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Divulgue esta idéia

CancaodaFloresta

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Lamentos de Belém




Belém que triste verde
o próprio fim anuncia
no moderno mundo pende
entregue à ganância
se escraviza.

Aos poucos morrem-se todos
os belos símbolos e mitos
Iaras, Matintas e Botos
sofrendo com a floresta
em meio ao suplício.

Quem ouvirá teu choro?
Abafado pelo bate estaca
de todos os prédios em coro
que na floresta esmaga.

Quem ouvirá teus gritos?
Ó mangueiras de Belém
quem erguerá para ti os olhos?
Estás abandonada sem ninguém.

Morrem tristes as mangueiras
e nasce cinza, esfumaçada
sem espaço, imprensada
nasce morta a antiga Belém.

(Thiago Azevedo)

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Pedaço de papel


Pequeno pedaço de papel
nas mãos da criança
pode ser um avião
que viaja distante
nos mais distantes horizontes
por onde a imaginação levar.
Pode se tornar também um barco
que trafega os oceanos
cruza os sete mares
em busca de tesouros
escondidos no coração
simples e ingênuo
da criança que brinca.
Um simples pedaço de papel
que para o adulto não é nada
mas para quem brinca
para quem ama
para quem tem alma de criança
pode ser tudo e nada
basta deixar fluir de dentro
a imaginação sem limites
o verás que não se trata
de um simples pedaço de papel
será qualquer coisa
que você determinar
basta se desligar de tudo
e se entregar a brincar
com o pequeno pedaço de papel.

(Thiago Azevedo)

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Utopia


Dizem que o sonho é utópico
Utopia é não ter com que sonhar
Utopia é um sonho que se pode alcançar.
De que adianta ser utópico se não se pode sonhar
Pior ainda, de que adianta sonhar
Se a utopia não pode orientar
Utopia é sonho que o desejo grita
Que a alma inflama em chamas
É o que motiva para batalhar
É a fé que nos faz acreditar.
Sem utopia, não há porque viver
Não há porque lutar
Melhor é morrer
Simplesmente parar
De respirar.

(Thiago Azevedo)

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Nó de duas dobras


Um não tem sentido de ser
Sozinho nada pode fazer
Não há o que ligar
Não tem como se firmar.

De que adianta ser um
Caminhar sozinho na noite
Sem ter como se esquentar
Se cair como se levantará?

Apenas um não tem força
Facilmente romperá
Se houver necessidade de puxar
Se sozinho, como se sustentará?

Fomos feitos para amar
Para juntos estarmos
Neste viver e caminhar
Da vida compartilhar.

Bom mesmo é ser companhia
Neste longo caminhar
Nas noites ter alguém ao lado
Para deitar e se aninhar.

Ligados em corpo e mente
Uma única alma se tornar
Como um nó de duas dobras
Que é melhor para segurar.

Neste belo laço de amor
Quero contigo viver
Como o passarinho
Que precisa do ninho.

Quero me aninhar
Neste teu colo de carícias
Tua boca poder beijar
Ser dois para um tornar.

Neste belo laço de amor
Quero contigo ser
Um nó de duas dobras
Para nossas almas ligar.

Nó de duas dobras
Traçado por Deus
Na nossa história
De amor que nos deu.

(Thiago Azevedo)

sábado, 26 de dezembro de 2009

Beija-flor


Fico me perguntando
O que estás a fazer
Mergulhada nesta solidão
Com teu coração
Bem longe do meu?

Me sinto como um beija-flor
Que solitário dança no ar
A procura de sua rosa
Para num beijo se ligar
E sua alma entregar
Ao néctar desse amor.

O frio congela meus sentimentos
Petrifica minhas emoções
E esfria minha alma
Este frio é de quem está só
Esperando por tua companhia
Para esquentar meu corpo
Um corpo que é só teu.

