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CancaodaFloresta

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Rede de pescaria

Atando os nós das redes
E colhendo todos os peixes
Que durante a noite pescou.
Tentando fio a fio costurá-las
Dos furos que a vida deixou.

Fiando ponto a ponto
Deixando a rede pronta
Para a próxima pescaria
Que o mar da vida
Levar nesta romaria.

Olho para a margem
Um vulto a espiar
Pede que volte a terra
Para comigo cear
E a vida celebrar.

As redes agora estão
Prontas ao mar lançar
Lancem ao vento as velas
Para redes cheias de vida
Peixes poderem pescar.

Atando os nós da rede
Que a vida desfiou
O vulto fia comigo
Os fios cansados
Que minha dor causou.

(Thiago Azevedo)

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Reminiscências


Lembro-me com saudades da infância,
correr perdido, sem sentido pela rua
sujando os pés, chutando poças de lama,
empinar pipa, brincar de peteca
brincar de esconder, fazer meleca.
Tudo são reminiscências
belas e saudosas reminiscências.
Olho minha filha crescer
e renovo minhas saudades
revejo minha infância
e revivo novas reminiscências.

(Thiago Azevedo)

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

A chuva


A chuva veio imponente
caindo sobre nós suavemente
onde havia terra
agora é só lama.
A chuva veio surpreendente
sem deixar esperar
tem sua hora marcada
para toda tarde molhar.
A chuva veio
a chuva cai
e faz o sujeito esperar
no ponto de ônibus
impotente sem se deslocar.
O céu cinza anuncia
a chuva vem
e o sol se vai
a chuva que molha
não abandona mais.

(Thiago Azevedo)

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Me pego sonhando


Fico no vazio sonhando
como seria escrever
num mundo sem carros
sem as cinzas
que me afogam os ares
que anuviam a mente
e tiram a beleza da poesia.

Fico me imaginando distante
bem distante na história
quando não havia asfalto
nem a translouca hora
tudo era mais lento
tudo era mais simples
mais do que é agora.

Sonho com o passado
mesmo que não seja
do jeito que sonho
mas é o refúgio que tenho
dos tormentos que me afloram
não deixam ser o meu presente
e roubam meu dias de outrora.

Fico no vazio sonhando
me imaginando distante
sonhando com o passado
bem distante na história
do jeito que sonho
não sei onde vou parar
com minha vida de agora.

(Thiago Azevedo)

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Desconcentrado


As palavras me vêm aos ouvidos
mas não há concentração
olho pela janela
vejo o vento
a balançar as folhas
que suavemente dançam
dançam lindamente sem canção.
Sinto-me mais leve
no mesmo suave balançar
sinto a mesma dança
e dança junto meu coração
ouço mais palavras soltas
não sei o que querem dizer
me concentro apenas nas folhas
que me conduzem alegremente
neste suave dançar
sem nem ter porquê
e viaja o corpo e a mente.
O que querem mesmo
dizer aquelas palavras
que foram ditas ao ouvido?

(Thiago Azevedo)

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