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CancaodaFloresta

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Lágrima

uma lágrima caída
pela dor que me retém,
um sentir-me numa ilha,
a solidão de um refém.

a mais dorida poesia,
lágrima de escrever,
lamento e melancolia,
a voz se faz emudecer.

lágrima de esquecer,
a palavra mais sentida,
vai solta na ventania,
poesia de florescer.

Thiago Azevedo
Marituba, 27 de julho de 2011

s.f. Gota ou pingo de um líquido.
Suco destilado por certas plantas.
Gota de líquido salgado segregado por glândulas lacrimais situadas sob as pálpebras, acima dos globos oculares, o qual umedece a conjuntiva e penetra nas fossas nasais através das carúnculas lacrimais.

terça-feira, 26 de julho de 2011

Sobre poetas

Por que alguns poetas precisam da dor
para pintar sua mais bela arte
e desnudar outras almas
como alguém que ama
e despe suavemente o bem amado
desenhando e emoldurando delicadamente
cada linha do seu corpo?

Por que alguns poetas precisam chorar
como se suas lágrimas pudessem fazer florescer
a mais sublime flor
esta última que nasce na tão esperada estação
e fosse a última a morrer anunciando o inverno
deixando a saudade de sua presença
só com o aroma de seu perfume?

Por que alguns poetas precisam morrer
como se eles fossem sementes
que para dar vida venham a fenecer
e dar luz a mais majestosa poesia
que mesmo por um instante se torna eterna
dando nova alegria e luzindo nova esperança
trazendo o paraiso ao coração?

Alguns poetas precisam da lembrança
para poder reviver suas dores
reencontrar suas lágrimas
e quiçá ouvir uma nova melodia
que ecoa de sua poesia outa vez...

Thiago Azevedo
Marituba, 26 de julho de 2011

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Canção do Uirapuru

O vento ecoa tua voz
suspensa e misteriosa no ar
as aves em silêncio contemplam
sem saber de quem será.

um canto que semeia alento
faz florescer novo encanto
poesia que se faz momento
melodia de repouso e descanso.

solitária ave peregrina
voa a deixar tua bela canção
amor que se descortina
tua voz, a mais pura oração.

canção do velho uirapuru
pousado no galho do salgueiro
folha a folha o seu ninho
dedilhado ao som do violeiro.

Thiago Azevedo
Curuçá, 18 de julho de 2011

s.m. Ave passeriforme da família dos trogloditídeos, que canta maravilhosamente, mas só enquanto constrói o ninho, e que, segundo a lenda, traz sorte a quem o possui, empalhado.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Poema dos Clowns

O picadeiro dia
emiti sua alvorada luz,
surge o palhaço sorrindo
em sua tamanha tristeza
pra anunciar mais um espetáculo.
Lado a lado a dor e o descaso
a pesar sua suada cruz,
todos em seus vícios e suplícios
rastejando e tropeçando,
tentando seguir um pouco
e mais adiante,
por um pouco de alento,
sombra e abrigo,
na árida terra dos desolados,
os pés rachados
pelo calor e secura,
deste caminho picadeiro,
em todo alvorecer do dia.
Surge então novo palhaço
saltitante a alegrar o momento,
escondendo por detrás das cortinas
seu mais dorido sentimento...

Thiago Azevedo
Belém, 13 de julho de 2011

terça-feira, 5 de julho de 2011

Frivolidades

Há momentos em que minha poesia é tola,
cheia de frivolidades e uma busca vã pela rima,
pela necessidade de tentar falar do belo,
da alma bela e da vida fantasiosa,
como se não houvessem perguntas,
somente respostas,
como se tudo fosse um oceano de certezas,
como se a dúvida não fosse a única certeza a se ter.

Queria acreditar que não houvessem mentiras,
que a utopia que descrevo,
fosse apenas um mero reflexo da realidade,
mas no fim, se tornou um retrato exaustivo
da minha banalidade com que vejo o mundo.

Ah, mundo cruel, que desdenha dos meus sentimentos,
ridiculariza minhas palavras,
faz perder e esquecer a melodia gostosa de uma boa rima,
fazes-me escrever como a um diário
e ter a ousadia de chamar isso de poema.

Ah, mundo sem graça, se não fosse os versos,
que seria do mundo, que seria das minhas dúvidas frívolas
e o que seria das minhas crises pervertidas,
se não fosse o doce toque das palavras ajuntadas em versos?

Sim, isso é poesia, apesar de tudo,
mesmo apesar do próprio poeta,
da estrutura,
do método,
da sintaxe,
da gramática,
apesar da vida e da morte,
isso ainda será poesia,
por muitos anos serei lido como poesia,
mesmo através de meu mais tolo poema,
ainda sim, serei preservado como poesia,
ela não é o que fala, escreve ou se lê,
apenas é aquilo que sente,
mesmo que sejam sentimentos frívolos
mesmo que sejam sentimentos bobos,
mesmo o mais tolo poema,
ainda sim...

será a mais bela poesia...

Thiago Azevedo
Belém, 05 de julho de 2010

As vezes nos achamos tolos em querer que aquilo que escrevemos seja perfeito, o mesmo se dá na poesia, buscamos as melhores rimas, a melhor estruturamas sem sentir nada é buscar palavras no vazio e no fim, perde-se a essência de poesia e poeta.

Este poema é um grito de liberdade entre poesia e poeta, um grito que livra das amarras desta tentativa vã e constante de buscar a melhor forma de escrever, ela não existe se você não estiver inteiro no poema.

A poesia nada mais é, do que um reflexo da alma do poeta, neste sentido, contrario o mestre Pessoa que dizia que o poeta é um fingidor, na verdade, ele não finge, apenas aprisiona o que sente em função de regras malfadadas...

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