Onde estás neste momento?
Adormeceste junto com o sol
A esperar uma nova brisa
Para trazer o beija-flor de volta
E ligar o teu amor ao meu.

A assim semearmos
Novas sementes de amor
Um amor que não se acaba
Tem sabor de mel
Tem o beijo da flor
Tem a beleza de ser amor.

(Thiago Azevedo)

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Qual a cara do Pará?


Uma vez me perguntaram
Qual a é a cara do paraense?
Muitos olham do lado errado
O paraense é guerreiro
E não um coitado.
Tem muito mais do Pará
Das frutas em fartura
Do açaí ao cupuaçu
Vale contar das cidades a história
Belém, Vigia, Curuça
Abade e as ilhas de fora
A vida do Pará tem um sabor especial
A maniçoba, o tacacá e o pato no tucupi
Tem também a marujada
O carimbo e o sairé
Lundum Bragantino e Marajoara
E o Boi-tinga de São Caetano de Odivelas.
Até eu me pergunto
Qual é a cara do Pará?
O Pará é muita coisa
Bem mais além que isso
O Grão-Pará do campo
Da cidade ou floresta
Tem o rosto dos mitos e lendas
O paraense tem um quê de místico,
Tem um quê de rio.
Bacia Amazônica
É Baia do Guajará
É nascente do rio Guamá
O paraense é bem maior
Do que se pode pensar
Quem pode me dizer
Qual o verdadeiro rosto do Pará?

(Thiago Azevedo)

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Ouço uma canção


Ouço ao longe uma canção
Que tem o som de rio
Que tem o som de mim
Suas notas entoam minha história
Que remontam a memória
De dias de plena alegria
Onde brincava na chuva
Banhava nas águas do rio
Profundo que havia dentro de mim.
Ouço intensamente uma canção
Que faz dançar minha alma
Em meio à bela melodia
Revejo toda minha vida
Os amores que tive
Sentimentos que vivi
O pranto que rolou
Meu semblante que corou
Pelos erros que cometi.
Essa canção entoada
É sobre a maravilha
Que é sentir viver
A maravilhosa forma de ser
Como água, como rio
Que na escuridão de suas águas
Esconde profundo mistério
Sobre verdadeiramente quem és
Essa bela canção
É entoada com paixão
Com qualquer instrumento
Tudo o torna belo
Mesmo tocando suavemente o violão.

(Thiago Azevedo)

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Silêncio


O silêncio
nada mais
pior que isso
é o pleno silêncio
de uma alma vazia
sem mais nada
sem sono
nem sonho
pior ainda
sem expectativa
apenas o silêncio
de todos dormindo
todos menos eu
que permaneço
calado esperando
o fim do meu silêncio
o extinguir da noite
para renascer na aurora
à uma nova vida
melhor que agora
porque no momento
só tenho o silêncio
desta noite intensa
sem aurora.

(Thiago Azevedo)

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Que saudade de Deus


Que saudade de Deus
Quando ia sempre visitá-lo
No templo frio e isolado
E lhe dar um pouco de pipoca
Era um barato.

Que saudade de Deus
Quando era apresentado
Somente pelo sacerdote
Como próxima atração
Após a última canção.

Que saudade de Deus
Quando tinha que pagar
A entrada para ver
Ele, por meio da fé
Fazer sua incrível mágica.

Que saudade de Deus
Quando lia sua cartilha
De respostas prontas
Para todas as dúvidas
E os problemas que tinha.

Que saudades
Onde será que anda
O fujão Deus?
Pois vou ao templo
Ouço o sacerdote
Pago a entrada
E nada.

Encontro apenas uma carta
Escrita de punho e mão
E por ele assinada.

Esta carta diz
Fui a praça brincar
Com as crianças
Nelas há mais graça
Não espere eu voltar
Fui embora, adeus
assinado Deus.

Como fica agora?
Quem será a próxima atração
Quando tocar a última canção?

