Lá vai na noite
Densa a fio
O luzeiro pequeno
Do barco timoneiro
Rasgando no escuro
O grande rio.
No contraste da noite
Metade claro
Metade escuro
No meio, o rio.
Esse barquinho
Navega tranqüilo
Transporta sozinho
O solitário pescador
Que vai sem medo
Desbravar o rio.
Em busca
Não se sabe de quê
Comida, sustento
Ou busca respostas
Para seus por quês.
Assim vai-se a noite
Também vai o barquinho
Levado pelo pescador
Que não se sabe
Se está triste,
Mas vai, sozinho.
A procura de um porto
Que seja seguro
Que seja eterno
Que seja rio
Rio que mostre
Qual seu caminho.
(Thiago Azevedo)






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