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CancaodaFloresta

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Preenchimento

Quando percebo minha poesia vazia,
é por causa da minha alma
que anda cheia demais,
cheia de muitas certezas,
carregada de olhos já vistos,
destas certezas que envenenam
esta singela poesia,
faz com que perca a curiosidade,
que eu não tenha dúvidas
e isso a deixa pesada,
como um fardo que tenho que levar,
paro um pouco,
faço uma oração...

"Pai, faz-me novo,
de um vazio que dantes não tinha,
de todos os meus preceitos,
inclusive daqueles
que me fazem ter certeza
de quem Tu és..."

Com essa prece,
sento-me na cadeira
e minha poesia
se preenche outra vez...

Thiago Azevedo
Belém, 06 de fevereiro de 2012

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Rebentar da poesia

A poesia é como o rebento
que quer sair
e precisa emitir dores
tão profundas
que remodelam o ser.
Para parir poesia,
é preciso que a alma
esteja grávida
e sinta dores intensas.
Alma que não dói
não pode escrever,
não consegue encontrar
as palavras que amalgamam os versos,
pois poesia é parir
o que a alma está cheia.
Dor e alegria,
são o conjunto que formam
a gene da poesia,
como cromossomo de pai e mãe.
Ela não respeita seus desejos,
quer apenas ser,
um ser em si mesma,
a plenitude da mais singela poesia...

Thiago Azevedo
Belém, 06 de fevereiro de 2012

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Infinito amor

Deus com infinito amor,
amou o que é perene,
amou tanto
que superabundou sua existência
com centelhas de finitude
e com isso,
tornou-se poema de amor,
daqueles de se abraçar e beijar.
Como o horizonte,
que é eterno em sua linha
e vira ondas de mar,
para abraçar a beira do cais.

Thiago Azevedo
Belém, 05 de fevereiro de 2012

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Canção da Sumaúma - Canção da Floresta (Thiago Azevedo e Gladir Cabral)



Também chamada de mãe de todas as árvores, escada do céu e árvore da vida.

Junto de Gladir Cabral, subimos à copa desta majestosa árvore e nos debruçamos ante a beleza da floresta e as atrocidades que ela vem sofrendo.

Sumauma

Olha dos altos sua flora
Como quem cuida dos seus filhos
Chora seus sonhos de outrora
E padece ao vê-los ruídos

Verde pastora da floresta
Guardiã de todos os abraços
Convida as aves para a festa
E margeia límpidos regatos

Sumauma
Uma só e muitas são em uma
Sumauma
Sumo da beleza, leve pluma
Sumauma
Toca no seu tronco o seu tambor

Ao seu redor há muita história
Votos de amores e saudades
Se enraizaram na memória
Tantos segredos milenares

Hoje é escada do infinito
Portal das estações que passam
Vento e folhagem num só grito
Chuva, sereno e estiagem

Thiago Azevedo e Gladir Cabral
Belém | Criciúma

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