O jeito é ir à praça
Para junto de Deus
De mãos dadas
Com as crianças
Brincar, pular
E fazer pirraça
E nunca mais sentir saudades
De um Deus sem graça.

(Thiago Azevedo)

domingo, 20 de dezembro de 2009

Onde está a poesia?


Quão difícil é
escrever poesia
falar de esperança
quando nada se espera.
Versificar sobre a vida
mesmo que a morte
se mostre todo dia
viver a companhia
da solidão à sua guarida.
Quão difícil é
escrever poesia
sobre amores vãos
que existiram
por falta de razão
sem existir paixão
onde estava o amor então?
Como escrever poesia
com a alma assim
sem nada, sem vida
completamente vazia?
Onde está a poesia?

(Thiago Azevedo)

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Bela estrela


Uma estrela grita
Para longe no horizonte
Bem além de onde a vista avista
Bela estrela que guia
Os caminhantes perdidos
Na escuridão da vida
Rumo a um destino
A lhes dar guarida.

Estrela guia
Os simples e humildes
Que dormem sob sua luz
Ansiando um novo caminho
A dar boa paz, paz que reluz
De dentro da alma, dos corações
Estrela que anuncia
Boas novas de vida
Boas novas de paz.

Estrela de paz
Que trazes o que nasceu
E amor e vida nos deu
Pequena estrela
Veio nosso caminho iluminar
Um caminho de trevas
Um caminho sem paz
Bela e maravilhosa estrela
Que se chama amor
Que provém do Pai
Anuncia as boas novas de luz
Nos conduz de volta ao lar.

(Thiago Azevedo)

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Bom é ser chuva




Bom é ser chuva
Cai despretensiosa
Molha rasa ou profunda
Bom mesmo é ser chuva.

Chuva acalma o sol
Tranqüiliza o calor
Chuva fina é amor
Da saudade preenchida
Com beijo molhado
Em meio à chuva
No meio da rua.

Chuva calma
É sinônimo de quem espera
Chuva forte
É para quem desespera.

Chuva é nostalgia
Suas águas banham
As ruas em meio ao cinza
De lembranças de dias
Que não voltam mais
Dias de criança
Dias de tenra infância.

Bom mesmo é ser chuva
Limpa as lembranças
Molha os sonhos
Renova as esperanças.

Bom é ser chuva...

(Thiago Azevedo)

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Segunda-feira de cinzas


Na celebração do carnaval
Se existe a quarta-feira de cinzas
Na vida, as segundas são cinzentas
Após o final de semana de festejos
Vem a segunda com a preguiça
E um coletivo e imenso desejo
Que se chegue logo as celebrações
A se iniciar na sexta-feira.

Acabou o carnaval de final de semana
Vem a segunda-feira de cinzas
E interrompe o celebrar, o esquecer
Ela vem de braços dados
Com o trabalho, a fadiga e o cansaço
Não me fale mais nada, mesmo sem querer
Que saudades do sábado e do domingo
Sem nada pra fazer, apenas festa
Ficar de pernas pro ar, comer e beber.

Agora é segunda-feira de cinzas
Não resta mais nada, fazer o quê?
A não ser contar o tempo,
Aguardar um novo momento
Para viver o carnaval do final de semana
Vestir minha fantasia de samba canção
E me divertir outra vez.

(Thiago Azevedo)

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Flor de luz


Onde estava teu coração
Caminhando longe
De todos os passos
Que achavas ser teus.

Abriste brechas na vida
Caíste em buracos escuros
Garimpaste o amores profundos
Sem descobrir qual amor
Era de fato o teu.

Nos desencontros da vida
Nessas peças que ela te dá
Encontramos nosso amor
E construímos um lar.

Vimos nossos pés feridos
Por nosso cansado andar
Caminhando pela vida
Perdidos de nós a procurar.

