passa de ilusão,
onde está a liberdade?
Estou só nesta prisão.
(Thiago Azevedo)
Belém, 21 de janeiro de 2010
terça-feira, 2 de março de 2010
Árvores nuas
Gosto de árvores
Principalmente no inverno
Tão frias, tão nuas
Sem fruto, nem folhas
Galhos, galhos e mais galhos.
Tão lindas, tão pobres
De seus densos verdes
Ficam apenas as formas
Destas árvores nuas.
Sinto-me nostálgico
A contemplar tão belas senhoras
Tão sérias, tão velhas
No rígido inverno
Apenas árvores nuas.
Não há sombra
Não há folhas
Não há frutos
Apenas árvores nuas.
(Thiago Azevedo)
Principalmente no inverno
Tão frias, tão nuas
Sem fruto, nem folhas
Galhos, galhos e mais galhos.
Tão lindas, tão pobres
De seus densos verdes
Ficam apenas as formas
Destas árvores nuas.
Sinto-me nostálgico
A contemplar tão belas senhoras
Tão sérias, tão velhas
No rígido inverno
Apenas árvores nuas.
Não há sombra
Não há folhas
Não há frutos
Apenas árvores nuas.
(Thiago Azevedo)
segunda-feira, 1 de março de 2010
Queria ser poeta
Queria ser poeta,
Mas não sou,
Queria ser Vinícius,
Queria ser Bandeira,
Sou apenas alguém
Que escreve
Textos de cabeceira.
Queria ser poeta,
Queria ser Pessoa,
Talvez Quintana,
Drummond seria uma boa,
Deles sou aprendiz,
Não ouso ser professor.
Queria ser poeta,
Mas estou mais para beato
De grandes poetas
Que me inspiram
E a eles consagro
Este pequeno idílio.
O ditado não me serve
Querer não é poder
Querer é apenas querer
O poeta não se constrói,
Você apenas nasce poeta
E nada mais.
Poderia fazer muita coisa,
Teologia, Arquitetura e Engenharia
Mas somente uma me servia
Poesia é o que eu queria.
Queria ser poeta,
Apenas queria.
(Thiago Azevedo)
Mas não sou,
Queria ser Vinícius,
Queria ser Bandeira,
Sou apenas alguém
Que escreve
Textos de cabeceira.
Queria ser poeta,
Queria ser Pessoa,
Talvez Quintana,
Drummond seria uma boa,
Deles sou aprendiz,
Não ouso ser professor.
Queria ser poeta,
Mas estou mais para beato
De grandes poetas
Que me inspiram
E a eles consagro
Este pequeno idílio.
O ditado não me serve
Querer não é poder
Querer é apenas querer
O poeta não se constrói,
Você apenas nasce poeta
E nada mais.
Poderia fazer muita coisa,
Teologia, Arquitetura e Engenharia
Mas somente uma me servia
Poesia é o que eu queria.
Queria ser poeta,
Apenas queria.
(Thiago Azevedo)
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