Um amor que nos completasse
Um amor que nos saciasse
Um amor que nos extasiasse
Um amor que nos amasse.

Cuidamos das feridas
Juntos para não deixar cicatriz
Aramos a terra da alma
E plantamos nosso amor

Da semente de vida
Regada e cuidada
Com carinho e ardor
Surge linda a nova flor
Que ilumina a vida feliz
A flor de luz, Beatriz.

(Thiago Azevedo)

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Rainha das flores


Rainha das flores
É para mim a loucura
Manifesta em meio a tudo
Perfume de vida
Aroma de amor.

Governas meu jardim
De todas as flores
És única e sem par
Minha flor primal
Minha flor de paz.

Sob a luz do sol
Desabrocha minhas manhãs
Repinta minha vida
Antes vazia e sem sabor
Com teu perfume extasia
Minha essência em amor.

Rainha das flores
Frágil e perene
É sutil presença
Intensa ternura
Perfeita paixão.

Rainha das flores
É maravilhoso amor
Cuidado e compreensão
É companhia a cada aurora
És bela, sou teu cravo
És tudo, és minha Rosa.

(Thiago Azevedo)

sábado, 12 de dezembro de 2009

O que você faria?


O que você faria
Se fosse escrever
Para mim uma poesia?

Sobre o amor falaria?
Ou sobre a falta de tudo
O que nos acontecia?

Fico imaginando
Quais as palavras
Que você usaria
Se fosse escrever poesia?

Queria ser seus olhos
Para ver o que escrevia
E entender como me via.

Será que sou belo?
Ou sou para ti horrível
Sem beleza nem alegria?

Fico imaginando
Que versos rimam
Com tua poesia
Sobre nossa vida?

O que você faria
Se fosse escrever
Sobre nós uma poesia?

Sobre nossas noites de amor?
Ou nossas pequenas brigas?
Sobre o que falaria?

Será que te inspiro?
Será que te amo?
Será que sou pra ti poesia?

O que será nosso amor
Para rimar com tudo
Rimar com nossa vida
E se tornar poesia?

O que você faria
Se fosse escrever
Uma bela poesia?

(Thiago Azevedo)

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Tédio II


Ando entediado
Nada me vem à mente
Nenhum verso
Nenhuma poesia
Apenas palavras soltas
Letras vazias
O que querem dizer?
Procuro entender
Mas não sei
Por onde passeia
O poeta que havia?
Os versos morreram
Onde estão
O soneto
O conto
E a elegia?
Não há nada pior
Não há nada mais mortal
Aos versos e a poesia
Do que o tédio
E esta cruel rotina.

(Thiago Azevedo)

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Elegia da mulher adúltera (Jo 8.1-11)


Dói demais esta condição
De não ser de ninguém
Entregue a qualquer um
Ao custo de qualquer vintém.

Dói demais me ver vil
Os olhares me desviam
Sou como um bicho
Ninguém me dá a mão
Todos me oferecem o não.

Dói demais ser quem sou
E me ver arrastada pelas ruas
Como criminosa vil e nua
Meus braços e joelhos feridos
Arrastados pela dolorida rua.

Dói demais ser julgada
Nunca fui inocente
Somente condenada
Meus olhos fecham
Ante a possível pedrada.

Dói demais ver meu nome
Escrito com dedo na areia
Por este que lhe colocam
A deferir meu terrível destino.

Dói demais ver todos
A me olharem com nojo
Com suas pedras em punho
A querer matar por este dolo.

Dói demais o silêncio
Fecho aflita meus olhos
Esperando o sentenciamento
Dos que não tem pecados
Daqueles santos imaculados.

Dói saber que fui salva
Não vejo mais ninguém
Nenhuma pedra em punho
Somente alguém abaixado
Escrevendo um rascunho.

Dois saber que aquele texto
Era minha vida, minha biografia
Escrita com dedo, por aquele
Que nem ao menos conheço
Mas teve misericórdia de minha vida.

Olho tão belo homem
Ele pergunta onde estão
Os de pedras na mão
Digo que foram em silêncio
Não me condenaram mais.

Ele me olha ternamente e responde
A dor que sentes, não será mais dor
Livre estás de todo este horror
Eu te perdôo pelo que fez
Vai em paz e não peques mais.

O que era dor, não é mais
Agora sinto plena paz
O que era, não sou mais
Tenho completa liberdade
Escravidão, adeus, até nunca mais.

(Thiago Azevedo)

sábado, 5 de dezembro de 2009

Fazedor de farinha


Eta farinha boa
Brota firme no sertão
Do roçado de mandioca
Pra tirar alimentação.

Nesta árida vida
Somos todos mandioca
Pra ser triturado e moído
Tornar farinha de tapioca.

Deus é fazedor de farinha
E faz de nós plantação
Pra nascer raiz da terra
Depois, já não sei não.

O Senhor é quem escolhe
Se farinha fina, ou da grossa
Da mandioca tudo se tira.
Até goma pra tapioca.

Depois de tudo feito
Chegou a hora da celebração
Venham adultos e crianças
Entoar uma canção.

Na farinhada da vida
Mesmo em meio ao sertão
Deus fazedor de farinha
Nos dá sua salvação.

(Thiago Azevedo)

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Tédio


O tédio de ficar preso
Numa sala quadrada
Sem ar, nem nada
Apenas trabalhando
Mais nada.

A mosca rompe o silêncio
Também a paciência
Fica zumbindo
E me incomoda
O ouvido.

Queria escrever um poema
Simples e pequenino,
Nada me vêm à cabeça
Apenas a mosca
Zumbindo.

Que saudade do tédio
Na sala quadrada
Sem ar, nem nada
Agora tenho essa mosca
Que me fica zumbindo
E minha paciência
Indo, indo.

(Thiago Azevedo)

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Ave branca


Ave branca
Depois da tormenta
Das mais profundas dores
Que me afogam em dúvidas
Sobre meus desamores.

Vai ave branca
Voa nos ares a ver
O que há do lado de fora
Se a chuva partiu
E o sol fez-se nascer.

Adeus lágrimas de chuva
Deixe o arco de cores vir
Colorir a cinza vida
E alimentar o porvir.

Vem ave branca
E trás no retornar
As esperanças perdidas
E os sonhos que se foram
Durante a noite a chorar.

Noites de chuva
Enchentes de lágrimas
Vem Senhor com teus lenços
Nosso choro secar.

Bela ave branca
Foi-se e não voltou mais
Deixaste-me em plena paz
Livre das lágrimas da noite
Que só o amor do Pai desfaz.

(Thiago Azevedo)

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Identidade


Nasci às margens do rio Guamá
Sou caipora, sou curumim,
Sou baía do Guajará.

Cresci nas barracas do Ver-o-peso
Vendo o po-po-po rasgar o rio
Oceano de minha terra
De onde vi o mundo passar.

Sou o folclore da amazônia
Sou Matinta, curupira, Iaçá
Boto, Iara e sementes de guaraná.

Cresci brincando nas tardes chuvosas
Pegando manga do pé
Jogando bola na rua
De terra batida e pé no chão.

Sou a culinária de meu povo
Maniçoba, doce de cupuaçu
Pato no tucupi e tacacá.

Cresci ouvindo todos os sons da terra
Carimbó, marujada, Boi-bumbá
Guitarrada, brega, merengue
Lundu e também o siriá.

Sou a cultura da minha terra
A cerâmica do Marajó e Santarém
E o belo artesanato de Icoaraci e Abaeté.

Cresci sendo todos a quem vi
Feirantes, pescadores, músicos e artistas
Sou personagem do mundo inteiro
Sou Amazônida, sou Paraense
Acima de tudo Brasileiro.

(Thiago Azevedo)

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